Divulgação do metal português

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Quebra-Cabeças – Compilação de Rock e Metal Português

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Disponível para download gratuito a compilação “Quebra-Cabeças (Compilação de Rock e Metal Português) da Rotem Records. Vê em baixo a ligação! Nesta compilação temos: Humanart (black metal – Santo Tirso, formados em 1998, editaram em 2014 o seu primeiro longa-duração “”Lightbringer”), HOST (metal – Porto, fundados em Março deste ano, apresentam o tema “Catharsis by Carnage” do futuro EP “Bastard of the Fallen Thrones”), Booby Trap (thrash metal / crossover – Aveiro, formadosem 1993 estão prestes a lançar o segundo longa-duração com o nome “Overloaded”), Basalto (stoner / metal – Viseu, formados no ano passado, lançaram o seu primeiro trabalho este ano), Mindtaker (thrash metal – Redondo (Évora)), Smash Skulls (thrash metal – Grândola), Autopsya (thrash metal – Loures, editaram em 2013 o seu primeiro longa-duração “Thrash Metal Army”), Havoc Mind (melodic heavy / progressive metal – Lisboa, tem no EP “Havoc Mind” de 2015 a sua estreia), Tomás SCM.O.R.G. (thrash metal – Lobão, Santa Maria da Feira, editaram em 2015 o seu álbum de estreia “Nightmare of Sound”), Frost Legion (black / thrash metal – Bobadela, tem a sua estreia em 2014 com o álbum “Death of Mankind”), Marco Antonio Blues Abuse (heavy punk blues – Lisboa), Emerging Chaos (thrash / death metal – Barreiros, editaram em 2015 o EP “The Deacy of Mankind”) e ROTEM (progressive black / death metal, projecto a solo de Rotem (Bruno Rodrigues), impulsionador desta compilação, editou o álbum “Dehumanization” em 2014 e além de todo o trabalho que faz, foi o criador do logotipo da Ode Lusitana). O download gratuito desta compilação é feito aqui


Ode Lusitana # 15 – Setembro 2016 já disponível

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Número de Setembro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download gratuito.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Daniel Laureano (A Constant Storm) e Pedro Frazão (Konad). Notícias sobre Booby Trap, Alkateya, Decayed, Attick Demons, Legacy of Cynthia, Lyfordeath, RAMP, Silveira Rock Fest e Paws & Claws.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.

 


A Constant Storm

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   A Constant Storm é um projecto a solo do Daniel Laureano (Stormbringer), fundado no Porto em 2013 e que em 2014 contou com o lançamento da demo “Storm Born”, editando nesse mesmo ano o single “Love Crimes” (cover do tema dos Moonspell). Mas é com o primeiro longa-duração “Storm Alive” editado há poucos meses, que marcou definitivamente o panorama nacional, com uma diversidade musical fantástica, tornando este álbum um dos melhores editados a nacional.

   Estivemos à conversa com o Daniel para entrar no mundo de A Constant Storm, onde a nível musical tudo é permitido.

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Viva Daniel! Muito obrigado por esta tua presença na Ode Lusitana e é um prazer já que este teu projecto, A Constant Storm, veio trazer uma lufada de ar fresco ao underground nacional. Foi engraçado já que tive o primeiro contacto com o teu som através do tema “Pale March” editado na compilação “13 Portuguese Metal Compilation Vol. 7”, enquanto conduzia o carro paro o trabalho e fiquei bastante impressionado, entrando pouco depois em contacto contigo para adquirir este teu álbum “Storm Alive”. Já se passaram alguns meses do lançamento e as críticas e entrevistas tem chegado de todo o lado e bastante positivas. Como estás a reagir a todas estas respostas que tens tido deste teu trabalho?
Antes de mais, muito obrigado pelo convite e pelo interesse no projecto!

Até ao momento a resposta a este trabalho tem sido muito positiva, sendo que ainda não recebi qualquer review com pontuação inferior a 7/10. Confesso que estava à espera de receber críticas mais polarizadas, dada a natureza desafiante do álbum. Isto mostra que, ao contrário do que por vezes se pensa, os fãs de música neste país (e não só) estão dispostos a escutar propostas que não jogam pelo seguro e que fogem ao habitual.

 
Um projecto que começa com um “simples” Vendaval (primeiro nome proposto mas não foi avante) e que cresce para A Constant Storm, está a ser muito maior do que o primeiro conceito que criaste para este teu trabalho, iniciado em 2013? Qual foi o teu conceito original?
Este projecto nasceu sobretudo da necessidade que sentia em criar música, numa altura em que ainda não pertencia a qualquer banda ou colectivo. Na altura não me preocupei muito em pensar se isto poderia crescer e atrair a atenção de pessoas que não eu mesmo e foi nessa ordem de ideias que compus e gravei o primeiro EP, “Storm Born”. No fundo, fiz música por mim, para mim e fi-la recorrendo a meios rudimentares, que eram os que tinha à minha disposição.

 

Neste teu álbum “Storm Alive” tens a participação do Afonso Aguiar e do Ricardo Pereira, com quem fazes parte nos Moonshade e que também executam um excelente trabalho neste teu álbum. Como começou esta vossa amizade, que foi crescendo com o tempo e como foi a abordagem para este teu trabalho? É verdade que tens total autonomia já que é um projecto teu, mas em termos de gravações e ideias tiveste interesse em ouvir a opinião deles, ou serviram como suporte para transporem o que tinhas na tua mente?
Conheci o Afonso e o Ricardo quando entrei nos Moonshade no início de 2015, e eles, tal como os outros membros da banda, rapidamente se tornaram grandes amigos e pessoas que agora são como família para mim. Este excelente ambiente facilita tremendamente a criação musical e funcionamento entre todos, tanto na banda como em projectos paralelos como é o caso deste. Falando mais concretamente no álbum “Storm Alive”, apesar da composição musical ter ficado a meu cargo sempre estive receptivo às sugestões de ambos. Penso que as diferentes perspectivas só podem ajudar a fortalecer o resultado final e que essa variedade perder-se-ia se assumisse uma postura intransigente em relação a ideias que não partissem de mim próprio.

 

Ao fazer a pesquisa para esta entrevista houve algumas referências que fazes, que achei muita curiosidade e uma delas foi a alusão ao álbum “Nordavind” dos Storm (álbum único, lançado em 1995, que contava com a participação de Fenriz (Darkthrone), Satyr (Satyricon) e Kari Rueslatten (The Sirens)), pela que te marcou, pelo nome e acima de tudo pela variedade. És bastante receptivo a estas sonoridades diferentes? Estes músicos assim como outros como por exemplo Ihsahn (Emperor, Hardingrock, etc…), Garm (Ulver), mas principalmente (e um dos que mais respeito e sinto curiosidade) que é o caso do Fenriz, vieram todos de um meio mais black metal, mas tem uma visão muito mente aberta da música. No teu caso, também tens uma paixão forte pelo black metal, mas consegues explicar este viagem sonora que pelos vistos nasce neste género? O black metal é propício a este estudo por novas sonoridades?
Sou definitivamente receptivo e influenciado por todo o tipo de sonoridades, uma vez que acho que a música é demasiado rica e interessante para uma pessoa se prender a um só género, como compositor mas também como simples ouvinte. Sem artistas com mente suficientemente aberta para incorporar sonoridades diferentes esta arte nunca teria evoluído e, como tal, é extremamente agradável para mim poder apreciar Rotting Christ da mesma maneira que aprecio Queen, Ulver, The Sisters Of Mercy ou Kendrick Lamar, para dar alguns exemplos. Quanto ao black metal, penso que se trata de um estilo-base que de facto oferece muitas possibilidades de evolução. Existem vários casos de bandas e artistas com raízes neste estilo musical que levaram o seu som por caminhos tremendamente distintos e interessantes. Falo por exemplo dos já referidos Ulver à cabeça, mas também Ihsahn, Blut Aus Nord, Enslaved e por aí adiante.

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Agora vou ser um pouco mau, mas depois de ler todas as tuas influências musicais e que são das mais variadas possíveis, quero que indiques cinco álbuns que te marcaram e o porquê. A música sempre foi uma constante na tua vida desde que idade? Como surgiu o teu interesse por aprenderes um instrumento?

De facto, a dificuldade está na escolha!
– Bem, em primeiro lugar na minha lista coloco o “…And Justice For All” dos Metallica. É um álbum muito à frente do seu tempo, de uma banda também muito à frente do seu tempo e que é constantemente criticada por nunca se ter conformado a tocar o mesmo estilo durante 5 ou 6 álbuns seguidos. Os Metallica são, também, a banda que mais me fez apaixonar pela música da maneira como me apaixonei, portanto são uma influência seminal para mim.
– Depois, “Into The Labyrinth” dos Dead Can Dance, pela quantidade impressionante de diferentes sons e ideias musicais que eles conseguem fazer coincidir e combinar de uma maneira extremamente harmónica. O Brendan Perry é, também, uma das minhas maiores influências a título individual, tanto pelas suas composições como por ser um multi-instrumentista tremendamente capaz.

– De seguida, “Blood Inside”, dos Ulver. Um trabalho completamente impossível de confinar a um único género musical e que teve um impacto enorme em mim quando o ouvi pela primeira vez, pois veio redefinir toda a minha maneira de ouvir e pensar a música.
– Continuando, o já referido “Nordavind”, dos Storm, pela influência que teve neste projecto e pela qualidade absolutamente viciante e mestria dos arranjos que o duo Satyr/Fenriz aplicou a estes temas provenientes da tradição folclórica norueguesa.
– Por último, “Blind Scenes”, dos Soror Dolorosa, um dos trabalhos que mais me impressionou nos últimos anos, pela maneira perfeita como a banda mistura o gótico britânico clássico com uma melancolia muito própria e característica da cena coldwave francesa, sem nunca perder a sua identidade.

Respondendo à segunda parte da pergunta, comecei a interessar-me verdadeiramente por música por volta dos meus 11 anos de idade, através do meu pai e de alguns CD’s que ele tinha comprado ao longo dos anos, os quais acabou por me oferecer. Estes foram os primeiros álbuns que escutei por inteiro na minha vida: “Master Of Puppets”, dos Metallica, “Coma Of Souls”, dos Kreator e “Stained Class” e “Hell Bent For Leather”, dos Judas Priest. Juntamente com alguns ficheiros mp3 que havia reunido dos Scorpions, Iron Maiden e Nirvana e com alguns artistas cujos videoclips rodavam na MTV, como System Of A Down e Green Day, fui criando as bases para a minha exploração musical. Curiosamente já tocava guitarra há cerca de um ano, na altura por sugestão da minha professora de educação musical do quinto ano de escolaridade.
A vida é uma tempestade constante?
Definitivamente. Tudo acontece a um ritmo tão alucinante que é impossível escapar ao movimento e as mudanças trazidas pelos acontecimentos fazem com que a vida de cada um seja um turbilhão constante de momentos, tanto bons como maus.

 

Tens formação em audiovisuais e o teu objectivo é vires a trabalhar seriamente na área da fotografia. Como nasce essa tua paixão e quais as tuas referências ao nível de fotógrafos. Já tens apresentado alguns trabalhos teus ao público, ou em algum meio de comunicação? Qual a tua ideia de identidade visual para A Constant Storm?
A minha paixão pela imagem só floresceu verdadeiramente quando entrei na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo para o curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual e entrei em contacto com artistas fantásticos, que trabalham vídeo, cinema, fotografia, instalação, performance e todo o tipo de combinações diferentes entre estas formas. Tenho maior afinidade pela fotografia e as minhas maiores referências têm sido sobretudo artistas que trabalham sobre a identidade do próprio, muitas vezes através do auto-retrato, como Francesca Woodman, Jorge Molder, Nan Goldin ou Jeff Wall, este último pelas complexas encenações que cria nas suas fotografias de enormes dimensões. Sou também muito influenciado por capas de álbuns musicais que contenham fotografias, particularmente as capas do projecto alemão Sopor Aeternus & The Ensemble Of Shadows, cuja influência é evidente na capa do “Storm Alive”.

 

E assim chegamos ao final da entrevista! Obrigado por tudo. As últimas palavras são tuas e podes dizer o que quiseres!

Muito obrigado à Ode Lusitana pela oportunidade de responder a estas perguntas tão interessantes e de dar a conhecer o meu trabalho a um maior público. Sigam o projecto A Constant Storm no Facebook, Bandcamp e YouTube e apareçam na sessão de lançamento do disco “Storm Alive”, na Bunker Store, no próximo dia 24 de Setembro!


Konad

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   Konad, banda de Vila Franca de Xira, está a festejar os 20 anos de existência, tendo começado em 1996 ainda sob o nome de Konad Moska. Praticantes de uma mistura entre os mundos do punk e do thrash metal apresentam um crossover agressivo, que não deixa ninguém indiferente.

   Depois de algumas demos editadas é no ano de 2012 que editam o seu primeiro longa-duração de nome “Café Beirute”, mas é em 2015 com o seu segundo longa-duração, “Irae Dei” que vemos essa mudança na sonoridade dos Konad a enveredar por um caminho mais dentro do metal, mas não esquecendo as suas raízes.

   Com Kampino (voz), Pedro Frazão (guitarra), João Litrona (baixo) e Nuno sousa “China” (bateria) temos banda para muita animação e energia em palco. Foi com o Pedro Frazão que fomos saber mais dos Konad.

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Viva Pedro! Muito obrigado pela tua resposta positiva para esta entrevista à Ode Lusitana e da qual agradeço. Mas vamos ao início de tudo. Ainda te lembras de como começou esta tua paixão pelas sonoridades mais pesadas? Quais as bandas que te despertaram esse interesse? Tinhas um grupo de amigos onde partilhavam essas novas descobertas?

Boas Marco!! Sem dúvida que são memórias inesquecíveis. Aquela partilha adolescente com os amigos que (alguns) mais tarde viriam a ser colegas de banda. Iron Maiden, Wasp, Sepultura, Metallica, Slayer foram bandas marcantes para mim e para muitos dos jovens da época. Foram a porta de entrada num mundo simplesmente brutal!

 

Com o passar do tempo como nasceu essa tua vontade de tocar guitarra? Por vezes as pessoas ligam a paixão de tocar um instrumento com algum ídolo que se tem. No teu caso foi assim que aconteceu? Eras um assíduo frequentador de concertos na altura?

Mais tarde sim, tornei-me num frequentador de concertos. Em 1988, quando comecei a tocar guitarra, não havia muito acesso a material fonográfico nem os eventos em Portugal eram o que são hoje em número ou em qualidade (por vezes quantidade) de acesso à informação e facilidade de publicitar os mesmos. Quanto à guitarra, desde cedo me liguei com a sonoridade deste instrumento, mas a descoberta de Death e Chuck Schuldiner provocou um grande impacto naquilo que a música se tornou para mim, enquanto consumidor e músico.

 

Com início em 1992 fazes parte de Encancrate, banda de death metal melódico, mas que no ano de 1996 ao editarem a demo de estreia “A New Cicle of Fear”, também se torna o ano de fundação de Konad Moska, que mais tarde mudariam de nome apenas para Konad. Como surgiu a ideia junto com o Kampino, na altura também baterista dos Encancrate, enveredarem por um projecto dedicado na altura a uma veia mais punk? Sentias alguma saturação ligada ao Metal ou tinhas interesse neste movimento punk? Quais as bandas do estilo que te marcaram?

Algures no seu percurso Encancrate “bateu numa parede”. Tínhamos editado uma demo com boa aceitação, participámos em vários concertos e concursos, mas do ponto de vista de composição algo estava bloqueado. Assim, nos ensaios começámos a compor e tocar alguns temas (“Dá-lhe Gás”, “Kasal Ventoso”, “Vaka Louka”) num ambiente de descontração. Na altura as minhas referências seriam Exploited e Ratos de Porão. A coisa foi ficando interessante e acabámos por nos estrear ao vivo numa festa de Carnaval no extinto Lusideia Bar em Samora Correia. Mais tarde os Encancrate separam-se e o Kampino manteve viva a chama de Konad Moska. Ele sempre foi o mais punk de nós os dois (Eheheh). Apesar de, do ponto de vista social me identificar com o movimento, na época o punk enquanto música não estava na minha wishlist, ainda havia muito metal para devorar e era essa a sonoridade que me deslumbrava.

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Após uns anos iniciais conturbados em 2007 tens um retorno à banda e com esforço e dedicação vão ganhando uma notoriedade diferente, onde os lançamentos vão acontecendo e entre outros é de salientar o vosso primeiro longa-duração “Café Beirute” em 2012. Mas neste vosso último álbum “Irae Dei” a viragem para o metal, mais propriamente o crossover, é bem evidente. Como se deu esta evolução dentro da banda? As entradas do Márcio e Litrona (baixo) e André e China (bateria), tendo a passagem do Kampino apenas para a voz teve também influência na vossa sonoridade?

Sempre houve uma dualidade dentro das nossas bandas. Eu e o Kampino entrosamos de forma singular como pessoas e músicos. Somos amigos de longa data e o trabalho em conjunto tem sido pautado pela gratificação, sinceridade, partilha e uma busca por uma melhoria constante. Eu mais metal, ele mais punk. As bases de construção de ambos foram as mesmas, ele é um dos amigos do início da minha vida musical no rock pesado. Obviamente que o nosso percurso musical foi diferente após a génese, mas isso é, na nossa opinião, uma mais valia deste projeto, a possibilidade de misturar os dois mundos e a nossa abertura para o fazer. Quanto às mudanças de alinhamento, na questão do baixista deu-se à saída do Karmo por questões pessoais. O assumir da voz pelo Kampino era algo que já era tema de discussão há algum tempo. Com o trabalho de desenvolvimento do “Irae Dei” mostrou-se notório que o trabalho de voz e bateria se tinha tornado incomportável de executar em conjunto. Decidimos não comprometer o álbum e sim fazer o que nos ia na alma. Foi um passo natural.

 

As vossas letras, cantadas em português, versam a crítica social, o que dá ainda mais força à ideia expressa pelo vosso som. Estamos numa sociedade sem retorno, onde faltam os princípios e os valores? JJ Janiak dos Discharge refere que a “humanidade não está preparada para uma verdadeira anarquia porque as pessoas não conseguem viver em paz e coexistirem sem se matarem e roubarem umas às outras”. Concordas que esta visão caótica já se encontra entrada nos genes humanos?

Epá, o sociólogo é o Kampino, eu sou um homem da ciência (Eheheh). Mas parece-me evidente que estamos numa sociedade muito decomposta, não só em termos de valores, como em separação de classes e racial, assim como com uma grande componente de corrupção ativa, sem escrúpulos e tão in your face como os nossos temas. Considero o ser humano destrutivo por natureza. E atualmente essa agressividade até passa para as redes sociais. Cada vez mais as pessoas se separam do real e se mostram “heróis” ou demonstram aquilo que realmente são atrás de teclados. Estamos num caminho negro…

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Qual a reacção que tens tido deste vosso lançamento, assim como dos concertos que tem efectuado? Portugal é um país onde o punk e o metal na generalidade tem partilhado os mesmos palcos com boas reacções de parte a parte. Como consideras esta abertura por parte destes dois estilos? Afinal temos mais em comum do que muita gente pensa?

Temos tido reações muito positivas. No geral o álbum é bem recebido e agrada a gregos e a troianos. Na verdade a sonoridade mais crust que injetámos no “Irae Dei” teve esse efeito. É verdade que por motivos organizacionais é útil catalogar as bandas, mas na realidade entre metal e punk não existe um fosso assim tão grande quanto se possa por vezes imaginar, especialmente quando enveredas por géneros mais extremos do punk. Para quem realmente gosta de boa música, ver ao vivo num mesmo evento, bandas de ambos os estilos é até enriquecedor.

Pedro, por aqui termino a entrevista. Novamente muito obrigado! Estas últimas palavras são tuas, por isso estás à vontade para dizeres o que te vai na alma. Ficamos a aguardar novidades breves de Konad!

Obrigado Marco e Ode Lusitana por proporcionarem esta possibilidade de falar um pouco de Konad e daquilo que é uma das minhas paixões de vida. Celebramos, em 2016, vinte anos de banda e estamos a preparar uma surpresa engraçada para o pessoal que nos acompanha. Em breve haverão notícias mais detalhadas. E a todos que têm paixões persigam-nas avidamente e não deixem nunca que essa chama morra sem que se sintam realizados… Abraço!!!

 


Decayed – novo álbum “The Burning of Heaven”

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Lusitanian Black Fucking Metal!!!

Esta é a melhor frase para descrever o som dos Decayed que estão de regresso com a edição do seu 11º álbum, de nome “The Burning of Heaven”! Com edição Helld Prod e Chaosphere Recordings, são doze temas que não dão tréguas a ninguém e que mostram a solidez dos Decayed no nosso panorama underground nacional.

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Banda de Lisboa, nascidos no longínquo ano de 1990, tem como primeiro longa duração o célebre “The Conjuration of the Southern Circle” datado de 1993.  Depois disso os lançamentos não tem parado, com vários splits, EP’s e compilações. São 26 anos a debitar as suas sonoridades!

Neste álbum apresentam o membro fundador J.A. (voz/guitarra), assim como Vulturius (voz/baixo) e Tormentor (bateria).

 


Versus Magazine # 40 – Junho / Agosto 2016

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O último número da Versus Magazine já se encontra disponível para download gratuito.

Excelente publicação que prima pela qualidade gráfica, com muita informação, críticas a álbuns, artigos, reportagens de concertos e entrevistas conta neste número entre outras bandas com entrevistas aos nacionais Miss Lava, Godvlad e Soulue.

 


A Constant Storm – álbum de estreia “Storm Alive”

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A Constant Storm, banda do Porto fundada em 2013 lançou em Maio deste ano o seu álbum de estreia “Storm Alive“, estando disponível desde Julho este trabalho em formato físico.

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Daniel Laureano (a.k.a. Stormbringer) é o único mentor deste projecto de melodic death / black metal, mas com uma grande amplitude sonora como se pode ver pelas influências e gostos que passam por bandas como Dead Can Dance, Darkthrone, Ulver e muitas mais.

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Sem sombra de dúvidas é um dos projectos mais marcantes no panorama nacional durante este ano de 2016, em que esta diversidade musical apresentada demonstra uma lufada de ar fresco.

David Laureano, que também é guitarrista dos Moonshade, conta neste trabalho com a ajuda de dois elementos desta banda, tendo o Ricardo Pereira na voz e o Afonso Aguiar na programação da bateria.

Para os interessados neste excelente trabalho e desejam o CD podes fazer a encomenda através do bandcamp da banda. Edição limitada a 100 unidades.

 

 


Basalto

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   Basalto, banda de Viseu fundada em Fevereiro de 2015 praticam uma mistura de stoner / doom / metal, onde no meio deste caldeirão de influências proporcionam-nos uma viagem fantástica transmitida pelas sonoridades que podemos ouvir no primeiro trabalho divulgado em Abril deste ano.

   Banda constituída por António Baptista (guitarra), Nuno Mendonça (baixo) e João Lugatte (bateria), foi com o Nuno que partimos à descoberta de uma das revelações deste ano no nosso panorama nacional.

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Viva Nuno! Muito obrigado por teres aceite este convite para uma entrevista na Ode Lusitana. Foi com muito agrado que ao adquirir o vosso trabalho, me deparei com uma edição muito sólida e que faz jus ao nome da banda.
Como se deu o início da vossa banda no final do ano passado e como foi o teu contacto com os restantes elementos, o António Baptista e o João Lugatte? Como os conheces ou já é uma ligação que vem de longe? A ideia desta sonoridade muito característica é uma paixão que une vocês os três?

A banda começou em Fevereiro de 2015 e nasce, como sempre, da vontade de tocar. A ideia de fazer qualquer coisa já existia há algum tempo. Eu já conhecia o Tó (António Baptista) há alguns anos e costumávamos falar dessa ideia mas sempre em tom de brincadeira! Ele é que conhecia o João e decidiu falar com ele. Depois foi uma questão de combinar um ensaio e no fim ficamos realmente com a sensação que a coisa poderia resultar!
A nossa sonoridade foi algo que foi aparecendo de forma natural. Julgo que resulta do facto de termos influências e gostos muito abrangentes e diversificados mas que acabam sempre por se encontrar em algum momento. Nunca tivemos aquela ideia de tocar um estilo e não sair daí! Se o som final é mais para o Stoner ou para o Doom é resultado disso mesmo!

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Do surgimento da banda ao vosso primeiro registo foi um passo muito rápido. Qual tinha sido a vossa experiência musical antes dos Basalto? A captação, gravação, mistura, masterização e tudo o mais foi feito por vocês, tendo as gravações decorrido no Villa “L Dourado” Resort. Como funcionou este contacto, assim como com a editora Fuck Off And Do It Yourself, do qual vocês foram o primeiro lançamento? Como se pode resumir estas sessões de trabalho no estúdio para o lançamento do álbum?

Sim, do nascimento da banda à gravação do primeiro registo demoramos um ano. Mas não foi algo forçado, as 6 músicas que gravámos já estavam prontas e ensaiadas e a decisão do momento da gravação foi unânime e consciente.
Anteriormente a Basalto todos nós tivemos projectos e bandas mais sérios ou não e o João ainda continua activo em outras bandas como os Amaterazu. Eu já estava parado e afastado de bandas há muito tempo e o Tó também não tocava a sério desde o final dos Angriff, por isso a vontade era mesmo muita!
A escolha do local para a captação e gravação (Villa “L Dourado” Resort) também foi simples e natural, uma vez que é onde sempre criamos e ensaiamos. A decisão de fazermos tudo nós deveu-se principalmente ao facto de o Tó se interessar muito por essa vertente do trabalho de estúdio. Ele e o João fizeram a captação e a gravação das seis faixas e posteriormente o Tó fez a mistura e a masterização nos seus Fuck Off and Die Studios. Por isso foi juntar o útil ao agradável, poupamos algum dinheiro e ele teve a possibilidade de explorar mais esse mundo e pôr em prática os conhecimentos que vinha adquirindo! E honestamente fiquei plenamente satisfeito com o resultado final… aquilo é Basalto. Relativamente à editora, foi uma necessidade. Não tínhamos grande vontade ou interesse em andar à procura e/ou à espera de editoras. O álbum estava gravado como queríamos, com o som que queríamos, com o design que queríamos e o passo seguinte foi o Tó criar a editora (Fuck Off And Do It Yourself Records).

 

Uma das particularidades é a ausência de vocalista que independentemente das opiniões não tem um impacto menos bom na vossa sonoridade. Foi uma opção vossa, nenhum de vocês tinha jeito para cantar (desculpem o apontamento! ah!!), ou podem rever futuramente esta situação?

Essa é de facto a questão que mais nos colocam! Mas na verdade nunca sentimos a necessidade ou a obrigação de ter vocalista. Para nós nunca foi realmente uma questão. Começamos a criar sem voz e sempre nos sentimos bem assim. Chegamos a tentar integrar uma vocalista e até soava bem, mas não complementava a música da forma que entendemos ser útil.
Eu sinceramente nunca poderia cantar porque esse sim, seria um passo de gigante para a ruina imediata da banda! O João também não é bem a área dele e o Tó… pode ser que ainda cante alguma vez! Mas repito, não temos isso como um objectivo ou uma obrigação, se alguma vez acontecer, aconteceu. Terá sempre de ser natural. Neste momento, as 6 músicas que gravamos soam-nos bem assim e não alterávamos nada!

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Como dizem no press release podemos ouvir vários elementos na vossa sonoridade que vão do “Thrash ao Stoner, do Psicadélico ao D-Beat”, mas temos uma componente stoner bastante musculada no vosso som decididamente marcado pelos riffs de guitarra, o baixo verdadeiramente ritmado e a acompanhar a bateria pujante. É um estilo que te atraí pela mistura de vários estilos que podemos aqui encontrar? Quais as bandas de stoner que te marcaram profundamente?

Se eu for 100% honesto tenho de admitir que o Stoner nunca foi um som que eu consumisse muito! Claro que existem aquelas bandas incontornáveis que gosto e já conhecia… Orange Goblin, Kyuss, Spiritual Beggars, Corrosion Of Conformity, etc. Mas muito sinceramente acho que o nosso som embora vá claramente beber influências aí, foge também muito para outras sonoridades um pouco diferentes. E é aí que nos sentimos realmente bem, nessa mistura de estilos e influências.

 

Com horizontes alargados a nível musical, como se deu o início da tua paixão pelo metal? Ainda te lembras dos primeiros álbuns que adquiriste? A descoberta de novas bandas eram feitas através dos teus amigos ou sempre procuraste descobrir por ti?

A paixão começou sem dúvida muito por influência do meu irmão! Era bastante novinho, não me recordo bem, mas talvez com Iron Maiden, Halloween, AC/DC… por aí! Lembro-me bastante bem de comprarmos 2 Lp’s em particular: o “Somewhere In Time” dos Iron Maiden e o “Epicus Doomicus Metallicus” dos Candlemass e curiosamente ainda tenho os dois!
Depois já maior ia descobrindo as bandas novas com os amigos! Através de programas de rádio e fanzines (religiosamente encomendadas por correio) descobríamos as novidades e depois era gravar nas cassetes velhinhas quando alguém tinha o que procurávamos ou então era mandar vir as tapes e os discos/cds. Comprei muita coisa sem ouvir uma única nota… era pelo nome e pela descrição!

Actualmente moras em Viseu, mas as tuas raízes são açorianas. Tens acompanhado o que se passa a nível do metal underground nos Açores? Hoje em dia não se passam as dificuldades que existiam há uns anos em chegar às novas sonoridades, mas mesmo assim acreditas que é um movimento que tem problemas para se expandir? Sei que as pessoas continuam a fazer esforços para a divulgação deste estilo e a comprovar está o “The Unborn Fest” que decorreu em Março em Angra do Heroísmo, com a participação de algumas bandas da Ilha Terceira. O que pensas que é necessário para se consolidar este género nos Açores?

Pois, efectivamente sou um orgulhoso Açoriano, mas há já algum tempo que ando um pouco desactualizado sobre o que se faz por lá! O que me tem dito é que o pessoal quase todo tem optado por integrar bandas de covers, deixando um pouco os originais para segundo plano. Mas não sei se será mesmo verdade. Agora, de uma coisa tenho a certeza, pelo menos na minha ilha (S. Miguel), não existem metade das bandas que existiam em meados dos 90’s / inicio dos 2000. Quer queiramos quer não, ter e manter uma banda numa ilha é muito mais complicado do que aqui no continente, só a nível de concertos a diferença é abismal! Felizmente que ainda existem os “teimosos” como os Morbid Death, por exemplo, que ao fim de 25 anos ainda continuam a batalhar! Agora era preciso era começarem a aparecer (ainda mais) bandas novas e malta com vontade para os acompanhar!
Relativamente ao “The Unborn Fest” na Terceira julgo que já foi a 2ª edição e este ano até tiveram bandas internacionais. É sempre bom ver que existem coisas a acontecer e que o underground não está morto! Julgo que o caminho é exactamente esse, realizar festivais, concertos e/ou concursos para tentar “criar o bichinho” na malta mais nova!

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Aqui no continente temos visto um salutar aumento de bandas e de lançamentos de álbuns, com vários locais de concertos e promotoras a fazer um excelente trabalho. Ou seja bandas não faltam, mas o que é necessário para atrair mais o público? Achas que as mentalidades mudaram assim tanto comparando com a que eu e tu por exemplo vivemos nos anos 90? Viseu e toda a zona envolvente tem tido uma efervescência enorme no meio underground nacional, como se pode ver pelos concertos organizados desde a associação “Fora de Rebanho” até as “Rocha Produções”, entre outros, com muitos espaços para eventos. Do teu ponto de vista o que pensas de todo este movimento em Viseu? Ainda há espaço para crescer mais?

Sim, actualmente existem muitas bandas dos mais variados estilos e com muitíssima qualidade, muitos discos a serem gravados e boas salas de concertos! Claramente o trabalho está a ser bem feito! Se o público é pouco ou não adere em massa… deduzo que seja muito mais interessante ir ao “Rock” in Rio! As mentalidades mudaram a todos os níveis como é normal, algumas para melhor, outras nem tanto. Nos 90 talvez não existisse tanta mediatização do “Rock” e o underground unia-se mais.
Aqui por Viseu a situação felizmente está saudável. Por exemplo, a associação Fora de Rebanho já leva 3 anos de trabalho com concertos mensais e sempre em apoio ao underground e à cultura alternativa e a “Rocha Produções” além do Mangualde HardMetal Fest que já vai com mais de 20 edições está a organizar festivais em Tondela, Penalva do Castelo ou Viseu! E são apenas dois exemplos. Julgo que o underground em Viseu está efectivamente vivo e a crescer!

 

O underground não se pode resumir só às bandas, necessitando de todo um apoio por trás desde promotores, fanzines, fotógrafos, rádios e acima de tudo público. Concordas com esta minha opinião? As novas tecnologias trouxeram muitas coisas positivas, mas actualmente existe muita informação que está dispersa. O que retiravas do espírito underground que se viveu e que podias aplicar hoje em dia?

O underground é tudo isso! As bandas sozinhas não resistiam, é necessário o publico, são necessários os promotores, as zines, os fotógrafos, as rádios, etc. Todos necessitam uns dos outros, e todos tem o seu valor, o importante é apoiarem-se mutuamente sem ninguém se achar superior!
As novas tecnologias claro que vieram ajudar em muitas coisas, hoje em dia temos a facilidade de descobrir e conhecer bandas de todos as formas e feitios. Antes, como já disse, comprava dezenas de tapes só pelo nome da banda e por uma breve descrição… agora podes ler sobre a banda, ouvir, ver vídeos e depois se não quiseres comprar podes apenas fazer um simples download! Ainda assim, também tem o lado mau, eu comprava qualquer coisa e ouvia-a até à exaustão, lia e relia os booklet’s e voltava a ouvir! Agora às vezes tenho tantas coisas novas para ouvir que acabo por não ouvir metade ou oiço com um terço da atenção que devia!
Em relação ao espírito que se vivia, acho que não devemos fazer grandes comparações, tudo mudou, por isso temos de aceitar. Mas se fosse possível, gostava que o pessoal voltasse a aderir mais aos concertos do underground.

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Assim chegamos ao final desta entrevista. Muito obrigado pelas respostas e pelo tempo dispendido. As últimas palavras são tuas para deixares o que te vai na alma e tudo o que quiseres! Até uma próxima e ficamos a aguardar novidades dos Basalto.

Eu é que agradeço em meu nome e em nome dos Basalto a disponibilidade e o apoio à banda! É um prazer ver zines como a Ode a recriarem-se e a sobreviverem na era digital!
Continuem a apoiar as bandas nacionais como puderem e a ir aos concertos! E apoiem as fanzines, porque isto dá muito trabalho!!!

E já agora… comprem o cd de Basalto se ainda não o fizeram!


Pedra de Metal

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   Pedra de Metal é um blogue nacional dedicado à divulgação do que vai acontecendo no Metal, com grande incidência no Metal nacional. Um projecto inicialmente fundado em 2009 prima pela qualidade, dedicação e nada melhor do que estar à conversa com o seu fundador, o Paulo Eiras.

   Numa altura em que os canais de informação abundam temos visto um decrescer a nível nacional de sítios destinados ao que se passa no nosso meio e é com trabalhos como este que temos que tentar contornar esta situação e aumentar o aparecimento destes projectos.

10330387_10208620161212015_5258617118962639297_n-4 Viva Paulo! Muito obrigado pela tua disponibilidade para participares neste número da Ode Lusitana, ainda para mais quando é um enorme prazer para mim entrevistar pessoas ligadas à divulgação do metal, especialmente o que se faz no nosso país e no teu caso através do blogue Pedra de Metal. Mas como tudo, houve sempre um início no teu gosto pelo Metal. Como surge essa tua paixão?

O meu gosto pelo heavy metal começou quando eu tinha para aí 12 anos. Aliás o primeiro álbum de metal que ouvi foi o Wolfheart que o meu amigo Ricardo Silva me emprestou. Já ouvia muito hard rock, como os Led Zeppelin, Bon Jovi (qd ainda faziam rock), isto para dar alguns exemplos. Basicamente depois passei a ouvir as bandas mais tradicionais do metal como os Iron Maiden, Judas Priest e Metallica. Depois a partir dai foi passar para uma fase do Metal mais pesado até chegar aos Emperor e Dimmu Borgir duas bandas que adoro.

 

Tens alguns álbuns desse tempo que ainda continuas a ouvir e que te trazem emoções como se fosse a tua primeira vez?

Ainda tenho varias coisas, tenho a coleção toda de uma banda que pouca gente ouve os Notre Dame, também tenho uma caixa dos MetallicaLive Shit: Binge and Purge”, toda a minha coleção de Iron Maiden a claro cds e mais cds em mp3 de tudo e mais alguma J Confesso que ouço ainda com alguma frequência o cd ao vivo dos RAMP, um dos álbuns que mais gosto.

 

Uma das tuas paixões são os Iron Maiden, que por acaso foi a primeira banda que ouvi através do álbum “Live After Death”. O que achas deles como exemplo de uma das maiores instituições do Metal que existem e que transmitem o prazer de estar em palco e tentar fazer sempre um espectáculo para agradar aos ouvintes e a eles próprios?

A verdade é que os Iron Maiden são únicos e possivelmente a banda mais respeitada por todas as vertentes do Metal. O caminho deles teve alguns percalços no entanto mesmo quando existia polémica à volta da banda, eles nunca perderam muitos fãs e agora estão mais fortes do que nunca para mim.

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Com este teu início no Metal e passado uns anos de maturação enveredas pelo caminho da escrita. Como se iniciou esse processo?

Eu quando entrei para a faculdade tinha muito tempo livre J Basicamente pensei em fazer um blog de heavy metal, o que não aconteceu de imediato, cheguei a ter um blog meu, que nada tinha haver com música, relatava os meus dias da faculdade, em que eu era um lobo, numa alcateia, e pronto existiram muitas estórias por aí de lobos que organizavam caças (aka jantaradas) foi uma fase da minha vida bem interessante, que no fundo fazia contos com lobos, lobas e outros seres, numa floresta, para “relatar” o meu dia a dia. Começa ai a escrita, sendo que depois passei para música.

 

Eras leitor assíduo de publicações de metal tanto em formato de revista ou até mesmo de fanzines ou já optavas pelo acompanhamento de alguns blogues? Que publicações seguias? Já tinhas participado em algo antes do “Heavy Rock News”?

Confesso que não acompanhava muitos blogs, nem fanzines, eu ia mesmo aos sites das bandas e ao myspace (muito myspace mesmo) ver as novidades e era assim que me mantinha informado. Tambem comprava a LOUD! e ainda o Blitz enquanto este se manteve em formato jornal porque tinha sempre algumas páginas dedicas ao heavy metal. Nunca fui de participar em fóruns sempre me mantive muito low-profile nesse aspecto. A minha participação na Heavy Rock News foi bastante interessante. Entrevistei uma bandas brasileira os Mindflow os nacionais Dapunksportif, no entanto alguém decidiu que o Heavy Rock iria terminar e foi ai que decidi criar o Pedra de Metal.

 

Em Abril de 2009 dá-se o surgimento do Pedra de Metal, onde dizes que devido à tua paixão pela escrita decides criar este projecto de divulgação do Metal. Era uma ideia que já estavas a desenvolver há algum tempo?

Eu já estava a pensar criar o meu blog e sair de um projecto fez-me avançar com o meu. Comecei sozinho a fazer umas pesquisas aqui e ali e pronto foi começar a andar para a frente.

 

No início foi um hobby, mas que fizeste uma entrega de corpo e alma, com muitos colaboradores e parcerias que ajudaram a crescer o vosso nome. Como funcionava o processo de trabalho naquela altura?

Foi um hobby e continua a ser um hobby, nunca foi uma tentativa de ganhar dinheiro e muito menos de entrar de borla em concertos. Existiu uma fase que tinha vários colaboradores, mas as vezes quantidade não siginifca qualidade. Tive sempre do meu lado o Bruno Sousa e neste momento o Pedra de Metal mantem-se assim, apenas os dois e assim irá ficar esperemos que desta vez por muito mais tempo. As parcerias foram algo que surgiu naturalmente, e com elas vieram mais bandas nacionais, mais eventos nacionais divulgados, mais projectos de escrita divulgados (Versus, Iron Maiden Sanctuary Fanzine, etc etc) e posso dizer que aí sim se deu o “boom” do Pedra de Metal. Apesar de continuar a divulgar algumas notícias internacionais, o que me deu mais orgulho foi chegar à fase em que só divulgava cenas nacionais, concertos, cds, ep’s e por aí fora. As parcerias foram e são importantes porque são eles que nos ajudam a “divulgar a cena nacional” e que nos fazem chegar mais e mais notícias para publicarmos, para além de divulgarem o Pedra de Metal nos seu espaços. O Pedra de Metal é um simples blog, queremos divulgar o nosso heavy metal, e pronto. Nas parcerias feitas muitas vezes convidavam-me a aparecer nos concertos (se fosse no Porto tentava ir, mas mais longe não dava os €€€ não permitem essas aventuras), e poucas vezes pedi credencial, que não fosse de malta que eram nossos parceiros (pois eram foram sempre recusadas), até que um dia pedi credencial para o Rock In Rio (ano em que Rammstein, Megadeth, Motörhead e Soufly partilharam o palco principal) e para meu espanto deram-nos credencial. A minha primeira credencial foi para o Rock In Rio, eu so pensava como é que era possível, um blog conseguir isso. Ainda pude entrevistar More Than A Thousand e RAMP, e a partir daí mais portas se abriram para o Pedra de Metal, que antes do Rock In Rio, estavam fechadas. Digamos que o Rock In Rio acabou por ser um empurrão para mostrar que estávamos cá para divulgar tudo o que fosse possível do nosso metal nacional, dos nossos eventos nacionais e que não eramos apenas “uma brincadeira de miúdos”, como me chegaram a dizer uma vez.

 

Lembro-me de seguir atentamente o blogue e foi com uma grande mágoa que fiquei ao anunciares o fim deste projecto em Outubro de 2012. Anuncias as razões, principalmente devido à falta de tempo, para o “Pedras” e a disponibilidade que como é óbvio dedicaste à família, mas também a outras coisas. Sei que não foi de ânimo leve, mas como foram essas semanas a seguir a este fim? Desligaste-te completamente de tudo?

Confesso que eu estive mesmo para desativar completamente o blog e ele só ficou ativo porque todos os que lá escreveram não mereciam isso. A decisão não foi fácil, nada mesmo, e andou a marinar muito tempo antes de anunciar o fim do projecto, tanto que a minha ideia era ter terminado o Pedra de Metal, no dia a seguir à entrevista que publiquei ao Fernando Ribeiro dos Moonspell, estava com aquela ideia, “vamos acabar em grande”. Não o fiz, mas em novembro teve que ser, era muita coisa apenas para duas pessoas, e os projectos pessoais precisam de mais tempo meu, tempo esse que eu dispendia no Pedra de Metal. Ou seja o hobby estava a deixar de ser um hobby e começava a afetar a minha vida pessoal, foi nesse momento que parei. Quando terminei, estive uns tempos sem ir ao blog, acho que foi o melhor, mas por vezes regressava para reler varias coisas que estavam por la.

 

Há coisas que não morrem, nem ficam obsoletas, mas que evoluem. Foi o que aconteceu com o renascimento do “Pedras” em Novembro de 2015, com uma frase muito interessante no vosso blogue: “O Pedra de Metal nunca desapareceu completamente. É uma pedra que não vai ao fundo”. Resumindo, foste atrás desta tua paixão e não desististe. Como voltou a amadurecer essa tua ideia de voltares ao activo?

O principal motivo para regressar ao activo, foi infelizmente a morte daqueles que para mim foram os meus segundos pais, os meus avos maternos. Em cerca de um ano perdi o meu avô e a minha avó e eles sempre me apoiaram em tudo, e sempre disseram para nunca desistir do que gostava de fazer. Não foi uma fase boa, nem fácil, num ano perdi os meus dois melhores amigos. E o bichinho da escrita nunca morreu.

Estou numa fase em que penso começar novamente o “blog dos lobos” num formato tipo diário, enfim, nunca deixei de escrever.

Outra factor são os parceiros. A verdade é que existiram dois parceiros que nunca deixaram o Pedra de Metal morrer, são eles o Luis Lisboa do Vimanares Metallium e Ricardo Nora da Bulldozzer On Stage, que nos                        cartazes sempre até aos dias de hoje colocaram lá o nosso banner e só posso agradecer-lhes por isso.

 

Uma pessoa também importante neste renascimento foi o Bruno Sousa, que já tinha feito parte da vossa equipa e colaborado. De onde vem essa vossa amizade entre ambos, especialmente pela escrita e como entra nele nesta nova fase?

O Bruno está comigo desde o início, foi a primeira pessoa que convidei para o Pedra de Metal, esteve em todas as fases, sempre foi um excelente amigo e até conselheiro e neste regresso ele tinha que estar presente, o Pedra de Metal é tanto meu como dele, eu pelo menos considero assim. A nossa amizade surgiu num chat de uma rádio online de metal e já tem uns anos. É um amigo para a vida.

 

Aqui temos então o vosso projecto novamente e em força. Como tens visto a evolução da informação nestes últimos anos? Acompanhas alguns blogues/sites estrangeiros? Ainda continuas a seguir as publicações editadas em papel?

Deixei completamente de seguir as edições nacionais em papel, talvez mesmo por desleixo meu, e foi mais ou menos na fase em que terminei o Pedra de Metal. Afastei-me do mundo das notícias. Agora existe o facebook em que tudo é lá publicado. O que noto é que informação está cada vez mais disponível a todos, e admiro-me ter cada vez mais contactos de bandas da América do Sul, que me pedem para divulgar os seus projectos.

Neste momento estamos numa fase que a informação pode ir para sites, blogues etc etc, mas também tudo fica no facebook, twitter e outras redes sociais. Basicamente a informação está disponível a toda a gente de forma imediata, portanto é bastante mais difícil teres visitas no teu blog ou site comforme tinhas a uns anos atras.

 

Nos últimos anos temos vindo a observar um decréscimo das publicações dedicadas ao Metal no nosso pais. Os lançamentos em papel são muito poucos, temos apenas uma revista editada a nível nacional e os blogues/sites portugueses são também escassos. Esta situação não vemos em muitos outros países a começar pela nossa vizinha Espanha. O que nos falta em Portugal para haver mais gente a optar por iniciarem um trabalho que seja um meio de divulgação do que se faz no nosso pais?

Eu acho que falta é tempo e claro, tens que ter gosto pela escrita, isso é fundamental, mas a verdade é que se não tiveres tempo para publicares, tratares do teu “espaço”´, não consegues avançar com nenhum projecto. Depois, lá está, a informação já está bastante divulgada devido as redes. Por isso é que considero que projectos como o Pedra de Metal, a Ode Lusitana e muitos outros, devem-se é manter unidos e não criar “guerras estúpidas”, como por vezes meia dúzia de “atrasados mentais” tentam fazer.

 

Temos uma imensidão de bandas com trabalhos excelentes, muitos concertos a acontecer, mas pouca gente a optar pela escrita. Que dicas poderias dar a quem quiser começar? Qual seria o impulso inicial?

O impulso inicial é “se gostas de escrever, força, escreve”. Não nos podemos preocupar se vai resultar ou não, no primeiro mês de Pedra de Metal não pensava chegar as 1000 visitas e cheguei. Se escreverem sobre Heavy Metal, não entrem em guerras com ninguém, cada um divulga o nosso metal como pode, e principalmente nunca desistir no primeiro contra tempo. A nossa comunidade metaleira já é tão pequena, que temos é que todos divulgar, se possível, o que é nacional em grande quantidade.

Um dos trabalhos que mais respeito e tenho orgulho de desfolhar é a “Breve História do Metal Português” do Dico, já que é a nossa história, o nosso meio, a nossa paixão escrita neste livro. É uma base para o nosso futuro. Qual é o teu ponto de vista do Metal em Portugal a todos os níveis, desde as bandas até ao público? Qual o papel e o contributo que o Pedra de Metal poderá ter e o que esperam fazer nos próximos tempos?

O livro do Dico para mim foi uma excelente surpresa porque nunca pensei que fosse tão completo e com tanta qualidade, quer na escrita, quer no conteúdo. Um bem haja ao Dico por este resumo histórico do nosso Metal nacional. Quanto ao público do metal, epá, eu acho que o público do Metal português está envelhecido, está mais maduro claro, já não há aqueles “trues” de antigamente (e ainda bem), no entanto eu noto que estamos velhos. Não sei bem como te explicar isto, mas eu tenho 34 anos, e não vejo malta muita mais nova que eu nos concertos, ou ate mesmo na página do facebook do Pedra de Metal. Mesmo a nível de bandas não aparecem tantas bandas coma frequência que apareciam antigamente, e mesmo algumas cenas mais recentes já é de malta que já tem um ou dois projectos.

E assim chegamos ao fim. Muito obrigado Paulo pela tua disponibilidade. Eu como mentor da Ode Lusitana também estarei disponível para qualquer coisa que seja necessária e que divulguemos o que se passa no nosso pais. As últimas palavras são tuas, por isso estás à vontade!

Quero primeiro agradecer à Ode Lusitana esta experiência, normalmente quem faz as perguntas sou eu J Continuem com o vosso excelente trabalho e divulguem o Metal Nacional. A todos os que lerem se possível visitem o Pedra de Metal, podem deixar os vossos comentários e sugestões, estamos sempre abertos a novas ideias, que nos ajudem a divulgar o que é nosso e a novas parcerias. Um grande abraço para todos.

Podes também visitar o blogue aqui

 


Ode Lusitana # 14 – Junho 2016 já disponível

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Número de Fevereiro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download gratuito.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Nuno Mendonça (Basalto) e Paulo Eiras (Pedra de Metal). Notícias sobre Headbang Solidário IV, Defuntos, GodVlad, Smash Skulls, Assassinner, Forbidden to Fly, Booze Abuser e A Constant Storm.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.


Smash Skulls – novo single “Fall of Humanity”

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Smash Skulls, banda de Grândola formada em 2005 e praticante de thrash metal à boa escola antiga, lançam o seu mais recente trabalho, o single “Fall of Humanity”.

Além do tema-título também tem os temas “Fuck You All” e “Pay With Blood”.

 

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A banda é constituída por Carlos Faias (voz / guitarra), Miguel Brito (guitarra), Renato Ambrósio (baixo) e Pedro Correia (bateria)

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Podem ouvir este novo trabalho no soundclod ou aqui:


Basalto – o álbum de estreia

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Basalto, banda que trás no corpo a pedra em que está inserida a cidade de Viseu, da qual é originária. Praticantes de uma mistura stoner / doom / rock / metal, lançaram este trabalho de apresentação que vem mostrar a autêntica máquina trituradora que transmite através do seu som.

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A banda é constituída por António Baptista (guitarra), Nuno Mendonça (baixo) e João Lugatte (bateria). O álbum de 6 temas, foi gravado na Villa “L Dourado” Resort, sendo misturado e masterizado no Estúdio Fuck Off and Die. Sim, um trabalho completamente DIY, com um som demolidor que podes ouvir no vídeo:

 


Lunah Costa – Headbang Solidário

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   Numa época em que as dificuldades e diferenças sociais aumentam, é sempre de realçar quando há quem dedique parte do seu tempo a tornar as coisas um pouco mais simples. O Headbang Solidário surgiu para através de eventos solidários, onde se inclui concertos de Metal, tornar possível esta angariação de fundos para estas causas nobres.

   Lunah Costa, foi a mentora deste projecto que irá para a quarta edição a decorrer no Metalpoint a 17 e 18 de Junho.

   Esta entrevista, fala disto e de muito mais, mostrando que é uma das pessoas do Norte que tem feito um esforço enorme na divulgação do metal, sendo uma das criadoras da mais recente produtora Cthulhu Productions. Mas vamos à entrevista!

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Olá Lunah! É com enorme prazer que temos a tua presença neste número da Ode Lusitana. Para começar nada melhor do que o grande trabalho que se tem vindo a fazer e que é o Headbang Solidário. Como surgiu a ideia deste projecto da organização de eventos para a angariação de fundos para causas sociais? Quem é que constitui a equipa do “ Solidário”?

Muito obrigada desde de já pelo convite, é um prazer ser entrevistada pela Ode Lusitana. O Headbang Solidário surgiu quando uma amiga minha de longa data, a Vera Pentieiros, pediu ajuda para angariar fundos para o seu projecto Noites Solidárias que auxilia os sem-abrigo e famílias carenciadas, porque estavam sem dinheiro para comprar comida. Eu até a data nunca tinha organizado nenhum concerto mas aceitei ajudar. Como correu bem, decidi continuar com o Headbang e ajudar várias associações e causas. Não tenho como ajudar monetariamente as associações, por isso é esta a minha forma de ajudar. Em relação à equipa do Headbang, basicamente sou eu. No entanto, tenho o Fábio Pinto que elabora os cartazes do Headbang e tenho o Hugo Rajado que no dia dos eventos ajuda no que for necessário.

Como se processa a ligação entre vocês e as várias associações que apoiam?

Quando escolho uma associação ou projecto, tenho que conhecer bem a forma como trabalham e verificar se estão com dificuldades. Marcamos reuniões, as associações ou projectos apresentam provam das suas dificuldades, recibos, dividas, gastos e visito os espaços destas. No caso por exemplo da associação Senhores Bichinhos, eu sei e conheço as clínicas as dividas que a associação tem por salvar e cuidar dos animais. Para além que era voluntária da associação e hoje faço parte como membro da mesma. Conheço os animais, conheço o local e sei como a associação funciona. E é igual para o projecto Noites Solidárias, já assisti a entregas, todos os meses publicam os gastos e os recibos e conheço pessoas que este projecto auxilia. E é isso que faço. Tento ter a certeza que o dinheiro é bem entregue. No dia do evento, o valor angariado é entregue directamente do Metalpoint a um membro da associação ou projecto.

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O primeiro festival foi realizado em Maio do ano passado. O que mais tens notado de evolução entre esse festival e o último, realizado em Fevereiro deste ano? Já notas que as pessoas conseguem reconhecer facilmente o vosso trabalho e a apresentação deste festival?

O que tenho notado é que algumas bandas se disponibilizam para participar, enquanto no primeiro evento eu entrei em contacto com todas as bandas, neste momento, tenho bandas a contactar-me para ajudar e participar. Tenho recebido mais propostas de parcerias e de apoios. Tal como tenho associações a pedir ajuda. Acho que sim, acho que o nome Headbang Solidário já é reconhecido, não por todos claro, mas tenho recebido palavras de apoio de várias pessoas que não conheço pessoalmente, bandas que querem tocar neste evento e associações que pedem ajuda, mas ainda há um longo caminho a percorrer, é ainda algo recente.

Como nasceu a hipótese de utilizarem o Metalpoint como sítio dos concertos? Há a hipótese de quererem efectuar estes concertos em outras cidades ou espaços?

O Metalpoint foi o meu primeiro contacto. O Metalpoint não é apenas um local com excelentes condições. É o local que manteve o metal nacional vivo durantes estes anos, sem nunca desistir apesar das dificuldades. Se há algo que posso garantir, é que no Porto, o Headbang será sempre no Metalpoint. O Headbang não é apenas um projecto de festivais, é a representação do que eu acredito. E eu acredito na gratidão. E estou eternamente grata ao Hugo Almeida do Metalpoint, por ter abrido as portas a alguém que nunca fez nada do género, que acreditou em mim e que ainda hoje, é um grande apoio. Mas não está excluída a hipótese de alargar para outras zonas do país.

Em Junho próximo teremos a 4ª edição, desta vez associado à ajuda às crianças. Como a Associação Sorrisos de Criança ‘participa’ neste evento?

Eu decidi abraçar uma causa que me diz muito: as crianças. E tenho amigas que colaboram com essa associação. A Sorrisos de Criança, tal como qualquer outra associação, tem apenas que estar presente no dia dos eventos para promover o seu trabalho, tal como receber o valor angariado. No entanto, é necessário também um contacto regular entre mim e a associação, caso uma destas condições não se verifique, tenho que procurar outra associação ou projecto dentro deste âmbito.

Já se encontra o cartaz fechado ou poderemos ter mais algumas bandas?

Ainda poderá haver surpresas. O cartaz está fechado, mas é sempre possível haver algumas alterações. As bandas que participam, têm músicos que infelizmente não vivem da música, têm empregos, e como tal, por algum motivo profissional ou até de saúde, podem levar à alteração do cartaz.

 

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Como se efectua a escolha destas bandas, que tem sido uma surpresa para muitas pessoas, já que algumas são menos conhecidas ou ainda em início de actividade?

Digamos que tento colocar as bandas que admiro e gosto, o máximo que pode acontecer é receber um “não” ou até não obter resposta. Também penso no que o público gosta porque, sinceramente, um dos objectivos principais é angariar fundos. No entanto, sim, arrisco em bandas que nunca tocaram ao vivo, que nunca tocaram no Porto ou no Metalpoint, porque defendo que essas bandas têm o direito de mostrar o seu trabalho e claro que peço sempre material para ouvir.

Também é por isso que tento fazer cartazes com bandas de estilos diferentes, porque todas têm o direito de mostrar o que valem, independentemente do estilo de metal que tocam e já ouvi comentários deste género” não gosto do estilo, mas até gostei bastante da banda”. O Headbang tem sempre as portas abertas para qualquer banda, desde que tenham qualidade para oferecer ao público.

As pessoas que assistem a estes concertos conseguem ter um espírito solidário? Consegues explicar alguma da insensibilidade das pessoas perante estas causas, seja relativamente aos sem abrigo, aos animais, ou mesmo às crianças? Cada vez mais se perdem os valores morais nesta sociedade actual?

Como costumo dizer: os metaleiros são uns fofos (risos). Em todos os estilos musicais, em toda a sociedade, há sempre boas e más pessoas, tal como há pessoas solidárias e outras nem por isso. No entanto, um dos objectivos do Headbang Solidário é também diminuir a visão da (ainda) maioria das pessoas, que os metaleiros são todos uns porcos, feios e maus (risos) e tenho conseguido. As associações ficam muito admiradas com a solidariedade das pessoas que vão as eventos: levam comida, roupa, compram sempre alguma coisinha nas bancas para ajudar. Estou muito mas muito orgulhosa de todos os que vão aos eventos. É um ambiente lindo.

Mas sim, acho que os valores morais estão a regredir. As pessoas colocam o dinheiro à frente de tudo: da amizade, da gratidão, da humildade. Mas no caso da adesão do publico aos eventos, só tenho a agradecer a presença de todos.

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Tens uma presença bastante forte no que toca ao movimento underground e entre as tuas várias participações, estás agora na Cthulhu Productions. Da tua parte tens a organização de eventos e o agenciamento de bandas. Como nasce esta produtora, tendo uma variedade enorme de campos a que está ligada?

Não acho que tenha uma presença forte no movimento underground, ainda tenho um longo caminho a percorrer e muito a aprender. A Cthulhu nasceu nas profundezas das sugestões que tenho recebido (risos). Várias pessoas sugeriram que eu criasse algo a ganhar algum dinheiro, porque o trabalho que tenho feito no Headbang está a ser bem feito e que poderia investir em algo assim. E o facto de estar próxima das bandas, alguns laços de amizade foram criados, e fui-me apercebendo que as bandas poderiam necessitar de alguns serviços, a um preço simbólico para conseguirem alguns objectivos, como tocar em todo o país e no estrangeiro. Esse é o meu trabalho: levar as bandas aos quatro cantos do mundo, a começar por Portugal.

Em relação aos outros serviços, tenho amigos que sabem dar aulas de música, o Hugo Rajado, o Dabid Pinto e Tiago Gomes e têm muitas pessoas que querem aprender mas que não podem pagar o que geralmente as escolas pedem, logo, criei uma escola de música com pessoas que sabem dar aulas e que gostam, a um preço o mais baixo possível e com as melhores condições possíveis.

A nível de gravação de vídeo, tenho amigos que neste momento estão a criar um projecto nesse sentido, visto que a pareceria com a ISFrame não tinha como continuar.

