Divulgação do metal português

Archive for Março, 2016

Lunah Costa – Headbang Solidário

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   Numa época em que as dificuldades e diferenças sociais aumentam, é sempre de realçar quando há quem dedique parte do seu tempo a tornar as coisas um pouco mais simples. O Headbang Solidário surgiu para através de eventos solidários, onde se inclui concertos de Metal, tornar possível esta angariação de fundos para estas causas nobres.

   Lunah Costa, foi a mentora deste projecto que irá para a quarta edição a decorrer no Metalpoint a 17 e 18 de Junho.

   Esta entrevista, fala disto e de muito mais, mostrando que é uma das pessoas do Norte que tem feito um esforço enorme na divulgação do metal, sendo uma das criadoras da mais recente produtora Cthulhu Productions. Mas vamos à entrevista!

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Olá Lunah! É com enorme prazer que temos a tua presença neste número da Ode Lusitana. Para começar nada melhor do que o grande trabalho que se tem vindo a fazer e que é o Headbang Solidário. Como surgiu a ideia deste projecto da organização de eventos para a angariação de fundos para causas sociais? Quem é que constitui a equipa do “ Solidário”?

Muito obrigada desde de já pelo convite, é um prazer ser entrevistada pela Ode Lusitana. O Headbang Solidário surgiu quando uma amiga minha de longa data, a Vera Pentieiros, pediu ajuda para angariar fundos para o seu projecto Noites Solidárias que auxilia os sem-abrigo e famílias carenciadas, porque estavam sem dinheiro para comprar comida. Eu até a data nunca tinha organizado nenhum concerto mas aceitei ajudar. Como correu bem, decidi continuar com o Headbang e ajudar várias associações e causas. Não tenho como ajudar monetariamente as associações, por isso é esta a minha forma de ajudar. Em relação à equipa do Headbang, basicamente sou eu. No entanto, tenho o Fábio Pinto que elabora os cartazes do Headbang e tenho o Hugo Rajado que no dia dos eventos ajuda no que for necessário.

Como se processa a ligação entre vocês e as várias associações que apoiam?

Quando escolho uma associação ou projecto, tenho que conhecer bem a forma como trabalham e verificar se estão com dificuldades. Marcamos reuniões, as associações ou projectos apresentam provam das suas dificuldades, recibos, dividas, gastos e visito os espaços destas. No caso por exemplo da associação Senhores Bichinhos, eu sei e conheço as clínicas as dividas que a associação tem por salvar e cuidar dos animais. Para além que era voluntária da associação e hoje faço parte como membro da mesma. Conheço os animais, conheço o local e sei como a associação funciona. E é igual para o projecto Noites Solidárias, já assisti a entregas, todos os meses publicam os gastos e os recibos e conheço pessoas que este projecto auxilia. E é isso que faço. Tento ter a certeza que o dinheiro é bem entregue. No dia do evento, o valor angariado é entregue directamente do Metalpoint a um membro da associação ou projecto.

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O primeiro festival foi realizado em Maio do ano passado. O que mais tens notado de evolução entre esse festival e o último, realizado em Fevereiro deste ano? Já notas que as pessoas conseguem reconhecer facilmente o vosso trabalho e a apresentação deste festival?

O que tenho notado é que algumas bandas se disponibilizam para participar, enquanto no primeiro evento eu entrei em contacto com todas as bandas, neste momento, tenho bandas a contactar-me para ajudar e participar. Tenho recebido mais propostas de parcerias e de apoios. Tal como tenho associações a pedir ajuda. Acho que sim, acho que o nome Headbang Solidário já é reconhecido, não por todos claro, mas tenho recebido palavras de apoio de várias pessoas que não conheço pessoalmente, bandas que querem tocar neste evento e associações que pedem ajuda, mas ainda há um longo caminho a percorrer, é ainda algo recente.

Como nasceu a hipótese de utilizarem o Metalpoint como sítio dos concertos? Há a hipótese de quererem efectuar estes concertos em outras cidades ou espaços?

O Metalpoint foi o meu primeiro contacto. O Metalpoint não é apenas um local com excelentes condições. É o local que manteve o metal nacional vivo durantes estes anos, sem nunca desistir apesar das dificuldades. Se há algo que posso garantir, é que no Porto, o Headbang será sempre no Metalpoint. O Headbang não é apenas um projecto de festivais, é a representação do que eu acredito. E eu acredito na gratidão. E estou eternamente grata ao Hugo Almeida do Metalpoint, por ter abrido as portas a alguém que nunca fez nada do género, que acreditou em mim e que ainda hoje, é um grande apoio. Mas não está excluída a hipótese de alargar para outras zonas do país.

