Divulgação do metal português

Pedra de Metal

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   Pedra de Metal é um blogue nacional dedicado à divulgação do que vai acontecendo no Metal, com grande incidência no Metal nacional. Um projecto inicialmente fundado em 2009 prima pela qualidade, dedicação e nada melhor do que estar à conversa com o seu fundador, o Paulo Eiras.

   Numa altura em que os canais de informação abundam temos visto um decrescer a nível nacional de sítios destinados ao que se passa no nosso meio e é com trabalhos como este que temos que tentar contornar esta situação e aumentar o aparecimento destes projectos.

10330387_10208620161212015_5258617118962639297_n-4 Viva Paulo! Muito obrigado pela tua disponibilidade para participares neste número da Ode Lusitana, ainda para mais quando é um enorme prazer para mim entrevistar pessoas ligadas à divulgação do metal, especialmente o que se faz no nosso país e no teu caso através do blogue Pedra de Metal. Mas como tudo, houve sempre um início no teu gosto pelo Metal. Como surge essa tua paixão?

O meu gosto pelo heavy metal começou quando eu tinha para aí 12 anos. Aliás o primeiro álbum de metal que ouvi foi o Wolfheart que o meu amigo Ricardo Silva me emprestou. Já ouvia muito hard rock, como os Led Zeppelin, Bon Jovi (qd ainda faziam rock), isto para dar alguns exemplos. Basicamente depois passei a ouvir as bandas mais tradicionais do metal como os Iron Maiden, Judas Priest e Metallica. Depois a partir dai foi passar para uma fase do Metal mais pesado até chegar aos Emperor e Dimmu Borgir duas bandas que adoro.

 

Tens alguns álbuns desse tempo que ainda continuas a ouvir e que te trazem emoções como se fosse a tua primeira vez?

Ainda tenho varias coisas, tenho a coleção toda de uma banda que pouca gente ouve os Notre Dame, também tenho uma caixa dos MetallicaLive Shit: Binge and Purge”, toda a minha coleção de Iron Maiden a claro cds e mais cds em mp3 de tudo e mais alguma J Confesso que ouço ainda com alguma frequência o cd ao vivo dos RAMP, um dos álbuns que mais gosto.

 

Uma das tuas paixões são os Iron Maiden, que por acaso foi a primeira banda que ouvi através do álbum “Live After Death”. O que achas deles como exemplo de uma das maiores instituições do Metal que existem e que transmitem o prazer de estar em palco e tentar fazer sempre um espectáculo para agradar aos ouvintes e a eles próprios?

A verdade é que os Iron Maiden são únicos e possivelmente a banda mais respeitada por todas as vertentes do Metal. O caminho deles teve alguns percalços no entanto mesmo quando existia polémica à volta da banda, eles nunca perderam muitos fãs e agora estão mais fortes do que nunca para mim.

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Com este teu início no Metal e passado uns anos de maturação enveredas pelo caminho da escrita. Como se iniciou esse processo?

Eu quando entrei para a faculdade tinha muito tempo livre J Basicamente pensei em fazer um blog de heavy metal, o que não aconteceu de imediato, cheguei a ter um blog meu, que nada tinha haver com música, relatava os meus dias da faculdade, em que eu era um lobo, numa alcateia, e pronto existiram muitas estórias por aí de lobos que organizavam caças (aka jantaradas) foi uma fase da minha vida bem interessante, que no fundo fazia contos com lobos, lobas e outros seres, numa floresta, para “relatar” o meu dia a dia. Começa ai a escrita, sendo que depois passei para música.

 

Eras leitor assíduo de publicações de metal tanto em formato de revista ou até mesmo de fanzines ou já optavas pelo acompanhamento de alguns blogues? Que publicações seguias? Já tinhas participado em algo antes do “Heavy Rock News”?

