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Terror Empire

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   Terror Empire, banda de thrash metal formada em 2009 com localização em Coimbra, tem agitado as águas do nosso panorama underground, sendo de realçar o seu álbum de estreia “The Empire Strikes Black” de 2015 através da Nordavind Records. Antes já tinham apresentado o EP “Face the Terror” de 2012.

   Som directo, agressivo e com característica de murro no estômago, estivemos à conversa com o vocalista Ricardo Martins que nos abre às portas ao mundo de Terror Empire. A formação desta máquina trituradora é constituída por Ricardo Martins (voz), Rui Alexandre (guitarra), Rui Puga (baixo) e João Dourado (bateria)

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Viva Ricardo! É uma honra muito grande ter os Terror Empire, representados por ti aqui nas páginas da Ode Lusitana, ainda para mais quando editaram em 2015 o vosso fantástico primeira-longa duração “The Empires Strikes Black”. Muitos concertos dados, muitas entrevistas, muitas críticas positivas ao álbum, que já faz parte do vosso ADN e do público que assiste aos vossos concertos, marcaram este registo. Por isso vamos voltar ao ano de 2009 que é quando tudo começa. Como se dá a formação da banda? Já existia um contacto grande entre os elementos dos Terror Empire?

Boas Marco. Antes demais, a honra é toda minha. Agradeço em nome dos Terror Empire a entrevista.

Voltando a 2009… Eu, o Rui e o Puga somos amigos de longa data e já tínhamos tido uma banda. Nessa altura andávamos à procura de um baterista para começar um novo projecto. O Puga, entretanto, conheceu o Gonçalo e o Sérgio num concerto em Arganil. Começámos por seduzir (ahahah) o Gonçalo, combinámos uns ensaios e as coisas foram resultando. Pouco depois junta-se o Sérgio e as coisas começaram a ganhar forma de Terror Empire.

 

Os vossos ensaios eram completamente descomprometidos até se lembrarem que estava na altura de lançar algo sob a forma o vosso trabalho de estreia o EP “Face the Terror” de 2012?

Desde que formamos os Terror Empire que o objectivo passava por gravar algo e fazer as coisas como deve de ser. Claro que no início, os ensaios eram mais uma descoberta de entrosamento e de gostos. Após essa fase inicial, os temas começaram a surgir mais coesos e com um cunho muito nosso. Sabíamos que para sermos levados a sério e arranjarmos mais concertos teríamos de ter algo gravado. Gravámos, lançamo-nos às feras e foi o que melhor fizemos, chegámos a outros palcos, tocámos de norte a sul. Tem sido muito gratificante.

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Existem várias coisas que definem o som de uma banda, sejam as guitarras, secção rítmica ou as vozes. No teu caso como decorreu essa realidade de teres o posto de vocalista na banda? Foi uma grande luta até atingires este teu registo vocal? Quais são os vocalistas que mais admiras?

Foi simples, não sei tocar nenhum instrumento e curtia mandar uns berros ahahah. E acho que foi algo que decidimos em muito putos (eu e o Rui), eu era vocalista e ele guitarrista, tínhamos uns 11 ou 12 anos, mal sabíamos que isso iria mesmo acontecer ahahah.

O registo, e é aquela resposta que quase todos dão, é até ganhar calo. Foi tentar até chegar a um em que me sentisse confortável e o conseguisse sem esforçar e sem dar cabo da garganta.

Max Cavalera e Phil Anselmo, são dois dos que mais me influenciaram, mas sempre procurei achar o meu próprio registo.

 

Inspiração para a escrita das letras não te falta, já que basta olhar para o estado da sociedade, mas como é teu o processo de escrita?

Adoraria estar aqui com um grande paleio de um processo de escrita todo pseudo-intelectual, mas é muito terra a terra. Geralmente o que me leva a escrever prende-se com situações de injustiça social, com a degradação civilizacional a que assistimos e algumas situações pessoais. Há uma clara decadência do humanismo, estamos focados mais na posse, em jogos de poder e em lucros do que em cuidarmos uns dos outros. É como dizes, inspiração, ou motivos para escrever não faltam.

Despertando para um tema, escrevo sobre isso, fazendo posteriormente os arranjos para que se encaixe na música.

 

A vossa evolução e amadurecimento foi evidente ao longo dos anos até que se avizinhou um novo trabalho, mais propriamente o longa duração de estreia. Mas antes e em 2013 entra o João Dourado para a bateria. Como se deu o contacto e como foi a adaptação tanto da banda como dele? Ainda para mais quando a parte final de produção e mistura do álbum é feita nos Golden Jack Studios, pertença do João. No meio da agressividade, há também muita festa. Que recordações guardas da gravação do álbum e quais os momentos especiais que mais te orgulhas?

O Gonçalo, por motivos profissionais e pessoais saiu do país e tivemos de procurar baterista, o que aqui pela zona de Coimbra, na altura, não se estava a figurar um processo rápido, dada a escassez de bateristas disponíveis dentro do género. Lembrámo-nos do Dourado, mas não saberíamos se ele iria curtia a ideia, dado que o thrash não era a cena dele. Ele era o baterista de Antichthon (black metal). Falámos com ele, combinaram-se uns ensaios e o homem arrasou. Sentimos logo que ele era o ideal, para além de grande músico as suas qualidades humanas equiparam-se ao seu talento, o que levou a que a adaptação fosse um processo natural e rápido. O Dourado trouxe-nos uma agressividade ainda maior e com as suas influências do black metal permitiu outras abordagens mais extremas.

As gravações foram semanas intensas, com vários sentimentos experienciados, mas focados em conseguir um trabalho que nos orgulhasse e esse orgulho surge quando escutas o resultado final e te sentes concretizado e realizado.

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Após a edição do álbum houve uma azafama enorme com concertos presenciados por muita gente, as entrevistas e uma roda-viva que não parava. Nessa altura como sentiste o pulso ao underground nacional? Existem muito boas bandas dos mais variados géneros no país todo, mas ainda notas grandes diferenças de organização nos eventos de sítio para sítio?

Está bem vivo. Acontecem eventos todas as semanas. Temos bandas com enorme qualidade em Portugal e que dão grandes concertos. O público que se desloque a um qualquer concerto do underground não sairá frustrado com o que pagará, às vezes um valor bastante irrisório. As bandas comportam-se como profissionais, as condições para o público estão cada vez melhores, há um maior cuidado por parte dos organizadores em oferecer melhores condições ao público tal como às bandas.

Sou bastante grato a todos os que organizam tal como a todos os que aparecem e vão permitindo que o movimento viva e cresça.

 

O que ainda atraí os mais jovens a ouvirem Metal e que se vai notando com a presença de uma nova geração nos concertos?

O mesmo que nos atraiu. Satanás ahahah. Fora de brincadeiras, acho que é o mesmo que nos levou a gostar, seja pela agressividade, dinâmica, energia, musicalidade, letras, etc. É algo que nos toca e que fica. Não é moda, ou se gosta ou se odeia.

Eu acho que o pessoal mais novo, felizmente, é mais eclético. Não se limita a gostar apenas de uma vertente e tudo o resto é mau.

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Locais de concertos não tem faltado um pouco por todo o lado e Coimbra sempre foi conhecida como uma “maternidade de bandas” dos mais variados estilos, onde entre outras podemos considerar os M’as Foice, assim como os Tédio Boys uns dos grandes impulsionadores desta criatividade que se vivia em Coimbra. Concertos não faltavam e bandas também não. Para o lançamento do vosso álbum “The Empire Strikes Black” escolheram um local bem no centro de Coimbra, o Salão Brazil, com a participação dos Destroyers of All e Revolution Within, com uma casa muito bem composta. Mas tudo ficou por aqui. Existe uma quebra acentuada de concertos dedicados ao Metal em Coimbra (em Aveiro também aconteceu o mesmo, mas fica a análise para uma próxima), os espaços escasseiam, o movimento perde força e até vemos o Mosher Fest a se deslocar para os arredores de Coimbra. Consegues explicar o que se está a passar na cidade de Coimbra, ainda para mais quando temos boas bandas na zona e um público enorme devido a ser uma ‘cidade universitária’? O que é necessário para melhorar esta situação?

Sobre Coimbra, na verdade não posso opinar, não vivo em Coimbra e como tal desconheço a realidade da cidade. Sei que vão acontecendo alguns eventos, mas concertos de metal não tem havido muitos, para além do Mosher Fest.

Um facto é que há uma maior dificuldade em encontrar um local central em Coimbra, que ofereça as condições necessárias para a organização de concertos de metal. Por isso a tal deslocalização que falas. Não posso dar uma resposta mais fundamentada, porque não vivo o dia-a-dia da cidade.

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Tudo tem a sua origem e no teu caso, a viver na Lousã, como foi essa tua descoberta pelo Metal? Tinhas um grupo de amigos que se reuniam para comentar e ouvir as novidades ou procuravas conhecer por ti próprio as novas sonoridades? Ainda te lembras dos primeiros álbuns que te despertaram essa paixão? Quais foram esses álbuns?