Em Junho próximo teremos a 4ª edição, desta vez associado à ajuda às crianças. Como a Associação Sorrisos de Criança ‘participa’ neste evento?

Eu decidi abraçar uma causa que me diz muito: as crianças. E tenho amigas que colaboram com essa associação. A Sorrisos de Criança, tal como qualquer outra associação, tem apenas que estar presente no dia dos eventos para promover o seu trabalho, tal como receber o valor angariado. No entanto, é necessário também um contacto regular entre mim e a associação, caso uma destas condições não se verifique, tenho que procurar outra associação ou projecto dentro deste âmbito.

Já se encontra o cartaz fechado ou poderemos ter mais algumas bandas?

Ainda poderá haver surpresas. O cartaz está fechado, mas é sempre possível haver algumas alterações. As bandas que participam, têm músicos que infelizmente não vivem da música, têm empregos, e como tal, por algum motivo profissional ou até de saúde, podem levar à alteração do cartaz.

 

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Como se efectua a escolha destas bandas, que tem sido uma surpresa para muitas pessoas, já que algumas são menos conhecidas ou ainda em início de actividade?

Digamos que tento colocar as bandas que admiro e gosto, o máximo que pode acontecer é receber um “não” ou até não obter resposta. Também penso no que o público gosta porque, sinceramente, um dos objectivos principais é angariar fundos. No entanto, sim, arrisco em bandas que nunca tocaram ao vivo, que nunca tocaram no Porto ou no Metalpoint, porque defendo que essas bandas têm o direito de mostrar o seu trabalho e claro que peço sempre material para ouvir.

Também é por isso que tento fazer cartazes com bandas de estilos diferentes, porque todas têm o direito de mostrar o que valem, independentemente do estilo de metal que tocam e já ouvi comentários deste género” não gosto do estilo, mas até gostei bastante da banda”. O Headbang tem sempre as portas abertas para qualquer banda, desde que tenham qualidade para oferecer ao público.

As pessoas que assistem a estes concertos conseguem ter um espírito solidário? Consegues explicar alguma da insensibilidade das pessoas perante estas causas, seja relativamente aos sem abrigo, aos animais, ou mesmo às crianças? Cada vez mais se perdem os valores morais nesta sociedade actual?

Como costumo dizer: os metaleiros são uns fofos (risos). Em todos os estilos musicais, em toda a sociedade, há sempre boas e más pessoas, tal como há pessoas solidárias e outras nem por isso. No entanto, um dos objectivos do Headbang Solidário é também diminuir a visão da (ainda) maioria das pessoas, que os metaleiros são todos uns porcos, feios e maus (risos) e tenho conseguido. As associações ficam muito admiradas com a solidariedade das pessoas que vão as eventos: levam comida, roupa, compram sempre alguma coisinha nas bancas para ajudar. Estou muito mas muito orgulhosa de todos os que vão aos eventos. É um ambiente lindo.

Mas sim, acho que os valores morais estão a regredir. As pessoas colocam o dinheiro à frente de tudo: da amizade, da gratidão, da humildade. Mas no caso da adesão do publico aos eventos, só tenho a agradecer a presença de todos.

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Tens uma presença bastante forte no que toca ao movimento underground e entre as tuas várias participações, estás agora na Cthulhu Productions. Da tua parte tens a organização de eventos e o agenciamento de bandas. Como nasce esta produtora, tendo uma variedade enorme de campos a que está ligada?

Não acho que tenha uma presença forte no movimento underground, ainda tenho um longo caminho a percorrer e muito a aprender. A Cthulhu nasceu nas profundezas das sugestões que tenho recebido (risos). Várias pessoas sugeriram que eu criasse algo a ganhar algum dinheiro, porque o trabalho que tenho feito no Headbang está a ser bem feito e que poderia investir em algo assim. E o facto de estar próxima das bandas, alguns laços de amizade foram criados, e fui-me apercebendo que as bandas poderiam necessitar de alguns serviços, a um preço simbólico para conseguirem alguns objectivos, como tocar em todo o país e no estrangeiro. Esse é o meu trabalho: levar as bandas aos quatro cantos do mundo, a começar por Portugal.

Em relação aos outros serviços, tenho amigos que sabem dar aulas de música, o Hugo Rajado, o Dabid Pinto e Tiago Gomes e têm muitas pessoas que querem aprender mas que não podem pagar o que geralmente as escolas pedem, logo, criei uma escola de música com pessoas que sabem dar aulas e que gostam, a um preço o mais baixo possível e com as melhores condições possíveis.

A nível de gravação de vídeo, tenho amigos que neste momento estão a criar um projecto nesse sentido, visto que a pareceria com a ISFrame não tinha como continuar.

Ou seja, nasceu entre amigos e irá permanecer entre amigos.

Quem compõem a Cthulhu Productions? Uma das primeiras parcerias foi com a banda portuense Thorvus. Como surgiram os contactos com eles e como as bandas e as pessoas podem entrar em contacto com vocês?

A Cthulhu Productions é basicamente composta por mim, para além dos professores, o Hugo Rajado, o Dabid Pinto e Tiago Gomes, e colaborações que ainda estão a ser analisadas.

Em relação aos Thorvus, conheço os Thorvus à 3 anos, por motivos pessoais, namoro com o Fábio Pinto, guitarrista e vocalista. Sempre gostei do trabalho deles, acompanhei-os ao longo destes anos como manager e amiga. Foi por causa deles que ganhei amor ao metal nacional de forma que hoje dedico-me a esse “amor” (risos). Só sabendo as dificuldades das bandas nacionais de metal, é que se ganha paixão pela causa.

Podem contactar por email: productionscthulhu@gmail.com , por facebook: https://www.facebook.com/CthulhuProductions e por tlm: 915 880 324.

O nome Cthulhu, remete ao imaginário do mestre norte-americano H. P. Lovecraft. Como foi a tua descoberta deste autor? Tens mais autores que despertam a tua curiosidade? O que achas da situação nacional em que vemos os jovens cada vez mais a se afastarem da leitura? O que se poderia fazer para alterar esta mentalidade?

Desde de muito cedo que adquiri o âmbito de ler. O meu irmão mais velho sempre me deu grandes obras para ler e H.P Lovecraft foi o primeiro génio do terror que fiquei grande admiradora até aos dias de hoje, porque na sua obra ele, ao mesmo tempo que ele cria personagens míticas como o Cthulhu, insere elementos de fantasia e ficção cientifica que são géneros que aprecio bastante, para além da sua escrita fria, detalhada e mórbida. A obra dele diz-me muito, ao ponto de escolher este nome para o projecto e de futuramente, tatuar uma homenagem ao escritor e à sua obra e assim começo a responder a outra questão: tenho imensos escritores que despertam a minha curiosidade e mais que isso, a minha admiração. Tenho um braço tatuado com Edgar Allan Poe, Florbela Espanca e Oscar Wilde, e ainda falta tatuar o H.P Lovecraft e o José Saramago. Os livros, a leitura, sempre foi a minha grande paixão. Em relação aos nossos jovens, sinceramente, não estou a par das suas escolhas de leitura, mas é percetível que na sua maioria não têm sequer hábitos de leitura e sim, isso preocupa-me, por acredito que há escritores, há livros, há simples frases, que podem mudar a nossa maneira de ser, quem somos. Que nos podem tornar melhores seres humanos. Não sei como alterar esta mentalidade. Mas acredito que a família tenha um papel essencial. No entanto, cada um tem os seus gostos, as pessoas são livres de não gostar de ler, mas, sinceramente, acho que deveriam ler pelo menos um livro por mês.

 

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Entre as várias coisas, também efectuas entrevistas a bandas. Como é o teu processo de preparação das mesmas? O que achas do aumento destas publicações e porque não surgem mais?

Infelizmente, já não faço à imenso tempo. Felizmente, a Som do Rock, apoiam-me nos meus projectos e entende que não tenho como fazer entrevistas neste momento. Criei o festival Som do Rock Fest para agradecer esse mesmo apoio.

Tudo teve um início, por isso como começou a tua paixão pelo Metal e com quais bandas? Tinhas um grupo de amigos na secundária em que davam a conhecer novas sonoridades? Quais os álbuns que ouvias no início e ainda gostas de ouvir?

