Divulgação do metal português

Archive for Fevereiro, 2017

Terror Empire

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   Terror Empire, banda de thrash metal formada em 2009 com localização em Coimbra, tem agitado as águas do nosso panorama underground, sendo de realçar o seu álbum de estreia “The Empire Strikes Black” de 2015 através da Nordavind Records. Antes já tinham apresentado o EP “Face the Terror” de 2012.

   Som directo, agressivo e com característica de murro no estômago, estivemos à conversa com o vocalista Ricardo Martins que nos abre às portas ao mundo de Terror Empire. A formação desta máquina trituradora é constituída por Ricardo Martins (voz), Rui Alexandre (guitarra), Rui Puga (baixo) e João Dourado (bateria)

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Viva Ricardo! É uma honra muito grande ter os Terror Empire, representados por ti aqui nas páginas da Ode Lusitana, ainda para mais quando editaram em 2015 o vosso fantástico primeira-longa duração “The Empires Strikes Black”. Muitos concertos dados, muitas entrevistas, muitas críticas positivas ao álbum, que já faz parte do vosso ADN e do público que assiste aos vossos concertos, marcaram este registo. Por isso vamos voltar ao ano de 2009 que é quando tudo começa. Como se dá a formação da banda? Já existia um contacto grande entre os elementos dos Terror Empire?

Boas Marco. Antes demais, a honra é toda minha. Agradeço em nome dos Terror Empire a entrevista.

Voltando a 2009… Eu, o Rui e o Puga somos amigos de longa data e já tínhamos tido uma banda. Nessa altura andávamos à procura de um baterista para começar um novo projecto. O Puga, entretanto, conheceu o Gonçalo e o Sérgio num concerto em Arganil. Começámos por seduzir (ahahah) o Gonçalo, combinámos uns ensaios e as coisas foram resultando. Pouco depois junta-se o Sérgio e as coisas começaram a ganhar forma de Terror Empire.

 

Os vossos ensaios eram completamente descomprometidos até se lembrarem que estava na altura de lançar algo sob a forma o vosso trabalho de estreia o EP “Face the Terror” de 2012?

Desde que formamos os Terror Empire que o objectivo passava por gravar algo e fazer as coisas como deve de ser. Claro que no início, os ensaios eram mais uma descoberta de entrosamento e de gostos. Após essa fase inicial, os temas começaram a surgir mais coesos e com um cunho muito nosso. Sabíamos que para sermos levados a sério e arranjarmos mais concertos teríamos de ter algo gravado. Gravámos, lançamo-nos às feras e foi o que melhor fizemos, chegámos a outros palcos, tocámos de norte a sul. Tem sido muito gratificante.

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Existem várias coisas que definem o som de uma banda, sejam as guitarras, secção rítmica ou as vozes. No teu caso como decorreu essa realidade de teres o posto de vocalista na banda? Foi uma grande luta até atingires este teu registo vocal? Quais são os vocalistas que mais admiras?

Foi simples, não sei tocar nenhum instrumento e curtia mandar uns berros ahahah. E acho que foi algo que decidimos em muito putos (eu e o Rui), eu era vocalista e ele guitarrista, tínhamos uns 11 ou 12 anos, mal sabíamos que isso iria mesmo acontecer ahahah.

O registo, e é aquela resposta que quase todos dão, é até ganhar calo. Foi tentar até chegar a um em que me sentisse confortável e o conseguisse sem esforçar e sem dar cabo da garganta.

Max Cavalera e Phil Anselmo, são dois dos que mais me influenciaram, mas sempre procurei achar o meu próprio registo.

 

Inspiração para a escrita das letras não te falta, já que basta olhar para o estado da sociedade, mas como é teu o processo de escrita?

Adoraria estar aqui com um grande paleio de um processo de escrita todo pseudo-intelectual, mas é muito terra a terra. Geralmente o que me leva a escrever prende-se com situações de injustiça social, com a degradação civilizacional a que assistimos e algumas situações pessoais. Há uma clara decadência do humanismo, estamos focados mais na posse, em jogos de poder e em lucros do que em cuidarmos uns dos outros. É como dizes, inspiração, ou motivos para escrever não faltam.