A minha descoberta do metal na Lousã foi semelhante à de qualquer outra pessoa quer viva em Coimbra, Lisboa ou outro lugar do planeta.

Foi na Lousã que vi RAMP, ainda chavalito, graças ao meu irmão ser mais velho e eu colar-me a ele. Foi também através dele que tive acesso a muitas outras bandas. Embora os nossos gostos musicais sejam muito diferentes, ele tinha uns amigos que ouviam metal e eu ia ouvindo umas cassetes que ele ia lá tendo em casa (sim, sou do tempo das cassetes). Ainda sou do tempo em que havia programas na TV que passavam metal de vez em quando e ia-se descobrindo algumas coisas. Depois entre amigos íamos trocando música.

Tenho um sentimento especial pelo “Chaos AD” dos Sepultura, pois foi o primeiro álbum que comprei. O “Intersection” dos RAMP também é um que muito estimo e que já mal roda de tão gasto que está, tinha uns 15, 16 anos. Depois nas tais cassetes tinha lá Pantera, Metallica, Napalm Death, Ratos de Porão, Iron Maiden.

Foi por aqui que começou o meu interesse.

 

Estamos quase a chegar ao fim, mas não podíamos terminar esta entrevista sem saber que novidades é que nos podes dizer do novo álbum? Já tem nome e vão ter a participação de músicos convidados? Após a saída do vosso guitarrista Sérgio Alves estão a planear colocar um novo elemento?

Estamos a finalizar a composição do álbum. Em breve vamos divulgar várias novidades, mas podem esperar um álbum com a agressividade característica.

 

Agora sim Ricardo, é tudo e queria agradecer pela tua disponibilidade. Estas últimas palavras são tuas e ficamos a aguardar as novidades de Terror Empire.

Foi um prazer amigo. Obrigado por todo o apoio que dão às bandas, divulgando os nossos trabalhos. Grato a todos os que fazem o underground nacional pulsar. Vão estando atentos ao nosso facebook e site para saberem as novidades do próximo álbum e outras. Um abraço!

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Cortina de Ferro

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   Cortina de Ferro é um programa radiofónico da autoria do Daniel Pacheco, com emissão na AVFM de Ovar, mas também disponível via streaming, que se dedica à divulgação do Som Eterno, com especial incidência no underground e que começou as suas edições em Julho do ano passado.

   Daniel Pacheco é um verdadeiro divulgador e nada melhor que conhecer o seu excelente programa, assim como as muitas histórias que nos tem para contar.

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Começas há quase 30 anos e por curiosidade na ‘mesma’ estação que estás actualmente, mas que na altura se chamava Rádio Atlântico, uma das muitas estações que existiam nesses anos, com o programa “Onda Forte”. Como surgiu esta tua paixão pela rádio e esta oportunidade em especial?

A paixão pela rádio não foi imediata, mas vou-te confidenciar uma história deveras interessante. Um determinado senhor de nome Eduardo Pereira, já na altura na casa dos 50 anos e penso que nem a 4ª classe tinha, era um “engenhocas” como nunca tinha visto. Ele era, e penso que ainda seja (apesar da Idade), um “macanudo” inveterado (Macanudo=Utilizador intenso de comunicações via Rádio CB), foi ele que construiu o primeiro emissor da Rádio Atlântico, era tão fraquinho que apenas cobria um raio de 1 Km, ou seja, apenas era escutada no centro da cidade de Ovar. Tudo era artesanal, sendo a mesa de trabalho composta por 2 “pratos”, mesa de mistura de 6 canais e 2 leitores de K7’s, tudo isto preparado por ele, e assim nascia a primeira Rádio Pirata do concelho de Ovar. Para que a mesma funcionasse das 7 da manhã à meia noite, era necessário ter pessoal suficiente para cobrir todas essas horas, pois como todos sabem, na altura não existiam computadores nem software que hoje em dia todas as rádios possuem, software esse que torna uma rádio moderna autónoma, pois pode funcionar 24 horas por dia sem qualquer supervisão humana. Mas na altura nada era assim, era preciso batizar muitos “maçaricos” quase diariamente, e numa certa altura através do já desaparecido presidente da Casa do povo de Ovar, onde estava e ainda está situado os estúdios da atual AVfm, presidente esse que tinha uma ligação de grande amizade com o meu pai, falou-lhe um dia na possibilidade de eu passar a colaborar com a Rádio Atlântico, e é assim que começa a minha aventura nas lides de animador de rádio. Basicamente todos os colaboradores eram bastante jovens, cada um “inventava” um programa dentro do seu gosto pessoal, todos tinham que carregar o seus discos e K7’s sempre que tinham uma emissão agendada, a rádio não possuía qualquer registo musical, queres fazer um programa de rádio?? Arranja musica para ele…e eu com os parcos recursos financeiros, lá ia comprando uns discos usados, e raramente uns novos, apenas as K7’s abundavam com gravações enviadas de contatos que já tinha na altura com pessoal de lisboa ligado aos Fanzines que faziam cópias, de outras cópias de bandas que se conseguia arranjar na altura. Com algum material em carteira que dava para 1 hora de emissão, então com 16 anos, nasce o primeiro programa de Metal no concelho de Ovar o “Onda Forte”, que curiosamente e até aos dias de hoje, não existiu mais ninguém no concelho a ter um espaço dedicado ao “som eterno” numa emissora, a partir daí a paixão foi crescendo, e o “bichinho” da rádio nunca mais desapareceu.

Já tinhas alguns programas de referência que seguias? Com que idade inicias estas tuas andanças e como foi o teu teste de fogo em relação a estares em frente a um microfone a falar, já que o ‘dom da palavra’ é bastante importante para um locutor?

Já agora para que todos se possam situar, nasci no dia 7 de Dezembro de 1969, comecei as lides radiofónicas em 1986, então com 16 anos. Escutava regularmente o programa “Som da Frente” de António Sérgio que emitia todos os dias à tarde entre as 16 e as 17 horas que mais tarde passou para horas improváveis… da 1 às 3 da manhã, também o “Rock em Stock” de Luis Filipe Barros que ia para o ar das 17 ás 18 horas e mais tarde passou a emitir das 00h à 01h, mas o grande influenciador foi sem duvida o carismático “Lança Chamas” de António Sérgio, que emitia aos Sábados à tarde. Relativamente ao teste de fogo frente a um microfone, não me recordo muito bem desse dia, a única coisa que me lembro perfeitamente, era as “bacoradas” que saia pela boca ao mencionar o nome das bandas, e não era o único, a maior parte não dominava bem o inglês devido à juventude, e o aperfeiçoamento da voz perante o microfone vai evoluindo naturalmente, ou seja, com o tempo moldamos a nossa voz mediante o que escutamos pelos headphones, é sem duvida um processo evolutivo.

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Daniel Pacheco com o programa “Poluição Metálica

Desde Julho do ano passado estás de volta à Rádio AVFM de Ovar, com o teu novo programa “Cortina de Ferro”. Como nasce esta tua amizade com o Zé Luis e como surgiu este convite dele para apresentares este teu programa? A chama estava acessa, mas deste uma resposta positiva logo de imediato? Tinhas uma ideia específica para o programa? Como te surgiu o nome “Cortina de Ferro”?

O Zé Luis é um grande amigo de infância, tal como eu também é fundador da Rádio. O Zé Luis ao contrario de mim, nunca mais largou as lides radiofónicas, tendo acumulado uma grande experiencia como locutor e produtor, liderou várias rádios no distrito de Aveiro, além de ser um DJ e produtor bastante conhecido, nos dias de hoje tem a sua própria empresa de publicidade, e acumula o cargo de vice presidente da AVfm bem como a direcção de programas em part-time. Depois da grande remodelação que a AVfm sofreu à cerca de 2 anos, com a anterior direcção a ser demitida e a tomada de posse da atual, a Rádio AVfm renasceu das cinzas e está em constante crescimento e sustentabilidade. Uma das prioridades da atual direcção foi vocacionar a rádio para aquilo que ela é na essência, uma rádio local e não uma cópia de outra rádio de grande projecção, o que infelizmente quase todas as rádios fazem, perdendo assim a sua identidade como rádio local. Existem neste momento programação para todo o tipo de gostos musicais e não só, existe diretos de várias modalidades desportivas praticadas no concelho, cobertura de eventos culturais, etc. Para isso a direcção convidou alguns colaboradores da “velha guarda” que foram acompanhando o crescimento atual da AVfm , claro que faltava algo na grelha, e o Zé Luis tinha a carta na manga pronta a lançar quando fosse o “timing” ideal. Ele sondou-me por diversas vezes para a possibilidade de ser integrado na grelha de programação um programa dedicado ao Metal em geral, pois era o único género que a grelha ainda não contemplava, confesso que na maioria das conversas fiquei sempre renitente, estava bastante “enferrujado” pois à anos que não olhava para o microfone, mas o “bichinho” da Rádio falou mais alto e a resposta positiva surgiu em Junho de 2016, começando as emissões regulares depois das férias em Julho de 2016. O nome para um novo programa foi decidido em conjunto, eu tinha 2 nomes em mente, mas um deles era apenas de uma palavra e o Zé Luis aconselhou-me o atual, pois com 2 nomes a pronuncia tornasse totalmente diferente e soa melhor, assim nasce a “Cortina de Ferro” inspirada na Guerra fria. Inicialmente procurava um nome que tivesse impacto e ao mesmo tempo desse para jogar com as palavras, e Cortina de Ferro encaixou na perfeição, pois podes simplesmente citar com impacto Cortina de Ferro, como jogar com ela como por exemplo: Abre-se a Cortina, vão rasgar a Cortina, entram pela Cortina, etc. Estou bastante satisfeito com a escolha e o consenso foi geral.

Tens o “Onda Forte” e o “Poluição Metálica” nos teus inícios radiofónicos. Como fazias as tuas pesquisas para os programas? Tinhas parcerias com algumas editoras, além da correspondência que recebias das bandas? Foram alturas talvez complicadas, mas ao mesmo tempo foi uma época de bastantes descobertas musicais. Como encaravas o metal nesses anos? Estavas em contacto com mais programas de rádio nacionais?

Esta pergunta vai ter uma resposta curta, a razão é obvia, pois é sabido que nessa altura a comunicação apenas era efectuada por telefone fixo o que era caro, ou então por carta via CTT, rádios piratas em contato com editoras nem pensar, correspondência com bandas?, como? se nem contatos delas existiam, não tinha-mos contatos com outros programas similares porque nem sequer conhecíamos as rádios, quanto mais os programas emitidos pelas mesmas, as informações que recebia eram apenas dos fanzines da altura vindos de Lisboa através de um primo meu fanático por Metal, e depois a muito custo comprava a Metal Hammer que era caríssima, o jornal Blitz, sim no inicio o Blitz era uma jornal antes de ser revista, que sempre trazia algumas noticias de Metal, e mais tarde surgiu a revista Portuguesa Rock Power. A divulgação e conhecimento de bandas nacionais e estrangeiras eram feitas praticamente através de cópias manhosas em K7’s e algumas gravações do “Lança Chamas” sempre a rezar para que o António Sérgio não falasse. Depois era escutar em reprodutores de K7’s a pilhas (Walkman), com as cabeças carregadas de metal, pois as K7’s de crómio eram muito caras, portanto toca a limpá-las com uma cotonete e álcool, velhos tempos…os anos 80 foram a época de ouro do Metal Internacional , e o despontar de muitas bandas nacionais, nessa altura foram lançados os maiores marcos do Metal mundial, que influenciaram e continuam a influenciar milhares de bandas um pouco por todo o mundo, som esse que ficou imortalizado e que perdura até aos dias de hoje.

Hoje em dia a informação abunda na internet, as bandas são bastantes, mais fácil de entrar em contacto com elas, com edições constantes a surgirem todos os dias. Como fazes a tua preparação dos programas? Como organizas os vários contactos que tens tido diariamente e de todas as partes do mundo? Tens a presença constante de alguém que te ajude?

A internet e mais propriamente as redes sociais, fizeram a “Cortina de Ferro” em pouco mais de 6 meses, atingir níveis de notoriedade e projeção nunca antes imaginados por mim, consegui colocar o programa num patamar de tal maneira elevado em 6 meses, do que qualquer outro anterior em muitos anos. Eu tenho a minha vida profissional (Comercial na área das TI), o que me consome largas horas do dia, e é à noite depois do jantar que me sento calmamente junto ao meu “Desktop”, onde faço a gestão diária das minhas 2 páginas, a pessoal e a oficial. Nunca vou dormir antes da 1 da manhã, pois tenho “timings” a cumprir com uma regra bastante simples; em primeiro lugar dou resposta a todas as mensagens que me enviam diariamente, sejam de ouvintes e amigos, ou de bandas, depois disto feito vou pesquisando através de Sites e Grupos da especialidade, noticias, novos lançamentos, etc., ao mesmo tempo vou descarregando “aço” que as editoras e bandas me enviam para divulgação.

Quando faço uma emissão especial, por exemplo, dedicada a um país especifico, essas são bem mais trabalhosas, ou já tenho algum material relativo ao país em questão, ou então tenho que entrar diretamente em contato com as bandas pretendidas, para que me enviem todo o material necessário, posso afirmar que me tem surpreendido este género

de emissão, o interesse e o envolvimento das bandas nos dias que precedem estas emissões deixam-me com vontade de fazer crescer a “cortina de Ferro” cada vez mais, tem sido extraordinário. A preparação da emissão começa sempre à 2ª feira e tem que estar concluída no máximo até 5º feira à noite, dia em que divulgo a “playlist” para sábado, pois a 6ª feira é dedicada a redigir toda a informação acumulada sobre as bandas que vão “rolar” nesse sábado. É um trabalho exaustivo que demora horas, tanto mais que sou apenas eu que faço todo o trabalho, para que a emissão vá para o “ar” todos os Sábados.

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A primeira e única festa de Metal organizada em Ovar até hoje, com o cunho do Daniel Pacheco

Hoje em dia a informação abunda na internet, as bandas são bastantes, mais fácil de entrar em contacto com elas, com edições constantes a surgirem todos os dias. Como fazes a tua preparação dos programas? Como organizas os vários contactos que tens tido diariamente e de todas as partes do mundo? Tens a presença constante de alguém que te ajude?

Quando comecei as emissões regulares da Cortina de Ferro, tive sempre como prioridade a divulgação do Underground, são as bandas inseridas neste cenário que necessitam de maior apoio e divulgação, o cenário do Mainstream já tem apoio quanto baste, não querendo dizer com isto que não passe bandas pertencentes ao Mainstream nacional e internacional. A dificuldade em encontrar registos para download de bandas não muito conhecidas é muito, daí só tenho uma hipótese, que é o contato direto com as mesmas, o que até hoje tem corrido na perfeição. Para quem escuta as emissões da Cortina de Ferro, sabe que as minhas “Playlist” englobam todo o tipo de sonoridades, sejam nacionais ou não, daí, normalmente começo as emissões com sons mais “suaves”, para com o decorrer da emissão ir “acelerando” até ao Metal mais extremo, são emissões para todos os gostos. Quanto à descoberta de novas bandas, tenho os amigos da “cortina de Ferro” que diariamente me enviam “link´s” para audição, a quem o faz, fica desde já aqui o meu agradecimento publico, pois o meu tempo é escasso e esse gesto é uma mais valia.

Uma das particularidades é disponibilizares o programa em streaming, o que facilita muito a divulgação dos teus programas e que se tem repercutido nas várias respostas positivas nacionais e internacionais. Para confirmar tiveste ainda há pouco tempo uma entrevista concedida à página colombiana “Solo para metal maníacos”, o que foi excelente. Que novas parcerias conseguiste criar com esta nova forma de contacto a nível mundial? Também existe interesse no nosso metal por parte das pessoas que entram em contacto contigo?

É precisamente aqui que as redes sociais desempenham o seu papel máximo, pode não parecer normal, mas não sou eu que procuro parcerias. As emissões dedicadas ao Underground de outros países é que me trouxeram esses contatos. As páginas, grupos no Facebook, Blogs e editoras de vários pontos do mundo, quando vêm a partilha que

as bandas que constam nas “Playlists” fazem nas suas páginas oficiais, e espalham pelas suas redes de amigos, entram em contato comigo, tão simples quanto isso, o que me deixa verdadeiramente orgulhoso, do trabalho feito nestes parcos meses. Relativamente ao interesse demonstrado pelo nosso Metal, infelizmente penso que não seja muito, e em certa parte compreendo, o interesse desses contatos é para que divulgue o seu próprio som, e nada mais, tirando uma solicitação de um Blog de Atlanta Midnight Children que me solicitou para que escolhesse 5 bandas de estilos diferentes do cenário Underground Lusitano, o que fiz e foi divulgado no mesmo Blog no inicio deste ano e que podem encontrar a publicação na página oficial da Cortina de Ferro.

 

Falando do nosso metal, observamos um movimento crescente, com o aparecimento de várias bandas com excelentes trabalhos, assim como bandas mais antigas que ainda se mantêm com a edição de novos trabalhos. Qual a tua opinião do ponto de situação actual do underground nacional, seja a nível de bandas, concertos, assim como público?