Começou na barriga da minha mãe (risos). O meu irmão mais velho já ouvia metal, então colocava os phones na barriga da minha mãe (risos). A medida que fui crescendo, fui sempre ouvindo metal, simplesmente porque gostava mais desse tipo de música do que o restante que a minha irmã e amigos ouviam. Os únicos metaleiros que conheci eram os amigos do meu irmão que com o tempo seguiram a vida deles e fiquei sozinha (risos). Basicamente, cresci em uma aldeia muito reservada em que fui maltratada por me vestir de preto todos os dias e com t-shirts de bandas que as vezes são “agressivas” (risos) . É duro crescer numa aldeia que és a única a ouvir este género de música. Não tinha amigos que ouvissem o mesmo, até o meu 9º ano em que conheci três pessoas que ouviam metal da minha idade. No secundário, conheci apenas o Marcelo, que faleceu com 18 anos, logo, a nossa amizade foi demasiado curto, a vida dele foi demasiado curta. As primeiras bandas que ouvi e que me recordo foram: Iron Maiden, Metallica, Manowar, Sepultura, Pantera, Black Sabbath, Megadeath. Não posso escolher um álbum (risos) é impossível, ouço vários de várias bandas. No entanto, por motivos pessoais, há um álbum que sempre me vai acompanhar : “Black Album”, dos Metallica, era o álbum que o meu irmão usava para me adormecer e que alguém muito especial que já partiu, tocava guitarra para mim. De resto, não consigo escolher.

E assim terminamos esta entrevista. Quero agradecer-te pela tua disponibilidade! Muito obrigado! E estas últimas linhas estão à tua disposição para dizeres o que quiseres.  

Muito obrigada pelo convite pelo apoio. E obrigada a todos os que têm dado o seu apoio aos meus projectos, farei sempre o meu melhor.

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Web

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   Web são uma das bandas que durante mais tempo tem espalhado a palavra do Metal por terras nacionais, com o seu thrash metal e que este ano fazem 30 anos de carreira.

   Fundados em Outubro de 1986 no Porto, editaram até ao momento três longa-durações, “World Wild Web” (2005), “Deviance” (2011) e o mais recente “Everything Ends” (2015). Formados actualmente por Fernando Martins (voz / baixo), Victor Matos (guitarra), Filipe Ferreira (guitarra) e Pedro Soares (bateria), conseguiram evoluir ao longo dos anos e monstram o seu potente som.

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Vamos conhecer um pouco mais de Web em entrevista com um dos músicos mais reconhecidos a nível nacional, o Victor Matos, membro fundador do grupo.

 

Olá Victor! É uma honra ter-te neste número da Ode Lusitana pela importância que tens mo metal nacional, seja em cima do palco, ou a assistir a muitos concertos e festivais pelo país fora. E a cereja acima do bolo é a edição deste álbum “Everything Ends”, passados quase 30 anos da formação da banda. Ao princípio o título do álbum podia levar a uma situação mais drástica, mas aí temos Web, a percorrer o país de lés a lés. Como tem sido as reacções ao álbum e o que as pessoas te tem dito? Qual a fórmula de manter o vosso som actualizado, levando a uma evolução constante da banda?

Antes de mais Viva! E obrigado por te teres lembrado dos Web.

O titulo do álbum insere-se no contexto do próprio álbum, nas letras, no artwork e no clima que pretende criar, mas como é obvio “Everything Ends” é um dado adquirido, não vale a pena tentar fugir disso, mais tarde ou mais cedo acontece!

As reacções ao álbum têm sido muito positivas, quem já conhece o percurso e o trabalho de Web fala em evolução técnica e sonora conseguindo sempre soar a Web. Aqueles que ouvem ou vêm Web pela primeira vez e já conheciam de nome costumam dizer-nos que não faziam ideia que a nossa sonoridade fosse esta e dão-nos parabéns! Os “virgens” mediante aquilo que ouvem ou vêm costumam ficar muito admirados quando se apercebem que a banda celebra agora 30 anos e que nunca esteve parada.

A fórmula para mantermos o som actualizado é simples e tem a ver com a nossa maneira de ser. Em termos de novidades acompanhamos sempre o meio nacional quer internacional, porque gostamos e esta é a nossa paixão! Não nos fechamos no passado, porque já passou e também não recusamos a novidade sem primeiro a conhecermos.

Penso que é esta atitude que naturalmente nos dá a tal evolução constante de que falas.