Despertando para um tema, escrevo sobre isso, fazendo posteriormente os arranjos para que se encaixe na música.

 

A vossa evolução e amadurecimento foi evidente ao longo dos anos até que se avizinhou um novo trabalho, mais propriamente o longa duração de estreia. Mas antes e em 2013 entra o João Dourado para a bateria. Como se deu o contacto e como foi a adaptação tanto da banda como dele? Ainda para mais quando a parte final de produção e mistura do álbum é feita nos Golden Jack Studios, pertença do João. No meio da agressividade, há também muita festa. Que recordações guardas da gravação do álbum e quais os momentos especiais que mais te orgulhas?

O Gonçalo, por motivos profissionais e pessoais saiu do país e tivemos de procurar baterista, o que aqui pela zona de Coimbra, na altura, não se estava a figurar um processo rápido, dada a escassez de bateristas disponíveis dentro do género. Lembrámo-nos do Dourado, mas não saberíamos se ele iria curtia a ideia, dado que o thrash não era a cena dele. Ele era o baterista de Antichthon (black metal). Falámos com ele, combinaram-se uns ensaios e o homem arrasou. Sentimos logo que ele era o ideal, para além de grande músico as suas qualidades humanas equiparam-se ao seu talento, o que levou a que a adaptação fosse um processo natural e rápido. O Dourado trouxe-nos uma agressividade ainda maior e com as suas influências do black metal permitiu outras abordagens mais extremas.

As gravações foram semanas intensas, com vários sentimentos experienciados, mas focados em conseguir um trabalho que nos orgulhasse e esse orgulho surge quando escutas o resultado final e te sentes concretizado e realizado.

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Após a edição do álbum houve uma azafama enorme com concertos presenciados por muita gente, as entrevistas e uma roda-viva que não parava. Nessa altura como sentiste o pulso ao underground nacional? Existem muito boas bandas dos mais variados géneros no país todo, mas ainda notas grandes diferenças de organização nos eventos de sítio para sítio?

Está bem vivo. Acontecem eventos todas as semanas. Temos bandas com enorme qualidade em Portugal e que dão grandes concertos. O público que se desloque a um qualquer concerto do underground não sairá frustrado com o que pagará, às vezes um valor bastante irrisório. As bandas comportam-se como profissionais, as condições para o público estão cada vez melhores, há um maior cuidado por parte dos organizadores em oferecer melhores condições ao público tal como às bandas.

Sou bastante grato a todos os que organizam tal como a todos os que aparecem e vão permitindo que o movimento viva e cresça.

 

O que ainda atraí os mais jovens a ouvirem Metal e que se vai notando com a presença de uma nova geração nos concertos?

O mesmo que nos atraiu. Satanás ahahah. Fora de brincadeiras, acho que é o mesmo que nos levou a gostar, seja pela agressividade, dinâmica, energia, musicalidade, letras, etc. É algo que nos toca e que fica. Não é moda, ou se gosta ou se odeia.

Eu acho que o pessoal mais novo, felizmente, é mais eclético. Não se limita a gostar apenas de uma vertente e tudo o resto é mau.

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Locais de concertos não tem faltado um pouco por todo o lado e Coimbra sempre foi conhecida como uma “maternidade de bandas” dos mais variados estilos, onde entre outras podemos considerar os M’as Foice, assim como os Tédio Boys uns dos grandes impulsionadores desta criatividade que se vivia em Coimbra. Concertos não faltavam e bandas também não. Para o lançamento do vosso álbum “The Empire Strikes Black” escolheram um local bem no centro de Coimbra, o Salão Brazil, com a participação dos Destroyers of All e Revolution Within, com uma casa muito bem composta. Mas tudo ficou por aqui. Existe uma quebra acentuada de concertos dedicados ao Metal em Coimbra (em Aveiro também aconteceu o mesmo, mas fica a análise para uma próxima), os espaços escasseiam, o movimento perde força e até vemos o Mosher Fest a se deslocar para os arredores de Coimbra. Consegues explicar o que se está a passar na cidade de Coimbra, ainda para mais quando temos boas bandas na zona e um público enorme devido a ser uma ‘cidade universitária’? O que é necessário para melhorar esta situação?