Penso que a generalidade do Undeground nacional está bem, tem qualidade e recomenda-se, pena é que os apoios por parte das editoras seja escasso, e que a maioria apenas tem umas “demos” ou apenas um EP gravado, muitas vezes gravações de qualidade duvidosa fruto das mesmas serem editadas pelos próprios meios. Segundo um estudo que li recentemente, Portugal é dos países que mais bandas de Metal têm “per capita”, o que leva a esta mesma situação. A maior parte das recém nascidas, pouco tempo duram, e as que vão subsistindo contam no seu line-up músicos com trabalhos paralelos com outras bandas, outras vão subsistindo com os concertos que felizmente vão acontecendo quase semanalmente nos sítios que todos conhecem, tocando quase sem retribuição alguma, ou seja, estão tal como eu, tocam por amor à causa sem receber nada em troca…Quanto ao publico, sempre que tenho oportunidade de ir ver um concerto, o que é raro devido à escassez de tempo, parecem quase sempre os mesmos, a “tribo” está a necessitar de sangue novo!!!

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O que é necessário para atrair mais pessoas para o género do metal, no meio deste caldeirão musical actual? E vamos um bocado mais à frente e pergunto-te o que é necessário para tirar do sofá algum pessoal da velha guarda para vir assistir aos concertos?

Para esta questão vou dar um exemplo mais pessoal, ou seja, o meu filho. Ele sempre soube da minha paixão pelo Metal, mas sempre lhe passou ao lado fruto da tenra idade, era mais virado para o som tipo Eminem, mas tudo bem, mais vale esse do que outros que por aí abundam. De à 3 anos para cá, começou a ter uma certa curiosidade pela minha biblioteca musical, daí, dei com ele a escutar sons mais industriais como Rammstein e Slipknot, para logo depois começar a escutar Iron Maiden e ficar fã de Cradle Of Filth. Hoje tem 15 anos e nunca lhe “massacrei” a cabeça com Metal, apenas começou a gostar por iniciativa própria. Têm uma banda de eleição Amon Amarth de quem é fã, e “decorou” um colete de ganga que tinha com Badges de bandas eleitas por ele. O ponto alto do seu gosto pelo Metal, foi acompanhar-me ao Coliseu do Porto para vê-los no ano passado, foi o seu batismo em concertos, estava tão “vidrado” no show que nem ao Wc foi em 3 horas de concerto, por isso apelo à velha guarda, peguem nos vossos, sejam filhos, sobrinhos ou mesmo netos (eheheh) e levem-nos a um concerto, nem que seja para testar a reacção deles e ao mesmo tempo revivam velhos tempos, não se deixem apagar, pois o nosso som é eterno.

Imagina que estás num final de dia de trabalho, não te apetece pesquisar e ouvir novas bandas e queres um momento de relaxamento, mas a ouvir alguns álbuns de metal. Indica três álbuns que ouvirias, de maneira a ficares com um sorriso no rosto e que consideras grandes edições do metal.

Para esta questão vai uma confidencia. Depois de muito Rock e Hard-Rock, o “Som Eterno” é um pouco como qualquer droga, começas com sons mais “softs” e lentamente vais querendo explorar sensações mais fortes, isso aconteceu comigo, gosto de todos os géneros e sub géneros do Metal, daí vou eleger 3 álbuns que rompi o vinil até parecerem crateras depois de um sismo de grande magnitude. O primeiro confesso, foi o que me despoletou para o Metal, “Powerslave” dos Iron Maiden lançado em Setembro de 84, o segundo foi lançado em Junho de 89, “Agent Orange” o 3º álbum dos Sodom, por acaso o ultimo antes da saída do grande guitarrista Frank Blackfire para os Kreator, e por ultimo para mim e para muitos, o melhor álbum de sempre dos Metallica lançado em 1986 “Master Of Puppets”, o primeiro álbum de Metal a ser certificado com Platina, 12 no total.

As últimas palavras são tuas e novamente muito obrigado pela tua participação na Ode Lusitana.

Marco, desde já agradeço o convite para esta entrevista que me deu um enorme prazer, e longa vida à Ode Lusitana, vamos mantendo contato.

Por ultimo vou deixar aqui um testemunho de algumas maluqueiras que se faziam na minha adolescência….

Naquele tempo comprar um LP era um acto religioso, até tirava fotocópias das capas para distribuir pelos amigos…
Aquilo que chamam agora pins naquele tempo eram crachás, não sei por que lhe mudaram o nome…
As notas de 100 escudos bem escondidas nos envelopes para comprar fanzines e merchandising…
Aquelas duas horas de lança-chamas…
E claro menos 30 anos\ menos 20 kilos eheheheh

Já la vão muitos anos mas é algo que não se esquece, e depois lembrar as calças elásticas o cabelo com beirinha e o colete de ganga carregado de crachás, e como sempre, lá andas á busca de uns trocos para a cervejola, para não estar no concerto a seco, e depois era a espera para comprar os vinis e grava-los para k7 para podermos ouvir na escola eram bons tempos… tempos em que comprar um álbum que acabava de sair era algo religioso, e lá estava a malta a poupar uns trocos para a próxima compra, muitas vezes era o “guito” do almoço da escola, e lá ia a casa da avó comer uma sopinha à “socapa” mas sabendo que logo que sai-se o álbum já era meu…
hoje em dia é tudo downloads de mp3, e acreditem que isso não substitui o cheiro de um disco de vinil novinho nas mãos.


Metal Soldiers Records

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Metal Soldiers Records é uma editora / distribuidora do Fernando Roberto, um grande apaixonado pelas sonoridades mais pesadas e que se dedica a divulgar uma grande quantidade de bandas e não só, através do seu vasto catálogo.

   Mas vamos à entrevista, onde ficamos a conhecer todo o seu trabalho, as suas ideias e os seus próximos desafios.

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Viva Fernando! Antes de tudo é um prazer teres aceite este meu repto para responderes a umas perguntas acerca da Metal Soldiers Records e dos teus trabalhos, já que és uma das pessoas com uma história fantástica no apoio e divulgação do Metal no nosso país. Ainda para mais quando ao longo destes anos ainda continuas nesta tua grande cruzada! O primeiro contacto que tive com um dos teus trabalhos, foi a aquisição do número 3 da tua fanzine Hallucination ‘Zine de 1994 que tinha a particularidade de ser uma split fanzine, juntamente com o número 3 da Dark Oath Magazine do João Carlos Monteiro e que excelentes leituras e novas bandas me presenteou durante a leitura. Mas vamos à Metal Soldiers Records! Qual o momento em que decides avançar com este teu projecto e qual era a tua ideia inicial? Tiveste o apoio de mais alguém neste início? Já tinhas vários contactos de bandas e editoras, nas quais tinhas tido conversas acerca deste teu trabalho?

Olá amigo Marco Santos, tudo bem? Espero que sim. Obrigado pelas tuas palavras e pelo teu reconhecimento. Tal como tu sabes o “bichinho” de fazer algo em prol do Heavy Metal esteve e estará sempre presente na minha mente e após alguns anos de silêncio, decidi começar este meu projeto em meados de 2009, no qual decidi chamar-lhe simplesmente Metal Soldiers. Inicialmente seria uma espécie de Fan Club 100% dedicado à edição e reedição de bandas antigas da década de 70 e 80 ou seja a ideia seria lançar sob o nome de Metal Soldiers Fan Club alguns LP’s & CD’s e tornar-me assim o órgão oficial de algumas bandas que me solicitassem apoio tanto na divulgação como na distribuição. Nessa altura contactei algumas bandas e as respostas não foram nada agradáveis porque a maioria das bandas (já para não dizer a sua totalidade) não concordou e nem compreenderam essa minha ideia… um Fan Club?!?! Uns acharam que isso iria gerar confusão porque seria o Fan Club de um “monte” de bandas, outros mencionaram o facto de necessitarem de uma entidade tipo editora porque daria maior projeção às bandas, etc, etc, ou seja perante tantas reações negativas eu vi-me obrigado a alterar o nome e a modalidade que ainda está em vigor ou seja Metal Soldiers Records.

No inicio faltavam-me alguns contactos, principalmente de fábricas e nessa área tive a ajuda do meu grande amigo Xico da Blood & Iron Records, editora inclusive com a qual efetuei várias parcerias.

Sim, antes de iniciar estas atividades eu falei com muita gente, tanto de editoras como de bandas e o “feedback” foi muito positivo. Aliás, uma das pessoas com quem troquei mais ideias até foi o Stefan Riermaier da editora alemã Karthago Records ou seja esta foi a editora que eu tomei como exemplo para iniciar as atividades. Claro que o Stefan disse logo que me ajudava no que fosse necessário.

A Metal Soldiers Records tem um enorme catálogo onde se inclui uma vasta gama de produtos desde CD, vinil, fanzines (da qual sou um cliente habitual destas pérolas escritas, adquirindo grande parte do material disponível!), material em segunda mão e muitos trabalhos sob o nome da Metal Soldiers. Como funcionam as parcerias para teres este material no teu catálogo, incluindo autênticas relíquias discográficas? Também é de salientar e louvar uma forte gama de bandas brasileiras, havendo uma estreita ligação com o que se faz do outro lado do Atlântico. Como surgiu esta colaboração com o Brasil e com quem estás ligado a nível de trabalho e divulgação?

