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Ode Lusitana # 11 – Novembro 2015 já disponível

Captura de ecrã 2015-11-19, às 21.38.04O número de Novembro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Extreme Unction (Marco Marouco), Wrath Sins (Miguel Silva) e ao criador do jogo Metal Pursuit (Fernando Reis). Notícias sobre X-Mas Beast Feast 2015, Disaffected, WEB, Throne of Chaos, Evillution, Hang the Traitor e Vomit of Torture.

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My Enchantment

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My Enchantment, banda do Barreiro formada no ano 2000 e praticante de black metal / melodic death metal com componentes sinfónicos, edita em 2005 o seu primeiro longa duração “Sinphonic”. No ano passado voltam as edições, desta vez com o EP “The Death of Silence”, do qual faz parte o single “The Fallen”. A banda é constituída por Alex Zander (voz), João “Grande” (guitarra), Pedro Alves (guitarra), Rui Gonçalves (teclado), Fernando Barroso (baixo) e Ricardo Oliveira (bateria).

   Estivemos à conversa com o vocalista Alez Zander, onde nos mostra a razão de ser uma banda em que todos necessitamos de estar atentos.

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Olá Alex Zander! É um prazer teres aceite o convite para responderes a estas perguntas para a Ode Lusitana.

Para começar, como se dá a tua entrada nos My Enchantment no ano de 2012? Já conhecias bem a restante formação?

Boas Marco, obrigado pelo convite .
Está agora em “Outubro” a fazer 3 anos que fiz um casting para o lugar de vocalista, eu não conhecia ninguém da formação actual ou anterior mas conhecia a banda e algumas músicas.

Em 2005 editaram o único longa duração, “Sinphonic” e devido a vários problemas, que envolveram uma alteração profunda na formação da banda, editam em 2014 o EP “The Death of Silence”.

Nós já estávamos na gravação do nosso 2º álbum, quando faltava gravar a voz, então o vocalista decide sair da banda, como um efeito colateral houve também algumas alterações quer na guitarra e teclas, o que dificultaram o progresso e o retorno de forma estável aos palcos e gravações.

 

Esta edição foi para mostrar ao público que estavam de regresso às edições, em vez de se prepararem para lançar um segundo longa duração?

De certa forma sim, a banda delineou que voltaríamos aos palcos e durante isso iriamos compor e preparar a gravação de um ep com temas inéditos compostos pela nova formação, logo no início de 2013 começamos a tocar ao vivo e durante esse ano gravamos e colocamos disponível para venda o ep nos nossos concertos durante 2013/2014.

Regressamos com um EP para quem esperou muito tempo, um álbum levaria mais tempo.

Como foi trabalhar nestes temas?

Foi muito bom, estivemos muito empenhados na composição, e a preparar tudo cuidadosamente para que corresponde se às nossas espectativas, trabalhamos muito com maior frequência de ensaios e juntar as várias ideias de cada um.

12074684_1177623998920327_1799310105832355252_n-2Qual a importância desta edição para ti?

Confesso que foi um verdadeiro desafio e responsabilidade, a banda tem uma grande reputação no underground nacional e mais de uma década e meia de vida, bons músicos com objectivos bem definidos que iam ao encontro dos meus, a dedicação e empenho de todos contra as adversidades que fomos encontrando ao longo do tempo fez com que o “The Death of Silence” fosse muito especial por todos os desafios e objectivos realizados .

Como surgiu a parceria com a Music In My Soul para a reedição deste trabalho?

Em meados de 2014 houve uma proposta da MIMS que na altura parecia interessar aos objectivos da banda , o ep estava a ser vendido de forma promocional, para mais tarde editarmos uma versão final que fosse distribuído para venda nas lojas, íamos precisar disso e apareceu alguém com uma proposta para que tal acontecesse.

Podes adiantar-nos alguma coisa do novo álbum a editar no primeiro semestre do próximo ano?

Estivemos a tentar para que isso acontecesse no final deste ano mas não está a ser possível por isso esperamos, que muito antes do verão tenhamos o álbum na mão.
O álbum instrumentalmente é a continuação do EP, no conteúdo lírico será bem diferente . Ainda não definimos bem o número de temas que irá conter, pois temos material que excede o tempo de um CD.

Conta com temas muito agressivos com a sua melancolia sinfónica que já conhecem no EP.

My Enchantment tem participado em vários concertos nos últimos tempos e brevemente estarão no VI Festival Irmandade Metálica.

Os concertos ao vivo são um dos vossos principais objectivos com a banda?

Este último ano e meio tem sido bom tocamos quase todos os meses em diferentes sítios e festivais e tem sempre havido uma boa reacção tanto das pessoas como dos locais onde actuamos.
Mas neste futuro próximo (2016) essa rotatividade não tende a abrandar muito, queremos tocar ao vivo o máximo possível e tencionamos preparar tudo para o nosso próximo álbum, criar o cenário e ambiente adequado para o que acreditamos ser o início de algo que será muito bom para a banda após o lançamento.

O que achas desta enorme quantidade de eventos que tem surgido nos últimos tempos?

Muito bom e talvez mau (risos) temos tendência a criticar ou por ser em excesso ou por falta dele.
Actualmente são alguns, quero ir ver concertos diferentes e no fim descubro que são no mesmo dia e em locais completamente distantes um do outro (risos).
500x500O público tem respondido ao surgimento destes eventos, assim como da enorme quantidade de bandas que tem surgido?

Varia muito do local e do tipo de evento que se realiza, de certa forma nota se diferença de concerto para concerto na adesão.

Que achas da situação actual do metal nacional?

Tem evoluído ao longo dos anos em umas coisas e regredindo em muitas outras.

Como nasceu esta tua paixão pelo metal e que banda ouviam no início?

Para ser sincero nem me recordo de ano ou altura que tal aconteceu eu acho que já nasci a ouvir metal (risos), foi sem dúvida pela minha irmã mais velha ouvir thrash/death metal que eu comecei a ouvir música e a ter juízo.
Ouvia e ouço muito death metal americano e nórdico até que no inicio da década de 90 conheci bandas de black metal escandinavo e comecei a seguir religiosamente até aos dias de hoje , assim como outros géneros de metal.

Também eras um adepto dos concertos e do ambiente transmitido?

A partir do momento que fui a um concerto e gostei fiquei viciado, e claro que tudo o que proporcionar um bom “ambiente” é mais um dos motivos porque se gosta tanto de ir a concertos.

Como surge o teu interesse pela participação como músico nas bandas?

Eu era mais um dos que ouvia musica e desenvolvi curiosidade por estudar, tentar tocar o que ouvia das bandas que eu gostava, depois de conhecermos a música queremos progredir e aplicar o nosso conhecimento e sentimento junto de outros ou individualmente, fazer aquilo que ouvíamos outros fazer.

Eu ia a muitos concertos, assim que dei o meu 1º concerto gostei tanto que não quero parar.

Algo que começa como um gosto pessoal e depois queremos mais, a música faz parte de mim e do meu quotidiano, para os bons e maus momentos faz me sentir bem.

No último número da Ode Lusitana, realizamos uma entrevista com o Rui Vieira dos Baktheria, banda da qual fazes parte como baterista. Como surges nesta banda e como nasce este teu contacto com o Rui Vieira?

Eu tinha deixado de tocar bateria em um projecto anterior e estava disponível para voltar a tocar, conheci o Rui por um anúncio há procura de baterista para um projecto que ele já tinha, ainda ensaiamos umas vezes até que um tempo mais tarde ele quis formar uma banda e falou comigo, começamos então a trabalhar no álbum pouco tempo depois entra o Rui Marujo e foi assim que se instalou o caos e a desgraça.

O que nos podes dizer do novo trabalha que tens de nome Cisne Negro?

Projecto diferente dos meus outros, que se está a revelar no bom caminho, agora é só uma questão de estar cá fora e de tempo.

E assim chegamos ao final desta entrevista, da qual agradeço novamente a tua colaboração. Estas últimas palavras são tuas e podes dizer o que quiseres!

Obrigado Marco pela tua vontade e dedicação há divulgação do metal assim como há Ode Lusitana pela sua existência e contributo.
Obrigado a todos os que colaboram e contribuem para o Metal \m/

Cape Torment

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Cape Torment, colectivo do Porto formado em dezembro de 2011 com um nobre objectivo: “recuperar a brutalidade que os fez homens nos saudosos anos 80: Death Metal!”.

Com uma forte participação ao vivo, tem previsto para este último trimestre de 2015 o lançamento do EP homónimo de estreia e que aguardamos com ansiedade!

A banda é constituída por Bombeiro (voz), Paulo Voivod (guitarra), Ary Elias (guitarra), Luís Botelho (baixo) e Patrick (bateria). Foi com Ary Elias que tivemos esta entrevista e que nos mostra a vivência dos Cape Torment, assim como o envolvimento dele no meia musical extremo.

 

– Olá Ary! É um prazer e sê bem-vindo a este número da Ode Lusitana e queria agradecer a tua disponibilidade para 

10153874_757605787597179_8120691294108102787_n-3responderes a algumas perguntas. Como és o elemento mais recente dos Cape Torment, entrando para a banda há poucos meses, diz-nos como é que conhecias os restantes membros e como surgiu esta oportunidade? Acompanhavas as apresentações da banda? Como decorreram os primeiros ensaios e como correu com o Patrick, o novo baterista?

Eu é que agradeço a oportunidade e o interesse demonstrados pela Ode Lusitana.

Todos os elementos dos Cape Torment são da chamada velha guarda do metal portuense e já os conhecia há vários anos, desde o tempo em que tocavam em bandas comos os Lacrima ou Invert, ainda nos anos 90.

Com a criação do grupo facebook “Amigos da Bimotor e Tubitek anos 80/90” (que reúne os veteranos da cena que, nas referidas décadas, se reuniam nas referidas lojas de discos) pelo Paulo (guitarrista de Cape Torment), do qual todos nós fazemos parte, e consequentes convívios, jantares e concertos, os laços e amizade estreitaram-se.

Inclusive, os Cape Torment e Assassinner chegaram a partilharam palcos e quando estes últimos tocaram no Hard Club, o Paulo foi o DJ escolhido para animar as hostes.

Ou seja, não eramos desconhecidos uns dos outros. Muito pelo contrário.

Talvez por essa razão, o convite para integrar os Cape Torment surgiu de forma natural.

Os Assassinner tinham suspendido as actuações ao vivo, fruto da ausência do Alexandre (vocalista/baixista) que emigrou por razões profissionais, os Cape Torment estavam à procura de um guitarrista e o Paulo sugeriu o meu nome ao resto da banda.

A faixa etária é sensivelmente a mesma, o background é similar e o gosto pelas sonoridades mais old school com que crescemos também.

Após um primeiro ensaio confirmou-se a química entre todos, juntamos o útil ao agradável e aqui estamos.

O Patrick foi recrutado antes de mim, penso que no início de 2015. Já o conhecia dos Dethmor e Burn the Strain, com que também já tinha partilhado palcos. Quando entrei já estava perfeitamente integrado.

Nesta fase da vida, em que a família e profissão muitas vezes limitam a nossa disponibilidade, uma banda não pode ser apenas uma banda. Para além da parte musical propriamente dita, tem que haver algo mais que una e motive os vários membros. E penso que nos Cape Torment é esse o motor primordial.

– Cape Torment tem a sua fundação em 2011, mas passados estes anos é que temos a informação de que está previsto o lançamento de um EP homónimo constituído por cinco temas e uma intro. Participaste nas gravações deste trabalho? O que nós podes dizer do lançamento deste trabalho?

Há algum tempo atrás os Cape Torment chegaram a gravar alguns temas com vista à edição de um EP, mas por várias razões, o mesmo não chegou a ser concluído e editado.

Relativamente ao homónimo, quando entrei para a banda, as gravações estavam praticamente concluídas, pelo que o meu input nas mesmas foi nulo. Participei activamente noutras questões relacionadas com a sua edição, nomeadamente no que concerne ao artwork.

Com excepção da bateria, que foi registada nos Dethmor Studios pelo próprio Patrick, tudo o resto foi gravado nos Sonic Studios, com o Carlos Barbosa (Final Mercy, Ex- Cycles), que também irá misturar e masterizar o EP.

A edição está prevista para este último trimestre de 2015 e terá duplo formato, digital e CD, sendo que este último terá uma tiragem limitada.

O imaginário da banda prende-se com os descobrimentos portugueses e vai estar presente na parte musical, lírica e artwork do EP.

Os cinco temas que fazem parte do alinhamento do EP estão, na minha opinião, ao melhor nível do que se faz cá e também lá fora, dentro das sonoridades Death Metal mais old school.

As composições são coesas, com pés e cabeça e de fácil audição. Aliás, entranham-se muito rapidamente na nossa mente e dificilmente saem de lá tão cedo. Foi isso que aconteceu comigo lol

12144670_889504277797695_2531121898135627586_n– Temos vindo a assistir nas últimas semanas a um aumento dos vossos concertos ao vivo e que se estende até ao final do ano. Achas que os concertos são a melhor maneira de chegar às pessoas? Qual é a tua opinião acerca do crescente número de locais para concertos/festivais? Através disto é possível aquele circuito de bandas / público / promotores que há tanto andamos a apregoar?

A partir do momento que a formação é estável e o set está assimilado, o passo seguinte são os concertos.

Existem, de facto, muitas formas de se chegar às pessoas, seja através das gravações, streaming, vídeos, facebook, etc., mas os concertos serão, na minha óptica, o meio egoísta por excelência e que mais satisfaz os músicos envolvidos.

Acresce que, a energia que flui invariavelmente em todas as actuações é passível de contagiar todos os presentes e, como tal, causar um impacto imediato e muito mais forte nas pessoas que a simples audição das gravações.

E depois, como é costume dizer, é no palco que as bandas mostram o que valem. Em estúdio, os meios tecnológicos tudo possibilitam. No palco é a raça que conta.

O facto de se verificar um crescente número de locais para concertos, indiciam a existência de um circuito alargado para as bandas poderem mostrar os seus trabalhos é excelente.

Já é possível fazer verdadeiras tournées de âmbito nacional, não só pelos grandes centros urbanos, mas também por localidades mais pequenas, o que possibilita uma promoção mais alargada do nosso trabalho e ao mesmo tempo, manter a motivação.

Para mim é frustrante tocar sempre nas mesmas cidades, nas mesmas salas, para as mesmas pessoas.

– Ainda não tive a oportunidade de vos ver ao vivo, mas através de alguns vídeos demonstram a vossa dedicação ao 10270541_616514765096649_9192592401302855994_n-2death metal old school. Ora bem, são todos apaixonados deste género, ou é o vosso escape ao dia-a-dia, sendo este um dos géneros que até ouvem de vez em quando? O que achas do death metal produzido em Tampa Bay na Florida e que era gravado nos Morrisound Studios?

Todos nós somos uns privilegiados pois vivemos na época áurea da música dita extrema. Acompanhamos o surgimento do Death Metal, o tal oriundo de Tampa, Florida, gravado nos Morrisound Studios e, naturalmente, ficamos deslumbrados com a agressividade deste sub-género do metal.

Continuo a ouvir com regularidade os estandartes old school do Death Metal, mas não me limito aos mesmos.

Aliás, provavelmente ouço diariamente muito mais thrash, hard core e punk do que death propriamente dito.

Mas, neste campo, acredito ser a excepção da banda. Todos os outros membros são deathsters de sete costados lol

– Quais são os teus 3 álbuns favoritos de death metal?  

No meu top está o “Leprosy” dos Death, que considero a obra-prima do género e da banda em questão. Isto apesar do “Individual Thoughts Pattern” e o “Symbolic” figurarem igualmente nesse top.

Não sendo propriamente um estandarte deste estilo, os Napalm Death são uma das minhas bandas de eleição. E como, em certas fases da sua discografia, revelaram despudoradamente a sua costela death metal, não posso deixar de referir o álbum “Harmony Corruption” como um dos meus preferidos.

Por último, elejo o “Heartwork” dos Carcass, que mistura de forma sublime velocidade, peso e groove.

Mas podia nomear muitos outros. Benediction, Bolt Thrower, Gorefest, Cannibal Corpse, Obituary ou Entombed, todos têm álbuns dignos de figurar nesta lista.

– És um veterano da cena underground portuense e histórias não faltam. Como surgiu a tua paixão pelo metal e o que ouvias em miúdo? Como era o teu processo de descoberta de bandas?

É uma história caricata, que revela a falta de informação e divulgação que havia nessa altura.

Tudo começou por volta de 1986, quando assisti na RTP2 a um concerto de uma banda conectada com o movimento gótico. Algumas das músicas tinham guitarradas a abrir e os membros tinham cabelo comprido. Gravei em VHS e andava sempre a ver e ouvir aquilo. O meu irmão mais velho um dia disse-me que eram heavy metal e que tinha uns amigos na escola que curtiam esse som e que se quisesse pedia para me gravarem umas K7s.

Bendito erro! lol

A primeira K7 que me gravaram consistia numa compilação de bandas e temas que são hoje clássicos. “We are the Road Crue” dos Motörhead, “Motorbreath” dos Metallica, “Show no Mercy” dos Slayer, “Pleasure to Kill” dos Kreator, “Breaking the Law” dos Judas Priest, “The Rime of the Ancient Mariner” dos Iron Maiden, eram algumas das faixas que fizeram parte da minha estreia auditiva e que continuam a integrar a minha playlist.

Mas acima de tudo foram o ponto de partida para descoberta do universo do Heavy Metal.

A partir desse momento, não só continuei a cravar os tais amigos do meu irmão que, pouco tempo depois, fundaram uma das primeiras bandas de thrash da zona do Porto, os Hardness, como também comecei a frequentar a Bimotor e a Tubitek, que eram as únicas lojas de discos do Porto onde se encontravam vinis deste estilo, sendo também um local de convívio dos metaleiros.

Numa altura em que não havia internet e as publicações escritas praticamente ignoravam este estilo, o boca-a-boca era o meio de divulgação e descoberta por excelência de novas bandas.

O facto de toda a gente frequentar os mesmos locais, ir aos mesmos concertos facilitava a amizade e consequente troca de K7s e discos.

A propósito a banda de rock gótico eram os The Mission.

11707345_849915008423289_4724442659173433883_n– Fizeste parte de várias bandas, como Silêncio Extremo, Morbid Minds, Str@in (ex-Crackdown). Como nasceu a tua paixão pelas guitarras e como te englobavas nas bandas já que os estilos eram tão diferentes? Que achas da cena underground actual no Porto e arredores?

Sempre gostei de música e de vários instrumentos em geral. O facto de ter optado pela guitarra teve única e exclusivamente a ver com o acaso.

Na secundária, nos finais dos anos 80/início dos anos 90, já tinha no meu círculo de amizades algumas pessoas que, como eu, eram metaleiros. E a certa altura alguns deles começaram em falar em formar uma banda. Faltava um segundo guitarrista e eu fui escolhido para ocupar esse lugar. Foi assim que surgiram os Silêncio Extremo.

O som era cru e imaturo, pois estávamos todos a aprender a tocar. Apesar de espelhar um pouco todas as nossas influências, curiosamente aproximava-se mais do death metal que era a novidade da altura.

Os Morbid Minds, Crackdown e Str@in são, no fundo, a mesma banda. Os nomes foram-se alterando com as mudanças de line-up, evolução técnica e/ou sonoridades que ouvíamos e nos influenciavam. Mas o núcleo duro e criativo nestas três bandas sempre foi o mesmo: eu, o Alexandre (que fundou comigo os Assassinner) e o outro guitarrista José Farinha.

Actualmente, a cena underground é muito diferente. Há muitas mais bandas. O acesso a instrumentos de qualidade está generalizado e a aprendizagem dos vários instrumentos e técnicas é facilitado pela internet. O que tem influência na qualidade do produto que apresentam.

O facto de haver mais locais/festivais, com boas condições, também é óptimo para a divulgação do seu trabalho.

No entanto, penso que, na sua generalidade, a afluência do público está aquém do que vivenciei nos anos 80 e 90. Talvez pelo excesso de oferta ou quiçá pela falta de espírito ou de comunidade em sentido restrito.

Não querendo cair no saudosismo típico do português, do “antigamente é que era bom”, a verdade é que há duas décadas atrás cada concerto era um evento a não perder. Toda a gente do Porto e arredores (Maia, Matosinhos, Gaia, Gondomar, etc.) se esfalfava para comparecer. Apanhava um ou mais autocarros/camionetas, comboio ou simplesmente fazia kms a pé para poder ir a determinada actuação.

Isto porque ir a concertos não só era o meio primordial para conhecermos as bandas nacionais, como também se consubstanciava numa oportunidade para revermos amigos e convivermos um pouco com os nossos iguais. Isto numa altura em que não tínhamos facebook, youtube, messenger, nem sequer computadores ou internet lol

Actualmente o comodismo leva muitas vezes a melhor. O que é pena. Contra mim falo. Após uma jornada de trabalho, muitas vezes é o cansaço ou vontade de estar com família que vence.

– Também tens outra banda, chamada Assassinner praticantes de thrash metal / groove. Que novidades nos podes dizer acerca desta tua banda? Está prevista a edição de algum material nos próximos tempos? Como é a maneira de trabalhares com o Alexandre (voz e baixo), em que já o conheces pelo menos dos tempos de Morbid Minds, há mais de 20 anos?

Os Assassinner são a banda onde dou maior vazão àquilo que sou, musicalmente falando. Não só por ter sido um dos seus fundadores/mentores, mas também porque, desde sempre, optamos por não nos restringir a um sub-género de música extrema. Como gostamos de rock, thrash, death, grind, hard core, punk, etc. etc., é possível encontrar um pouco disto tudo no nosso som. Na prática, Assassinner é uma súmula das minhas influências e gostos e das do Alexandre.

Sucede que, a crise económica que assolou o país obrigou o Alexandre, companheiro de longos anos nestas lides musicais, a emigrar para abraçar melhores oportunidades profissionais. Como tal, suspendemos as actividades ao vivo dos Assassinner, mas a banda não terminou. Continuamos a compor novas ideias musicais, com todas as dificuldades inerentes à distância que nos separa.

Estando previsto o Alexandre vir a Portugal no final deste ano, queremos aproveitar a sua presença para registarmos dois temas novos, inéditos, para mostrar que estamos vivos e melhores que nunca. