Divulgação do metal português

Archive for Setembro, 2015

Blindagem Metal Fest – Ponte de Vagos

12047183_10205687036319947_1452904304546054310_nSábado día 3 de outubro vai decorrer mais um Blindagem Metal Fest, desta vez no Origens Caffé em Ponte de Vagos, com organização do Blindagem.

Um programa bastante diversificado que contará com a presença do António Parada, escritor, natural de Sesimbra que após o êxito do seu primeiro livro “A Guardiã” de 2014, vai apresentar o seu novo livro “Adão e Eva“. Aqui segue a sinopse do livro: “A beleza natural do Gerês esconde algo vil e obscuro, desconhecido de quase todos, mas que as gentes mais rústicas fazem questão de transmitir de geração em geração.
A lenda afirma que existe uma gruta que conduz a novos universos e dimensões onde dominam espectros que irão revelar-se, dizem uns, aos mais infortunados e azarados, enquanto outros, aos mais destemidos.
Afonso e os seus amigos vão cruzar-se com esse submundo maldito, apenas equiparado ao que habita na alma do padre da vila, seu arqui-inimigo, defensor de uma filosofia e prática religiosa muito própria.
O insólito, alimentado pelo desejo, sede de poder e descoberta da verdade, irá assaltar a vida dos personagens, entrelaçando os seus destinos, colocando-os à prova, por vezes de forma fatal, onde os valores do amor e da amizade se misturam com sentimentos de vingança e ignomínia.
Não será, pois, de todos o novo reino dos céus…”

Em palco estarão presentes os WAKO, ou como queiram, os We Are Killing Ourselves. Formados em Almeirim em 2001, ainda sob o nome de Outrage, tem como último lançamento o longa duração “The Road of Awareness“. Praticantes de thrash/groove metal prometem animar a noite.

E noite esta que acaba com o António Freitas, radialista que apresenta o programa “Alta Tensão” da Antena 3.

Uma noite a não perder!

Anúncios

Shell From Oceanic

Captura de ecrã 2015-09-26, às 16.40.54

Shell From Oceanic, banda do Porto formada em 2010, abalou a cena nacional do metal progressivo com o seu álbum de estreia “Ambivalence” editado em dezembro do ano passado.

Captura de ecrã 2015-09-26, às 16.42.53Formados por César Ramos (guitarra), Cláudio Frank (guitarra), Luís Correia (baixo) e Luis Neto (bateria/percussão) segue a entrevista para ficarem a conhecer melhor a banda e se ainda não tiveram a oportunidade de ouvir o álbum, procurem e fiquem atentos ao som deles.

 

Para começar tenho que vos agradecer por terem aceite responder a estas perguntas da Ode Lusitana e é um prazer ter uma das bandas mais inovadoras do metal progressivo português nas nossas páginas. E a primeira pergunta é como nasce Shell From Oceanic no Porto, corria o ano de 2010? Já todos se conheciam? O Luís Correia (baixo) entra para a banda em Maio do ano passado. Como foi esta integração?

Obrigado pelo interesse e pela entrevista! Muito resumidamente, poucos meses depois do início do projecto, o César (Guitarra/Teclados) falou com o Luís (bateria) através de um anúncio num fórum online, visto que muitas bandas de referência/influência eram um ponto em comum para os dois. A partir daí, marcou-se um ensaio com os restantes membros fundadores do grupo, que já não fazem parte da formação, e começámos a compor algumas músicas. Após várias mudanças de membros, chegamos no final de 2013 à formação com a qual iríamos gravar o álbum de estreia. Cláudio Frank e César Ramos nas guitarras, Ricardo Mendes no baixo, e Luís Neto na bateria.

Após a conclusão das músicas, contactámos o Paulo Lopes do estúdio Soundvision, e começámos as gravações para o álbum, que intitulamos de “Ambivalence”. Já quase no fim das gravações, as circunstâncias levaram a uma mudança de baixista, tendo entrado o atual, Luís Correia, que ainda gravou duas das músicas do álbum (“Hope”, e “Into Arid Seas”).

10361598_761628130524314_6247202019737902490_n-2Durante muito tempo andaram à procura de vocalista, mas optaram por deixar este espaço vago no seio da banda. Foi a necessidade que vos levou a optar por serem uma banda instrumental, ou a voz poderá não se coadunar com o vosso som? A banda instrumental é para manter?