Sobre Coimbra, na verdade não posso opinar, não vivo em Coimbra e como tal desconheço a realidade da cidade. Sei que vão acontecendo alguns eventos, mas concertos de metal não tem havido muitos, para além do Mosher Fest.

Um facto é que há uma maior dificuldade em encontrar um local central em Coimbra, que ofereça as condições necessárias para a organização de concertos de metal. Por isso a tal deslocalização que falas. Não posso dar uma resposta mais fundamentada, porque não vivo o dia-a-dia da cidade.

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Tudo tem a sua origem e no teu caso, a viver na Lousã, como foi essa tua descoberta pelo Metal? Tinhas um grupo de amigos que se reuniam para comentar e ouvir as novidades ou procuravas conhecer por ti próprio as novas sonoridades? Ainda te lembras dos primeiros álbuns que te despertaram essa paixão? Quais foram esses álbuns?

A minha descoberta do metal na Lousã foi semelhante à de qualquer outra pessoa quer viva em Coimbra, Lisboa ou outro lugar do planeta.

Foi na Lousã que vi RAMP, ainda chavalito, graças ao meu irmão ser mais velho e eu colar-me a ele. Foi também através dele que tive acesso a muitas outras bandas. Embora os nossos gostos musicais sejam muito diferentes, ele tinha uns amigos que ouviam metal e eu ia ouvindo umas cassetes que ele ia lá tendo em casa (sim, sou do tempo das cassetes). Ainda sou do tempo em que havia programas na TV que passavam metal de vez em quando e ia-se descobrindo algumas coisas. Depois entre amigos íamos trocando música.

Tenho um sentimento especial pelo “Chaos AD” dos Sepultura, pois foi o primeiro álbum que comprei. O “Intersection” dos RAMP também é um que muito estimo e que já mal roda de tão gasto que está, tinha uns 15, 16 anos. Depois nas tais cassetes tinha lá Pantera, Metallica, Napalm Death, Ratos de Porão, Iron Maiden.

Foi por aqui que começou o meu interesse.

 

Estamos quase a chegar ao fim, mas não podíamos terminar esta entrevista sem saber que novidades é que nos podes dizer do novo álbum? Já tem nome e vão ter a participação de músicos convidados? Após a saída do vosso guitarrista Sérgio Alves estão a planear colocar um novo elemento?

Estamos a finalizar a composição do álbum. Em breve vamos divulgar várias novidades, mas podem esperar um álbum com a agressividade característica.

 

Agora sim Ricardo, é tudo e queria agradecer pela tua disponibilidade. Estas últimas palavras são tuas e ficamos a aguardar as novidades de Terror Empire.

Foi um prazer amigo. Obrigado por todo o apoio que dão às bandas, divulgando os nossos trabalhos. Grato a todos os que fazem o underground nacional pulsar. Vão estando atentos ao nosso facebook e site para saberem as novidades do próximo álbum e outras. Um abraço!

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Cortina de Ferro

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   Cortina de Ferro é um programa radiofónico da autoria do Daniel Pacheco, com emissão na AVFM de Ovar, mas também disponível via streaming, que se dedica à divulgação do Som Eterno, com especial incidência no underground e que começou as suas edições em Julho do ano passado.

   Daniel Pacheco é um verdadeiro divulgador e nada melhor que conhecer o seu excelente programa, assim como as muitas histórias que nos tem para contar.

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Começas há quase 30 anos e por curiosidade na ‘mesma’ estação que estás actualmente, mas que na altura se chamava Rádio Atlântico, uma das muitas estações que existiam nesses anos, com o programa “Onda Forte”. Como surgiu esta tua paixão pela rádio e esta oportunidade em especial?