Confesso que não acompanhava muitos blogs, nem fanzines, eu ia mesmo aos sites das bandas e ao myspace (muito myspace mesmo) ver as novidades e era assim que me mantinha informado. Tambem comprava a LOUD! e ainda o Blitz enquanto este se manteve em formato jornal porque tinha sempre algumas páginas dedicas ao heavy metal. Nunca fui de participar em fóruns sempre me mantive muito low-profile nesse aspecto. A minha participação na Heavy Rock News foi bastante interessante. Entrevistei uma bandas brasileira os Mindflow os nacionais Dapunksportif, no entanto alguém decidiu que o Heavy Rock iria terminar e foi ai que decidi criar o Pedra de Metal.

 

Em Abril de 2009 dá-se o surgimento do Pedra de Metal, onde dizes que devido à tua paixão pela escrita decides criar este projecto de divulgação do Metal. Era uma ideia que já estavas a desenvolver há algum tempo?

Eu já estava a pensar criar o meu blog e sair de um projecto fez-me avançar com o meu. Comecei sozinho a fazer umas pesquisas aqui e ali e pronto foi começar a andar para a frente.

 

No início foi um hobby, mas que fizeste uma entrega de corpo e alma, com muitos colaboradores e parcerias que ajudaram a crescer o vosso nome. Como funcionava o processo de trabalho naquela altura?

Foi um hobby e continua a ser um hobby, nunca foi uma tentativa de ganhar dinheiro e muito menos de entrar de borla em concertos. Existiu uma fase que tinha vários colaboradores, mas as vezes quantidade não siginifca qualidade. Tive sempre do meu lado o Bruno Sousa e neste momento o Pedra de Metal mantem-se assim, apenas os dois e assim irá ficar esperemos que desta vez por muito mais tempo. As parcerias foram algo que surgiu naturalmente, e com elas vieram mais bandas nacionais, mais eventos nacionais divulgados, mais projectos de escrita divulgados (Versus, Iron Maiden Sanctuary Fanzine, etc etc) e posso dizer que aí sim se deu o “boom” do Pedra de Metal. Apesar de continuar a divulgar algumas notícias internacionais, o que me deu mais orgulho foi chegar à fase em que só divulgava cenas nacionais, concertos, cds, ep’s e por aí fora. As parcerias foram e são importantes porque são eles que nos ajudam a “divulgar a cena nacional” e que nos fazem chegar mais e mais notícias para publicarmos, para além de divulgarem o Pedra de Metal nos seu espaços. O Pedra de Metal é um simples blog, queremos divulgar o nosso heavy metal, e pronto. Nas parcerias feitas muitas vezes convidavam-me a aparecer nos concertos (se fosse no Porto tentava ir, mas mais longe não dava os €€€ não permitem essas aventuras), e poucas vezes pedi credencial, que não fosse de malta que eram nossos parceiros (pois eram foram sempre recusadas), até que um dia pedi credencial para o Rock In Rio (ano em que Rammstein, Megadeth, Motörhead e Soufly partilharam o palco principal) e para meu espanto deram-nos credencial. A minha primeira credencial foi para o Rock In Rio, eu so pensava como é que era possível, um blog conseguir isso. Ainda pude entrevistar More Than A Thousand e RAMP, e a partir daí mais portas se abriram para o Pedra de Metal, que antes do Rock In Rio, estavam fechadas. Digamos que o Rock In Rio acabou por ser um empurrão para mostrar que estávamos cá para divulgar tudo o que fosse possível do nosso metal nacional, dos nossos eventos nacionais e que não eramos apenas “uma brincadeira de miúdos”, como me chegaram a dizer uma vez.

 

Lembro-me de seguir atentamente o blogue e foi com uma grande mágoa que fiquei ao anunciares o fim deste projecto em Outubro de 2012. Anuncias as razões, principalmente devido à falta de tempo, para o “Pedras” e a disponibilidade que como é óbvio dedicaste à família, mas também a outras coisas. Sei que não foi de ânimo leve, mas como foram essas semanas a seguir a este fim? Desligaste-te completamente de tudo?

