Divulgação do metal português

Cruz de Ferro

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Cruz de Ferro é uma das bandas únicas no nosso panorama musical nacional e que nos tem mostrado que é possível utilizar a língua portuguesa com um acompanhamento rítmico feroz, onde as guitarras ganham vida neste heavy metal proveniente de Torres Novas, constituídos por Ricardo Pombo (voz / guitarra), Rui Jorge (guitarra), João Pereira (baixo) e Bruno Guilherme (bateria).

   Formados em setembro de 2009, editam em Dezembro de 2012 o seu EP de apresentação “Guerreiros do Metal”. Desde o início mostraram que vinham para marcar a diferença e as letras provam isso mesmo (“Guerreiros do Metal / somos nós e tu vais ver / incendiamos palcos / tudo o que vier”).

   O primeiro longa-duração é lançado no final de 2015, com 10 temas cantados em português “Morreremos de Pé” mostra a razão de prestar muita atenção à Cruz de Ferro. Ricardo Pombo, músico fundador, fala desta excelente banda.

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Viva Ricardo! Muito bem-vindo a estas páginas da Ode Lusitana e para mim é uma honra trocar estas palavras contigo e dar a conhecer um pouco mais a Cruz de Ferro. Não assisti ao concerto de lançamento do vosso CD “Morreremos de Pé”, mas pelas imagens divulgadas foi festa autêntica. Em compensação, adquiri o vosso trabalho e tem rodado alto e bom som aqui por casa. Já gostava bastante do vosso som no lançamento do EP, sendo o meu tema favorito o “Glória ao Rey”, mas com este primeira longa-duração mostram que são uma das bandas que marcam a diferença no panorama nacional. Como foi essa festa de lançamento do álbum? Como tem sido a resposta dada pelas pessoas a este trabalho? Que tem achado das boas críticas que tem vindo de outros países, mesmo cantando na nossa língua portuguesa?

Bom dia, primeiro de tudo quero agradecer a oportunidade desta entrevista a Ode Lusitana, uma fanzine da qual eu próprio costumo seguir e por isso a honra é toda minha. No que diz respeito ao concerto de lançamento em Lisboa, correu muito bem, tivemos o RCA muito bem composto e duas grandes bandas a tocar connosco, os Shivan (Ed.: heavy metal – Loures) e os Leather Synn (Ed.: heavy metal – Lisboa). Foi uma noite memorável! Em relação ao álbum, estamos a ter excelentes reviews e tenho inclusive muita gente a falar comigo pessoalmente a dar-me os parabéns pelo trabalho realizado, o que me deixa muito feliz. O álbum deu muito trabalho e demorou cerca de dois anos a ser composto, por isso ouvir boas criticas leva-me a querer que esse tempo não foi um desperdício. Em relação as criticas de outros países, tem surgido muito da América do sul e também do Brasil, temos também algumas criticas de países da Europa e parece que afinal de contas a língua não tem sido uma barreira.

Essa particularidade da língua foi bem definida por ti desde o início da formação da banda e à qual eu dou o total apoio. Foi uma questão de facilidade de transmissão da mensagem ou também és da opinião que a nossa língua tem bastante musicalidade? Podes contar-nos como surgiu a tua amizade com o Eurico Gomes Dias e como ele se torna um dos principais escritores das letras deste vosso trabalho?

Em relação a língua teve mesmo a ver com o tentar preencher uma lacuna que havia, e ainda hoje há no nosso underground, heavy metal cantado em português. A nossa língua torna a composição das musicas mais difícil, mas acaba por nos dar um outro alento e energia. O facto de estarmos a fazer algo que mais nenhuma banda arrisca fazer, faz do nosso trabalho único, por isso será sempre algo que vai fazer parte do ADN da banda, orgulhosamente cantar em Português! Também acho que nos conseguimos expressar melhor na nossa língua. O Eurico é meu amigo de infância, fomos criados na mesma aldeia, perto de Torres Novas, e para alem de ser um grande escritor e historiador é um grande amigo e metálico também.