No início, sim, a falta de vocalistas compatíveis com o nosso som foi a grande culpada. Sempre pensámos em ter um vocalista, até porque, originalmente, a nossa sonoridade era mais agressiva, e virada para o death metal. Logo, não viamos muito sentido em sermos uma banda instrumental. Chegaram a passar vocalistas pela formação, e algumas das músicas presentes no álbum tinham já letras e linhas de voz escritas, mas quando fechamos a formação pré-álbum decidimos que fazia sentido pôr os vocais de lado, porque queríamos seguir uma vertente estilística mais virada para sonoridades progressivas e com influências de jazz fusão e música eletrónica. Isto também porque queríamos ter mais liberdade expressiva, num sentido de poder ter estruturas não convencionais e passagens complexas sem termos de nos preocupar com a presença de um vocalista.

Em relação à última pergunta; a ideia é continuarmos uma banda instrumental, mas não vamos fechar portas a mudanças futuras, porque apesar de termos já 5 anos de existência, apenas recentemente consideramos que nos tornamos numa banda completa, e ainda temos imenso para explorar. Este álbum é o produto de 4 anos de composição, mudanças de membros e alguma turbulência, por isso esperamos no futuro poder fazer algo mais ponderado e com mais maturidade.

1619417_717851431568651_1808559948_nEm dezembro do ano passado lançam o vosso primeiro longa duração de nome “Ambivalence”. Como funcionou este longo processo de gravações? Na minha opinião este é um álbum que mostrou uma excelência dentro deste estilo. Qual a opinião que receberam acerca deste trabalho?

A composição do álbum foi iniciada em meados de 2011 e terminada um pouco antes da entrada em estúdio, em Dezembro de 2013. Decidimos trabalhar com o Paulo Lopes (Crushing Sun) no Soundvision Studios, por ser uma referência em produção neste genero de música. Houve sempre um grande interesse em lançar algo com uma atenção especial à qualidade, acabando por demorar algo mais com estas preparações.

As opiniões que recebemos do álbum ultrapassaram as nossas expectativas, havendo boas criticas em blogs internacionais e por parte do público nacional, um grande interesse em levar a banda aos palcos.

Está nos vossos objectivos não tocar ao vivo e apenas fazer gravações de estúdio? Qual a próxima novidade dos Shell From Oceanic e o que podemos esperar?  

Não, de todo! Ainda não pudemos tocar ao vivo por razões logísticas, devido ao facto de sermos todos estudantes/trabalhadores. Tencionamos começar os concertos no último trimestre deste ano, por isso sim, teremos novidades em breve.

Falamos do presente, mas também queremos saber o vosso passado. Como se interessaram pelos sons mais pesados e quais foram os primeiros álbuns que ouviram?

Foi uma transição natural de ouvir outras coisas, não sabemos bem responder. Ficam aqui algumas das bandas que serviram como ponto de referência para irmos de encontro uns aos outros musicalmente:

Opeth, Scale the Summit, Between the Buried and Me, Cynic, Mastodon, Intronaut, Devin Townsend, Death, Extol.

 

10356315_769214939765633_6506839037980647873_n-2Que trabalhos de metal progressivo actuais e a nível mundial acompanham? Qual é a vossa opinião em relação à recepção que este estilo tem nos headbangers nacionais?

Não somos grandes fãs do panorama do metal progressivo atual, e ouvimos muito mais música fora do género, mas achamos bastante positiva a boa reação do público português a este mesmo, porque mesmo quando lançámos o álbum não faziamos ideia do que esperar, e tivemos uma excelente recepção dos headbangers nacionais e não só, maioritariamente por ser um trabalho algo diferente do que tem andado por aí, o que nos deixa, obviamente, bastante satisfeitos.

E com isto terminamos esta entrevista e da qual agradecemos novamente, esperando novidades em breve. Estas últimas linhas são vossas para deixarem umas palavras aos nossos leitores.

Obrigado mais uma vez, e estejam atentos à nossa página de Facebook, que as novidades estão para breve!

Visita o facebook e o bandcamp de Shell From Oceanic!


Ode Lusitana # 9 – Setembro 2015 já disponível

O número de Setembro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Baktheria (Rui Vieira), Shell From Oceanic e Som do Rock (Paulo Teixeira). Notícias sobre Di.soul.ved, Penalva Rocks, Dementia 13, Apotheus, Wrath Sins e My Enchantment.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.

11993287_1491646157796582_2910808150310896949_n


Círculo de Fogo

269901_125305980887139_6623290_n-2Círculo de Fogo, é um nome que já se encontra entranhado na história do movimento underground português. Com o primeiro aparecimento em 1995 através do programa de rádio, tem sido utilizado todos os meios para a divulgação da música que se faz no nosso país, sendo de destacar as e-compilações e do qual todos deverão visitar o bandcamp para efectuar o download deste material. Melhor dito, visitem tudo o que esteja relacionado com o Círculo de Fogo!

Mas não há nada melhor do que ter uma conversa com o mentor deste excelente trabalho, o Luís Filipe Neves.