Eu confesso que para fazer este tipo de lançamentos ou melhor como tu lhe chamas-te estas “pérolas escritas” é necessário ter muito gosto e acima de tudo muita paciência porque ao contrário do que as pessoas pensam nem sempre as bandas possuem em seu poder as suas próprias músicas, repara eu contactei algumas bandas que … após falar com todos os elementos da banda eles não tinham os originais dos seus próprios LP’s, … contactei bandas que nada me entregaram porque nada tinham e quando isso acontece é desesperante porque uma pessoa tem que se movimentar por outros lados. Bandas Brasileiras que tiveram que recorrer ao Mercado Livre para comprarem uma cópia em 2ª mão do seu próprio álbum, parece incrível mas é verdade! Outro dos grandes obstáculos neste tipo de lançamentos é também a dificuldade em localizar grande parte ou a totalidade dos membros de cada banda para que me possam autorizar o lançamento dos seus trabalhos. Já agora relembro que sempre que eu faço um lançamento eu tenho o cuidado de contactar todos os elementos da banda. Depois de localizados é necessário que todos os elementos estejam de acordo com o proposto o que (infelizmente!) nem sempre acontece, daí já me ter acontecido situações bastante constrangedoras como foi o caso de músicos que proíbem a publicação de suas fotos nos lançamentos…(aconteceu no lançamento por exemplo dos Metal Pesado) no qual tive que cortar a maioria das fotos porque o vocalista proibiu a sua publicação no CD ou no caso dos Inquisição que um baterista (músico convidado que nem pertencia ao line-up da banda) “simplesmente” proibiu a utilização das músicas de uma demo de 87. Mas muitas outras situações constrangedoras também aconteceram como no caso dos Raven onde a banda contactou a editora para me enviar os artworks originais dos dois álbuns e a própria editora, a SPV Records, respondeu que já não possuía os trabalhos originais ou seja pura “filha da put**se” e estamos a falar de uma grande editora. Como podes ver este tipo de lançamentos não são fáceis de conseguir.

Falando um pouco das parcerias e do material que distribuo, nos primeiros anos da editora eu necessitei ganhar nome no mercado e como tal vi-me obrigado a funcionar muito à base de trocas aceitando quase todas as propostas ou as contrapropostas que me chegavam. Claro que isso me permitiu criar um catálogo com muito material, aumentando assim a oferta de bandas para todos os meus clientes.

Bem, quanto à colaboração com o Brasil, a minha paixão pelo Metal Brasileiro já vem desde os longínquos anos 80, altura em que comecei a “devorar” as primeiras bandas Brasileiras, nessa altura fazia muito “tape trading” com os países da América do Sul, em especial os Brasileiros. Sempre mantive contacto com muita gente no Brasil por isso é que ainda hoje tenho lá excelentes colaboradores. Curiosamente, neste momento o meu principal distribuidor no Brasil é Português ou seja é o meu grande amigo João Pedro Sousa da Editora Your Poison Records / Route 55 Records que se mudou para lá há meia dúzia de anos.

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Apresentas um catálogo bastante completo, mas ainda estás a planear mais algo para a Metal Soldiers Records? O objectivo será cimentar cada vez mais esta tua distribuidora, mas passa também por diversificares mais a tua oferta? Como sentes o interesse de todas as pessoas que entram em contacto contigo para a compra de material? Além do pessoal da denominada ‘velha guarda’ há o interesse por parte dos mais novos em adquirir e conhecer novo material?

Sim, eu tenho sempre algo mais para acrescentar às minhas atividades, em relação à Metal Soldiers Records, eu estou a pensar e vou fazer algumas alterações para breve e a mais significativa é a divisão da editora consoante os estilos das bandas a lançar ou seja irei subdividi-la em Rock Soldiers Records, Metal Soldiers Records (atual nome), Thrash Metal Soldiers e Death Metal Soldiers e depois logo se vê se ficará só com estas subdivisões. Não me parece correto estar a encaixar bandas tão diferentes na mesma etiqueta, daí as subdivisões que já não é uma inovação uma vez que outras editoras também já o fizeram no passado como é o caso da editora alemã Pure Steel Records que é mais uma das editoras com quem trabalho e com quem tenho laços de grande amizade. É uma das minhas grandes referências. Outra das grandes novidades é que eu vou querer começar a apostar no Rock’n’Roll até porque existem muitas bandas, incluindo bandas Portuguesas que merecem ver os seus trabalhos reeditados, grupos antigos que foram muito importantes para todo o nosso movimento Rock’n’Heavy.

Os clientes que eu tenho são “poucos mas bons”, neste momento tenho pouco mais de 250 clientes ou seja eu costumo dizer em tons de brincadeira que isto é um pequeno núcleo de fans (aqui está outra vez a tal palavra Fan por isso é que eu inicialmente idealizei um Fan Club) que mantem todo este projeto vivo e (felizmente!) de perfeita saúde. A maioria (para não dizer a totalidade) é malta da “velha guarda” com a “velha escola” dos nossos anos 80 por isso fazem compras com muita paixão à base de bandas antigas e álbuns antigos. O interesse dos mais novos é quase “nulo”, ZERO.

 

Além da Metal Soldiers Records, também tens a NBQ Records, que se estreou o ano passado com o álbum “System Sickness” dos Baktheria, até ao mais recente “Overloaded” dos Booby Trap, passando entre outros pelos Buried Alive, Shivan e até pelos brasileiros Atacke Nuclear. Qual o conceito por trás da NBQ Records e qual o ideia com que foi criada? Tens mais algumas edições em vista e que possas já divulgar? Já agora, o que querem dizer as iniciais NBQ?

A decisão de fundar a NBQ Records foi como se diz em bom Português uma editora “a pedido de muitas famílias” ou seja foram imensas as bandas que me contactaram e que não se enquadravam nos moldes da Metal Soldiers Records, muitas delas com muita qualidade para serem lançadas. A criação de uma nova editora veio assim ao encontro dessa necessidade. É mais uma aposta ganha até porque está a crescer de vente em popa, alias outra coisa não seria de esperar porque é um projeto que mexe com bandas que estão 100% no ativo, tudo bandas com músicos novos que têm “sangue na guelra” e como tal o sucesso está a ser garantido.

Quanto a novos lançamentos, irei lançar já no inicio de 2017 os novos álbuns dos Portugueses Veinless – “IX” (NBQR008) e o Miss Cadaver – “Mänifestvm Raivus” (NBQR009).

As iniciais NBQR querem dizer Nuclear Biológico Químico Radiológico.

 

No início fiz referência ao teu trabalho como editor da Hallucination ‘Zine, em que na década de 90 se fazia uma grande divulgação através destas publicações, onde tomávamos conhecimentos de outras bandas, de fanzines, do que se fazia nos outros países, assim como as bandas portuguesas que iam aparecendo e marcando o seu cunho na nossa história. Hoje em dia as fanzines praticamente que desapareceram no nosso país, sendo a divulgação das bandas feita em alguns blogs, mas principalmente através do Facebook, o que por vezes torna a informação tão fragmentada, tornando difícil ter conhecimento do que se vai fazendo. Como explicas o desaparecimento destas publicações, quando no resto do mundo ainda dão cartas, adaptando-se às novas realidades? De tanta coisa que temos o que nos faz falta em Portugal para fazer crescer ainda mais o nosso movimento? E já agora como sentes o pulso do que se vai fazendo por cá, seja a nível de concertos, programas de rádio, salas de espectáculos, editoras, distribuidoras, gravadoras e até mesmo o público?

Bem uma coisa é certa, o papel escrito já dura há gerações e irá durar mais algumas gerações. Sabes que tudo é cíclico. Portugal nem sempre é dos melhores exemplos porque nós portugueses começámos por enterrar os gravadores de fitas áudio, depois enterra-mo o gira-discos e por fim enterrámos as publicações em suporte físico porque tudo isto dá trabalho. Noutros países mais desenvolvidos tudo isso ainda funciona e isso sim é maravilhoso por isso é que eu não compreendo a mentalidade da maioria dos Portugueses. Em Portugal faz falta acima de tudo profissionalismo, somos muito amadores e é por isso que estamos na cauda dos países da Europa, não é por acaso que andamos na boca do mundo ao lado de países como a Grécia ou a Itália até porque a nível de “trafulhice” somos países muito semelhantes. Repara eu tenho tido imensos problemas com editoras e distribuidoras que tentam injetar material da Metal Soldiers no mercado ao preço da “uva mijona” e adivinha qual é a nacionalidade desses “crápulas”??? Esses 3 países que já mencionei entre outros de quinto mundo como é o caso da Ucrania e da Russia. Felizmente existem algumas pessoas que lutam por um movimento mais forte mas não é fácil quando a maioria da malta “rema” para o outro lado ou até mesmo em sentido contrário. Há que acreditar e é por isso que eu tento sempre dar mais e melhor.