Confesso que eu estive mesmo para desativar completamente o blog e ele só ficou ativo porque todos os que lá escreveram não mereciam isso. A decisão não foi fácil, nada mesmo, e andou a marinar muito tempo antes de anunciar o fim do projecto, tanto que a minha ideia era ter terminado o Pedra de Metal, no dia a seguir à entrevista que publiquei ao Fernando Ribeiro dos Moonspell, estava com aquela ideia, “vamos acabar em grande”. Não o fiz, mas em novembro teve que ser, era muita coisa apenas para duas pessoas, e os projectos pessoais precisam de mais tempo meu, tempo esse que eu dispendia no Pedra de Metal. Ou seja o hobby estava a deixar de ser um hobby e começava a afetar a minha vida pessoal, foi nesse momento que parei. Quando terminei, estive uns tempos sem ir ao blog, acho que foi o melhor, mas por vezes regressava para reler varias coisas que estavam por la.

 

Há coisas que não morrem, nem ficam obsoletas, mas que evoluem. Foi o que aconteceu com o renascimento do “Pedras” em Novembro de 2015, com uma frase muito interessante no vosso blogue: “O Pedra de Metal nunca desapareceu completamente. É uma pedra que não vai ao fundo”. Resumindo, foste atrás desta tua paixão e não desististe. Como voltou a amadurecer essa tua ideia de voltares ao activo?

O principal motivo para regressar ao activo, foi infelizmente a morte daqueles que para mim foram os meus segundos pais, os meus avos maternos. Em cerca de um ano perdi o meu avô e a minha avó e eles sempre me apoiaram em tudo, e sempre disseram para nunca desistir do que gostava de fazer. Não foi uma fase boa, nem fácil, num ano perdi os meus dois melhores amigos. E o bichinho da escrita nunca morreu.

Estou numa fase em que penso começar novamente o “blog dos lobos” num formato tipo diário, enfim, nunca deixei de escrever.

Outra factor são os parceiros. A verdade é que existiram dois parceiros que nunca deixaram o Pedra de Metal morrer, são eles o Luis Lisboa do Vimanares Metallium e Ricardo Nora da Bulldozzer On Stage, que nos                        cartazes sempre até aos dias de hoje colocaram lá o nosso banner e só posso agradecer-lhes por isso.

 

Uma pessoa também importante neste renascimento foi o Bruno Sousa, que já tinha feito parte da vossa equipa e colaborado. De onde vem essa vossa amizade entre ambos, especialmente pela escrita e como entra nele nesta nova fase?

O Bruno está comigo desde o início, foi a primeira pessoa que convidei para o Pedra de Metal, esteve em todas as fases, sempre foi um excelente amigo e até conselheiro e neste regresso ele tinha que estar presente, o Pedra de Metal é tanto meu como dele, eu pelo menos considero assim. A nossa amizade surgiu num chat de uma rádio online de metal e já tem uns anos. É um amigo para a vida.

 

Aqui temos então o vosso projecto novamente e em força. Como tens visto a evolução da informação nestes últimos anos? Acompanhas alguns blogues/sites estrangeiros? Ainda continuas a seguir as publicações editadas em papel?

Deixei completamente de seguir as edições nacionais em papel, talvez mesmo por desleixo meu, e foi mais ou menos na fase em que terminei o Pedra de Metal. Afastei-me do mundo das notícias. Agora existe o facebook em que tudo é lá publicado. O que noto é que informação está cada vez mais disponível a todos, e admiro-me ter cada vez mais contactos de bandas da América do Sul, que me pedem para divulgar os seus projectos.

Neste momento estamos numa fase que a informação pode ir para sites, blogues etc etc, mas também tudo fica no facebook, twitter e outras redes sociais. Basicamente a informação está disponível a toda a gente de forma imediata, portanto é bastante mais difícil teres visitas no teu blog ou site comforme tinhas a uns anos atras.