A paixão pela rádio não foi imediata, mas vou-te confidenciar uma história deveras interessante. Um determinado senhor de nome Eduardo Pereira, já na altura na casa dos 50 anos e penso que nem a 4ª classe tinha, era um “engenhocas” como nunca tinha visto. Ele era, e penso que ainda seja (apesar da Idade), um “macanudo” inveterado (Macanudo=Utilizador intenso de comunicações via Rádio CB), foi ele que construiu o primeiro emissor da Rádio Atlântico, era tão fraquinho que apenas cobria um raio de 1 Km, ou seja, apenas era escutada no centro da cidade de Ovar. Tudo era artesanal, sendo a mesa de trabalho composta por 2 “pratos”, mesa de mistura de 6 canais e 2 leitores de K7’s, tudo isto preparado por ele, e assim nascia a primeira Rádio Pirata do concelho de Ovar. Para que a mesma funcionasse das 7 da manhã à meia noite, era necessário ter pessoal suficiente para cobrir todas essas horas, pois como todos sabem, na altura não existiam computadores nem software que hoje em dia todas as rádios possuem, software esse que torna uma rádio moderna autónoma, pois pode funcionar 24 horas por dia sem qualquer supervisão humana. Mas na altura nada era assim, era preciso batizar muitos “maçaricos” quase diariamente, e numa certa altura através do já desaparecido presidente da Casa do povo de Ovar, onde estava e ainda está situado os estúdios da atual AVfm, presidente esse que tinha uma ligação de grande amizade com o meu pai, falou-lhe um dia na possibilidade de eu passar a colaborar com a Rádio Atlântico, e é assim que começa a minha aventura nas lides de animador de rádio. Basicamente todos os colaboradores eram bastante jovens, cada um “inventava” um programa dentro do seu gosto pessoal, todos tinham que carregar o seus discos e K7’s sempre que tinham uma emissão agendada, a rádio não possuía qualquer registo musical, queres fazer um programa de rádio?? Arranja musica para ele…e eu com os parcos recursos financeiros, lá ia comprando uns discos usados, e raramente uns novos, apenas as K7’s abundavam com gravações enviadas de contatos que já tinha na altura com pessoal de lisboa ligado aos Fanzines que faziam cópias, de outras cópias de bandas que se conseguia arranjar na altura. Com algum material em carteira que dava para 1 hora de emissão, então com 16 anos, nasce o primeiro programa de Metal no concelho de Ovar o “Onda Forte”, que curiosamente e até aos dias de hoje, não existiu mais ninguém no concelho a ter um espaço dedicado ao “som eterno” numa emissora, a partir daí a paixão foi crescendo, e o “bichinho” da rádio nunca mais desapareceu.

Já tinhas alguns programas de referência que seguias? Com que idade inicias estas tuas andanças e como foi o teu teste de fogo em relação a estares em frente a um microfone a falar, já que o ‘dom da palavra’ é bastante importante para um locutor?

Já agora para que todos se possam situar, nasci no dia 7 de Dezembro de 1969, comecei as lides radiofónicas em 1986, então com 16 anos. Escutava regularmente o programa “Som da Frente” de António Sérgio que emitia todos os dias à tarde entre as 16 e as 17 horas que mais tarde passou para horas improváveis… da 1 às 3 da manhã, também o “Rock em Stock” de Luis Filipe Barros que ia para o ar das 17 ás 18 horas e mais tarde passou a emitir das 00h à 01h, mas o grande influenciador foi sem duvida o carismático “Lança Chamas” de António Sérgio, que emitia aos Sábados à tarde. Relativamente ao teste de fogo frente a um microfone, não me recordo muito bem desse dia, a única coisa que me lembro perfeitamente, era as “bacoradas” que saia pela boca ao mencionar o nome das bandas, e não era o único, a maior parte não dominava bem o inglês devido à juventude, e o aperfeiçoamento da voz perante o microfone vai evoluindo naturalmente, ou seja, com o tempo moldamos a nossa voz mediante o que escutamos pelos headphones, é sem duvida um processo evolutivo.