11224019_884125248327891_7182193790142624165_nEste álbum serviu de mote à “Everything Ends Tour” com vários concertos ainda na calha como o Moita Metal Fest, SWR Metal Fest, Bulldozer Fest, Viseu Rock Fest, ou mesmo em espaços mais pequenos. Tive a oportunidade de os ver em vários sítios e é evidente a energia em cima do palco. Como tem corrido estes concertos? É notária a evolução nas condições e nas salas de concertos? És observador atento das bandas que partilham o palco com vocês? Tem previstas mais datas nesta tour?

Os concertos têm corrido muito bem! A parte I da tour com todos aqueles fins de semana seguidos foi excelente em termos de convívio com as outras bandas e com o público!

A parte II está agora a decorrer, em termos temporais é diferente, uma vez que é mais espaçada no tempo.

Posso desde já dizer que em termos de convívio está a acontecer a mesma situação atrás descrita, em termos de participação do público, está a ser brutal! Boas casas com muita participação do pessoal, notamos que muitos já cantam os temas do novo álbum e apercebermo-nos que temos muita malta nova lá presente, nova em termos de idade e nova por serem a primeira vez que assistem a um concerto de Web.

Este facto deixa-nos muito contentes

Todos sabemos a vossa história, mas como é que tu e o David Duarte começaram por ser roadies dos Tarantula? Podíamos dizer que já existia um aglomerado forte de pessoas na década de 80 que se interessava pela música mais extrema? Onde é que se juntavam e procuravam descobrir novas edições de bandas?

Sim mas eramos muito menos! Geralmente juntávamo-nos na escola secundária, nas casas de cada um, partilhávamos as revistas, (a maior parte em Alemão o que dificultava ainda mais), em dois ou três “tascos” no Porto, e claro, nos poucos concertos de que de vez em quando aconteciam! Em termos de frequência estamos a falar de cerca de meia dúzia por ano de bandas internacionais, e igual ou menos ainda de nacionais, e se estivermos a falar mesmo só de som extremos sem o “Rock”, eu diria mesmo que eram ainda menos…

Para terem uma ideia, mais de 80% dos vinis que adquiri na última metade dos anos 70 e da primeira dos anos 80 vieram de fora de Portugal, sobretudo do Corte Inglês de Vigo 😛

Depois abriu a Tubitek, mais tarde a Bimotor, pontos de referência no Porto, e já se trocava muita correspondência, com a particularidade do pedido da devolução do selo (lol), e as coisas já passaram a ser diferentes.

Em 1986, começam o vosso longo e saudável percurso, que foi interrompido por uma das coisas que a juventude de hoje em dia não tem conhecimento e que limitou algumas das bandas do nosso meio e que era o S.M.O. (Serviço Militar Obrigatório). Mas em 1992 fazem parte da compilação nacional “The Birth of a Tragedy”, e em 1994 editam a vossa primeira demo. A partir daí foi sempre a subir. Como definiram o som que queriam fazer no início? Havia alguém na banda que indicou que o caminho era o thrash metal? Como era o ambiente que se viva no meio da década de 90 a nível de concertos, público e bandas?

Nascemos em 1986 e a nossa estreia deu-se em 1987 no Rock Rendez Vouz. Foi muito auspiciosa e voltaríamos lá um ano mais tarde. De facto, na altura o SMO atrasou um pouco o nosso percurso. Devido à nossa idade ser em “escadinha” começamos a ir à vez, e quando um estava para sair entrava outro, na altura, o tempo médio foi de ano e meio.

Nunca nos preocupamos muito com o dito estilo, a principio, talvez devido aos temas serem mais arrastados fomos conotados com uns certos sons que estavam a proliferar na Europa mas por cá ainda eram pouco conhecidos, estou a falar de Black Metal e Death Metal. A partir da “Evil Tape” começamos a ser decididamente conectados com o Thrash Metal.

No meio da década de 90 houve um boom e começaram a haver muitos mais concertos, fanzines, salas e bares abertos ao dito som extremo. Enfim, o meio começou a proliferar e como é logico os Web pertencendo a este mesmo, e já na altura sendo considerada como uma banda veterana também começamos a tocar com muita mais frequência, editar demos, partilhar palcos com bandas estrangeiras, etc.