 

Nos últimos anos temos vindo a observar um decréscimo das publicações dedicadas ao Metal no nosso pais. Os lançamentos em papel são muito poucos, temos apenas uma revista editada a nível nacional e os blogues/sites portugueses são também escassos. Esta situação não vemos em muitos outros países a começar pela nossa vizinha Espanha. O que nos falta em Portugal para haver mais gente a optar por iniciarem um trabalho que seja um meio de divulgação do que se faz no nosso pais?

Eu acho que falta é tempo e claro, tens que ter gosto pela escrita, isso é fundamental, mas a verdade é que se não tiveres tempo para publicares, tratares do teu “espaço”´, não consegues avançar com nenhum projecto. Depois, lá está, a informação já está bastante divulgada devido as redes. Por isso é que considero que projectos como o Pedra de Metal, a Ode Lusitana e muitos outros, devem-se é manter unidos e não criar “guerras estúpidas”, como por vezes meia dúzia de “atrasados mentais” tentam fazer.

 

Temos uma imensidão de bandas com trabalhos excelentes, muitos concertos a acontecer, mas pouca gente a optar pela escrita. Que dicas poderias dar a quem quiser começar? Qual seria o impulso inicial?

O impulso inicial é “se gostas de escrever, força, escreve”. Não nos podemos preocupar se vai resultar ou não, no primeiro mês de Pedra de Metal não pensava chegar as 1000 visitas e cheguei. Se escreverem sobre Heavy Metal, não entrem em guerras com ninguém, cada um divulga o nosso metal como pode, e principalmente nunca desistir no primeiro contra tempo. A nossa comunidade metaleira já é tão pequena, que temos é que todos divulgar, se possível, o que é nacional em grande quantidade.

Um dos trabalhos que mais respeito e tenho orgulho de desfolhar é a “Breve História do Metal Português” do Dico, já que é a nossa história, o nosso meio, a nossa paixão escrita neste livro. É uma base para o nosso futuro. Qual é o teu ponto de vista do Metal em Portugal a todos os níveis, desde as bandas até ao público? Qual o papel e o contributo que o Pedra de Metal poderá ter e o que esperam fazer nos próximos tempos?

O livro do Dico para mim foi uma excelente surpresa porque nunca pensei que fosse tão completo e com tanta qualidade, quer na escrita, quer no conteúdo. Um bem haja ao Dico por este resumo histórico do nosso Metal nacional. Quanto ao público do metal, epá, eu acho que o público do Metal português está envelhecido, está mais maduro claro, já não há aqueles “trues” de antigamente (e ainda bem), no entanto eu noto que estamos velhos. Não sei bem como te explicar isto, mas eu tenho 34 anos, e não vejo malta muita mais nova que eu nos concertos, ou ate mesmo na página do facebook do Pedra de Metal. Mesmo a nível de bandas não aparecem tantas bandas coma frequência que apareciam antigamente, e mesmo algumas cenas mais recentes já é de malta que já tem um ou dois projectos.

E assim chegamos ao fim. Muito obrigado Paulo pela tua disponibilidade. Eu como mentor da Ode Lusitana também estarei disponível para qualquer coisa que seja necessária e que divulguemos o que se passa no nosso pais. As últimas palavras são tuas, por isso estás à vontade!

Quero primeiro agradecer à Ode Lusitana esta experiência, normalmente quem faz as perguntas sou eu J Continuem com o vosso excelente trabalho e divulguem o Metal Nacional. A todos os que lerem se possível visitem o Pedra de Metal, podem deixar os vossos comentários e sugestões, estamos sempre abertos a novas ideias, que nos ajudem a divulgar o que é nosso e a novas parcerias. Um grande abraço para todos.

Podes também visitar o blogue aqui

 

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