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Daniel Pacheco com o programa “Poluição Metálica

Desde Julho do ano passado estás de volta à Rádio AVFM de Ovar, com o teu novo programa “Cortina de Ferro”. Como nasce esta tua amizade com o Zé Luis e como surgiu este convite dele para apresentares este teu programa? A chama estava acessa, mas deste uma resposta positiva logo de imediato? Tinhas uma ideia específica para o programa? Como te surgiu o nome “Cortina de Ferro”?

O Zé Luis é um grande amigo de infância, tal como eu também é fundador da Rádio. O Zé Luis ao contrario de mim, nunca mais largou as lides radiofónicas, tendo acumulado uma grande experiencia como locutor e produtor, liderou várias rádios no distrito de Aveiro, além de ser um DJ e produtor bastante conhecido, nos dias de hoje tem a sua própria empresa de publicidade, e acumula o cargo de vice presidente da AVfm bem como a direcção de programas em part-time. Depois da grande remodelação que a AVfm sofreu à cerca de 2 anos, com a anterior direcção a ser demitida e a tomada de posse da atual, a Rádio AVfm renasceu das cinzas e está em constante crescimento e sustentabilidade. Uma das prioridades da atual direcção foi vocacionar a rádio para aquilo que ela é na essência, uma rádio local e não uma cópia de outra rádio de grande projecção, o que infelizmente quase todas as rádios fazem, perdendo assim a sua identidade como rádio local. Existem neste momento programação para todo o tipo de gostos musicais e não só, existe diretos de várias modalidades desportivas praticadas no concelho, cobertura de eventos culturais, etc. Para isso a direcção convidou alguns colaboradores da “velha guarda” que foram acompanhando o crescimento atual da AVfm , claro que faltava algo na grelha, e o Zé Luis tinha a carta na manga pronta a lançar quando fosse o “timing” ideal. Ele sondou-me por diversas vezes para a possibilidade de ser integrado na grelha de programação um programa dedicado ao Metal em geral, pois era o único género que a grelha ainda não contemplava, confesso que na maioria das conversas fiquei sempre renitente, estava bastante “enferrujado” pois à anos que não olhava para o microfone, mas o “bichinho” da Rádio falou mais alto e a resposta positiva surgiu em Junho de 2016, começando as emissões regulares depois das férias em Julho de 2016. O nome para um novo programa foi decidido em conjunto, eu tinha 2 nomes em mente, mas um deles era apenas de uma palavra e o Zé Luis aconselhou-me o atual, pois com 2 nomes a pronuncia tornasse totalmente diferente e soa melhor, assim nasce a “Cortina de Ferro” inspirada na Guerra fria. Inicialmente procurava um nome que tivesse impacto e ao mesmo tempo desse para jogar com as palavras, e Cortina de Ferro encaixou na perfeição, pois podes simplesmente citar com impacto Cortina de Ferro, como jogar com ela como por exemplo: Abre-se a Cortina, vão rasgar a Cortina, entram pela Cortina, etc. Estou bastante satisfeito com a escolha e o consenso foi geral.

Tens o “Onda Forte” e o “Poluição Metálica” nos teus inícios radiofónicos. Como fazias as tuas pesquisas para os programas? Tinhas parcerias com algumas editoras, além da correspondência que recebias das bandas? Foram alturas talvez complicadas, mas ao mesmo tempo foi uma época de bastantes descobertas musicais. Como encaravas o metal nesses anos? Estavas em contacto com mais programas de rádio nacionais?

