Divulgação do metal português

Archive for Fevereiro, 2016

Destroyers of All – novo vídeo “Hate Through Violence”

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   Destroyers of All, banda de prog / death metal de Coimbra, fundada em 2011, irá lançar no dia 18 de Março através da Mosher Records, o seu álbum de estreia “Bleak Fragments”. Como avanço deste lançamento, a banda apresenta o vídeo “Hate Through Violence”.

 

A banda já tinha lançado em 2011 o seu EP de estreia “Into The Fire”, onde sobresaia o tema “Astral Projection”.

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A festa de lançamento deste CD decorrerá no States Club em Coimbra, contando com a participação de Tales for the Unspoken (groove metal – Coimbra, fundados em 2008, lançaram o ano passado o seu segundo longa duração “CO2”) e Terror Empire (thrash metal – Coimbra, com o início de actividade em 2009, sendo o álbum “The Empire Strikes Black” o seu primeiro-longa duração, lançado em 2015).

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Lyfordeath – novo vídeo “Silêncio”

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LYFORDEATH, banda de Lordelo / Porto, fundada em 2012 e praticante de thrash / death metal apresenta o seu novo single “Silêncio”.

 

 

 


Dico – Breve História do Metal Português

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Na sequência do pré-lançamento de uma obra literária icónica do movimento nacional está de regresso através de uma nova edição revista e aumentada a “Breve História do Metal Português” da autoria do Dico (Eduardo José Almeida).

Nada melhor do que recordar uma entrevista dada pelo Dico à Ode Lusitana em Abril do ano passado.

   Jornalista e músico, Dico tem deixado a sua marca na história do underground nacional. Dos vários trabalhos realizados, até projectos que ainda estão em gestação ficamos a conhecer o excelente empenho demonstrado.

10941830_397395457107654_3757071436482432474_nViva Dico! Desde já queria agradecer por teres aceitado responderes a estas perguntas e queria começar por que nos contasses como foi a tua introdução ao “Som Eterno”? Ouvias os álbuns sozinho em casa ou existia a partilha com os amigos?

Olá, Marco. Eu é que agradeço o convite. O primeiro tema pesado que me recordo de ter ouvido foi o “Bohemian Rahpsody”, dos Queen, aos 7 anos. Na época, por influência dos meus irmãos, também ouvia a Suzi Quatro e, mais tarde, o hit single dos Survivor, “Eye of the Tiger”. Estes foram os primeiros artistas de Hard Rock que ouvi. Tinha eu 11 anos, em 1982, quando o meu irmão me deu a ouvir o “The Number of the Beast”, dos Iron Maiden, e a partir daí fiquei definitivamente enfeitiçado pela música pesada. Comecei a ouvir Van Halen, UFO, AC/DC, Saxon, Deep Purple, Huriah Heep, Motörhead, bandas que o meu irmão e os amigos dele me mostravam. Cedo comecei, também eu, a levar lá a casa os meus amigos para os endoutrinar no Heavy Metal (LOL).

Tinhas lojas em que procuravas as novidades que iam surgindo?

Sim. Passei inúmeras tardes com amigos a descobrir novos discos nas míticas discotecas Motor (mais tarde Bimotor) e One-off, bem como numa loja de música que havia no Centro Comercial do Lumiar.

Como começou o teu fascínio pela bateria? Ainda te lembras da tua primeira aquisição?

Lembro-me de ficar absolutamente fascinado com a forma de tocar do Nicko McBrain, dos Iron Maiden. Por isso, aos 12/13 anos comecei a “tocar bateria” em caixotes de papelão com as agulhas de tricot da minha mãe (LOL). Depois, passei a “tocar” com colheres de pau viradas ao contrário em caixas tupperware fechadas com ar dentro, para dar mais estrondo (LOL). Só aos 18 anos comprei a minha primeira bateria, uma Superstar (LOL) que custou 80 contos (400€) e me foi oferecida por uma tia. Na época, não sabia nada do hardware do instrumento. Lembro-me que a dada altura o lojista que me vendeu o kit disse: “Vou buscar a chave da bateria” e eu perguntei-lhe: “As baterias também têm chave?” (LOL) Na época, era este o meu grau de desconhecimento.