Já na altura em que o underground estava a regredir o David teve de abandonar a banda (finais de 1997), devido a doença, que 4 anos mais tarde nos retiraria a sua presença física… Eu e o Fernando tivemos de “levar o barco” por diante, não vou dizer que tivemos de recomeçar tudo de novo, uma vez que o nome Web já estava praticamente consolidado no meio Metálico Português, mas tivemos de “enterrar e expurgar velhos fantasmas” o que podem crer foi muito pior mesmo…

Passado menos de um ano, depois de muitos ensaios já com a nova formação, lá conseguimos dar um concerto e continuar a andar com a causa prá frente.

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Como surgiram as tuas ligações com o Fernando Martins e o Pedro Soares? E já em 2005 como surge o Filipe Ferreira? Todos tem gostos musicais diferentes, ou partilham as mesma influências. Pelo que já vi, o teu gosto musical é bastante variado.

O Fernando conheci-o através do David, na altura era assíduo cliente/frequentador da Halloween, (para quem não sabe uma das primeiras lojas dedicadas inteiramente ao Heavy Metal que era da pertença do David e da esposa e se situava no C.C. Stop), na altura estávamos com uma remodelação na banda, saíram 3 elementos e entrando outros 3, e foi com este novo line up que gravamos a “Promo Tape”.

O Pedro respondeu a um anuncio que viu precisamente na Halloween, isto em Outubro de 1997 quando houve a última grade remodelação nos Web.

O Filipe também se candidatou ao lugar vago de guitarrista, na altura para podermos começar a promover o “World Wild Web” que tinha acabado de ser editado.

Nós partilhamos mais ou menos os mesmos gostos com umas certas diferenças nas preferências de bandas ou estilos. No meu caso consumo um leque muito variado de Metal, Rock e Blues, depende muito do momento e da oportunidade, não me preocupo com rótulos, o que gosto, gosto o que não gosto, não quer dizer que não preste, apenas que não gosto, o problema até pode ser meu, por isso paciência…

1933385_1027232944017120_818947595101649164_oActualmente temos a teia da internet que se tornou parte do nosso dia-a-dia, tornando possível aceder a muita informação e muita música. Utilizas as tecnologias para descobrir novas bandas, ou és mais selectivo na quantidade enorme de bandas que se descobrem todos os dias. Este meio facilitou a divulgação das bandas, ou limitou-o devido a essa mesma grande quantidade de informação? O que é necessário para singrar no nosso meio?

Sim utilizo bastante, muitas vezes opto por ouvir bandas de países não muito comuns e bandas que nem sequer tinha ouvido falar nelas, e isso agrada-me muito, dá-me muito prazer conhecer cenas novas e ficar a gostar delas.

Penso que a quantidade enorme de informação apesar de ter aspectos negativos, os positivos se forem bem aproveitados superam e de que maneira os negativos, não curto nada a frase “no meu tempo é que era”, não era já foi, por isso já passou, agora se o soubeste aproveitar ou não isso já é outra história.

Para singramos no nosso meio, é preciso perseverança, gosto, empenho e disponibilidade, mas isso é como tudo na vida, o resto com certeza que mais tarde ou mais cedo irá aparecer, por algum motivo se costuma dizer que a sorte protege os audazes!

E terminamos por aqui esta entrevista. Queria-te agradecer pelas tuas respostas e bebemos um copo num próximo concerto algures pelo país. As últimas palavras são tuas!

Eu é que agradeço quer a entrevista, quer o teu modo de estar e apoiar o nosso meio, e como últimas palavras convido o pessoal a aparecer num concerto qualquer num sítio qualquer a juntar-se a nós e bebermos o tal copo juntos.

IIN METAL WE TRUST!!! IN UNION WE STAND!


Ode Lusitana # 13 – Março 2016 já disponível

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Número de Fevereiro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Victor Matos (Web) e Lunah Costa (Headbang Solidário e Cthulhu Productions). Notícias sobre The Unborn Fest, Sonneillon BM, Brutal Brain Damage, Dark Oath, Dethmor, Thorvus, H.O.S.T, Toxic Attack e Gorgásmico Pornoblastoma.

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Thorvus – apresentação de novo tema

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Thorvus, banda originária do Porto, fundada em 2013, pratica um som que mistura “Death Metal Melódico com elementos de rock progressivo, Doom metal e afins”.

Mais notícias em breve, mas já se encontram na preparação do seu primeiro longa duração, que será editado ainda durante este ano.

Podemos ouvir o tema “A Trial Before My Demons” e com este trabalho temos também o início de Cthulhu Productions no agendamento à banda, sendo uma produtora com uma gama bastante alargada de serviços de apoio às bandas.