 

Na tua área tens um grande contacto de trabalhos de bandas, o que na actualidade se torna bastante difícil absorver tudo o que é lançado. Falo por mim que aproveito as viagens de carro para o trabalho para ir ouvindo as novidades, assim como o algum tempo disponível em casa para pesquisar o que se vai fazendo. Ainda continuas atento ao que se vai fazendo, ou gastas algum tempo para recordar/relembrar álbuns que te marcaram durante este teu envolvimento no Metal? Como foi descobrir estas bandas em meados da década de 80, onde qualquer lançamento trazia sempre novidades? Que bandas mais te cativaram na altura?

Sabes que eu costumo dizer em tons de brincadeira que parei no tempo dai eu ter criado a Metal Soldiers porque tudo o que gosto e tudo o que oiço remonta àquela gloriosa década de 80. Tento manter-me atento ao que se vai fazendo aqui e ali, mas cada vez é mais difícil surpreender-me com novas bandas ou novos projetos. Os clássicos das bandas dos anos 80 estão sempre a rodar tanto no carro, como no serviço bem como na aparelhagem lá de casa ou no computador. Bem foram muitas as bandas que me marcaram nessa década de 80 mas as mais sonantes foram os Kiss, Meat Loaf, Judas Priest, Anthrax, Megadeth, Testament, Sepultura, Necrodeath, Bathory, Voivod, Death entre outras…

 

E agora uma pergunta difícil, em que por vezes os entrevistados partem a cabeça para conseguir responder, mas do qual ouvimos sempre histórias fantásticas. Quais os teus cinco álbuns favoritos, que mais te marcaram e porquê?

É sempre difícil a escolha até porque vou ter que deixar de fora alguns bons álbuns mas aqui vai:

 

Judas Priest – “Ram It Down” (1988) um álbum e uma banda que passou muitas vezes no Rock’n’Stock, programa esse que eu seguia assiduamente. Os Judas Priest sempre foram o “patinho feio” do Heavy Metal ou seja a maioria do pessoal nos anos 80 detestava esta banda mas eu sempre gostei e sempre acreditei no som deles e hoje em dia, passados tantos anos ainda os vemos a crescer.

 

Sepultura – “Schizophrenia” (1987) com as fitas das gravações do “Bestial Devastation” e “Morbid Visions” quase gastas, qual foi o meu espanto quando numa bela final de uma manhã de sábado, vinha eu da Feira da Ladra e numa das rotineiras visitas à Bimotor dou de caras com este grande abum, acabadinho de chegar a Portugal, foi compra certa! Uma das grandes pérolas de todos os tempos.

 

Bathory – “Blood Fire Death” (1988) … gostaria aqui de relembrar muita gente que nos anos 80 eram muitos poucos os seguidores que existiam dos Bathory, os discos passavam meses e meses nas discotecas a ganhar pó, porque ninguém os comprava só que depois deu-se o “boom” do Black Metal e pronto passou toda a gente a gostar ser fan de Venom, Celtic Frost, Hellhammer, etc, etc….a malta tem memória curta mas eu não…lembro-me de tudo ao pormenor, como se fosse hoje. Eu fui um dos fundadores da 1ª Editora em Portugal de música “obscura”, a antiga Dark Records (R.I.P.) no qual ainda efetuei vários lançamentos dos quais destaco o 7” dos Decayed – “The Seven Seals” (Um abraço para o meu primo Zé!!! Saudações primo!).

 

Death – “Leprosy” (1988) é um marco da música pesada, grande banda e grande álbum. Influenciou inúmeras bandas dentro do som mais pesado.

 

Megadeth – “Rust in Peace” (1990) este é para mim o melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos ou seja se me tens dito para escolher apenas um esta seria a minha escolha.

 

E assim chegamos ao fim da entrevista. Queria agradecer-te novamente pela tua participação, assim como quero dar-te os parabéns pelo teu trabalho e que se inicie uma ligação forte e interessante entre a Metal Soldiers Records e a Ode Lusitana. Estas últimas linhas são tuas para dizeres o que te vai na alma.

Eu é que agradeço. Tal como tu sabes eu sou um grande fan deste tipo de publicações e como tal irei querer sempre dar-te o meu contributo. Podes sempre contar comigo. Um grande abraço.


Laughbanging Podcast

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Laughbanging, é um projecto criado em 2015 como um blog, sendo um espaço onde se junta o humor ao Metal.

14566357_1177805625630921_2837003625547227902_o   Neste ano de 2016 foi criado o Laughbanging Podcast, onde segundo os autores tem como objectivo falar de “forma descontraída e humorística sobre o mundo do heavy metal”. A dupla é constituída pelo Paulo Rodrigues e pelo Gustavo Vieira, dois comediantes stand up apaixonados pelo heavy metal e que nos levam pelos mais variados temas e sonoridades, com um grande toque de humor.

O número 40 do programa já está disponível para todos os ouvintes e este episódio tem o título de “Bandas e músicos que passaram por várias sonoridades”. A seguir com atenção e com um sorriso no rosto!

Todos os programas estão disponíveis aqui.

Laughbanging – Comédia Metaleira.

 


Booby Trap – novo álbum “Overloaded”

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   Booby Trap, banda aveirense de thrash / crossover, editou no dia 17 de outubro o seu novo longa-duração “Overloaded”. Com Pedro Junqueiro (voz), Pedro Azevedo (guitarra), Carlos Ferreira (baixo) e Hugo Lemos (bateria), este é o segundo-longa duração da banda, após o lançamento de “Survival” em 2013. Um álbum com capa de Deivis Tavares, conta com a participação de Bruno Tavares (Souq), Simão Santos (Martelo Negro) e coros de Luis Rattus (Crise Total/Albert Fish) e Zé Redondo (Estado de Sítio).

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A banda aveirense foi formada em 1993, tendo lançado em 1994 a muito badalada demo de estreia “Brutal Intervention”. Muitos concertos decorreram, tendo optado por suspenderem a banda em 1997. em 2012 voltam ao activo, impondo o seu ritmo, lançando então em 2013 o primeiro longa-duração “Survival“. A vontade de fazer música e subir aos palcos não tem parado!

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Ode Lusitana # 16 – Outubro 2016 já disponível

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Número de Outubro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download gratuito.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Christophe Correia (Underground’s Voice) e Emanuel Ribeiro (Lyfordeath). Notícias sobre Disthrone, Requiem Laus, Biolence, Analepsy, Salqiu, Inthyflesh, Headbang Solidário, Oeste Underground Fest e Mosher Fest.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.


Underground’s Voice

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   Underground’s Voice é um projecto pessoal do Christophe Correia com origens no ano de 2012 e que tem como principal objectivo a divulgação de bandas do meio underground, seja nacional ou internacional e que tem primorado pela qualidade.

   Um trabalho cheio de qualidade, reconhecido por todos e sempre com o objectivo de evoluir, por isso nada melhor do que seguir a entrevista com o Christophe para sabermos a enormidade deste projecto Underground´s Voice.

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Viva Cristophe! É uma grande honra ter-te neste número e pela tua disponibilidade para responderes a estas perguntas da Ode Lusitana. Para começar quero felicitar-te pelo teu excelente trabalho na Underground’s Voice e por todo o teu apoio dado ao movimento underground, especialmente ao movimento nacional. Já é um projecto com quatro anos, mas como se dá o primeiro passo e como avanças com as primeiras entrevistas da Underground’s Voice? Qual foi o momento chave para uma ideia que já vinha a fervilhar há bastante tempo?

A honra é toda minha! Antes de mais, obrigado pelas tuas palavras e todo o apoio que dás à Underground’s Voice. É sempre bom saber que ainda existe quem valoriza o trabalho e é melhor ainda quando vem de alguém que admiramos como é o caso. A ideia de criar a Underground’s Voice surgiu um pouco do nada porque, para ser sincero, não tinha nada planeado nem pensado nesse sentido antes de realmente a criar. Fui percebendo que em Portugal a grande maioria das bandas mais pequenas e/ou recentemente criadas não tinham voz e dificilmente conseguiam sair da garagem ou sala de ensaio para se fazerem conhecer.