Ao longo do teu percurso musical passas por várias bandas (Paranóia, Powersource, etc), mas fala-nos da tua passagem pelos Dinosaur, desde a gravação da demo auto-intitulada, ao aparecimento do tema “Accident” na compilação “The Birth of a Tragedy”, assim como da tua passagem pelos Sacred Sin e do lançamento do “Darkside”.

A minha passagem pelos Dinosaur não foi isenta de problemas e conflitos, mas prefiro recordar os bons momentos, que foram muitos. Adorava os Dinosaur. Evoluímos e crescemos em conjunto. Nos dois anos que estive no grupo tivemos vários pontos altos: a participação no 1º Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa, o concerto no Cais do Sodré na final do concurso, a 1º parte dos Censurados na Bobadela, a gravação da demo-tape e dos telediscos, a participação na compilação “The Birth of a Tragedy” com o tema “Accident”…Tenho orgulho daquilo que alcançámos. Fazíamos música genuína, com paixão, de forma inocente. Sabíamos que tínhamos bons temas, mas só percebemos que estávamos a fazer algo relevante quando chegámos à final do referido concurso e fomos objecto de uma exposição mediática pouco habitual na época para um grupo de Metal underground. Vivi nos Dinosaur momentos mágicos. Também foi um enorme privilégio tocar com os Sacred Sin e tive a sorte de gravar com eles o “Darkside”. Estive com a banda menos de um ano, mas esse período temporal, apesar de breve, foi também extremamente profícuo. O ambiente interno era impecável, mas na época estava a atravessar uma fase complicada a nível pessoal, o que me impediu de aproveitar melhor a minha estadia na banda. Além disso, tecnicamente não estava preparado para tocar num grupo como os Sacred Sin.

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Um dos motivos porque és reconhecido no meio é pela tua escrita. Desde a participação em várias revistas a blogues, ao longo dos anos tens demonstrado esse interesse. Como surge essa paixão? O que te tem motivado ao longo dos anos a participares nesses projectos todos?

O que me motiva é um profundo amor pelo Underground. Tenho sempre de estar a fazer algo relacionado com o Metal. Sempre. Desde há muitos anos que essa necessidade irreprimível se manifesta na escrita sobre música. Muitas vezes não consigo ter tempo para todas as publicações nas quais colaboro. Sempre adorei escrever, portanto foi natural aliar esse gosto à minha paixão pelo Metal. Em 1989/1990 elaborei o projecto de uma zine intitulada No More Denial, que nunca chegou a ser publicada, mas a primeira vez que efectivamente escrevi sobre música foi em 1991, para a Metal Trail Zine.

Em 2013 é editado o livro “Breve História do Metal Português”. Confesso que quando o adquiri o li de uma ponta a outra, com os headphones metidos na cabeça e com o youtube ligado à procura de bandas que apareciam e que não tinha sequer conhecimento da sua existência. Foi um projecto bastante difícil de fazer?

Já várias pessoas me disseram que pesquisavam na Internet as bandas presentes no livro à medida que o liam. Essa é, efectivamente, a melhor forma de apreciar o “Breve História do Metal Português”. É uma descoberta constante. Não foi propriamente difícil de fazer, até porque foi um processo progressivo. Só a dado momento, quando já tinha um significativo volume de informação, percebi que fazia sentido dar-lhe a forma de livro. Assim foi, apesar de, à época, me debater com problemas de saúde. O que correu pior foi a relação de trabalho com a editora. As propostas de paginação que me apresentaram eram desastrosas, pelo que tive de tomar as rédeas ao projecto e encontrar quem paginasse o livro. Desvinculei-me da editora, pelo que a segunda edição foi da minha inteira responsabilidade.

Também ficaste surpreendido por algumas bandas? Que bons momentos guardas deste trabalho?