Ou seja, nasceu entre amigos e irá permanecer entre amigos.

Quem compõem a Cthulhu Productions? Uma das primeiras parcerias foi com a banda portuense Thorvus. Como surgiram os contactos com eles e como as bandas e as pessoas podem entrar em contacto com vocês?

A Cthulhu Productions é basicamente composta por mim, para além dos professores, o Hugo Rajado, o Dabid Pinto e Tiago Gomes, e colaborações que ainda estão a ser analisadas.

Em relação aos Thorvus, conheço os Thorvus à 3 anos, por motivos pessoais, namoro com o Fábio Pinto, guitarrista e vocalista. Sempre gostei do trabalho deles, acompanhei-os ao longo destes anos como manager e amiga. Foi por causa deles que ganhei amor ao metal nacional de forma que hoje dedico-me a esse “amor” (risos). Só sabendo as dificuldades das bandas nacionais de metal, é que se ganha paixão pela causa.

Podem contactar por email: productionscthulhu@gmail.com , por facebook: https://www.facebook.com/CthulhuProductions e por tlm: 915 880 324.

O nome Cthulhu, remete ao imaginário do mestre norte-americano H. P. Lovecraft. Como foi a tua descoberta deste autor? Tens mais autores que despertam a tua curiosidade? O que achas da situação nacional em que vemos os jovens cada vez mais a se afastarem da leitura? O que se poderia fazer para alterar esta mentalidade?

Desde de muito cedo que adquiri o âmbito de ler. O meu irmão mais velho sempre me deu grandes obras para ler e H.P Lovecraft foi o primeiro génio do terror que fiquei grande admiradora até aos dias de hoje, porque na sua obra ele, ao mesmo tempo que ele cria personagens míticas como o Cthulhu, insere elementos de fantasia e ficção cientifica que são géneros que aprecio bastante, para além da sua escrita fria, detalhada e mórbida. A obra dele diz-me muito, ao ponto de escolher este nome para o projecto e de futuramente, tatuar uma homenagem ao escritor e à sua obra e assim começo a responder a outra questão: tenho imensos escritores que despertam a minha curiosidade e mais que isso, a minha admiração. Tenho um braço tatuado com Edgar Allan Poe, Florbela Espanca e Oscar Wilde, e ainda falta tatuar o H.P Lovecraft e o José Saramago. Os livros, a leitura, sempre foi a minha grande paixão. Em relação aos nossos jovens, sinceramente, não estou a par das suas escolhas de leitura, mas é percetível que na sua maioria não têm sequer hábitos de leitura e sim, isso preocupa-me, por acredito que há escritores, há livros, há simples frases, que podem mudar a nossa maneira de ser, quem somos. Que nos podem tornar melhores seres humanos. Não sei como alterar esta mentalidade. Mas acredito que a família tenha um papel essencial. No entanto, cada um tem os seus gostos, as pessoas são livres de não gostar de ler, mas, sinceramente, acho que deveriam ler pelo menos um livro por mês.

 

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Entre as várias coisas, também efectuas entrevistas a bandas. Como é o teu processo de preparação das mesmas? O que achas do aumento destas publicações e porque não surgem mais?

Infelizmente, já não faço à imenso tempo. Felizmente, a Som do Rock, apoiam-me nos meus projectos e entende que não tenho como fazer entrevistas neste momento. Criei o festival Som do Rock Fest para agradecer esse mesmo apoio.

Tudo teve um início, por isso como começou a tua paixão pelo Metal e com quais bandas? Tinhas um grupo de amigos na secundária em que davam a conhecer novas sonoridades? Quais os álbuns que ouvias no início e ainda gostas de ouvir?

Começou na barriga da minha mãe (risos). O meu irmão mais velho já ouvia metal, então colocava os phones na barriga da minha mãe (risos). A medida que fui crescendo, fui sempre ouvindo metal, simplesmente porque gostava mais desse tipo de música do que o restante que a minha irmã e amigos ouviam. Os únicos metaleiros que conheci eram os amigos do meu irmão que com o tempo seguiram a vida deles e fiquei sozinha (risos). Basicamente, cresci em uma aldeia muito reservada em que fui maltratada por me vestir de preto todos os dias e com t-shirts de bandas que as vezes são “agressivas” (risos) . É duro crescer numa aldeia que és a única a ouvir este género de música. Não tinha amigos que ouvissem o mesmo, até o meu 9º ano em que conheci três pessoas que ouviam metal da minha idade. No secundário, conheci apenas o Marcelo, que faleceu com 18 anos, logo, a nossa amizade foi demasiado curto, a vida dele foi demasiado curta. As primeiras bandas que ouvi e que me recordo foram: Iron Maiden, Metallica, Manowar, Sepultura, Pantera, Black Sabbath, Megadeath. Não posso escolher um álbum (risos) é impossível, ouço vários de várias bandas. No entanto, por motivos pessoais, há um álbum que sempre me vai acompanhar : “Black Album”, dos Metallica, era o álbum que o meu irmão usava para me adormecer e que alguém muito especial que já partiu, tocava guitarra para mim. De resto, não consigo escolher.

E assim terminamos esta entrevista. Quero agradecer-te pela tua disponibilidade! Muito obrigado! E estas últimas linhas estão à tua disposição para dizeres o que quiseres.  

Muito obrigada pelo convite pelo apoio. E obrigada a todos os que têm dado o seu apoio aos meus projectos, farei sempre o meu melhor.

https://www.youtube.com/watch?v=mob4tVsv7VM


Web

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   Web são uma das bandas que durante mais tempo tem espalhado a palavra do Metal por terras nacionais, com o seu thrash metal e que este ano fazem 30 anos de carreira.

   Fundados em Outubro de 1986 no Porto, editaram até ao momento três longa-durações, “World Wild Web” (2005), “Deviance” (2011) e o mais recente “Everything Ends” (2015). Formados actualmente por Fernando Martins (voz / baixo), Victor Matos (guitarra), Filipe Ferreira (guitarra) e Pedro Soares (bateria), conseguiram evoluir ao longo dos anos e monstram o seu potente som.

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Vamos conhecer um pouco mais de Web em entrevista com um dos músicos mais reconhecidos a nível nacional, o Victor Matos, membro fundador do grupo.

 

Olá Victor! É uma honra ter-te neste número da Ode Lusitana pela importância que tens mo metal nacional, seja em cima do palco, ou a assistir a muitos concertos e festivais pelo país fora. E a cereja acima do bolo é a edição deste álbum “Everything Ends”, passados quase 30 anos da formação da banda. Ao princípio o título do álbum podia levar a uma situação mais drástica, mas aí temos Web, a percorrer o país de lés a lés. Como tem sido as reacções ao álbum e o que as pessoas te tem dito? Qual a fórmula de manter o vosso som actualizado, levando a uma evolução constante da banda?

Antes de mais Viva! E obrigado por te teres lembrado dos Web.

O titulo do álbum insere-se no contexto do próprio álbum, nas letras, no artwork e no clima que pretende criar, mas como é obvio “Everything Ends” é um dado adquirido, não vale a pena tentar fugir disso, mais tarde ou mais cedo acontece!

As reacções ao álbum têm sido muito positivas, quem já conhece o percurso e o trabalho de Web fala em evolução técnica e sonora conseguindo sempre soar a Web. Aqueles que ouvem ou vêm Web pela primeira vez e já conheciam de nome costumam dizer-nos que não faziam ideia que a nossa sonoridade fosse esta e dão-nos parabéns! Os “virgens” mediante aquilo que ouvem ou vêm costumam ficar muito admirados quando se apercebem que a banda celebra agora 30 anos e que nunca esteve parada.

A fórmula para mantermos o som actualizado é simples e tem a ver com a nossa maneira de ser. Em termos de novidades acompanhamos sempre o meio nacional quer internacional, porque gostamos e esta é a nossa paixão! Não nos fechamos no passado, porque já passou e também não recusamos a novidade sem primeiro a conhecermos.

Penso que é esta atitude que naturalmente nos dá a tal evolução constante de que falas.

11224019_884125248327891_7182193790142624165_nEste álbum serviu de mote à “Everything Ends Tour” com vários concertos ainda na calha como o Moita Metal Fest, SWR Metal Fest, Bulldozer Fest, Viseu Rock Fest, ou mesmo em espaços mais pequenos. Tive a oportunidade de os ver em vários sítios e é evidente a energia em cima do palco. Como tem corrido estes concertos? É notária a evolução nas condições e nas salas de concertos? És observador atento das bandas que partilham o palco com vocês? Tem previstas mais datas nesta tour?

Os concertos têm corrido muito bem! A parte I da tour com todos aqueles fins de semana seguidos foi excelente em termos de convívio com as outras bandas e com o público!

A parte II está agora a decorrer, em termos temporais é diferente, uma vez que é mais espaçada no tempo.

Posso desde já dizer que em termos de convívio está a acontecer a mesma situação atrás descrita, em termos de participação do público, está a ser brutal! Boas casas com muita participação do pessoal, notamos que muitos já cantam os temas do novo álbum e apercebermo-nos que temos muita malta nova lá presente, nova em termos de idade e nova por serem a primeira vez que assistem a um concerto de Web.

Este facto deixa-nos muito contentes

Todos sabemos a vossa história, mas como é que tu e o David Duarte começaram por ser roadies dos Tarantula? Podíamos dizer que já existia um aglomerado forte de pessoas na década de 80 que se interessava pela música mais extrema? Onde é que se juntavam e procuravam descobrir novas edições de bandas?

Sim mas eramos muito menos! Geralmente juntávamo-nos na escola secundária, nas casas de cada um, partilhávamos as revistas, (a maior parte em Alemão o que dificultava ainda mais), em dois ou três “tascos” no Porto, e claro, nos poucos concertos de que de vez em quando aconteciam! Em termos de frequência estamos a falar de cerca de meia dúzia por ano de bandas internacionais, e igual ou menos ainda de nacionais, e se estivermos a falar mesmo só de som extremos sem o “Rock”, eu diria mesmo que eram ainda menos…

Para terem uma ideia, mais de 80% dos vinis que adquiri na última metade dos anos 70 e da primeira dos anos 80 vieram de fora de Portugal, sobretudo do Corte Inglês de Vigo 😛

Depois abriu a Tubitek, mais tarde a Bimotor, pontos de referência no Porto, e já se trocava muita correspondência, com a particularidade do pedido da devolução do selo (lol), e as coisas já passaram a ser diferentes.

Em 1986, começam o vosso longo e saudável percurso, que foi interrompido por uma das coisas que a juventude de hoje em dia não tem conhecimento e que limitou algumas das bandas do nosso meio e que era o S.M.O. (Serviço Militar Obrigatório). Mas em 1992 fazem parte da compilação nacional “The Birth of a Tragedy”, e em 1994 editam a vossa primeira demo. A partir daí foi sempre a subir. Como definiram o som que queriam fazer no início? Havia alguém na banda que indicou que o caminho era o thrash metal? Como era o ambiente que se viva no meio da década de 90 a nível de concertos, público e bandas?

Nascemos em 1986 e a nossa estreia deu-se em 1987 no Rock Rendez Vouz. Foi muito auspiciosa e voltaríamos lá um ano mais tarde. De facto, na altura o SMO atrasou um pouco o nosso percurso. Devido à nossa idade ser em “escadinha” começamos a ir à vez, e quando um estava para sair entrava outro, na altura, o tempo médio foi de ano e meio.

Nunca nos preocupamos muito com o dito estilo, a principio, talvez devido aos temas serem mais arrastados fomos conotados com uns certos sons que estavam a proliferar na Europa mas por cá ainda eram pouco conhecidos, estou a falar de Black Metal e Death Metal. A partir da “Evil Tape” começamos a ser decididamente conectados com o Thrash Metal.

No meio da década de 90 houve um boom e começaram a haver muitos mais concertos, fanzines, salas e bares abertos ao dito som extremo. Enfim, o meio começou a proliferar e como é logico os Web pertencendo a este mesmo, e já na altura sendo considerada como uma banda veterana também começamos a tocar com muita mais frequência, editar demos, partilhar palcos com bandas estrangeiras, etc.

Já na altura em que o underground estava a regredir o David teve de abandonar a banda (finais de 1997), devido a doença, que 4 anos mais tarde nos retiraria a sua presença física… Eu e o Fernando tivemos de “levar o barco” por diante, não vou dizer que tivemos de recomeçar tudo de novo, uma vez que o nome Web já estava praticamente consolidado no meio Metálico Português, mas tivemos de “enterrar e expurgar velhos fantasmas” o que podem crer foi muito pior mesmo…

Passado menos de um ano, depois de muitos ensaios já com a nova formação, lá conseguimos dar um concerto e continuar a andar com a causa prá frente.

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Como surgiram as tuas ligações com o Fernando Martins e o Pedro Soares? E já em 2005 como surge o Filipe Ferreira? Todos tem gostos musicais diferentes, ou partilham as mesma influências. Pelo que já vi, o teu gosto musical é bastante variado.

O Fernando conheci-o através do David, na altura era assíduo cliente/frequentador da Halloween, (para quem não sabe uma das primeiras lojas dedicadas inteiramente ao Heavy Metal que era da pertença do David e da esposa e se situava no C.C. Stop), na altura estávamos com uma remodelação na banda, saíram 3 elementos e entrando outros 3, e foi com este novo line up que gravamos a “Promo Tape”.

O Pedro respondeu a um anuncio que viu precisamente na Halloween, isto em Outubro de 1997 quando houve a última grade remodelação nos Web.

O Filipe também se candidatou ao lugar vago de guitarrista, na altura para podermos começar a promover o “World Wild Web” que tinha acabado de ser editado.

Nós partilhamos mais ou menos os mesmos gostos com umas certas diferenças nas preferências de bandas ou estilos. No meu caso consumo um leque muito variado de Metal, Rock e Blues, depende muito do momento e da oportunidade, não me preocupo com rótulos, o que gosto, gosto o que não gosto, não quer dizer que não preste, apenas que não gosto, o problema até pode ser meu, por isso paciência…

1933385_1027232944017120_818947595101649164_oActualmente temos a teia da internet que se tornou parte do nosso dia-a-dia, tornando possível aceder a muita informação e muita música. Utilizas as tecnologias para descobrir novas bandas, ou és mais selectivo na quantidade enorme de bandas que se descobrem todos os dias. Este meio facilitou a divulgação das bandas, ou limitou-o devido a essa mesma grande quantidade de informação? O que é necessário para singrar no nosso meio?

Sim utilizo bastante, muitas vezes opto por ouvir bandas de países não muito comuns e bandas que nem sequer tinha ouvido falar nelas, e isso agrada-me muito, dá-me muito prazer conhecer cenas novas e ficar a gostar delas.

Penso que a quantidade enorme de informação apesar de ter aspectos negativos, os positivos se forem bem aproveitados superam e de que maneira os negativos, não curto nada a frase “no meu tempo é que era”, não era já foi, por isso já passou, agora se o soubeste aproveitar ou não isso já é outra história.

Para singramos no nosso meio, é preciso perseverança, gosto, empenho e disponibilidade, mas isso é como tudo na vida, o resto com certeza que mais tarde ou mais cedo irá aparecer, por algum motivo se costuma dizer que a sorte protege os audazes!

E terminamos por aqui esta entrevista. Queria-te agradecer pelas tuas respostas e bebemos um copo num próximo concerto algures pelo país. As últimas palavras são tuas!

Eu é que agradeço quer a entrevista, quer o teu modo de estar e apoiar o nosso meio, e como últimas palavras convido o pessoal a aparecer num concerto qualquer num sítio qualquer a juntar-se a nós e bebermos o tal copo juntos.

IIN METAL WE TRUST!!! IN UNION WE STAND!


Ode Lusitana # 13 – Março 2016 já disponível

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Número de Fevereiro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Victor Matos (Web) e Lunah Costa (Headbang Solidário e Cthulhu Productions). Notícias sobre The Unborn Fest, Sonneillon BM, Brutal Brain Damage, Dark Oath, Dethmor, Thorvus, H.O.S.T, Toxic Attack e Gorgásmico Pornoblastoma.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.


Thorvus – apresentação de novo tema

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Thorvus, banda originária do Porto, fundada em 2013, pratica um som que mistura “Death Metal Melódico com elementos de rock progressivo, Doom metal e afins”.

Mais notícias em breve, mas já se encontram na preparação do seu primeiro longa duração, que será editado ainda durante este ano.

Podemos ouvir o tema “A Trial Before My Demons” e com este trabalho temos também o início de Cthulhu Productions no agendamento à banda, sendo uma produtora com uma gama bastante alargada de serviços de apoio às bandas.

 


Destroyers of All – novo vídeo “Hate Through Violence”

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   Destroyers of All, banda de prog / death metal de Coimbra, fundada em 2011, irá lançar no dia 18 de Março através da Mosher Records, o seu álbum de estreia “Bleak Fragments”. Como avanço deste lançamento, a banda apresenta o vídeo “Hate Through Violence”.

 

A banda já tinha lançado em 2011 o seu EP de estreia “Into The Fire”, onde sobresaia o tema “Astral Projection”.

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A festa de lançamento deste CD decorrerá no States Club em Coimbra, contando com a participação de Tales for the Unspoken (groove metal – Coimbra, fundados em 2008, lançaram o ano passado o seu segundo longa duração “CO2”) e Terror Empire (thrash metal – Coimbra, com o início de actividade em 2009, sendo o álbum “The Empire Strikes Black” o seu primeiro-longa duração, lançado em 2015).

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Lyfordeath – novo vídeo “Silêncio”

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LYFORDEATH, banda de Lordelo / Porto, fundada em 2012 e praticante de thrash / death metal apresenta o seu novo single “Silêncio”.

 

 

 


Dico – Breve História do Metal Português

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Na sequência do pré-lançamento de uma obra literária icónica do movimento nacional está de regresso através de uma nova edição revista e aumentada a “Breve História do Metal Português” da autoria do Dico (Eduardo José Almeida).

Nada melhor do que recordar uma entrevista dada pelo Dico à Ode Lusitana em Abril do ano passado.

   Jornalista e músico, Dico tem deixado a sua marca na história do underground nacional. Dos vários trabalhos realizados, até projectos que ainda estão em gestação ficamos a conhecer o excelente empenho demonstrado.

10941830_397395457107654_3757071436482432474_nViva Dico! Desde já queria agradecer por teres aceitado responderes a estas perguntas e queria começar por que nos contasses como foi a tua introdução ao “Som Eterno”? Ouvias os álbuns sozinho em casa ou existia a partilha com os amigos?

Olá, Marco. Eu é que agradeço o convite. O primeiro tema pesado que me recordo de ter ouvido foi o “Bohemian Rahpsody”, dos Queen, aos 7 anos. Na época, por influência dos meus irmãos, também ouvia a Suzi Quatro e, mais tarde, o hit single dos Survivor, “Eye of the Tiger”. Estes foram os primeiros artistas de Hard Rock que ouvi. Tinha eu 11 anos, em 1982, quando o meu irmão me deu a ouvir o “The Number of the Beast”, dos Iron Maiden, e a partir daí fiquei definitivamente enfeitiçado pela música pesada. Comecei a ouvir Van Halen, UFO, AC/DC, Saxon, Deep Purple, Huriah Heep, Motörhead, bandas que o meu irmão e os amigos dele me mostravam. Cedo comecei, também eu, a levar lá a casa os meus amigos para os endoutrinar no Heavy Metal (LOL).

Tinhas lojas em que procuravas as novidades que iam surgindo?

Sim. Passei inúmeras tardes com amigos a descobrir novos discos nas míticas discotecas Motor (mais tarde Bimotor) e One-off, bem como numa loja de música que havia no Centro Comercial do Lumiar.

Como começou o teu fascínio pela bateria? Ainda te lembras da tua primeira aquisição?

Lembro-me de ficar absolutamente fascinado com a forma de tocar do Nicko McBrain, dos Iron Maiden. Por isso, aos 12/13 anos comecei a “tocar bateria” em caixotes de papelão com as agulhas de tricot da minha mãe (LOL). Depois, passei a “tocar” com colheres de pau viradas ao contrário em caixas tupperware fechadas com ar dentro, para dar mais estrondo (LOL). Só aos 18 anos comprei a minha primeira bateria, uma Superstar (LOL) que custou 80 contos (400€) e me foi oferecida por uma tia. Na época, não sabia nada do hardware do instrumento. Lembro-me que a dada altura o lojista que me vendeu o kit disse: “Vou buscar a chave da bateria” e eu perguntei-lhe: “As baterias também têm chave?” (LOL) Na época, era este o meu grau de desconhecimento.

Ao longo do teu percurso musical passas por várias bandas (Paranóia, Powersource, etc), mas fala-nos da tua passagem pelos Dinosaur, desde a gravação da demo auto-intitulada, ao aparecimento do tema “Accident” na compilação “The Birth of a Tragedy”, assim como da tua passagem pelos Sacred Sin e do lançamento do “Darkside”.

A minha passagem pelos Dinosaur não foi isenta de problemas e conflitos, mas prefiro recordar os bons momentos, que foram muitos. Adorava os Dinosaur. Evoluímos e crescemos em conjunto. Nos dois anos que estive no grupo tivemos vários pontos altos: a participação no 1º Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa, o concerto no Cais do Sodré na final do concurso, a 1º parte dos Censurados na Bobadela, a gravação da demo-tape e dos telediscos, a participação na compilação “The Birth of a Tragedy” com o tema “Accident”…Tenho orgulho daquilo que alcançámos. Fazíamos música genuína, com paixão, de forma inocente. Sabíamos que tínhamos bons temas, mas só percebemos que estávamos a fazer algo relevante quando chegámos à final do referido concurso e fomos objecto de uma exposição mediática pouco habitual na época para um grupo de Metal underground. Vivi nos Dinosaur momentos mágicos. Também foi um enorme privilégio tocar com os Sacred Sin e tive a sorte de gravar com eles o “Darkside”. Estive com a banda menos de um ano, mas esse período temporal, apesar de breve, foi também extremamente profícuo. O ambiente interno era impecável, mas na época estava a atravessar uma fase complicada a nível pessoal, o que me impediu de aproveitar melhor a minha estadia na banda. Além disso, tecnicamente não estava preparado para tocar num grupo como os Sacred Sin.

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Um dos motivos porque és reconhecido no meio é pela tua escrita. Desde a participação em várias revistas a blogues, ao longo dos anos tens demonstrado esse interesse. Como surge essa paixão? O que te tem motivado ao longo dos anos a participares nesses projectos todos?

O que me motiva é um profundo amor pelo Underground. Tenho sempre de estar a fazer algo relacionado com o Metal. Sempre. Desde há muitos anos que essa necessidade irreprimível se manifesta na escrita sobre música. Muitas vezes não consigo ter tempo para todas as publicações nas quais colaboro. Sempre adorei escrever, portanto foi natural aliar esse gosto à minha paixão pelo Metal. Em 1989/1990 elaborei o projecto de uma zine intitulada No More Denial, que nunca chegou a ser publicada, mas a primeira vez que efectivamente escrevi sobre música foi em 1991, para a Metal Trail Zine.

Em 2013 é editado o livro “Breve História do Metal Português”. Confesso que quando o adquiri o li de uma ponta a outra, com os headphones metidos na cabeça e com o youtube ligado à procura de bandas que apareciam e que não tinha sequer conhecimento da sua existência. Foi um projecto bastante difícil de fazer?

Já várias pessoas me disseram que pesquisavam na Internet as bandas presentes no livro à medida que o liam. Essa é, efectivamente, a melhor forma de apreciar o “Breve História do Metal Português”. É uma descoberta constante. Não foi propriamente difícil de fazer, até porque foi um processo progressivo. Só a dado momento, quando já tinha um significativo volume de informação, percebi que fazia sentido dar-lhe a forma de livro. Assim foi, apesar de, à época, me debater com problemas de saúde. O que correu pior foi a relação de trabalho com a editora. As propostas de paginação que me apresentaram eram desastrosas, pelo que tive de tomar as rédeas ao projecto e encontrar quem paginasse o livro. Desvinculei-me da editora, pelo que a segunda edição foi da minha inteira responsabilidade.

Também ficaste surpreendido por algumas bandas? Que bons momentos guardas deste trabalho?

Surpreendeu-me o facto de músicos como o José Cid ou o Júlio Pereira terem tido um papel, embora fugaz, na génese do Rock pesado nacional durante os anos 70. São artistas a quem não associamos uma abordagem musical mais pesada. As melhores recordações que guardo são do processo de investigação, da descoberta constante de novas informações. Foi um percurso fantástico, descobri imensas bandas e adquiri muito conhecimento. Outra boa recordação prende-se com o facto de todos os músicos que entrevistei se revelarem bastante acessíveis e humildes. Foi uma surpresa. Por fim, é inesquecível a sensação de tomar nas mãos, pela primeira vez, um exemplar do livro.

Um dos blogues que eu seguia curiosamente era o “A a Z do Metal Português”. E aqui a pergunta: para quando uma compilação deste material que estava todo reunido? Estarias disponível para lançar este material via ebook?

Para minha desagradável surpresa descobri diversas vezes textos oriundos do blogue publicados noutros locais, sem a minha autorização. A dada altura, havia 4 ou 5 biografias da minha autoria a circularem livremente pela Internet, sem a minha assinatura. Tive de ameaçar os responsáveis com um processo judicial. Após esses tristes episódios entendi que o blogue não podia ser, de forma alguma, uma livre fonte de recolha de informação para ladrõezecos da propriedade intelectual alheia. Por outro lado, houve músicos que ficaram melindrados com as biografias que publiquei no blogue sobre as suas bandas. Não gostaram de ver relembrados episódios reais que quiseram negar e esquecer. Esses músicos envergonhavam-se do seu passado musical e queriam negá-lo, mas a história não desmente os factos. Eram pessoas que não mereciam o meu empenho e investimento de tempo a redigir as biografias dos seus grupos. Por todas estas razões, decidi eliminar o blogue. Nessa medida, embora a ideia de publicar esse material seja extremamente atractiva, não sei até que ponto seria sensato fazê-lo, pelo menos a breve/médio prazo. Antigas refregas ressurgiriam e não tenho paciência para conflitos desnecessários.

 

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Tens em mente a edição de mais algum trabalho? O que gostarias de lançar?

Antes de mais, estou a procurar condições para fazer uma nova impressão do “Breve História do Metal Português”. Há muito que o livro esgotou e tem havido imensos pedidos, pelo que se impõe uma nova edição. Contudo, financiar o projecto não é fácil. Por outro lado, gostaria de escrever a história do Metal feito num país com ligações históricas a Portugal mas cujo nome ainda não posso revelar. As ideias para esse projecto ainda não passam disso mesmo. Estou também a compilar informação para escrever a minha autobiografia musical. Talvez haja 1 ou 2 pessoas interessadas em lê-la. (LOL)

E assim terminamos esta entrevista onde as últimas palavras são por tua conta, mas antes disso queria saber a tua opinião acerca do estado ‘literário’ do nosso país em relação ao metal e o que aconselharias a todos para se iniciarem neste mundo da edição, desde os livros às fanzines.” Obrigado e abraço!

Em relação a livros sobre Metal publicados no nosso país ainda estamos numa fase embrionária. Além do meu livro e da biografia dos Moonspell nada existe. No entanto, sei que a biografia de outra banda está para ser publicada há mais de um ano. Em termos literários destaco a corajosa fundação das Publicações a Ferro e Aço, editora que lançou a versão portuguesa da biografia dos “Metallica …And Justice for All: The Truth About Metallica” e prepara o lançamento de mais obras do género. Ou seja, o mercado está a mexer, mas ainda de forma incipiente. O meu conselho é que quem deseje publicar um livro o faça como edição de autor. Ao contrário do que muitos dizem este género de edições não são desprestigiantes. É sempre melhor ser o próprio autor a ter controlo absoluto sobre todo o processo, desde a publicação à promoção, do que depender de editoras. Trabalhei com duas no âmbito do meu livro e ambas as experiências foram autênticos flops. Em regime de edição de autor a distribuição da obra pode ficar circunscrita à meia dúzia de lojas em que o autor consegue disponibilizar o livro, mas as vendas por correio são extremamente eficazes e suplantam essa dificuldade desde que a promoção seja eficaz.

Relativamente às fanzines também é necessário encontrar boas formas de divulgação e distribuição. Um bom grafismo, escrita de qualidade e uma periodicidade cumprida à risca são fulcrais. Estas regras aplicam-se igualmente às webzines, e-magazines, newsletters e formatos análogos.

Para terminar, dêem ao Metal o vosso melhor contributo, seja através da formação de grupos, da promoção de concertos, da publicação de zines ou da realização de programas radiofónicos. Ajudem o Underground a desenvolver-se. Sejam persistentes e felizes.

 

Como comentado, fazem as pré-encomendas do seu novo livro através do mail livrobhmp@yahoo.com.

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Também disponível para descarga a compilação para download gratuito “Breve História do Metal Português – Banda Sonora Infernal”aqui.

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Cruz de Ferro

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Cruz de Ferro é uma das bandas únicas no nosso panorama musical nacional e que nos tem mostrado que é possível utilizar a língua portuguesa com um acompanhamento rítmico feroz, onde as guitarras ganham vida neste heavy metal proveniente de Torres Novas, constituídos por Ricardo Pombo (voz / guitarra), Rui Jorge (guitarra), João Pereira (baixo) e Bruno Guilherme (bateria).

   Formados em setembro de 2009, editam em Dezembro de 2012 o seu EP de apresentação “Guerreiros do Metal”. Desde o início mostraram que vinham para marcar a diferença e as letras provam isso mesmo (“Guerreiros do Metal / somos nós e tu vais ver / incendiamos palcos / tudo o que vier”).

   O primeiro longa-duração é lançado no final de 2015, com 10 temas cantados em português “Morreremos de Pé” mostra a razão de prestar muita atenção à Cruz de Ferro. Ricardo Pombo, músico fundador, fala desta excelente banda.

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Viva Ricardo! Muito bem-vindo a estas páginas da Ode Lusitana e para mim é uma honra trocar estas palavras contigo e dar a conhecer um pouco mais a Cruz de Ferro. Não assisti ao concerto de lançamento do vosso CD “Morreremos de Pé”, mas pelas imagens divulgadas foi festa autêntica. Em compensação, adquiri o vosso trabalho e tem rodado alto e bom som aqui por casa. Já gostava bastante do vosso som no lançamento do EP, sendo o meu tema favorito o “Glória ao Rey”, mas com este primeira longa-duração mostram que são uma das bandas que marcam a diferença no panorama nacional. Como foi essa festa de lançamento do álbum? Como tem sido a resposta dada pelas pessoas a este trabalho? Que tem achado das boas críticas que tem vindo de outros países, mesmo cantando na nossa língua portuguesa?

Bom dia, primeiro de tudo quero agradecer a oportunidade desta entrevista a Ode Lusitana, uma fanzine da qual eu próprio costumo seguir e por isso a honra é toda minha. No que diz respeito ao concerto de lançamento em Lisboa, correu muito bem, tivemos o RCA muito bem composto e duas grandes bandas a tocar connosco, os Shivan (Ed.: heavy metal – Loures) e os Leather Synn (Ed.: heavy metal – Lisboa). Foi uma noite memorável! Em relação ao álbum, estamos a ter excelentes reviews e tenho inclusive muita gente a falar comigo pessoalmente a dar-me os parabéns pelo trabalho realizado, o que me deixa muito feliz. O álbum deu muito trabalho e demorou cerca de dois anos a ser composto, por isso ouvir boas criticas leva-me a querer que esse tempo não foi um desperdício. Em relação as criticas de outros países, tem surgido muito da América do sul e também do Brasil, temos também algumas criticas de países da Europa e parece que afinal de contas a língua não tem sido uma barreira.

Essa particularidade da língua foi bem definida por ti desde o início da formação da banda e à qual eu dou o total apoio. Foi uma questão de facilidade de transmissão da mensagem ou também és da opinião que a nossa língua tem bastante musicalidade? Podes contar-nos como surgiu a tua amizade com o Eurico Gomes Dias e como ele se torna um dos principais escritores das letras deste vosso trabalho?

Em relação a língua teve mesmo a ver com o tentar preencher uma lacuna que havia, e ainda hoje há no nosso underground, heavy metal cantado em português. A nossa língua torna a composição das musicas mais difícil, mas acaba por nos dar um outro alento e energia. O facto de estarmos a fazer algo que mais nenhuma banda arrisca fazer, faz do nosso trabalho único, por isso será sempre algo que vai fazer parte do ADN da banda, orgulhosamente cantar em Português! Também acho que nos conseguimos expressar melhor na nossa língua. O Eurico é meu amigo de infância, fomos criados na mesma aldeia, perto de Torres Novas, e para alem de ser um grande escritor e historiador é um grande amigo e metálico também.

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Portugal tem uma história riquíssima a todos os níveis, sendo motivo de orgulho de todos os portugueses. Mesmo assim, não temos a tendência para conhecermos mais essa mesma história e os nossos vários símbolos. Por vezemos vivemos ainda sob a nuvem do Estado Novo, em que palavras como ‘Nação’ e ‘Pátria’ foram “apropriadas pela ditadura e demonizadas pela revolução (do 25 de abril)”. Salazar sempre teve interesse em elevar os valores nacionais a todos os níveis e talvez seja por isso que não queremos ver esses valores. Qual a tua opinião acerca desta situação da nossa história não ter a divulgação merecida? Ou achas que ela existe, mas não é divulgada? Com quais figuras proeminentes da nossa história gostavas de ter uma conversa?

Acho que acima de tudo todos damos valor a nossa história, fico um pouco triste quando me apercebo que a palavra pátria e nação hoje em dia são muito associadas a certos extremismos (Nacionalismo; Xenofobia, etc), os próprios Cruz de Ferro já tiveram a certo ponto da carreira de mostrar que não existe nada de politico na nossa ideologia, já fomos erradamente conectados como nacionalistas só porque gostamos de contar historias de bravura do nosso povo. Mas entretanto as pessoas aperceberam-se que não temos nada a ver com esses ideais e já não nos chateiam, sabem que o que queremos mesmo é heavy metal e cerveja!!! Uma figura com o qual eu gostaria de conversar seria sem duvida com D. Duarte de Almeida, o decepado, que nós metemos na capa do álbum! O acto de bravura dele foi mesmo único, e acabou por infelizmente morrer na miséria.

Em entrevistas anteriores falas que não tens tido muita curiosidade pelo lançamento de novos trabalhos, sendo um fã das antigas sonoridades como Saxon, WASP, Judas Priest e Iron Maiden. Como nasce essa tua paixão pelo metal quando eras uma criança? Quais os 5 álbuns de metal que considerarias levar se tivesses que ir para um sítio isolado?

Nessa entrevista talvez não tenha sido muito bem interpretado, obviamente que ainda tenho muita curiosidade e consumo bastante novos trabalhos, mas mais dentro de outros géneros como death metal e thrash metal. O que disse em algumas entrevistas foi que existe muita banda nova apenas a fazer o que os antigos fizeram e com uma qualidade inferior, mas de vez em quando lá vão aparecendo bandas novas com excelentes trabalhos de heavy metal mais old-school. A minha paixão pelo Metal surge com 10 anos, quando comprei um vinil de Iron Maiden, o “Piece of Mind”! Tenho um irmão mais velho que já me tinha mostrado estas sonoridades mais pesadas. Desde que comprei esse vinil, nunca mais fui o mesmo! Bem, 5 álbuns de metal para levar para um sitio isolado será sem duvida a questão mais difícil que já me fizeram, mas olha, talvez levasse o “Painkiller” de Judas Priest; o “Animal House” de U.D.O.; o “Keeper of the Seven Keys Part II” de Helloween, o “Killers” de Iron Maiden e o “Port Royal” de Running Wild. Mas Fico com a sensação que faltam muitos…

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Quando frequentavas concertos com os teus amigos, o que é que te atraia mais? Foi aí que começou o teu interesse por ser músico, ou como é que apareceu?

O meu interesse em ser músico surge muito antes de ver o meu primeiro concerto, como sou de Torres Novas acabei por ver o meu primeiro concerto já com 16 ou 17 anos, e na altura já tinha uma banda. Sempre tive a paixão pela composição e quando era ainda puto (Com 12 ou 13 anos) em vez de brincar com carrinhos ou bonecos, brincava com um teclado a compor musicas e dar nomes fictícios a bandas para cada musica que compunha. Entretanto comecei a aprender a tocar guitarra e surgiu também a paixão pelo instrumento em si, não me gosto de ver como guitarrista, prefiro que me vejam como compositor, mas a guitarra foi uma paixão que levou anos e acabei por meter a composição de lado para andar a tocar como freelancer. Mas hoje em dia apenas vejo a guitarra como uma ferramenta para as minhas composições. Finalmente estou em paz comigo mesmo.

Um dos álbuns que dou muito valor é o “Kingdom of Lusitania” dos Tarantula e lembro-me que quando o comecei a ouvir em programas de rádio e depois quando comecei a ler as letras me ter trazido uma satisfação enorme. A temática deste álbum é muito semelhante à Cruz de Ferro. Também é um álbum do qual tens interesse? Que achas da evolução do metal nacional ao longo dos anos a todos os níveis? Actualmente temos uma grande quantidade de bandas e até de sítios para tocar, mas em relação à divulgação, desde programas de rádio até às fanzines o número de elementos de divulgação tem diminuído bastante. Consegues perceber qual a razão?

Na altura em que saiu o “Kingdom of Lusitania” comprei-o logo, e lembro-me de andar de casa em casa a mostrar o álbum a todos os meus amigos. Foi sem duvida um álbum que me marcou muito também. Não só pela temática mas também pela sua musicalidade. Hoje em dia já tive a honra de privar com eles e para alem de serem uma grande banda são todos pessoas cinco estrelas. Em relação ao metal nacional, hoje está com muita qualidade e muitas bandas, felizmente. Com o boom da internet as bandas hoje têm que estar sempre a fazer algo, têm que gravar com alguma regularidade, têm que ter vídeos, etc. E isso requer muito mais tempo dispendido, mas em compensação existe mais editoras e mais publico para ver o nosso trabalho. Eu ainda sou do tempo em que andava um ano a ensaiar e não se gravava nada nem se tocava ao vivo, e quando se tocava não havia grandes condições. Hoje em dia tudo mudou, temos condições, estúdios, etc. Mas como disse, será sempre preciso trabalhar mais e melhor para nos mantermos `a superfície. Em relação a divulgação está mais digitalizada, já não existe tanto em formatos físicos, mas a coisa tende a mudar porque as pessoas apercebem-se que nada chega ao papel. Eu pessoalmente não gosto de estar muito tempo a ler no computador ou no telefone, cansa-me muito mais a vista. Talvez seja da idade…

E assim terminamos a entrevista. Quero-te agradecer pela tua disponibilidade! Finalmente, podes dizer as últimas palavras e terminar então esta entrevista. Muito obrigado!

Eu agradeço todo o apoio, terei sempre em consideração todos aqueles que apoiam o nosso underground. Os Cruz de Ferro vão estar na estrada com o nosso espectáculo a partir de Março, por isso vão ficando atentos as datas e cidades onde vamos estar! Oiçam o nosso álbum e acima de tudo apoiem o metal nacional.

Para alguma informação podem contactar-nos através do mail: Cruzdeferro666@gmail.com

CHEERS

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Cruz de Ferro – “Morreremos de Pé” CD 2015 (Non Nobis Productions)

Primeiro lançamento de Cruz de Ferro, depois da excelente estreia com o EP de 2012 “Guerreiros do Metal”. Sim, há uma primeira coisa que salta à vista e que é as letras serem em português, o que torna o resultado final em algo bastante interessante! Apresentam um heavy metal sem compromissos onde as guitarras indicam a direção seguida durante a música, com vários solos que unem as músicas. Sobresai a voz do Ricardo Pombo que no seu tom ‘guerreiro’ vai dando voz aos nossos heróis nacionais, ou às nobres causas guerreira e não só da nossa história nacional. “O Decepado”, “Nova Aljubarrota”, “Santiago”, “Quinto Império”, são alguns dos temas que nos demonstram esta ideia. Resumindo, um bom álbum para ouvir e gritar bem alto as letras!

 


Buried Alive

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Buried Alive é uma banda nascida já nos idos anos de 1991 em Vila Nova de Gaia, ou seja que passados 25 anos ainda mostram a sua perseverança de querer mostrar o seu trabalho e provar que ainda estão activos para mostrar o seu thrash metal.

   A sua demo de estreia surge em 1996 com o nome “The Fisrst Burial” a que se segue a promo-tape de 1998 “El Niño”. Após a participação em algumas compilações surge o primeiro longa duração “Spoils of War” em 1999, seguido por “Welcome to Reality” de 2001.

   Após uma grande paragem surgem em 2015 com o terceiro longa-duração “Exploding Ashes”. E que grande trabalho de regresso tiveram! A banda actualmente é constituía por Jorge Fernando (voz / guitarra), Ricardo Sousa (guitarra), Ricardo Vieira (baixo) e Hugo Almeida (bateria).

   Foi com o Jorge Fernando que ficamos a conhecer um pouco mais dos Buried Alive.

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Viva Jorge! É um prazer ter-te neste número da Ode Lusitana, especialmente porque se trata do ressurgimento destas edições, após uma pequena pausa e nada melhor do que iniciar com uma entrevista a Buried Alive. Foi com bastante satisfação que assisti ao lançamento do vosso álbum “Exploding Ashes” no Metalpoint, assim como o concerto já este ano de 2016 no Hard Bar em Bustos. Antes de avançarmos com a entrevista, queria saber o que é que te faz ainda subir a um palco para tocar, quando à semelhança de muita gente podias estar em casa no sofá ou numa esplanada algures por aí? O que te faz mexer e continuar a tocar este estilo de música?

Boas, Ode Lusitana! Ainda bem que gostaste, o que me faz subir a um palco para tocar, ao fim de tantos anos, é uma paixão enorme que tenho pela música, comecei a aprender música cedo, com 7 anos e a ouvir Heavy Metal e não só, para aí com 8 ou 9, portanto, imagina, mas não é só tocar é também ir ver concertos de outras bandas. 

O objectivo inicial da formação da banda em 1991 junto com o José Pereira foi de tocarem a música que gostavam. Como foi que se dá o início de começares a ouvir metal? Juntavam-se em casa de alguém para verem as novidades ou já andavam pelas lojas? Como conheces o José Pereira e dão início aos Buried Alive?

A ideia inicial de formar uma banda surgiu ainda antes de 1991, o Pereira era meu vizinho e da mesma idade do meu irmão, que desde muito cedo me iniciou no mundo do Heavy Metal, juntávamo-nos em casa dos meus pais e em casa dos pais do Pereira a ouvir grandes bandas, Iron Maiden, Judas Priest, Van Halen, etc. e a ver vídeos sacados do Headbangers Ball e outros como VH1. Depois como eu andava a aprender música foi só convencer-mos os nossos pais a comprar as guitarras e foi assim que começou.

Depois de lançamentos de alguns trabalhos e de uma paragem de 6 anos, regressam em 2009 e até previram o lançamento de um EP. No entanto mais mudanças na banda e para este álbum temos o Ricardo Vieira, o Ricardo Sousa e o Hugo Almeida. São amizades que já vem de longe? Existe muita diversão e loucura em cima do palco, mas nota-se que funcionam perfeitamente a nível musical. O objectivo será sempre o prazer de tocar para as pessoas?

As paragens que temos tido até hoje têm sido sempre por motivos profissionais, e como nenhum de nós vive da música, à excepção do Hugo, que é dono do Metalpoint, quando o trabalho interfere com a banda, infelizmente é necessário tomar decisões. O Pereira, juntamente comigo era elemento fundador, mas por questões de trabalho teve de abandonar e com ele o nosso baixista da altura, o Filipe Raimundo. O Ricardo Vieira já tinha gravado a nossa 2ª maquete “El Niño” e gravou o nosso 1º álbum, “Spoils of War”, por isso já era conhecido, o Ricardo Sousa, apesar de nunca ter tocado connosco já era conhecido da banda e a química entre todos resultou muito bem, e não é só a nível musical mas também a nível pessoal, que para mim é muito importante, ale de quatro membros de buried alive somos também quatro amigos e enquanto continuar assim iremos tocar até não dar mais, até o corpo não deixar.

Ao fim de 14 anos sem edições apresentam este novo álbum. Como surgiu a hipótese da edição ser feita pela Firecum Records? O Pedro Junqueiro além de pertencer à esta editora também é vocalista nos Booby Trap, tendo actuado com vocês. Qual a sensação de teres passado em palcos em que te reencontras com este pessoal que também anda a longos anos pela estrada e que continua a tocar por gosto? Muita troca de histórias entre vocês?

A ideia era gravarmos um EP, mas o incêndio no estúdio do Bruno Silva, fez-nos perder as gravações, por isso continuamos a compor e fizemos músicas para um álbum. Entretanto o Pereira e o Filipe saíram e tive que ensinar as músicas todas aos Ricardos e voltar a treinar a minha voz. A edição ia ser feita por nós, uma edição de autor ou disponibilizar de borla on line, mas através de um amigo comum, o Pedro Branco da Bunker Store, entramos em contacto com o Pedro Junqueiro e chegamos a acordo para a edição do álbum e cá está ele, ao fim de tanto tempo. Os concertos que demos juntos foram fantásticos porque houve uma cumplicidade muito grande entre as duas bandas, talvez pelo amor que todos temos pela música, por andarmos cá à tantos anos, não sei, o que me interessa é o bom ambiente que tivemos nesses concertos…venham mais.

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Buried Alive fez este ano 25 anos de carreira. Imagino que não estarias à espera desta longevidade? Como olhas para a passagem destes anos todos? Que achas do grande número de bandas que a cena nacional actualmente possui?

Sinceramente, não mas, olhando para trás no tempo, a paixão pela música, enquanto durar e como já disse, o corpo deixar eu vou cá andar, seja com esta ou outra banda, com este pessoal ou outro, o que interessa é a diversão, nossa e do público que vai aos nossos concertos. Acho que por um lado é bom termos tantas bandas no activo, algumas novas, alguns regressos, mas como em tudo, isso gera também muita competitividade entre as bandas, mas desde que seja saudável, é na boa. Estamos cá é para tocar e como eu costumo dizer, eu só estou bem é em cima do palco.

Ora bem, álbum lançado e acredito que o que vocês querem será vir para a estrada tocar! Mesmo assim, deixo aqui este espaço para as tuas últimas palavras nesta entrevista e agradecer a tua disponibilidade e ajuda. Muito obrigado!

Sim, agora queremos é tocar, e tocar, e tocar……

É uma honra estar a ser entrevistado por vós e quem tem de agradecer sou eu e a banda por ainda haver pessoas como vocês com este tipo de iniciativas. Obrigado também aos fãs e todas aquelas pessoas que vão aos concertos, nossos e de outras bandas.

Obrigado por tudo e continuem assim.

Apoiem o Metal Nacional. \m/

Abraço

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Buried Alive – “Exploding Ashes” CD 2015 (Firecum Records)

Passados 14 anos desde a edição do seu último registo, ficamos absorvidos com o lançamento deste trabalho dos Buried Alive. Com a sua sonoridade vincadamente thrash, mantêm as influências sonoras do género da década de 90, com guitarras bem balanceadas, acompanhadas por uma secção rítmica que parece uma autêntica trituradora. As guitarras não se limitam a descarregar riffs, mas combinam para criar ambiências agressivas e pesadas, que nos influenciam para ter atenção ao trabalho que está a ser feito. As gravações, misturas e masterizações foram feitas no Metalpoint pelo Hugo Almeida, baterista da banda, sendo o trabalho de produção da banda toda. Um som final muito bem conseguido! Para os apreciadores de thrash metal é um álbum a ter em atenção e para os curiosos e interessados também.

 


Ode Lusitana # 12 – Fevereiro 2016 já disponível

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Número de Fevereiro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Buried Alive e Cruz de Ferro. Notícias sobre “Breve História do Metal Português” de Dico (assim como a compilação “Banda Sonora Infernal”), Enblood, Destroyers of All, Grimlet, Toxikull, Pedra de Metal, Pandora e Alcoholocaust.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.

http://a%20href=https://issuu.com/marcosantos6/docs/ode_lusitana_12issuu.com/marcosantos6/docs/ode_lusitana_1/a


Skinning – novo vídeo “”In The Name Of The Whisper”

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Skinning, banda vimaranense de death metal, lançam a 27 de dezembro de 2015 um novo vídeo-clip intitulado “In the name of the Whisper“, que faz parte do novo álbum “Slaves of Insanity” e será apresentado na sua cidade natal no próximo dia 13 de fevereiro.

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Formados em dezembro de 2011, apresentam em 2012 o EP “Beneath the Scars” e em maio de 2014 lançam o seu trabalho de estreia “Cerebral Mutilation“, através da Raising Legends Records.


Extreme Unction

Captura de ecrã 2015-11-1, às 11.37.20O nome Extreme Unction está ligado à nossa história da música mais pesada, sendo uma das bandas que marcou o movimento underground no início da década de 90 do século passado.

   A banda é formada em 1987 com o nome Guilhotina, sendo Koja o único membro que se mantêm desta fase. Em 1990 a banda muda o nome para Extreme Unction, em que conta com Pedrada nas vozes e que ainda se mantêm na formação. Em 1992 lançam a demo com o tema “Insane Procreation” e depois de vários lançamentos editam em 1995 o álbum “In Limine Mortis” através da Monasterium. Em 2008 lançam a sua última gravação, com um tema de nome “Cold Breeze of Winter”.

   Passados estes anos voltam a mostrar a sua sonoridade death / doom metal através do álbum “The Last Sacrament”. Actualmente a banda é constituída por Pedro Gonçalves “Pedrada” (voz), Koja Mutilator (baixo), Marco Marouco (guitarra), Sérgio Marcelino (guitarra) e Pedro Almeida “Tosher” (bateria).           

   Estivemos à conversa com o Marco Marouco que nos levo ao universo dos Extreme Unction, mas também que nos apresentou um pouco dele e que é um grande apaixonado pelas sonoridades mais extremas.

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Viva Marco! Primeiro do que tudo queria agradecer-te pela tua disponibilidade para responder a estas perguntas, especialmente quando estás no meio da preparação do álbum “The Last Sacrament”, que marca o regresso dos Extreme Unction. Como surgiu a ideia de se voltarem a reunir e preparar este álbum?

Boas Marco!!! Hahahaha. A ideia do “The Last Sacrament” surgiu quando estávamos a gravar Festering em minha casa, tenho aqui um estúdio montado, então foi fácil, eu tinha uns riffs o Koja também, decidimos falar com os membros que gravaram o “In limine Mortis” e todos aceitamos gravar o que seria ou será o último disco da banda 20 anos depois do primeiro e único hahahaha.

O Bruno esta em NYC ele disse que gravava as baterias lá e enviava, mas isso demorou muito tempo e ao fim de uns meses ja tinhamos o disco composto e gravado e nada de respostas, decidimos falar com o P.Tosher para gravar as baterias, ele ouviu as músicas parece que curtiu e aceitou o disco ficou como queriamos, um som fodido, muito rock.

 

O objectivo é manter a sonoridade anterior de Extreme Unction ou irem por caminhos diferentes?

A gravação foi muito expontânea, inventava riffs, curtíamos, gravávamos, o Sérgio inventava a guitarra dele por cima do meu riff ate gostarmos todos e gravávamos… saiu o que saiu. Eu só componho para Extreme Unction, em todas as outras bandas nunca compus, fiz umas letras mas musicalmente nunca fiz nada, a não ser inventar os solos que por acaso são todos improvisados hahaha. Por isso os Extreme Unction têm muito do passado. Em termos de composição nóss sabemos o que falta e o que não falta numa musica de Extreme Unction, mas como todos fomos ouvindo outras músicas ao longo de 20 anos isso aparece no disco… Eu puxei pelos Thin Lizzy e Rainbow, o Sérgio pelos noruegueses o Koja pelos putrefactos que por ai andam… tem doom, heavy, death…

 

Todos vocês são já conhecidos de há longa data, mas como foi estarem todos na mesma sala a ensaiarem?

Para mim que não estou habituado a ensaiar foi fixe estar ali com o pessoal a curtir a tentar tocar as músicas todos juntos porque foi a primeira vez que tocamos todos juntos, nao suou bem mas foi um momento muito bom pegar nas guitarras e abanar as gadelhas

Com vários anos de experiência e em várias bandas o que pretendem transmitir com este regresso e o que esperam quando voltarem aos palcos sob o nome de Extreme Unction?

Não queremos transmitir nada de transcendental, apeteceu-nos fazer musica nova e ja que faziam 20 anos da edição do “In Limine Mortis” era giro conseguir editar músicas novas, falamos com algumas editoras e o Luis Lamelas da Chaosphere decidiu apostar no novo disco, em relação aos palcos, se quiserem ver Extreme Unction mandem mail para extremeunctionpt@gmail.com eu vou lá para abanar a gadelha e siga, eu curto de certeza hahaha.

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Como surgiu a oportunidade de ingressares na banda em 1994?

Epá a ver se me lembro, eles só tinham um guitarrista o Mantus de Moonspell e andavam a procura de outro guitarrista mais melódico…acho, aprendi as músicas em casa do Koja e lá demos um concerto que correu bem.

 

Já conhecias alguns elementos da banda?

Com o Mantus estudei um ano no liceu e outro no conservatório de musica, o Koja e o Pedrada conhecia-os da escola de trocar discos, coisas que se faziam antes..

 

Antes da tua entrada ocorre a situação do Koja deixar o baixo para ser guitarra ritmo , devido à necessidade da banda, passando Pedrada para o baixo e voz, mas como não consegue fazer tudo ao mesmo tempo decidem convidar a Cláudia para a voz! Era sempre comum estas alterações ao longo dos anos?

Sim, isso era muito comum. O pessoal que tocava era pouco, éramos chavalos e não tínhamos muita experiência, então nem sempre os músicos se aguentavam muito tempo. Havia quem não tivesse grande talento para a música, outros sem disponibilidade e grande vontade para continuar. No início é muito fixe tocar numa banda, depois começas a ensaiar e a seres obrigado a dedicar algum tempo a isto, e aí é que as cenas começam a complicar. Até achares um line-up estável era lixado. Depois uns curtiam tocar umas cenas, outros preferiam outras e nem sempre se conseguia conciliar os gostos musicais de cada um. Pelos Extreme Unction, passou muito pessoal que foram para outras bandas: Moonspell, Ravensire, Sacred Sin, Gritos Oleosos, Desire… olha o meu caso, que toquei e toco em várias bandas e projetos. Só aí dá para se ter uma ideia do que já se passou durante estes anos.

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Como consideras esses primeiros anos dos Extreme Unction, que tem o ponto alto o lançamento do único longa duração “In Limine Mortis” de 1995?

Foram anos de muitas mexidas, entradas e saídas. Devido a isso as cenas da banda terem demorado a sair e tão espaçadas umas das outras. Se os Extreme Unction tivessem mantido uma formação mais ou menos estável, de certeza que a coisa podia ter dado mais frutos e não tivesse ficado só por estes lançamentos. Mas a banda mesmo sem músicos fixos, ia tocando ao vivo, com músicos emprestados, ex-membros que faziam uma perninha… ou seja, a banda mantinha-se viva e activa, mas precisava de mais estabilidade para mandar cá para fora mais material, fazer mais lançamentos.

 

No início deste século, decides rumar aos Sabatan, banda madrilena de heavy metal, da qual participas inicialmente como baixista, gravando o álbum “Fire Angel” em 2006 e também fazes parte da icônica banda de thrash metal madrilena Omission aqui sim, como guitarrista e do qual participas entre outros lançamentos, no “Thrash Metal is Violence” de 2009 e “Merciless Jaws from Hell” de 2011. Como surgiu esta oportunidade por terras espanholas?

Fui para Madrid por motivos profissionais. Fui saindo na noite madrilena e conhecendo o pessoal, ao princípio era complicado falar com eles mas com o passar dos tempos já me fazia entender hahaha.

 

Como foi o teu contacto inicial com Sabatan e mais tarde com Omission?

Foi muito fixe, os Sabatan conheci-os pelos bares em que tocavam, ia ver ensaios e no fim dos ensaios tocava guitarra. Com o baterista gravámos uma demo, um EP e um disco nos quais participei com algumas letras. Os Omission ensaiavam ao lado e precisavam de um guitarrista, como ja lá andava o baterista de Sabatan a fazer uma perninha ele convidou-me para ir tocar guitarra, e lá fui eu.

Que achas da cena underground espanhola e quais os seus pontos fortes?

A cena underground espanhola está muito bem de saúde apesar das queixas, há bandas aos pontapés e muito boas, desde o hardrock dos Tequilla Sunrise ao heavy dos Ciclón, Leo, Frenzy, Wild ao thrash Omission, Hellraisers, Agresiva, Angelus Apatrida, death metal e grind aos pontapés com Haemorrage, Gloom, Embloodyment, black metal tambem há… têm sitios onde ensaiar, apesar de caros eles existem, muitas salas para concertos e uma associação que junta isso tudo, a Pounding Metal Union de Madrid depois cada cidade tem uma coisa do género, Metalcova em Barcelona, em Múrcia também há algo do género, Pais Basco, Badajoz… e ainda têm os festivais grandes para levar algumas bandas novas, o ponto forte sao as associações de Metal que existem em cada província…e os bares!!!!!

 

De regresso a Portugal e em parceria com o Rick e o Paulão, preparam um dos melhores álbuns de thrash metal nacional de 2014, o grande “Thermonuclear Epiphany” de Perpetratör. Houve uma necessidade tua de procurar uma banda em que pudesses transmitir a tua energia, ou o contacto foi feito por eles?

O Rick já me andava a chatear há uns anos para gravar essa porra mas faltavam as músicas, quando o Paulão nos apresentou as músicas ficamos um bocado baralhados com tanta qualidade, só com bateria e guitarras o que nos deu muita pica para continuar o caminho, os solos para variar foram inventados na hora, gravei uns 8 solos por música e o Paulão depois escolhia, depois o Rick gravou o baixo e a voz e a coisa funcionou, ficámos muito contentes com o resultado final.

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Um dos teus grandes prazeres é estares acima de um palco e desde o ano passado também participas ao vivo nos concertos de Filii Nigrantium Infernalium. Qual o conselho que darias aos músicos das novas bandas que ainda não tem muita rodagem em cima do palco?

Não se metam nisto hahahahaha… se for para curtir, siga, é ir para o palco e principalmente curtir o momento, esse já fica para ti, mesmo que depois tentem não pagar o cachet hahaha. E não fiquem paradinhos a mostrar que sabem tocar, quem é que curte paradinho??? Se derem pregos, azar! Para a proxima sai melhor.

 

Antes de acabarmos, como foi a tua iniciação na audição deste som eterno?

O meu irmão passou-me uma tape com o “Piece of Mind” de um lado e o “The Number of the Beast” do outro… foi o verão todo a partir brita… depois vieram os Venom, Twisted Sister, Motörhead, Celtic Frost e a thrashalhada toda tanto alemã como Bay Area como brasileira.

 

Ainda te lembras dos primeiros álbuns?

Sim… o primerio disco que tive foi subtraido numas eleições para a associação de estudantes na escola… Foi o “Peace Sells”… depois comprei uma colectânea dos Motörhead em cd… A partir dai foi sempre a comprar vinil tudo o que era da Noise Records… tive que vender tudo para ir para Madrid hahahaha…pobres.

 

O thrash metal tem uma grande influência na tua formação ao longo dos anos?

Sim mas não é a principal, eu sou mais do Heavy, aprendi muito com os guitarristas de thrash mas gosto mais dos do Heavy, Dave Murray, John Sykes e o grande Van Halen.

 

Agora sim, terminamos a entrevista e ficamos a aguardar “The Last Sacrament”, um dos retornos mais esperados dos últimos tempos. Muito obrigado por tudo Marco e as últimas palavras são tuas.

Obrigado pela entrevista e pela oportunidade de dar a conhecer os Extreme Unction comprem o disco na Chaosphere Recordings / Glam-o-rama e mandem mails a convidar o pessoal para tocar.

DOOMED WE LIVE…IN DEATH WE TRUST