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Portugal tem uma história riquíssima a todos os níveis, sendo motivo de orgulho de todos os portugueses. Mesmo assim, não temos a tendência para conhecermos mais essa mesma história e os nossos vários símbolos. Por vezemos vivemos ainda sob a nuvem do Estado Novo, em que palavras como ‘Nação’ e ‘Pátria’ foram “apropriadas pela ditadura e demonizadas pela revolução (do 25 de abril)”. Salazar sempre teve interesse em elevar os valores nacionais a todos os níveis e talvez seja por isso que não queremos ver esses valores. Qual a tua opinião acerca desta situação da nossa história não ter a divulgação merecida? Ou achas que ela existe, mas não é divulgada? Com quais figuras proeminentes da nossa história gostavas de ter uma conversa?

Acho que acima de tudo todos damos valor a nossa história, fico um pouco triste quando me apercebo que a palavra pátria e nação hoje em dia são muito associadas a certos extremismos (Nacionalismo; Xenofobia, etc), os próprios Cruz de Ferro já tiveram a certo ponto da carreira de mostrar que não existe nada de politico na nossa ideologia, já fomos erradamente conectados como nacionalistas só porque gostamos de contar historias de bravura do nosso povo. Mas entretanto as pessoas aperceberam-se que não temos nada a ver com esses ideais e já não nos chateiam, sabem que o que queremos mesmo é heavy metal e cerveja!!! Uma figura com o qual eu gostaria de conversar seria sem duvida com D. Duarte de Almeida, o decepado, que nós metemos na capa do álbum! O acto de bravura dele foi mesmo único, e acabou por infelizmente morrer na miséria.

Em entrevistas anteriores falas que não tens tido muita curiosidade pelo lançamento de novos trabalhos, sendo um fã das antigas sonoridades como Saxon, WASP, Judas Priest e Iron Maiden. Como nasce essa tua paixão pelo metal quando eras uma criança? Quais os 5 álbuns de metal que considerarias levar se tivesses que ir para um sítio isolado?

Nessa entrevista talvez não tenha sido muito bem interpretado, obviamente que ainda tenho muita curiosidade e consumo bastante novos trabalhos, mas mais dentro de outros géneros como death metal e thrash metal. O que disse em algumas entrevistas foi que existe muita banda nova apenas a fazer o que os antigos fizeram e com uma qualidade inferior, mas de vez em quando lá vão aparecendo bandas novas com excelentes trabalhos de heavy metal mais old-school. A minha paixão pelo Metal surge com 10 anos, quando comprei um vinil de Iron Maiden, o “Piece of Mind”! Tenho um irmão mais velho que já me tinha mostrado estas sonoridades mais pesadas. Desde que comprei esse vinil, nunca mais fui o mesmo! Bem, 5 álbuns de metal para levar para um sitio isolado será sem duvida a questão mais difícil que já me fizeram, mas olha, talvez levasse o “Painkiller” de Judas Priest; o “Animal House” de U.D.O.; o “Keeper of the Seven Keys Part II” de Helloween, o “Killers” de Iron Maiden e o “Port Royal” de Running Wild. Mas Fico com a sensação que faltam muitos…

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Quando frequentavas concertos com os teus amigos, o que é que te atraia mais? Foi aí que começou o teu interesse por ser músico, ou como é que apareceu?

O meu interesse em ser músico surge muito antes de ver o meu primeiro concerto, como sou de Torres Novas acabei por ver o meu primeiro concerto já com 16 ou 17 anos, e na altura já tinha uma banda. Sempre tive a paixão pela composição e quando era ainda puto (Com 12 ou 13 anos) em vez de brincar com carrinhos ou bonecos, brincava com um teclado a compor musicas e dar nomes fictícios a bandas para cada musica que compunha. Entretanto comecei a aprender a tocar guitarra e surgiu também a paixão pelo instrumento em si, não me gosto de ver como guitarrista, prefiro que me vejam como compositor, mas a guitarra foi uma paixão que levou anos e acabei por meter a composição de lado para andar a tocar como freelancer. Mas hoje em dia apenas vejo a guitarra como uma ferramenta para as minhas composições. Finalmente estou em paz comigo mesmo.