Surpreendeu-me o facto de músicos como o José Cid ou o Júlio Pereira terem tido um papel, embora fugaz, na génese do Rock pesado nacional durante os anos 70. São artistas a quem não associamos uma abordagem musical mais pesada. As melhores recordações que guardo são do processo de investigação, da descoberta constante de novas informações. Foi um percurso fantástico, descobri imensas bandas e adquiri muito conhecimento. Outra boa recordação prende-se com o facto de todos os músicos que entrevistei se revelarem bastante acessíveis e humildes. Foi uma surpresa. Por fim, é inesquecível a sensação de tomar nas mãos, pela primeira vez, um exemplar do livro.

Um dos blogues que eu seguia curiosamente era o “A a Z do Metal Português”. E aqui a pergunta: para quando uma compilação deste material que estava todo reunido? Estarias disponível para lançar este material via ebook?

Para minha desagradável surpresa descobri diversas vezes textos oriundos do blogue publicados noutros locais, sem a minha autorização. A dada altura, havia 4 ou 5 biografias da minha autoria a circularem livremente pela Internet, sem a minha assinatura. Tive de ameaçar os responsáveis com um processo judicial. Após esses tristes episódios entendi que o blogue não podia ser, de forma alguma, uma livre fonte de recolha de informação para ladrõezecos da propriedade intelectual alheia. Por outro lado, houve músicos que ficaram melindrados com as biografias que publiquei no blogue sobre as suas bandas. Não gostaram de ver relembrados episódios reais que quiseram negar e esquecer. Esses músicos envergonhavam-se do seu passado musical e queriam negá-lo, mas a história não desmente os factos. Eram pessoas que não mereciam o meu empenho e investimento de tempo a redigir as biografias dos seus grupos. Por todas estas razões, decidi eliminar o blogue. Nessa medida, embora a ideia de publicar esse material seja extremamente atractiva, não sei até que ponto seria sensato fazê-lo, pelo menos a breve/médio prazo. Antigas refregas ressurgiriam e não tenho paciência para conflitos desnecessários.

 

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Tens em mente a edição de mais algum trabalho? O que gostarias de lançar?

Antes de mais, estou a procurar condições para fazer uma nova impressão do “Breve História do Metal Português”. Há muito que o livro esgotou e tem havido imensos pedidos, pelo que se impõe uma nova edição. Contudo, financiar o projecto não é fácil. Por outro lado, gostaria de escrever a história do Metal feito num país com ligações históricas a Portugal mas cujo nome ainda não posso revelar. As ideias para esse projecto ainda não passam disso mesmo. Estou também a compilar informação para escrever a minha autobiografia musical. Talvez haja 1 ou 2 pessoas interessadas em lê-la. (LOL)

E assim terminamos esta entrevista onde as últimas palavras são por tua conta, mas antes disso queria saber a tua opinião acerca do estado ‘literário’ do nosso país em relação ao metal e o que aconselharias a todos para se iniciarem neste mundo da edição, desde os livros às fanzines.” Obrigado e abraço!

Em relação a livros sobre Metal publicados no nosso país ainda estamos numa fase embrionária. Além do meu livro e da biografia dos Moonspell nada existe. No entanto, sei que a biografia de outra banda está para ser publicada há mais de um ano. Em termos literários destaco a corajosa fundação das Publicações a Ferro e Aço, editora que lançou a versão portuguesa da biografia dos “Metallica …And Justice for All: The Truth About Metallica” e prepara o lançamento de mais obras do género. Ou seja, o mercado está a mexer, mas ainda de forma incipiente. O meu conselho é que quem deseje publicar um livro o faça como edição de autor. Ao contrário do que muitos dizem este género de edições não são desprestigiantes. É sempre melhor ser o próprio autor a ter controlo absoluto sobre todo o processo, desde a publicação à promoção, do que depender de editoras. Trabalhei com duas no âmbito do meu livro e ambas as experiências foram autênticos flops. Em regime de edição de autor a distribuição da obra pode ficar circunscrita à meia dúzia de lojas em que o autor consegue disponibilizar o livro, mas as vendas por correio são extremamente eficazes e suplantam essa dificuldade desde que a promoção seja eficaz.

Relativamente às fanzines também é necessário encontrar boas formas de divulgação e distribuição. Um bom grafismo, escrita de qualidade e uma periodicidade cumprida à risca são fulcrais. Estas regras aplicam-se igualmente às webzines, e-magazines, newsletters e formatos análogos.

Para terminar, dêem ao Metal o vosso melhor contributo, seja através da formação de grupos, da promoção de concertos, da publicação de zines ou da realização de programas radiofónicos. Ajudem o Underground a desenvolver-se. Sejam persistentes e felizes.

 

Como comentado, fazem as pré-encomendas do seu novo livro através do mail livrobhmp@yahoo.com.

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Também disponível para descarga a compilação para download gratuito “Breve História do Metal Português – Banda Sonora Infernal”aqui.

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Cruz de Ferro

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Cruz de Ferro é uma das bandas únicas no nosso panorama musical nacional e que nos tem mostrado que é possível utilizar a língua portuguesa com um acompanhamento rítmico feroz, onde as guitarras ganham vida neste heavy metal proveniente de Torres Novas, constituídos por Ricardo Pombo (voz / guitarra), Rui Jorge (guitarra), João Pereira (baixo) e Bruno Guilherme (bateria).

   Formados em setembro de 2009, editam em Dezembro de 2012 o seu EP de apresentação “Guerreiros do Metal”. Desde o início mostraram que vinham para marcar a diferença e as letras provam isso mesmo (“Guerreiros do Metal / somos nós e tu vais ver / incendiamos palcos / tudo o que vier”).

   O primeiro longa-duração é lançado no final de 2015, com 10 temas cantados em português “Morreremos de Pé” mostra a razão de prestar muita atenção à Cruz de Ferro. Ricardo Pombo, músico fundador, fala desta excelente banda.

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Viva Ricardo! Muito bem-vindo a estas páginas da Ode Lusitana e para mim é uma honra trocar estas palavras contigo e dar a conhecer um pouco mais a Cruz de Ferro. Não assisti ao concerto de lançamento do vosso CD “Morreremos de Pé”, mas pelas imagens divulgadas foi festa autêntica. Em compensação, adquiri o vosso trabalho e tem rodado alto e bom som aqui por casa. Já gostava bastante do vosso som no lançamento do EP, sendo o meu tema favorito o “Glória ao Rey”, mas com este primeira longa-duração mostram que são uma das bandas que marcam a diferença no panorama nacional. Como foi essa festa de lançamento do álbum? Como tem sido a resposta dada pelas pessoas a este trabalho? Que tem achado das boas críticas que tem vindo de outros países, mesmo cantando na nossa língua portuguesa?

Bom dia, primeiro de tudo quero agradecer a oportunidade desta entrevista a Ode Lusitana, uma fanzine da qual eu próprio costumo seguir e por isso a honra é toda minha. No que diz respeito ao concerto de lançamento em Lisboa, correu muito bem, tivemos o RCA muito bem composto e duas grandes bandas a tocar connosco, os Shivan (Ed.: heavy metal – Loures) e os Leather Synn (Ed.: heavy metal – Lisboa). Foi uma noite memorável! Em relação ao álbum, estamos a ter excelentes reviews e tenho inclusive muita gente a falar comigo pessoalmente a dar-me os parabéns pelo trabalho realizado, o que me deixa muito feliz. O álbum deu muito trabalho e demorou cerca de dois anos a ser composto, por isso ouvir boas criticas leva-me a querer que esse tempo não foi um desperdício. Em relação as criticas de outros países, tem surgido muito da América do sul e também do Brasil, temos também algumas criticas de países da Europa e parece que afinal de contas a língua não tem sido uma barreira.

Essa particularidade da língua foi bem definida por ti desde o início da formação da banda e à qual eu dou o total apoio. Foi uma questão de facilidade de transmissão da mensagem ou também és da opinião que a nossa língua tem bastante musicalidade? Podes contar-nos como surgiu a tua amizade com o Eurico Gomes Dias e como ele se torna um dos principais escritores das letras deste vosso trabalho?

Em relação a língua teve mesmo a ver com o tentar preencher uma lacuna que havia, e ainda hoje há no nosso underground, heavy metal cantado em português. A nossa língua torna a composição das musicas mais difícil, mas acaba por nos dar um outro alento e energia. O facto de estarmos a fazer algo que mais nenhuma banda arrisca fazer, faz do nosso trabalho único, por isso será sempre algo que vai fazer parte do ADN da banda, orgulhosamente cantar em Português! Também acho que nos conseguimos expressar melhor na nossa língua. O Eurico é meu amigo de infância, fomos criados na mesma aldeia, perto de Torres Novas, e para alem de ser um grande escritor e historiador é um grande amigo e metálico também.

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Portugal tem uma história riquíssima a todos os níveis, sendo motivo de orgulho de todos os portugueses. Mesmo assim, não temos a tendência para conhecermos mais essa mesma história e os nossos vários símbolos. Por vezemos vivemos ainda sob a nuvem do Estado Novo, em que palavras como ‘Nação’ e ‘Pátria’ foram “apropriadas pela ditadura e demonizadas pela revolução (do 25 de abril)”. Salazar sempre teve interesse em elevar os valores nacionais a todos os níveis e talvez seja por isso que não queremos ver esses valores. Qual a tua opinião acerca desta situação da nossa história não ter a divulgação merecida? Ou achas que ela existe, mas não é divulgada? Com quais figuras proeminentes da nossa história gostavas de ter uma conversa?

Acho que acima de tudo todos damos valor a nossa história, fico um pouco triste quando me apercebo que a palavra pátria e nação hoje em dia são muito associadas a certos extremismos (Nacionalismo; Xenofobia, etc), os próprios Cruz de Ferro já tiveram a certo ponto da carreira de mostrar que não existe nada de politico na nossa ideologia, já fomos erradamente conectados como nacionalistas só porque gostamos de contar historias de bravura do nosso povo. Mas entretanto as pessoas aperceberam-se que não temos nada a ver com esses ideais e já não nos chateiam, sabem que o que queremos mesmo é heavy metal e cerveja!!! Uma figura com o qual eu gostaria de conversar seria sem duvida com D. Duarte de Almeida, o decepado, que nós metemos na capa do álbum! O acto de bravura dele foi mesmo único, e acabou por infelizmente morrer na miséria.

Em entrevistas anteriores falas que não tens tido muita curiosidade pelo lançamento de novos trabalhos, sendo um fã das antigas sonoridades como Saxon, WASP, Judas Priest e Iron Maiden. Como nasce essa tua paixão pelo metal quando eras uma criança? Quais os 5 álbuns de metal que considerarias levar se tivesses que ir para um sítio isolado?

Nessa entrevista talvez não tenha sido muito bem interpretado, obviamente que ainda tenho muita curiosidade e consumo bastante novos trabalhos, mas mais dentro de outros géneros como death metal e thrash metal. O que disse em algumas entrevistas foi que existe muita banda nova apenas a fazer o que os antigos fizeram e com uma qualidade inferior, mas de vez em quando lá vão aparecendo bandas novas com excelentes trabalhos de heavy metal mais old-school. A minha paixão pelo Metal surge com 10 anos, quando comprei um vinil de Iron Maiden, o “Piece of Mind”! Tenho um irmão mais velho que já me tinha mostrado estas sonoridades mais pesadas. Desde que comprei esse vinil, nunca mais fui o mesmo! Bem, 5 álbuns de metal para levar para um sitio isolado será sem duvida a questão mais difícil que já me fizeram, mas olha, talvez levasse o “Painkiller” de Judas Priest; o “Animal House” de U.D.O.; o “Keeper of the Seven Keys Part II” de Helloween, o “Killers” de Iron Maiden e o “Port Royal” de Running Wild. Mas Fico com a sensação que faltam muitos…

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Quando frequentavas concertos com os teus amigos, o que é que te atraia mais? Foi aí que começou o teu interesse por ser músico, ou como é que apareceu?

O meu interesse em ser músico surge muito antes de ver o meu primeiro concerto, como sou de Torres Novas acabei por ver o meu primeiro concerto já com 16 ou 17 anos, e na altura já tinha uma banda. Sempre tive a paixão pela composição e quando era ainda puto (Com 12 ou 13 anos) em vez de brincar com carrinhos ou bonecos, brincava com um teclado a compor musicas e dar nomes fictícios a bandas para cada musica que compunha. Entretanto comecei a aprender a tocar guitarra e surgiu também a paixão pelo instrumento em si, não me gosto de ver como guitarrista, prefiro que me vejam como compositor, mas a guitarra foi uma paixão que levou anos e acabei por meter a composição de lado para andar a tocar como freelancer. Mas hoje em dia apenas vejo a guitarra como uma ferramenta para as minhas composições. Finalmente estou em paz comigo mesmo.

Um dos álbuns que dou muito valor é o “Kingdom of Lusitania” dos Tarantula e lembro-me que quando o comecei a ouvir em programas de rádio e depois quando comecei a ler as letras me ter trazido uma satisfação enorme. A temática deste álbum é muito semelhante à Cruz de Ferro. Também é um álbum do qual tens interesse? Que achas da evolução do metal nacional ao longo dos anos a todos os níveis? Actualmente temos uma grande quantidade de bandas e até de sítios para tocar, mas em relação à divulgação, desde programas de rádio até às fanzines o número de elementos de divulgação tem diminuído bastante. Consegues perceber qual a razão?

Na altura em que saiu o “Kingdom of Lusitania” comprei-o logo, e lembro-me de andar de casa em casa a mostrar o álbum a todos os meus amigos. Foi sem duvida um álbum que me marcou muito também. Não só pela temática mas também pela sua musicalidade. Hoje em dia já tive a honra de privar com eles e para alem de serem uma grande banda são todos pessoas cinco estrelas. Em relação ao metal nacional, hoje está com muita qualidade e muitas bandas, felizmente. Com o boom da internet as bandas hoje têm que estar sempre a fazer algo, têm que gravar com alguma regularidade, têm que ter vídeos, etc. E isso requer muito mais tempo dispendido, mas em compensação existe mais editoras e mais publico para ver o nosso trabalho. Eu ainda sou do tempo em que andava um ano a ensaiar e não se gravava nada nem se tocava ao vivo, e quando se tocava não havia grandes condições. Hoje em dia tudo mudou, temos condições, estúdios, etc. Mas como disse, será sempre preciso trabalhar mais e melhor para nos mantermos `a superfície. Em relação a divulgação está mais digitalizada, já não existe tanto em formatos físicos, mas a coisa tende a mudar porque as pessoas apercebem-se que nada chega ao papel. Eu pessoalmente não gosto de estar muito tempo a ler no computador ou no telefone, cansa-me muito mais a vista. Talvez seja da idade…

E assim terminamos a entrevista. Quero-te agradecer pela tua disponibilidade! Finalmente, podes dizer as últimas palavras e terminar então esta entrevista. Muito obrigado!

Eu agradeço todo o apoio, terei sempre em consideração todos aqueles que apoiam o nosso underground. Os Cruz de Ferro vão estar na estrada com o nosso espectáculo a partir de Março, por isso vão ficando atentos as datas e cidades onde vamos estar! Oiçam o nosso álbum e acima de tudo apoiem o metal nacional.

Para alguma informação podem contactar-nos através do mail: Cruzdeferro666@gmail.com

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Cruz de Ferro – “Morreremos de Pé” CD 2015 (Non Nobis Productions)

Primeiro lançamento de Cruz de Ferro, depois da excelente estreia com o EP de 2012 “Guerreiros do Metal”. Sim, há uma primeira coisa que salta à vista e que é as letras serem em português, o que torna o resultado final em algo bastante interessante! Apresentam um heavy metal sem compromissos onde as guitarras indicam a direção seguida durante a música, com vários solos que unem as músicas. Sobresai a voz do Ricardo Pombo que no seu tom ‘guerreiro’ vai dando voz aos nossos heróis nacionais, ou às nobres causas guerreira e não só da nossa história nacional. “O Decepado”, “Nova Aljubarrota”, “Santiago”, “Quinto Império”, são alguns dos temas que nos demonstram esta ideia. Resumindo, um bom álbum para ouvir e gritar bem alto as letras!