Viva Luis! É com prazer que assistimos aos 20 anos do Círculo de Fogo, que começou pela divulgação do metal em 1995 através do programa de rádio com o mesmo nome, mas também passando após isso pela divulgação que fazes através da net e pelas e-compilações. Começando quase pelo fim qual a receita para este sucesso de 20 anos? De onde surge o nome Círculo de Fogo?

Saudações, Marco e leitores da Ode Lusitana!

No início, diz-se que é por “amor à camisola” ou “carolice”, mas talvez a divulgação de música seja uns dos meus karmas. Desde a infância que me sinto atraído pelas sonoridades mais rockadas e pesadas, as quais partilhava com os amigos mais chegados, alguns familiares e colegas de escola. Enquanto houver gente ativa, seja a compor, produzir, editar, organizar eventos, etc, que matéria-prima para divulgar não falta.

A primeira vez que vi círculos de fogo na grande tela foi no filme “Dracula de Bram Stoker“, porém o nome surgiu em leituras e transcende a música, até porque as variadas temáticas líricas abordadas no Metal incitam-nos para outras áreas de interesse.

O teu início está muito relacionado à rádio, com alguns programas antes do “Círculo de Fogo”, como o “Barreira de Som” e outro de Hard n’ Heavy. Como era trabalhar nestes programas? Como era realizada a preparação dos programas? Existia uma boa resposta por parte das pessoas da zona de Viseu?

O Barreira de Som foi um projeto apresentado em ’93 por mim e por Miguel Rodrigues [Sons Marginais, Red Line, Motaquarta]. A Rádio NoAr, no coração da cidade, abrigou o programa nas noites de segunda a sexta-feira (eu às terças), ao qual se juntaram Jorge Figueiredo [Metal NoAr, Metalurgia], Manuel Joaquim [Wroth Zine, Eclipse Metálico], Gonçalo Melo [banda Shiver, DJ no The Day After], entre outros realizadores, e abrangia do Hard Rock ao Death/Grind. Após a venda dessa emissora, em ’94 passei pela Rádio Viriato, onde dava airplay ao Hard n’ Heavy, no final das tardes. O Círculo de Fogo começou no Rádio Clube do Interior em 1995, até finais dos 90s. Rolavam os vinis, cassetes e CDs que tinha até então, adicionava à playlist outros discos de amigos que emprestavam e como não havia internet, consultava zines, newsletters, revistas e jornais para reciclar informação, bem como escrevia a músicos, editores, managers, promotores e media. Mantinha o hábito de sintonizar regularmente os programas underground das rádios piratas locais, bem como os radioshows de Metal, sendo o António Sérgio, Luís Filipe Barros e Gustavo Vidal algumas das minhas referências diretas. Por carta, por telefone no decorrer da emissão ou pessoalmente, havia quem se manifestasse, mas também é sabido que os programas de autor sempre suscitaram mais fidelidade por parte dos ouvintes, em relação aos generalistas.

11720044_10204705586826710_460654960_n-2Em 2003 passas a ter uma mais forte divulgação pela net através do site do Círculo de Fogo. Este trabalho ajudou-te na organização de todo o teu trabalho? Na minha opinião pelo menos ajudou-me a encontrar e informação facilmente e a saber onde tinha que procurar as novidades e os contactos! Como recolhias a informação? Tiveste a colaboração de algumas pessoas neste projecto?

O site em www.circulodefogo.inforzone.com foi criado no ano em que o Círculo de Fogo regressou à antena da Viriato FM e servia de apoio ao programa, principalmente a agenda de concertos, que era escrita, com alguns cartazes em anexo. Talvez seja a mais antiga agenda de Metal em Portugal, na internet. Cerca de 17 mil cartazes de espetáculos ao vivo encontram-se presentemente disponíveis para consulta em www.facebook.com/CirculoDeFogo.pt.

Apesar do Círculo de Fogo ser o meu alter ego na música, todos os que me contactam, por carta, e-mail ou Facebook são colaboradores neste projeto.

Desde 2007 editas as e-compilações, que são um excelente trabalho de compilação e divulgação do metal português. Como funciona o processo de criação destas compilações? Uma coisa que acho fantástica são as capas e os nomes atribuídos a cada compilação. Como surgem na tua ideia? Depois de 4 anos surge a compilação número 10 (“Regeneração”). Quando teremos as próximas?

Desde a primeira emissão do Círculo de Fogo que há espaço para a produção nacional; nos últimos anos do programa, a primeira edição de cada mês era preenchida integralmente pelas sonoridades lusas, fosse Metal, Rock, Punk, Hardcore, Gótico ou Progressivo. A primeira compilação foi editada um mês depois do programa de rádio acabar e é uma continuidade na difusão da diversificada música portuguesa.

10897819_10203496475799690_6389228319717696903_nAs capas são da autoria do pintor gestual Pedro Albuquerque (www.facebook.com/AlbuQpedroalbuquerque), natural de Viseu, o qual se destaca igualmente na escultura, heráldica e pergaminhos. Entre outras estórias, menciono a ilustração da compilação #1 que é um excerto de um trabalho, posteriormente reconhecido internacionalmente, o qual se encontra desde 2009 num museu em New York – “capital do mundo”. Quando a #10 “Regeneração” foi idealizada, o objetivo seria incluir maioritariamente bandas jovens na cena, independentemente do background dos músicos, sendo o baterista Tiago dos Sangue Lusitano o mais novo a participar, com 13 anos.

A #11 será editada a 21 de setembro do corrente ano, intitular-se-á “Viseu” e incluirá bandas e solistas naturais e/ou residentes no distrito de Viseu, nos universos do Metal n’ Rock. Sendo alojada em www.circulodefogo.bandcamp.com, será uma coletânea digital em aberto, com possibilidade de serem adicionados outros grupos. É feita a pensar no legado musical viseense, desconhecido de muita gente, mesmo entre conterrâneos, é elaborada para apoiar os músicos no/do presente e deixa a porta aberta para futuros projetos musicais que surjam na região. Incluirá biografias redigidas em português.

O Círculo de Fogo tem passado estes 20 anos pelos altos e baixos da nossa cena underground nacional. Como tens visto a situação nestes anos todos? O aparecimento das novas tecnologias tem dado um maior facilitismo de divulgação às bandas, diminuindo o número de pessoas que se dedicam à divulgação através de webzines, fanzines? Qual o caminho que está a seguir o nosso metal?

Quando a internet, como é conhecida, não existia ou ainda era uma miragem, as bandas e editoras recorriam aos meios de divulgação para dar a conhecer o seu trabalho. As novas tecnologias impulsionaram a auto-promoção, graças ao aparecimento dos sites, depois impôs-se o MySpace e, mais recentemente, o Facebook, não obstante continua a haver mass media no suporte. Baseando-me, por exemplo, em cartazes de eventos que vou publicando, têm surgido imensas bandas ultimamente; nunca deixou de haver promotores e palcos de norte a sul do país, e verifico que há cada vez mais seguidores e interessados em acompanhar o nosso underground. O “Boom” do Metal nacional ocorreu em meados dos 90s, com algumas bandas a criar um movimento pós-“The Birth of a Tragedy“, não obstante atualmente temos muitas centenas de bandas no ativo, para todos os gostos e feitios, muitas delas em nada ficam atrás das congéneres estrangeiras.

Os estudos científicos comprovam que a aprendizagem de um instrumento musical estimula o cérebro, a coordenação motora, a sociabilidade, entre outros benefícios. Nos dias que correm, uma guitarra clássica de iniciação fica mais ou menos pelo preço de um jogo PlayStation, além da formação musical que está mais acessível, seja em escolas públicas e privadas de música, na catequese, na internet,… Fico curioso pelo próximo caminho do Metal. Música é arte e cultura!”

E assim terminamos esta entrevista. Muito obrigado por tudo! O Círculo de Fogo faz um excelente trabalho na divulgação do metal nacional e esse é um dos seus principais objectivos. Podes deixar umas últimas palavras para encerrar esta entrevista.

– Apoiem, motivem e incentivem os músicos e todos aqueles que dão o seu contributo na cena musical portuguesa, enquanto cá andam. Depois de encerrarem atividades, de pouco adianta lamentar o seu fim.

Obrigado, Marco e muita força para a Ode Lusitana!

Depois desta entrevista e neste dia especial de 21 de setembro surge a compilação Nº 11 dedicada a Viseu com vários artistas naturais e/ou residentes no Distrito de Viseu. Faz o download desta e de outras compilações em Círculo de Fogo bandcamp.

12033230_886928948058168_4720127949371294319_n


Dead Silent

Captura de ecrã 2015-09-11, às 07.18.16

Dead Silent, banda do Funchal, teve as suas origens no início de 2006, após alguns dos elementos terem cessado com o anterior projecto de nome Blue Sound Traffic. Todos os elementos são conhecedores e participam no meio underground da Madeira e lançam em 2007 o EP de 3 temas. Em 2014 é divulgado o single “Disarray” que faz parte do trabalho a lançar em breve e de nome “The Island”. Banda composta pelo Dário Abreu (voz/baixo), Saúl Caires (guitarra), Eurico Santos (guitarra) e Jorgeu Abreu (bateria).

10273377_799912803384830_550504965518541566_o

Estivemos à conversa com o Dário e que nos apresenta o mundo dos Dead Silent.

Viva Dário e bem-vindo à Ode Lusitana! Para começar, ainda te lembras como começou este teu interesse pelo metal? Tinhas um grupo de amigos que se reunia para ouvir as novidades? Ouvias de tudo um pouco, ou já tinhas interesse por uma sonoridade mais específica?

Boas! E desde já obrigado por esta entrevista. Basicamente acho que já nasci Metalhead e não sabia, depois quando o meu irmão pôs as mãos numa K7 de AC/DC foi sempre a abrir, Dio, Black Sabbath, Dokken, W.A.S.P., Iron Maiden, Venom, Death, Overkill, gravávamos tudo o que apanhávamos, fossem as cenas que o pessoal arranjava (que se tornavam uma espécie de propriedade da comunidade) ou do programa de Rádio da altura aqui na ilha (Dança do Fogo). comprávamos discos e K7s com o pouco dinheiro que houvesse. Lembro-me por exemplo de trocar K7s e encomendar com o pessoal as cenas, nomeadamente os Cd’s e t-shirts do catálogo, na altura uma fotocopia mal tirada a verde e preto, da hoje enorme Nuclear Blast.

Sempre ouvi dentro do METAL de tudo um pouco e hoje em dia do hard Rock mais lamechas ao noisecore mais barulhento do mais antigo ao mais moderno vou ouvindo de tudo um pouco.

11072199_881419651900811_9027145652901562166_nQuando é que deixas de ser um ouvinte e passas a um executante? Era um interesse que já tinhas dento de ti? Ainda te lembras do teu primeiro instrumento?

Nem sei se posso ser considerado executante, nem me considero um músico. Sou apenas um gajo que gosta de METAL e se diverte a fazer umas coisas sem se preocupar muito com o que os outros possam pensar, pois se for esse o objectivo nº1 nem vale a pena ser feito pois com certeza que hás-de falhar…. ahhaha….

Foi um interesse que nasceu pois senti que era algo exequível. O Metal tem, ou pelo menos tinha, essa vantagem. Não havia aquela pressão para seres fantástico, apenas tinhas que ser duro e convicto pra seres respeitado, e alem de ser uma forma de expressão era também uma forma de convivência. No fundo penso que todo o gajo que um dia fez air guitar já pensou em formar uma banda…uns cometem a loucura de o fazer… de qualquer modo hoje em dia já anda aí um monte de gajos que pensam que ou és tecnicista ou não és ninguém eu como não sou ninguém tenho que rebater esse argumento … de qualquer forma anda aí muita cena tecnicista que eu aprecio e muito.

O meu primeiro instrumento foram umas violas acústicas do meu pai com a qual, eu e o meu irmão, o Jorge (baterista da banda), interpretávamos algo parecido a speed fado ou fado metal, o que, e tendo em conta que o meu irmão tocava bateria nas almofadas, até era bastante chique, a 1ª guitarra a serio foi uma Mason emprestada e depois gastei um salário na aquisição da Ibanez, com a qual tenho uma relação que dura até hoje. Por curiosidade o baixo que uso neste momento é também é um Ibanez.

Passas por várias bandas, como Reincarnation, Insania, Outerskin. Que lembranças guardas?

Lembranças? acima de tudo andar com material ás costas que esta gente não sabe viver ao pé da estrada…ahha. Depois os concertos são sempre uma experiência á parte ainda que por cá não existam muitos, mas os que há são memoráveis pelas melhores ou piores razões. Lembro-me por exemplo, com Outerskin, no Caniçal de um palco suspenso a uns 3 metros de altura, em andaimes que balançava muito e quando pisei terra firme as pernas começaram a tremer… ahahha. ….

Em dezembro de 2007 entras para os Dead Silent como baixista. Como surgiu essa oportunidade? Já conhecias o pessoal de outras andanças?

Os Dead Silent? Sim já nos conhecíamos há muito, até porque eu já tinha tocado com o Eurico na fase final de Insania e o meu Irmão e o Saúl eram dos Drawned in Tears e já nos conhecíamos até dos tempos em que faltávamos, pontualmente, ás aulas e em que o pessoal ainda temia “os metálicos”. Alem disso ensaiavam na minha casa, e apesar de eu estar nessa altura em Outerskin, os dias de ensaio não eram coincidentes, e precisavam de um baixista, a mim alem de me agradar o som e o pessoal, parecia-me melhor me juntar a eles do que ficar a ouvir o barulho …ehheh…

E surge também a oportunidade de seres vocalista! Como está a ser a experiência?11121784_890560067653436_7961361888241017894_n

.. pois, posso dizer que definitivamente nem estava nos planos, até porque já tinha tido a experiência em Insania e tinha decidido que o meu futuro não passaria por mais que algumas back vocals ocasionais … Mas perante o facto de termos chegado a um ponto em que tínhamos tudo gravado e não havia voz, achámos que era uma solução exequível, e entre todos lá reconstruimos a parte lírica e vocal dos temas o que nos levou mais uma carrada de tempo mas valeu a pena porque entre todos conseguimos resolver bem a questão (O Jorge e o Eurico também fizeram vozes)… A experiencia tem sido interessante, mas o facto é que estou na fase em que estou começando a juntar as duas funções, e se calhar até não me importava de ceder uma dessas posições de forma a poder desfrutar ao máximo e também ganhar alguma eficiência.

Dead Silent tornam-se uma banda que todos sentem curiosidade em ouvir, especialmente depois de lançarem o single “Disarray” e já no mês de Maio deste ano disponibilizam o tema “The Island”. Mas para quando a edição do álbum “The Island”?

A edição do álbum será o mais brevemente possível, mas seja pela nossa auto-exigência pessoal , ou por outros factores isto tudo tem levado algum tempo, depois de termos lançado o tema titulo, já era até pra estar disponível no Bandcamp, mas depois surgiram outras possibilidades que estão em estudo. E, por essa falha nos timings peço desde já desculpa a todos, sendo que seja em que formato for esperamos ter a cena cá fora o mais brevemente possível para quem quiser ouvir. Posso vos garantir que é um verdadeiro trabalho de equipa, honesto e dedicado feito por quatro gajos de trinta e tal anos pelo simples amor ao Rock e METAL, uma vez que não fazemos planos de ficar ricos com isto…

1455931_948959628480146_800532496942067744_nO que representa esta ilha?

A ilha no fundo pode ser qualquer coisa… desde a nossa realidade diária como banda, de certa forma enclausurada numa Ilha, ou aquela do “nenhum homem é uma ilha” sendo que nessa versão eu até penso que ver o Homem como a própria ilha até tem um peso dramático que me agrada.

Com este tempo de espera já tem ideias para o próximo álbum?

De momento ainda não chegámos a essa fase de pensar no futuro, até porque entre as responsabilidades e horários laborais de cada um temos que fazer as coisas devagar e com os pés bem assentes no chão, por exemplo se nos encontramos para decidir qualquer coisa por vezes já não dá pra ensaiar. O próprio álbum foi gravado, e misturado, em horário de ensaio, e é assim que vamos passando as quartas e sábados sempre que possível, e infelizmente nem sempre é possível…

A insularidade da Madeira tem prós e contras. O confinamento do território pode levar a uma cena unida, mas ao mesmo tempo pode trazer dificuldades na divulgação, especialmente fora da ilha. O que achas desta situação?    

Quanto a isso da ilha ser limitativa acho que depende de como lidas com o assunto, podes ficar num canto a chorar ou podes lidar com isso ou até, se a ilha te limita tanto, podes criar um par de tomates e nadar ou voar daqui pra fora…

Como está a cena metaleira na Madeira?

A cena diria que está como sempre, a diferença é que agora começam mais novos e se calhar de certa forma tocam melhor.

Aqui no continente tem havido uma forte divulgação a nível de bandas e eventos. As bandas daí conseguem apresentar publicamente os seus trabalhos?

Há fases em que há muitos concertos e depois fases mais calmas como agora, ainda assim as bandas vão fazendo o que têm a fazer sem pensar se dão muitos ou poucos concertos e temos assistido a bons trabalhos de bandas novas e velhas como os Exercium, Calamity Islet, Karnak Seti, Requiem Laus, Raiva e por aí a fora …

Há tempos estive no Funchal na Zona Velha, quando passa por mim um miúdo, com uma t-shirt dos Slayer e guitarra ao ombro, que me deixou com um sorriso de orelha a orelha, porque é sinal que o movimento não está morto. Que concelhos darias a este pessoal que quer começar com uma banda?

Ao pessoal que quer começar diria que devem faze-lo por amor á camisola e não para obter reconhecimento fácil pois assim estarão sempre frustrados. Diria também que o contrário do que muitos pensam o METAL não garante miúdas, dinheiro, fama ou fortuna a ninguém até pelo contrário gasta-se imenso dinheiro e tempo, mas pelo menos volta e meia lá ficamos com a miúda… ahhaha…

11080453_881419091900867_2566967762218703770_oO que falta para a Madeira voltar a ter um ambiente forte a nível do Metal?