Esta pergunta vai ter uma resposta curta, a razão é obvia, pois é sabido que nessa altura a comunicação apenas era efectuada por telefone fixo o que era caro, ou então por carta via CTT, rádios piratas em contato com editoras nem pensar, correspondência com bandas?, como? se nem contatos delas existiam, não tinha-mos contatos com outros programas similares porque nem sequer conhecíamos as rádios, quanto mais os programas emitidos pelas mesmas, as informações que recebia eram apenas dos fanzines da altura vindos de Lisboa através de um primo meu fanático por Metal, e depois a muito custo comprava a Metal Hammer que era caríssima, o jornal Blitz, sim no inicio o Blitz era uma jornal antes de ser revista, que sempre trazia algumas noticias de Metal, e mais tarde surgiu a revista Portuguesa Rock Power. A divulgação e conhecimento de bandas nacionais e estrangeiras eram feitas praticamente através de cópias manhosas em K7’s e algumas gravações do “Lança Chamas” sempre a rezar para que o António Sérgio não falasse. Depois era escutar em reprodutores de K7’s a pilhas (Walkman), com as cabeças carregadas de metal, pois as K7’s de crómio eram muito caras, portanto toca a limpá-las com uma cotonete e álcool, velhos tempos…os anos 80 foram a época de ouro do Metal Internacional , e o despontar de muitas bandas nacionais, nessa altura foram lançados os maiores marcos do Metal mundial, que influenciaram e continuam a influenciar milhares de bandas um pouco por todo o mundo, som esse que ficou imortalizado e que perdura até aos dias de hoje.

Hoje em dia a informação abunda na internet, as bandas são bastantes, mais fácil de entrar em contacto com elas, com edições constantes a surgirem todos os dias. Como fazes a tua preparação dos programas? Como organizas os vários contactos que tens tido diariamente e de todas as partes do mundo? Tens a presença constante de alguém que te ajude?

A internet e mais propriamente as redes sociais, fizeram a “Cortina de Ferro” em pouco mais de 6 meses, atingir níveis de notoriedade e projeção nunca antes imaginados por mim, consegui colocar o programa num patamar de tal maneira elevado em 6 meses, do que qualquer outro anterior em muitos anos. Eu tenho a minha vida profissional (Comercial na área das TI), o que me consome largas horas do dia, e é à noite depois do jantar que me sento calmamente junto ao meu “Desktop”, onde faço a gestão diária das minhas 2 páginas, a pessoal e a oficial. Nunca vou dormir antes da 1 da manhã, pois tenho “timings” a cumprir com uma regra bastante simples; em primeiro lugar dou resposta a todas as mensagens que me enviam diariamente, sejam de ouvintes e amigos, ou de bandas, depois disto feito vou pesquisando através de Sites e Grupos da especialidade, noticias, novos lançamentos, etc., ao mesmo tempo vou descarregando “aço” que as editoras e bandas me enviam para divulgação.

Quando faço uma emissão especial, por exemplo, dedicada a um país especifico, essas são bem mais trabalhosas, ou já tenho algum material relativo ao país em questão, ou então tenho que entrar diretamente em contato com as bandas pretendidas, para que me enviem todo o material necessário, posso afirmar que me tem surpreendido este género

de emissão, o interesse e o envolvimento das bandas nos dias que precedem estas emissões deixam-me com vontade de fazer crescer a “cortina de Ferro” cada vez mais, tem sido extraordinário. A preparação da emissão começa sempre à 2ª feira e tem que estar concluída no máximo até 5º feira à noite, dia em que divulgo a “playlist” para sábado, pois a 6ª feira é dedicada a redigir toda a informação acumulada sobre as bandas que vão “rolar” nesse sábado. É um trabalho exaustivo que demora horas, tanto mais que sou apenas eu que faço todo o trabalho, para que a emissão vá para o “ar” todos os Sábados.

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A primeira e única festa de Metal organizada em Ovar até hoje, com o cunho do Daniel Pacheco

Hoje em dia a informação abunda na internet, as bandas são bastantes, mais fácil de entrar em contacto com elas, com edições constantes a surgirem todos os dias. Como fazes a tua preparação dos programas? Como organizas os vários contactos que tens tido diariamente e de todas as partes do mundo? Tens a presença constante de alguém que te ajude?

Quando comecei as emissões regulares da Cortina de Ferro, tive sempre como prioridade a divulgação do Underground, são as bandas inseridas neste cenário que necessitam de maior apoio e divulgação, o cenário do Mainstream já tem apoio quanto baste, não querendo dizer com isto que não passe bandas pertencentes ao Mainstream nacional e internacional. A dificuldade em encontrar registos para download de bandas não muito conhecidas é muito, daí só tenho uma hipótese, que é o contato direto com as mesmas, o que até hoje tem corrido na perfeição. Para quem escuta as emissões da Cortina de Ferro, sabe que as minhas “Playlist” englobam todo o tipo de sonoridades, sejam nacionais ou não, daí, normalmente começo as emissões com sons mais “suaves”, para com o decorrer da emissão ir “acelerando” até ao Metal mais extremo, são emissões para todos os gostos. Quanto à descoberta de novas bandas, tenho os amigos da “cortina de Ferro” que diariamente me enviam “link´s” para audição, a quem o faz, fica desde já aqui o meu agradecimento publico, pois o meu tempo é escasso e esse gesto é uma mais valia.

Uma das particularidades é disponibilizares o programa em streaming, o que facilita muito a divulgação dos teus programas e que se tem repercutido nas várias respostas positivas nacionais e internacionais. Para confirmar tiveste ainda há pouco tempo uma entrevista concedida à página colombiana “Solo para metal maníacos”, o que foi excelente. Que novas parcerias conseguiste criar com esta nova forma de contacto a nível mundial? Também existe interesse no nosso metal por parte das pessoas que entram em contacto contigo?

É precisamente aqui que as redes sociais desempenham o seu papel máximo, pode não parecer normal, mas não sou eu que procuro parcerias. As emissões dedicadas ao Underground de outros países é que me trouxeram esses contatos. As páginas, grupos no Facebook, Blogs e editoras de vários pontos do mundo, quando vêm a partilha que

as bandas que constam nas “Playlists” fazem nas suas páginas oficiais, e espalham pelas suas redes de amigos, entram em contato comigo, tão simples quanto isso, o que me deixa verdadeiramente orgulhoso, do trabalho feito nestes parcos meses. Relativamente ao interesse demonstrado pelo nosso Metal, infelizmente penso que não seja muito, e em certa parte compreendo, o interesse desses contatos é para que divulgue o seu próprio som, e nada mais, tirando uma solicitação de um Blog de Atlanta Midnight Children que me solicitou para que escolhesse 5 bandas de estilos diferentes do cenário Underground Lusitano, o que fiz e foi divulgado no mesmo Blog no inicio deste ano e que podem encontrar a publicação na página oficial da Cortina de Ferro.

 

Falando do nosso metal, observamos um movimento crescente, com o aparecimento de várias bandas com excelentes trabalhos, assim como bandas mais antigas que ainda se mantêm com a edição de novos trabalhos. Qual a tua opinião do ponto de situação actual do underground nacional, seja a nível de bandas, concertos, assim como público?

Penso que a generalidade do Undeground nacional está bem, tem qualidade e recomenda-se, pena é que os apoios por parte das editoras seja escasso, e que a maioria apenas tem umas “demos” ou apenas um EP gravado, muitas vezes gravações de qualidade duvidosa fruto das mesmas serem editadas pelos próprios meios. Segundo um estudo que li recentemente, Portugal é dos países que mais bandas de Metal têm “per capita”, o que leva a esta mesma situação. A maior parte das recém nascidas, pouco tempo duram, e as que vão subsistindo contam no seu line-up músicos com trabalhos paralelos com outras bandas, outras vão subsistindo com os concertos que felizmente vão acontecendo quase semanalmente nos sítios que todos conhecem, tocando quase sem retribuição alguma, ou seja, estão tal como eu, tocam por amor à causa sem receber nada em troca…Quanto ao publico, sempre que tenho oportunidade de ir ver um concerto, o que é raro devido à escassez de tempo, parecem quase sempre os mesmos, a “tribo” está a necessitar de sangue novo!!!

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O que é necessário para atrair mais pessoas para o género do metal, no meio deste caldeirão musical actual? E vamos um bocado mais à frente e pergunto-te o que é necessário para tirar do sofá algum pessoal da velha guarda para vir assistir aos concertos?

Para esta questão vou dar um exemplo mais pessoal, ou seja, o meu filho. Ele sempre soube da minha paixão pelo Metal, mas sempre lhe passou ao lado fruto da tenra idade, era mais virado para o som tipo Eminem, mas tudo bem, mais vale esse do que outros que por aí abundam. De à 3 anos para cá, começou a ter uma certa curiosidade pela minha biblioteca musical, daí, dei com ele a escutar sons mais industriais como Rammstein e Slipknot, para logo depois começar a escutar Iron Maiden e ficar fã de Cradle Of Filth. Hoje tem 15 anos e nunca lhe “massacrei” a cabeça com Metal, apenas começou a gostar por iniciativa própria. Têm uma banda de eleição Amon Amarth de quem é fã, e “decorou” um colete de ganga que tinha com Badges de bandas eleitas por ele. O ponto alto do seu gosto pelo Metal, foi acompanhar-me ao Coliseu do Porto para vê-los no ano passado, foi o seu batismo em concertos, estava tão “vidrado” no show que nem ao Wc foi em 3 horas de concerto, por isso apelo à velha guarda, peguem nos vossos, sejam filhos, sobrinhos ou mesmo netos (eheheh) e levem-nos a um concerto, nem que seja para testar a reacção deles e ao mesmo tempo revivam velhos tempos, não se deixem apagar, pois o nosso som é eterno.

Imagina que estás num final de dia de trabalho, não te apetece pesquisar e ouvir novas bandas e queres um momento de relaxamento, mas a ouvir alguns álbuns de metal. Indica três álbuns que ouvirias, de maneira a ficares com um sorriso no rosto e que consideras grandes edições do metal.

Para esta questão vai uma confidencia. Depois de muito Rock e Hard-Rock, o “Som Eterno” é um pouco como qualquer droga, começas com sons mais “softs” e lentamente vais querendo explorar sensações mais fortes, isso aconteceu comigo, gosto de todos os géneros e sub géneros do Metal, daí vou eleger 3 álbuns que rompi o vinil até parecerem crateras depois de um sismo de grande magnitude. O primeiro confesso, foi o que me despoletou para o Metal, “Powerslave” dos Iron Maiden lançado em Setembro de 84, o segundo foi lançado em Junho de 89, “Agent Orange” o 3º álbum dos Sodom, por acaso o ultimo antes da saída do grande guitarrista Frank Blackfire para os Kreator, e por ultimo para mim e para muitos, o melhor álbum de sempre dos Metallica lançado em 1986 “Master Of Puppets”, o primeiro álbum de Metal a ser certificado com Platina, 12 no total.

As últimas palavras são tuas e novamente muito obrigado pela tua participação na Ode Lusitana.

Marco, desde já agradeço o convite para esta entrevista que me deu um enorme prazer, e longa vida à Ode Lusitana, vamos mantendo contato.

Por ultimo vou deixar aqui um testemunho de algumas maluqueiras que se faziam na minha adolescência….

Naquele tempo comprar um LP era um acto religioso, até tirava fotocópias das capas para distribuir pelos amigos…
Aquilo que chamam agora pins naquele tempo eram crachás, não sei por que lhe mudaram o nome…
As notas de 100 escudos bem escondidas nos envelopes para comprar fanzines e merchandising…
Aquelas duas horas de lança-chamas…
E claro menos 30 anos\ menos 20 kilos eheheheh

Já la vão muitos anos mas é algo que não se esquece, e depois lembrar as calças elásticas o cabelo com beirinha e o colete de ganga carregado de crachás, e como sempre, lá andas á busca de uns trocos para a cervejola, para não estar no concerto a seco, e depois era a espera para comprar os vinis e grava-los para k7 para podermos ouvir na escola eram bons tempos… tempos em que comprar um álbum que acabava de sair era algo religioso, e lá estava a malta a poupar uns trocos para a próxima compra, muitas vezes era o “guito” do almoço da escola, e lá ia a casa da avó comer uma sopinha à “socapa” mas sabendo que logo que sai-se o álbum já era meu…
hoje em dia é tudo downloads de mp3, e acreditem que isso não substitui o cheiro de um disco de vinil novinho nas mãos.