Um dos álbuns que dou muito valor é o “Kingdom of Lusitania” dos Tarantula e lembro-me que quando o comecei a ouvir em programas de rádio e depois quando comecei a ler as letras me ter trazido uma satisfação enorme. A temática deste álbum é muito semelhante à Cruz de Ferro. Também é um álbum do qual tens interesse? Que achas da evolução do metal nacional ao longo dos anos a todos os níveis? Actualmente temos uma grande quantidade de bandas e até de sítios para tocar, mas em relação à divulgação, desde programas de rádio até às fanzines o número de elementos de divulgação tem diminuído bastante. Consegues perceber qual a razão?

Na altura em que saiu o “Kingdom of Lusitania” comprei-o logo, e lembro-me de andar de casa em casa a mostrar o álbum a todos os meus amigos. Foi sem duvida um álbum que me marcou muito também. Não só pela temática mas também pela sua musicalidade. Hoje em dia já tive a honra de privar com eles e para alem de serem uma grande banda são todos pessoas cinco estrelas. Em relação ao metal nacional, hoje está com muita qualidade e muitas bandas, felizmente. Com o boom da internet as bandas hoje têm que estar sempre a fazer algo, têm que gravar com alguma regularidade, têm que ter vídeos, etc. E isso requer muito mais tempo dispendido, mas em compensação existe mais editoras e mais publico para ver o nosso trabalho. Eu ainda sou do tempo em que andava um ano a ensaiar e não se gravava nada nem se tocava ao vivo, e quando se tocava não havia grandes condições. Hoje em dia tudo mudou, temos condições, estúdios, etc. Mas como disse, será sempre preciso trabalhar mais e melhor para nos mantermos `a superfície. Em relação a divulgação está mais digitalizada, já não existe tanto em formatos físicos, mas a coisa tende a mudar porque as pessoas apercebem-se que nada chega ao papel. Eu pessoalmente não gosto de estar muito tempo a ler no computador ou no telefone, cansa-me muito mais a vista. Talvez seja da idade…

E assim terminamos a entrevista. Quero-te agradecer pela tua disponibilidade! Finalmente, podes dizer as últimas palavras e terminar então esta entrevista. Muito obrigado!

Eu agradeço todo o apoio, terei sempre em consideração todos aqueles que apoiam o nosso underground. Os Cruz de Ferro vão estar na estrada com o nosso espectáculo a partir de Março, por isso vão ficando atentos as datas e cidades onde vamos estar! Oiçam o nosso álbum e acima de tudo apoiem o metal nacional.

Para alguma informação podem contactar-nos através do mail: Cruzdeferro666@gmail.com

CHEERS

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Cruz de Ferro – “Morreremos de Pé” CD 2015 (Non Nobis Productions)

Primeiro lançamento de Cruz de Ferro, depois da excelente estreia com o EP de 2012 “Guerreiros do Metal”. Sim, há uma primeira coisa que salta à vista e que é as letras serem em português, o que torna o resultado final em algo bastante interessante! Apresentam um heavy metal sem compromissos onde as guitarras indicam a direção seguida durante a música, com vários solos que unem as músicas. Sobresai a voz do Ricardo Pombo que no seu tom ‘guerreiro’ vai dando voz aos nossos heróis nacionais, ou às nobres causas guerreira e não só da nossa história nacional. “O Decepado”, “Nova Aljubarrota”, “Santiago”, “Quinto Império”, são alguns dos temas que nos demonstram esta ideia. Resumindo, um bom álbum para ouvir e gritar bem alto as letras!

 

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