Não sei se a Madeira alguma vez vai ser muito forte a nível de metal…mas também penso que a cena não vai morrer, já não temos os Incognita ou os Drawned in Tears, mas ainda temos uma porrada de gente nova e velha a fazer Rock e METAL mesmo que no anonimato. Também era bom conseguir mais intercâmbio de bandas nos vários sentidos, sejam bandas exteriores a vir cá tocar ou pessoal de cá a ir e voltar.

E assim chegamos ao fim da entrevista e queria agradecer-te pelo tempo dispendido em responder às questões. Vamos continuar atentos aos Dead Silent e para finalizar podes deixar umas palavras aos nossos leitores.  

Desde já obrigado a todos pela atenção, e espero que gostem do nosso trabalho, ou que pelo menos o oiçam para poderem dizer mal com conhecimento de causa… hahaha…. Agora a sério, acima de tudo desfrutem da cena e continuem a ouvir bom METAL seja de bandas gigantes ou quase desconhecidas que a cena precisa de todos. ROCK ON!

Segue, ouve e adquire o último trabalho trabalho dos Dead Silent no seu bandcamp Dead Silent!


Headbang Solidário – Senhores Bichinhos

11046251_804810916284590_2646544302005737024_oHeadbang solidário – Senhores Bichinhos” é um evento que vai decorrer neste fim de semana a 11 e 12 de Setembro no Metalpoint no Porto. Headbang Solidário é um “projecto (que) tem como finalidade a organização de eventos Metal/Rock ,para angariação de fundos para causas sociais (incluindo protecção ANIMAL) e divulgação das bandas nacionais.” A angariação de fundos deste evento reverto a favor da Associação Senhores Bichinhos.

O evento decorrerá em dois dias sendo as bandas assim distribuídas:

Dia 11 – Hunter’s Vault (progressive metal – Porto, formada em 2012, lançaram mais recentemente o single “A Call From Outer Space”), Buried Alive (thrash metal – Gaia, com os inícios em 1991, estão em gravação para o seu novo trabalho “Exploding Ashes”), Tontura (grunge / metal – Maia) e NightMyHeaven (melodic metal – Guimarães, formados em 2003, apresentam o tema “Slayer of Deities” em avanço ao seu novo trabalho).

Dia 12 – Cape Torment (death metal old school – Porto, formados em 2011 estão a preparar o seu EP de estreia), Toxik Attack (thrash metal – Guimarães), Projecto Sem Nome (alternative rock / pop / metal – Porto, com início da formação em 2012, lançam para 2016 o seu primeiro registo), FurcaZ (black metal – Braga) e Nihility (black metal).

Também haverá a apresentação do livro de César Elias” América”, consultas de tarot e oráculo Maya, espectáculo Malabares de Fogo e muito mais.

11887736_800324596733222_8778909247421558047_o


Humanart

574450_418562381505301_1117754563_nHumanart, banda proveniente de Santo Tirso, edita o seu primeiro trabalho, a demo “Fossil” a 15 anos atrás. Praticantes de uma sonoridade black metal bastante convincente editam em 2014 o seu primeiro longa duração “Lightbringer” que os marca como uma das bandas mais interessantes dentro do panorama nacional. Formados pelo Sathronus (voz), JJ e Fareal (guitarras), Ram (baixo) e Izmit (bateria).

Foi com o guitarrista e mentor JJ que estivemos à conversa.

 

Viva JJ! Os Humanart formaram-se em setembro de 1998 em Santo Tirso, mas conta-nos um pouco de como chegaste a este projecto, num concelho onde rareavam os adeptos desta sonoridade. Como foi a tua evolução como ouvinte até chegar a este género? O black metal português da altura já te despertava também alguma curiosidade?

Boa noite Marco e leitores em geral, o que posso dizer é que nessa altura já eu ouvia metal à uma boa meia dúzia de anos e tinha tido uma banda de garagem quando soube de um grupo de amigos mais novos e sem experiência estavam com a mesma ideia que eu vinha a amadurecer desde à tempos, a de formar uma banda do meu estilo de metal favorito, o Black metal. Assim, com essa primeira formação gravamos o MCD “Fossil” (2000) que teve bastante aceitação no underground nacional e em algumas publicações estrangeiras pois fomos reconhecidos pela qualidade e originalidade num meio ainda pouco explorado e onde reinava a semelhança entre projectos.

Captura de ecrã 2015-09-1, às 20.14.47Os Humanart durante algum tempo foram um projecto apenas teu devido às várias mudanças na formação, mas com a entrada de novos elementos, evoluiram a nível sonoro. Como é o vosso processo de criação de novos temas? Os concertos ao vivo são sempre o vosso meio predilecto de transmitir o vosso som?

A substituição de elementos foi acentuada durante estes 16 anos de banda, eu resumo este percurso em três grandes formações: a que gravou o “Fossil”, a que gravou o “Hymn Obscura” e a actual que gravou a Tape “X Years of Black Crusade” e o álbum “Lightbringer” que estamos a promover. O som foi evoluindo assim como acontece com os gostos pessoais, o que começou com uma guitarra/teclas passou a duas guitarras assim que o Black metal com apontamentos sinfónicos deixou de fazer sentido para nós.

Por norma eu esboço o esqueleto de uma nova música em que depois todo o pessoal trabalha até se atingir resultados que nos satisfaçam, e sim, somos uma banda que adora tocar ao vivo com toda a interacção que isso possibilita. 

Numa entrevista tua dizes que o “black metal é música carregada de raiva, inconformismo e reflexão, associados ao lado obscuro do Ser Humano”. Consegues explicar este lado obscuro do Homem e de tudo o que o rodeia? Os vossos temas giram à volta deste conceito? Que achas desta vaga actual de bandas post-black metal que vão aparecendo lá por fora? Pode ser polémico, mas estas bandas estão a desvirtuar o estilo?

O lado obscuro é toda aquela parte do ser que se encontra aprisionada pelos dogmas embebidos na sociedade actual principalmente através da religião organizada, gostamos de explorar os limites mesmo que para isso tenhamos de fugir ao politicamente correcto.

Não ouço nada dessa coisa do Post-bm nem acho que se enquadrem no mesmo universo ao qual sou fiel à duas décadas, simplesmente ignoro.

11072532_1037299142964952_4483586767220727822_nLightbringer” o vosso primeiro longa duração editado em 2014, foi um dos melhores registos portugueses do ano. Ao final deste tempo como olhas para o álbum? Os temas encaixaram bem, mesmo alguns deles já terem sido escritos a algum tempo? Vamos esperar mais tempo por um novo álbum?

Com este álbum tem acontecido algo que é inédito, após vários meses dou comigo a ouvi-lo regularmente e com imenso prazer sem sentir aquela necessidade de me afastar um pouco do material como é comum, adoro ouvi-lo e toca-lo, os temas fluem bastante bem já que a organização dos mesmos foi pensada com um fio condutor e uma coerência que não sendo conceptual é completamente intencional.

O sucesso deste trabalho só não teve para já mais eco no nosso país porque “forças estranhas” tentaram abafa-lo e denegri-lo mas estamos satisfeitos com as excelentes críticas que nos chegam dos media estrangeiros, alguns nacionais e muitos fãs de todo o lado aos quais agradecemos todo o apoio no meio desta podridão, podem continuar a contar com as nossas denúncias e exposições de situações incorrectas pois não devemos nada a ninguém nem temos qualquer tipo de contemplação com meia dúzia de imberbes que minam a cena toda.

Quanto a novo álbum ainda é bastante cedo para falar nisso pois vamos estar na estrada com “Lightbringer” por mais um ano pelo menos. Estamos a compor novo material mas que vai permanecer na obscuridade nos próximos tempos.

 Ainda tens a noção que o underground português podia estar mais unido? É de realçar a enorme quantidade de bandas que existem actualmente e os vários sítios que existem para concertos, mesmo assim o que podíamos melhorar ainda mais? Os meios de divulgação (facebook, programas de rádio, webzines, fanzines) tem contribuído para o crescimento da nossa cena?

Tenho e cada vez mais, o underground nacional está disperso e desestruturado pelos factores que mencionei anteriormente e mais alguns, e nem me vou por com saudosismos do tempo das zines de papel (que vou matar agora!!!) e grandes eventos a que todos acorriam em massa pelo prazer de apoiar o underground, as coisas mudam e há que tentarmo-nos adaptar mas a desilusão passa por outros factores, dou-vos o exemplo do ridículo de não nos convidarem para a participação em determinados festivais pois não nos viram nas últimas edições dos mesmos no público (quando já comparecemos a inúmeras edições de alguns e mesmo que não o tivéssemos feito qual era o problema???), é disto que se faz o nosso underground, ter de levar com isto além de tocar de borla ou quase. Ou toda a gente saber que há publicações que só publicitam e dão relevo às bandas dos amiguinhos e aos estilos post-qualquererva que ouvem dizendo-se generalistas e isentos como os jornalistas de verdade. A nossa cena resume-se a duas ou três dezenas de boas bandas, meia dúzia de promotores sérios e umas tantas publicações de net e rádios, só.

 Obrigado JJ pela tua participação e desejamos também que os Humanart sigam no bom caminho. Algumas palavras finais.

O nosso obrigado e parabéns à Ode Lusitana pelo seu arranque promissor! Os agradecimentos extendem-se a todos os leitores que de uma maneira ou de outra apoiam o metal nacional.

Visita o bandcamp dos Humanart em Humanart Bandcamp