Divulgação do metal português

A Constant Storm

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   A Constant Storm é um projecto a solo do Daniel Laureano (Stormbringer), fundado no Porto em 2013 e que em 2014 contou com o lançamento da demo “Storm Born”, editando nesse mesmo ano o single “Love Crimes” (cover do tema dos Moonspell). Mas é com o primeiro longa-duração “Storm Alive” editado há poucos meses, que marcou definitivamente o panorama nacional, com uma diversidade musical fantástica, tornando este álbum um dos melhores editados a nacional.

   Estivemos à conversa com o Daniel para entrar no mundo de A Constant Storm, onde a nível musical tudo é permitido.

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Viva Daniel! Muito obrigado por esta tua presença na Ode Lusitana e é um prazer já que este teu projecto, A Constant Storm, veio trazer uma lufada de ar fresco ao underground nacional. Foi engraçado já que tive o primeiro contacto com o teu som através do tema “Pale March” editado na compilação “13 Portuguese Metal Compilation Vol. 7”, enquanto conduzia o carro paro o trabalho e fiquei bastante impressionado, entrando pouco depois em contacto contigo para adquirir este teu álbum “Storm Alive”. Já se passaram alguns meses do lançamento e as críticas e entrevistas tem chegado de todo o lado e bastante positivas. Como estás a reagir a todas estas respostas que tens tido deste teu trabalho?
Antes de mais, muito obrigado pelo convite e pelo interesse no projecto!

Até ao momento a resposta a este trabalho tem sido muito positiva, sendo que ainda não recebi qualquer review com pontuação inferior a 7/10. Confesso que estava à espera de receber críticas mais polarizadas, dada a natureza desafiante do álbum. Isto mostra que, ao contrário do que por vezes se pensa, os fãs de música neste país (e não só) estão dispostos a escutar propostas que não jogam pelo seguro e que fogem ao habitual.

 
Um projecto que começa com um “simples” Vendaval (primeiro nome proposto mas não foi avante) e que cresce para A Constant Storm, está a ser muito maior do que o primeiro conceito que criaste para este teu trabalho, iniciado em 2013? Qual foi o teu conceito original?
Este projecto nasceu sobretudo da necessidade que sentia em criar música, numa altura em que ainda não pertencia a qualquer banda ou colectivo. Na altura não me preocupei muito em pensar se isto poderia crescer e atrair a atenção de pessoas que não eu mesmo e foi nessa ordem de ideias que compus e gravei o primeiro EP, “Storm Born”. No fundo, fiz música por mim, para mim e fi-la recorrendo a meios rudimentares, que eram os que tinha à minha disposição.

 

Neste teu álbum “Storm Alive” tens a participação do Afonso Aguiar e do Ricardo Pereira, com quem fazes parte nos Moonshade e que também executam um excelente trabalho neste teu álbum. Como começou esta vossa amizade, que foi crescendo com o tempo e como foi a abordagem para este teu trabalho? É verdade que tens total autonomia já que é um projecto teu, mas em termos de gravações e ideias tiveste interesse em ouvir a opinião deles, ou serviram como suporte para transporem o que tinhas na tua mente?
Conheci o Afonso e o Ricardo quando entrei nos Moonshade no início de 2015, e eles, tal como os outros membros da banda, rapidamente se tornaram grandes amigos e pessoas que agora são como família para mim. Este excelente ambiente facilita tremendamente a criação musical e funcionamento entre todos, tanto na banda como em projectos paralelos como é o caso deste. Falando mais concretamente no álbum “Storm Alive”, apesar da composição musical ter ficado a meu cargo sempre estive receptivo às sugestões de ambos. Penso que as diferentes perspectivas só podem ajudar a fortalecer o resultado final e que essa variedade perder-se-ia se assumisse uma postura intransigente em relação a ideias que não partissem de mim próprio.

 

Ao fazer a pesquisa para esta entrevista houve algumas referências que fazes, que achei muita curiosidade e uma delas foi a alusão ao álbum “Nordavind” dos Storm (álbum único, lançado em 1995, que contava com a participação de Fenriz (Darkthrone), Satyr (Satyricon) e Kari Rueslatten (The Sirens)), pela que te marcou, pelo nome e acima de tudo pela variedade. És bastante receptivo a estas sonoridades diferentes? Estes músicos assim como outros como por exemplo Ihsahn (Emperor, Hardingrock, etc…), Garm (Ulver), mas principalmente (e um dos que mais respeito e sinto curiosidade) que é o caso do Fenriz, vieram todos de um meio mais black metal, mas tem uma visão muito mente aberta da música. No teu caso, também tens uma paixão forte pelo black metal, mas consegues explicar este viagem sonora que pelos vistos nasce neste género? O black metal é propício a este estudo por novas sonoridades?
Sou definitivamente receptivo e influenciado por todo o tipo de sonoridades, uma vez que acho que a música é demasiado rica e interessante para uma pessoa se prender a um só género, como compositor mas também como simples ouvinte. Sem artistas com mente suficientemente aberta para incorporar sonoridades diferentes esta arte nunca teria evoluído e, como tal, é extremamente agradável para mim poder apreciar Rotting Christ da mesma maneira que aprecio Queen, Ulver, The Sisters Of Mercy ou Kendrick Lamar, para dar alguns exemplos. Quanto ao black metal, penso que se trata de um estilo-base que de facto oferece muitas possibilidades de evolução. Existem vários casos de bandas e artistas com raízes neste estilo musical que levaram o seu som por caminhos tremendamente distintos e interessantes. Falo por exemplo dos já referidos Ulver à cabeça, mas também Ihsahn, Blut Aus Nord, Enslaved e por aí adiante.