 


Buried Alive

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Buried Alive é uma banda nascida já nos idos anos de 1991 em Vila Nova de Gaia, ou seja que passados 25 anos ainda mostram a sua perseverança de querer mostrar o seu trabalho e provar que ainda estão activos para mostrar o seu thrash metal.

   A sua demo de estreia surge em 1996 com o nome “The Fisrst Burial” a que se segue a promo-tape de 1998 “El Niño”. Após a participação em algumas compilações surge o primeiro longa duração “Spoils of War” em 1999, seguido por “Welcome to Reality” de 2001.

   Após uma grande paragem surgem em 2015 com o terceiro longa-duração “Exploding Ashes”. E que grande trabalho de regresso tiveram! A banda actualmente é constituía por Jorge Fernando (voz / guitarra), Ricardo Sousa (guitarra), Ricardo Vieira (baixo) e Hugo Almeida (bateria).

   Foi com o Jorge Fernando que ficamos a conhecer um pouco mais dos Buried Alive.

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Viva Jorge! É um prazer ter-te neste número da Ode Lusitana, especialmente porque se trata do ressurgimento destas edições, após uma pequena pausa e nada melhor do que iniciar com uma entrevista a Buried Alive. Foi com bastante satisfação que assisti ao lançamento do vosso álbum “Exploding Ashes” no Metalpoint, assim como o concerto já este ano de 2016 no Hard Bar em Bustos. Antes de avançarmos com a entrevista, queria saber o que é que te faz ainda subir a um palco para tocar, quando à semelhança de muita gente podias estar em casa no sofá ou numa esplanada algures por aí? O que te faz mexer e continuar a tocar este estilo de música?

Boas, Ode Lusitana! Ainda bem que gostaste, o que me faz subir a um palco para tocar, ao fim de tantos anos, é uma paixão enorme que tenho pela música, comecei a aprender música cedo, com 7 anos e a ouvir Heavy Metal e não só, para aí com 8 ou 9, portanto, imagina, mas não é só tocar é também ir ver concertos de outras bandas. 

O objectivo inicial da formação da banda em 1991 junto com o José Pereira foi de tocarem a música que gostavam. Como foi que se dá o início de começares a ouvir metal? Juntavam-se em casa de alguém para verem as novidades ou já andavam pelas lojas? Como conheces o José Pereira e dão início aos Buried Alive?

A ideia inicial de formar uma banda surgiu ainda antes de 1991, o Pereira era meu vizinho e da mesma idade do meu irmão, que desde muito cedo me iniciou no mundo do Heavy Metal, juntávamo-nos em casa dos meus pais e em casa dos pais do Pereira a ouvir grandes bandas, Iron Maiden, Judas Priest, Van Halen, etc. e a ver vídeos sacados do Headbangers Ball e outros como VH1. Depois como eu andava a aprender música foi só convencer-mos os nossos pais a comprar as guitarras e foi assim que começou.

Depois de lançamentos de alguns trabalhos e de uma paragem de 6 anos, regressam em 2009 e até previram o lançamento de um EP. No entanto mais mudanças na banda e para este álbum temos o Ricardo Vieira, o Ricardo Sousa e o Hugo Almeida. São amizades que já vem de longe? Existe muita diversão e loucura em cima do palco, mas nota-se que funcionam perfeitamente a nível musical. O objectivo será sempre o prazer de tocar para as pessoas?

As paragens que temos tido até hoje têm sido sempre por motivos profissionais, e como nenhum de nós vive da música, à excepção do Hugo, que é dono do Metalpoint, quando o trabalho interfere com a banda, infelizmente é necessário tomar decisões. O Pereira, juntamente comigo era elemento fundador, mas por questões de trabalho teve de abandonar e com ele o nosso baixista da altura, o Filipe Raimundo. O Ricardo Vieira já tinha gravado a nossa 2ª maquete “El Niño” e gravou o nosso 1º álbum, “Spoils of War”, por isso já era conhecido, o Ricardo Sousa, apesar de nunca ter tocado connosco já era conhecido da banda e a química entre todos resultou muito bem, e não é só a nível musical mas também a nível pessoal, que para mim é muito importante, ale de quatro membros de buried alive somos também quatro amigos e enquanto continuar assim iremos tocar até não dar mais, até o corpo não deixar.

Ao fim de 14 anos sem edições apresentam este novo álbum. Como surgiu a hipótese da edição ser feita pela Firecum Records? O Pedro Junqueiro além de pertencer à esta editora também é vocalista nos Booby Trap, tendo actuado com vocês. Qual a sensação de teres passado em palcos em que te reencontras com este pessoal que também anda a longos anos pela estrada e que continua a tocar por gosto? Muita troca de histórias entre vocês?

A ideia era gravarmos um EP, mas o incêndio no estúdio do Bruno Silva, fez-nos perder as gravações, por isso continuamos a compor e fizemos músicas para um álbum. Entretanto o Pereira e o Filipe saíram e tive que ensinar as músicas todas aos Ricardos e voltar a treinar a minha voz. A edição ia ser feita por nós, uma edição de autor ou disponibilizar de borla on line, mas através de um amigo comum, o Pedro Branco da Bunker Store, entramos em contacto com o Pedro Junqueiro e chegamos a acordo para a edição do álbum e cá está ele, ao fim de tanto tempo. Os concertos que demos juntos foram fantásticos porque houve uma cumplicidade muito grande entre as duas bandas, talvez pelo amor que todos temos pela música, por andarmos cá à tantos anos, não sei, o que me interessa é o bom ambiente que tivemos nesses concertos…venham mais.

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Buried Alive fez este ano 25 anos de carreira. Imagino que não estarias à espera desta longevidade? Como olhas para a passagem destes anos todos? Que achas do grande número de bandas que a cena nacional actualmente possui?

Sinceramente, não mas, olhando para trás no tempo, a paixão pela música, enquanto durar e como já disse, o corpo deixar eu vou cá andar, seja com esta ou outra banda, com este pessoal ou outro, o que interessa é a diversão, nossa e do público que vai aos nossos concertos. Acho que por um lado é bom termos tantas bandas no activo, algumas novas, alguns regressos, mas como em tudo, isso gera também muita competitividade entre as bandas, mas desde que seja saudável, é na boa. Estamos cá é para tocar e como eu costumo dizer, eu só estou bem é em cima do palco.

Ora bem, álbum lançado e acredito que o que vocês querem será vir para a estrada tocar! Mesmo assim, deixo aqui este espaço para as tuas últimas palavras nesta entrevista e agradecer a tua disponibilidade e ajuda. Muito obrigado!

Sim, agora queremos é tocar, e tocar, e tocar……

É uma honra estar a ser entrevistado por vós e quem tem de agradecer sou eu e a banda por ainda haver pessoas como vocês com este tipo de iniciativas. Obrigado também aos fãs e todas aquelas pessoas que vão aos concertos, nossos e de outras bandas.

Obrigado por tudo e continuem assim.

Apoiem o Metal Nacional. \m/

Abraço

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Buried Alive – “Exploding Ashes” CD 2015 (Firecum Records)

Passados 14 anos desde a edição do seu último registo, ficamos absorvidos com o lançamento deste trabalho dos Buried Alive. Com a sua sonoridade vincadamente thrash, mantêm as influências sonoras do género da década de 90, com guitarras bem balanceadas, acompanhadas por uma secção rítmica que parece uma autêntica trituradora. As guitarras não se limitam a descarregar riffs, mas combinam para criar ambiências agressivas e pesadas, que nos influenciam para ter atenção ao trabalho que está a ser feito. As gravações, misturas e masterizações foram feitas no Metalpoint pelo Hugo Almeida, baterista da banda, sendo o trabalho de produção da banda toda. Um som final muito bem conseguido! Para os apreciadores de thrash metal é um álbum a ter em atenção e para os curiosos e interessados também.

 


Ode Lusitana # 12 – Fevereiro 2016 já disponível

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Número de Fevereiro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Buried Alive e Cruz de Ferro. Notícias sobre “Breve História do Metal Português” de Dico (assim como a compilação “Banda Sonora Infernal”), Enblood, Destroyers of All, Grimlet, Toxikull, Pedra de Metal, Pandora e Alcoholocaust.

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