No outro extremo temos as bandas, sejam elas mais underground ou mainstream, que toda a gente conhece e são referidas em todo o tipo de sites, webzines, revistas, reportagens, etc. Porque não equilibrar as coisas? Foi nisso que pensei durante um par de dias. Seria mais interessante ser a 35ª webzine a publicar uma notícia a anunciar a vinda de uma grande banda a Portugal e a revelar o título do novo álbum dos Moonspell ou criar algo novo, que pouca gente faz e possa ser vantajoso para as pequenas bandas, as nossas bandas, que lutam diariamente por um lugar ao sol? A primeira opção seria a mais fácil, a que me permitia chegar mais rapidamente ao grande público, a que teria mais views e partilhas. Mas essa nunca foi a minha forma de ver as coisas. Enquanto escrevo esta resposta lembrei-me de um exemplo um pouco estúpido mas que serve como comparação: Se subir um edíficio de 20 andares pelo elevador poupo tempo mas sou igual a todos os outros, se subir pelas escadas demoro mais tempo mas perco meia dúzia de calorias e acabo por ter vantagens com isso. A Underground’s Voice é isto, é optar pelas vantagens que realmente importam, as vantagens que ficam para sempre: as amizades, promover as bandas e artistas que realmente precisam, dar a conhecer novos nomes, dar a primeira oportunidade a bandas numa entrevista e deixar de lado as vantagens momentâneas como os likes, views e partilhas. Como não me canso de dizer, a primeira entrevista foi com o Miguel Inglês, vocalista de Equaleft que alinhou na ideia de estrear este formato, publicada uns dias depois da Underground’s Voice ter sido criada e abriu porta a todas as outras que vieram a seguir. Já tive a honra de entrevistar bandas de renome mundial e sou fã incondicional de algumas delas o que me enche de orgulho pela oportunidade e por significar que, de certa forma, o trabalho tem sido bem feito. E o verdadeiro trabalho faz-se com as bandas nacionais que estão a dar os primeiros passos. Os Moonspell não nasceram grandes… E temos potencial para termos muitas bandas a seguirem-lhes as pisadas. Adorei trabalhar com os Wrath From Above, uma banda que nem eu conhecia e ganhou um concurso na Underground’s Voice que lhes permitiu passar o dia connosco, ter uma entrevista, sessão de fotos. Irá acontecer o mesmo com outras bandas nacionais, tenho grande vontade de trabalhar com bandas que precisam do primeiro empurrão como os Secret Chord, por exemplo.

 

Mais de 300 entrevistas feitas, muitos contactos, muita música descoberta e decides avançar para as entrevistas ao vivo e gravadas. Como surgiu a Diana Morais neste teu trabalho e que te tem ajudado nesta parte visual? Entendes estas entrevistas como uma complementaridade ao trabalho efectuado nas entrevistas escritas ou decididamente estás agora mais virado para estas entrevistas filmadas que são mais directas e nos mostra mais o pensamento das bandas na hora? Quais os próximos planos para estes tipos de entrevistas?

As entrevistas em vídeo estavam no pensamento desde o primeiro dia e sempre foi um objectivo mas, para além de não ter as condições para tal na altura, senti que não seria boa ideia começar logo por aí. Eu sou apenas um fã de música, não tenho qualquer formação nesta área nem experiência em projectos anteriores e não queria dar um passo maior que a perna. O ideal seria começar por baixo, aprender a estruturar uma entrevista e convidar bandas para as responder mesmo sabendo que o alcance da Underground’s Voice era quase nulo. Felizmente nunca recebi um “não” e todos deram a maior força para o crescimento desta ideia. A Underground’s Voice teve um crescimento enorme ao longo do tempo mas foi sempre sustentado e controlado e com as prioridades bem definidas, gosto de arriscar e acabei por o fazer em diversas vezes mas nunca dei um passo quando achei que não o deveria dar e tive boas oportunidades para o fazer. Depois de 3 anos e quase 350 entrevistas publicadas senti que era altura de inovar e não deixar que isto estagnasse e achei que já faria sentido introduzir as entrevistas em vídeo. Não foi fácil porque eu não tenho material para gravação e nem sequer sei editar vídeos por isso tinha que ter a ajuda de alguém. Encontrei a pessoa mas não tinha local para gravar, depois encontrei local e já não tinha a pessoa até que surgiu a Diana com material e local disponível. Aceitou de imediato o meu convite e bastou termos uma única reunião para acertarmos tudo e começar a trabalhar nisso. Dias depois recebi o meu primeiro convidado neste formato, o Raça, vocalista dos Revolution Within e acho que as expectativas foram cumpridas o que me permitiu continuar neste formato. Hoje em dia recebemos bandas nos escritórios e vamos fazendo entrevistas vários pontos do país, às 3h da manhã depois de concertos, em concertos pequenos, em festivais grandes, a bandas nacionais e internacionais. Tudo vale quando se gosta e quando se tem oportunidade. É uma sensação excelente poder conhecer, conviver e entrevistar artistas que sempre admiraste. Quanto a planos para estas entrevistas… Apenas continuar o que tem sido feito, dar voz às bandas!

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Este teu projecto evolui bastante rapidamente e agora tens uma outra novidade que é a Underground’s Voice Magazine. Na altura desta entrevista ainda não houve o lançamento deste primeiro número mas aproveito para te dizer que quero fazer a reserva de um exemplar!! Obrigado! Voltando à magazine, como te surgiu a ideia? Era o passo que te faltava? Também achei curioso a situação de teres entrevistas, mas não com bandas, o que demonstra também que existe todo um meio que gira à volta do underground e que é preciso dar a conhecer. Com isto tudo, qual é a equipa que te ajudou nesta estreia e como surgiram todas estas ideias do conteúdo da mesma e que foge um pouco ao que vemos normalmente numa magazine?

Ao contrário das entrevistas em vídeo, nunca tinha pensado numa revista. Mas acabou por ser algo que senti vontade de fazer e que penso que faz sentido nesta fase da Underground’s Voice que está na sua melhor fase de sempre. Porque não coroar isso com algo especial? O lançamento de uma edição única e limitada de uma revista pareceu-me uma solução interessante. O mais óbvio seria incluir várias entrevistas com bandas, fazer reviews a álbuns e reportagens de concertos mas não tem absolutamente nada disso. Mais uma vez decidi não ir pelo caminho mais fácil ou tradicional (atenção, não estou, de todo, a criticar essa forma de trabalho até porque eu mesmo sou consumidor desse tipo de publicação. Apenas me refiro ao facto da Underground’s Voice ter um perfil e um conceito diferente, nem melhor nem pior) e criar conteúdos originais escritos por pessoas que estejam dentro desse assunto. Desde entrevistas a outros intervenientes que não bandas, há artigos sobre artworks, sobre a relação entre a arte e a música, sobre a importância das webzines/fotógrafos/etc para as bandas e muito mais. A revista está quase concluída (finalmente!!!) e foi feita sem qualquer apoio, patrocínio e nem sequer publicidade paga tem. Em vez da tradicional publicidade que se costuma ver na maior parte das revistas optei por ocupar esse espaço a divulgar bandas nacionais e publicitar outras entidades que sempre deram o seu apoio à Underground’s Voice. A revista foi idealizada por mim e a grande maioria dos seus conteúdos também mas tive, como sempre, a grande ajuda da Diana que apoiou e trabalhou muito para que se tenha tornado possível a revista sair. Outro enorme contributo tem sido o da minha amiga Maria Peixoto, responsável pelas belas t-shirts da Underground’s Voice, pela capa e por todo o layout da revista e que tem emprestado o seu enorme talento a este projecto. Por isso a equipa responsável por esta revista limita-se a mim, à Diana e à Maria, juntado a nós todas as pessoas que escreveram um artigo e a quem nunca me vou cansar de agradecer.
PS: o teu nome está obviamente na lista de reservas, muito obrigado!

 

Uma das perguntas que fizeste na tua página foi o que gostaríamos que viesse a seguir nesta excelente evolução. Da minha parte referia a continuares o lançamento desta tua magazine, nem que seja com uma edição trimestral, talvez a inclusão de um CD, assim como também sugeria a criação de um site onde pudesses ter todas as entrevistas, sejam escritas ou através de vídeo. Mas por ti, o que desejas que viesse a seguir? Este é um trabalho apenas teu, mas devido ao reconhecimento e ao volume de trabalho estarias disposto a recrutar colaboradores para te ajudarem? Qual o limite para a Underground’s Voice?

Agradeço a tua excelente sugestão e sem dúvida que a vou ter em conta, aliás, a questão do site está em cima da mesa e cada vez mais se torna uma necessidade até pela dificuldade em encontrar algumas entrevistas mais antigas em que não sabes muito bem em que data foi feita. Como disseste, a Underground’s Voice é um projecto apenas meu e independetemente do volume de trabalho, do reconhecimento ou do que quer que seja quero que continue a ser. A Diana é minha colaboradora e entende todo o conceito, toda a forma de trabalhar e a forma da Underground’s Voice estar na dita “cena” nacional e consegue perceber por termos uma relação de grande amizade fora de trabalho. A Underground’s Voice, apesar de ser um projecto muito ligado a bandas, a artistas, a seguidores, a promotores, etc é um projecto muito pessoal e por isso tem muito das minhas emoções e estados de espírito na sua essência e é algo que quero manter. Não se deve confundir com falta de vontade de trabalhar com outras pessoas, adoro fazê-lo e adoro trabalhar em equipa e posso perfeitamente vir a trabalhar com uma equipa num projecto novo. Quanto a limites, não os tenho porque estou constantemente insatisfeito e sempre em busca de algo mais. Fiquei muito feliz e entusiasmado quando cheguei às 300 entrevistas publicadas mas actualmente considero isso pouco. Arranquei com entrevistas em vídeo, tive crónicas para uma publicação brasileira, tive o privilégio de apresentar a Underground’s Voice na televisão, tudo coisas que me enchem de orgulho e actualmente acho isso pouco. Neste momento estou focado na revista que vai ser um enorme passo em frente mas quando a tiver lançada vou imediatamente considerar um objectivo concluído e pensar em algo maior e já tenho algumas ideias para isso. Novidades irão, provavelmente, aparecer em breve! Trabalho com máxima humildade e os pés no chão mas sempre com objectivos e desafios grandes.