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Agora vou ser um pouco mau, mas depois de ler todas as tuas influências musicais e que são das mais variadas possíveis, quero que indiques cinco álbuns que te marcaram e o porquê. A música sempre foi uma constante na tua vida desde que idade? Como surgiu o teu interesse por aprenderes um instrumento?

De facto, a dificuldade está na escolha!
– Bem, em primeiro lugar na minha lista coloco o “…And Justice For All” dos Metallica. É um álbum muito à frente do seu tempo, de uma banda também muito à frente do seu tempo e que é constantemente criticada por nunca se ter conformado a tocar o mesmo estilo durante 5 ou 6 álbuns seguidos. Os Metallica são, também, a banda que mais me fez apaixonar pela música da maneira como me apaixonei, portanto são uma influência seminal para mim.
– Depois, “Into The Labyrinth” dos Dead Can Dance, pela quantidade impressionante de diferentes sons e ideias musicais que eles conseguem fazer coincidir e combinar de uma maneira extremamente harmónica. O Brendan Perry é, também, uma das minhas maiores influências a título individual, tanto pelas suas composições como por ser um multi-instrumentista tremendamente capaz.

– De seguida, “Blood Inside”, dos Ulver. Um trabalho completamente impossível de confinar a um único género musical e que teve um impacto enorme em mim quando o ouvi pela primeira vez, pois veio redefinir toda a minha maneira de ouvir e pensar a música.
– Continuando, o já referido “Nordavind”, dos Storm, pela influência que teve neste projecto e pela qualidade absolutamente viciante e mestria dos arranjos que o duo Satyr/Fenriz aplicou a estes temas provenientes da tradição folclórica norueguesa.
– Por último, “Blind Scenes”, dos Soror Dolorosa, um dos trabalhos que mais me impressionou nos últimos anos, pela maneira perfeita como a banda mistura o gótico britânico clássico com uma melancolia muito própria e característica da cena coldwave francesa, sem nunca perder a sua identidade.

Respondendo à segunda parte da pergunta, comecei a interessar-me verdadeiramente por música por volta dos meus 11 anos de idade, através do meu pai e de alguns CD’s que ele tinha comprado ao longo dos anos, os quais acabou por me oferecer. Estes foram os primeiros álbuns que escutei por inteiro na minha vida: “Master Of Puppets”, dos Metallica, “Coma Of Souls”, dos Kreator e “Stained Class” e “Hell Bent For Leather”, dos Judas Priest. Juntamente com alguns ficheiros mp3 que havia reunido dos Scorpions, Iron Maiden e Nirvana e com alguns artistas cujos videoclips rodavam na MTV, como System Of A Down e Green Day, fui criando as bases para a minha exploração musical. Curiosamente já tocava guitarra há cerca de um ano, na altura por sugestão da minha professora de educação musical do quinto ano de escolaridade.
A vida é uma tempestade constante?
Definitivamente. Tudo acontece a um ritmo tão alucinante que é impossível escapar ao movimento e as mudanças trazidas pelos acontecimentos fazem com que a vida de cada um seja um turbilhão constante de momentos, tanto bons como maus.

 

Tens formação em audiovisuais e o teu objectivo é vires a trabalhar seriamente na área da fotografia. Como nasce essa tua paixão e quais as tuas referências ao nível de fotógrafos. Já tens apresentado alguns trabalhos teus ao público, ou em algum meio de comunicação? Qual a tua ideia de identidade visual para A Constant Storm?
A minha paixão pela imagem só floresceu verdadeiramente quando entrei na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo para o curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual e entrei em contacto com artistas fantásticos, que trabalham vídeo, cinema, fotografia, instalação, performance e todo o tipo de combinações diferentes entre estas formas. Tenho maior afinidade pela fotografia e as minhas maiores referências têm sido sobretudo artistas que trabalham sobre a identidade do próprio, muitas vezes através do auto-retrato, como Francesca Woodman, Jorge Molder, Nan Goldin ou Jeff Wall, este último pelas complexas encenações que cria nas suas fotografias de enormes dimensões. Sou também muito influenciado por capas de álbuns musicais que contenham fotografias, particularmente as capas do projecto alemão Sopor Aeternus & The Ensemble Of Shadows, cuja influência é evidente na capa do “Storm Alive”.

 

E assim chegamos ao final da entrevista! Obrigado por tudo. As últimas palavras são tuas e podes dizer o que quiseres!

Muito obrigado à Ode Lusitana pela oportunidade de responder a estas perguntas tão interessantes e de dar a conhecer o meu trabalho a um maior público. Sigam o projecto A Constant Storm no Facebook, Bandcamp e YouTube e apareçam na sessão de lançamento do disco “Storm Alive”, na Bunker Store, no próximo dia 24 de Setembro!

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