 

És um forte conhecedor do nosso movimento nacional, em que também és da opinião que temos muito boas bandas. Os nossos grandes embaixadores lá fora continuam a ser os Moonspell, fruto de muito trabalho, mas entre outros também tivemos o reconhecimento além fronteiras dos Heavenwood e Tarantula, com muitas situações pontuais de outras bandas. É verdade que não podemos comparar a situação actual com o boom do Metal há uns anos, em que através de um contrato discográfico os nomes das mesmas era muito mais facilmente projectado, mas o que nos falta para termos mais bandas reconhecidas lá fora? Poderá haver receio ou mesmo falta de dinheiro para poder dar esse salto? Como vemos temos lançamentos muito originais e com uma boa qualidade sonora que nos coloca muito à frente de algumas bandas que nos visitam. Será apenas uma questão periférica do nosso país como alguns dizem?

Engraçado me fazeres essas perguntas porque recentemente tive uma conversa sobre este tema e até há uma referência sobre isto na revista!!! É um assunto delicado que pode ser interpretado de várias formas. Acho que sermos um país periférico já não é desculpa para a não internacionalização das bandas. Há países que têm uma localização ainda menos favorável que a nossa e têm bandas capazes de ser internacionalizarem… O que seria de nós se estivessemos na Austrália? Nós aqui temos voos low-cost para grande parte da Europa, podemos ir de carro para as cidades espanholas mais próximas, há comboios, etc. Uma banda Australiana tem, inevitavelmente que fazer mais esforços para chegar onde quer que seja. Nós estamos mal localizados mas não tanto como alguns querem fazer parecer. Na minha opinião existem vários motivos para o facto das nossas bandas não se conseguirem atingir esse patamar, alguns que são da inteira responsabilidade da banda e outros que são factores externos. Nem todas as bandas estão dispostas a embarcar numa aventura dessas e passar um mês em digressão, seja por motivos de trabalho, familiares ou simplesmentente podem não achar vantajoso fazê-lo. É preciso que a banda seja levada a sério e com máxima responsabilidade e não vê-la com uma hobbie ou algo para te abstraíres da realidade durante os ensaios e meia duzia de concertos que dás e para além disso é preciso um largo investimento para tornar isso possível. E, verdade seja dita também, temos que admitir que nem todas as bandas têm qualidade para atingir esse patamar o que é totalmente compreensível. Há o bom e o mau em todas as áreas e a música não poderia fugir a isso. De qualquer maneira concordo quando dizes que estamos à frente de muitos na qualidade de lançamentos e as bandas cá em Portugal tem excelentes locais para gravar os seus álbuns… Locais esses que às vezes até recebem bandas internacionais! O mesmo se pode dizer quanto à produção e quanto aos profissionais nessa área, estamos extremamente bem servidos. Se as bandas internacionais reconhecem essa qualidade e vêm cá gravar e tocar é sinal que realmente temos potencial senão iam gravar a outro país qualquer. Com isto tudo, fica provado que as bandas tem qualidade para chegar lá mas nem sempre estão dispostas a apostar e investir nisso (obviamente me refiro às que têm possibilidades de investir) e ficam à espera da sorte. Mas a sorte não espera, procura-se.

 

Uma das lacunas que temos a nível nacional é a falta de meios escritos, seja na base das magazines e fanzines, o que contraria um pouco o movimento que vemos a nível mundial, incluindo o europeu, com várias projectos lançados. Mesmo as webzines em Portugal tem vindo a desaparecer. És da opinião que é importante haver o suporte de papel para a divulgação do Metal? Qual a razão das poucas edições actualmente em Portugal, quando ainda há uns anos existiam tantas newsletters, fanzines, folhetins? És um consumidor deste tipo de leitura? Quais as magazines ou fanzines que lês?

Acho que cada vez mais a internet engole esse tipo de publicações e capta mais a atenção dos leitores devido ao seu acesso mais imediato, digamos assim. Hoje basta abrir o Google e em segundos estamos a ler todo o tipo de notícias e vídeos sem qualquer problema. Sem dúvida que não há nada melhor do que ter uma revista ou um folhetim na mão, tem muito mais valor e até nos dá outro tipo de proximidade. Acho que seria importante que continuassem a existir e é uma pena vermos que estão aos poucos a desaparecer, mais ainda, sabendo que algumas delas eram de enorme qualidade! Não sei se existe alguma explicação lógica para isso estar a acontecer… Provavelmente trata-se apenas de evolução, um sinal dos tempos que insiste em substituír o homem pela máquina e que levou a este desfecho. Falo por mim também, a Underground’s Voice sempre foi uma plataforma online e está agora a estrear-se em papel para uma edição especial e pelo volume de trabalho que dá, sinceramente, não me via a fazer uma revista mensal nestas condições. É trabalho que a grande maioria não valoriza por ser necessário pagar (na sua maioria) enquanto está tudo disponível gratuitamente na internet e actualmente estamos quase todos mais virados para o mais prático, para tudo que é mais imediato. Felizmente ainda há quem consiga valorizar o trabalho, os artworks e tudo que é realmente palpável. Actualmente são poucas essas publicações mas como se costuma dizer, somos poucos mas bons!
Sou um leitor eclético mas confesso que não compro nenhuma revista todos os meses. Normalmente compro aquela que mais vai de encontro aos meus gostos e interesses e vou acompanhando as notícias diariamente na várias webzine. Provavelmente acabei por me adaptar a esta realidade por todos os motivos que fui referindo acima.

 

Com a quantidade de música actualmente disponível, ainda para mais com o trabalho que tens, em que ouves bastantes bandas, há sempre aqueles álbuns que recorres volta e meia e que te despertam uma excelente sensação. Consegues enumerar alguns álbuns que te iniciaram neste tua paixão pelo metal e que ainda os ouves? Neste momento, que bandas é que andas a ouvir e que tens gostado do seu som, sejam bandas nacionais ou internacionais?

O tipo de trabalho que tenho faz com que realmente esteja constantemente em contacto com a música e, com toda a sinceridade, ouço tanta coisa que se torna mais complicado ser apanhado de surpresa ou ouvir algo que seja completamente transcendente. Isso não quer dizer que ouças maus álbuns porque, na realidade, a grande maioria dos que ouço são no mínimo bastante razoáveis! Machine Head é e será sempre a minha banda favorita e são aqueles que já me acompanharam em vários estados de espírito completamente opostos, é uma daquelas coisas pouco explicáveis mas, para mim, são mais que uma banda, são tipo um melhor amigo em forma de música. Acompanham-me sempre. Ainda falando de bandas internacionais tenho estado numa onda mais Thrash (como quase sempre!!) com Warfect, Violator, Dekapitator, Suicidal Angels entre muitos outros. Tenho também que destacar, inevitavelmente alguns álbuns nacionais que têm rodado muito por aqui: Revolution Within que lançaram provavelmente o seu melhor álbum e logo na altura que completaram 10 anos de carreira, Equaleft, WAKO, Tales For The Unspoken, Filii Nigrantium Infernalium, Morte Incandescente, Web e tantos outros que nem consigo enumerar… a música nacional transpira saúde e qualidade!

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Christophe é assim que chegamos ao final desta entrevista. Queria-te agradecer novamente pela tua disponibilidade e as últimas palavras são tuas.

Eu é que agradeço pelo convite. Como leitor da Ode Lusitana e admirador de todo o teu excelente trabalho foi uma enorme honra para mim poder dar o meu contributo nesta edição, um enorme obrigado! Aproveito para repetir aqui o que já te disse algumas vezes em privado: Houvessem mais pessoas como tu neste meio que lutam e trabalham pela causa, por amor à camisola e tudo funcionaria melhor. É um privilégio para mim poder contactar e conviver contigo!
Quero obviamente agradecer a todos que seguem a Underground’s Voice e que a apoiam seja de que forma for, o trabalho pode ser muito bem feito mas se ninguém estiver atento de nada vale e felizmente não me têm falhado. Uma palavra de agradecimento, mais uma vez, à Diana Morais e à Maria Peixoto por toda a ajuda e enorme contributo que dão em troca de… nada!                                                                                                                                                                            Como últimas palavras gostava só de dizer que não adianta alimentar as guerrinhas que todos vemos diariamente nas redes sociais e novelas em vários eventos de concertos e festivais. E outra coisa, a tecnologia está muito avançada mas um “vou” no evento ainda não equivale à presença real. Saiam de casa, apoiem as bandas nacionais, vão a concertos, divirtam-se, bebam um copo, comprem álbuns e merch e acima de tudo mantenham um espírito positivo, todos temos a ganhar com isso. Obrigado e até breve!
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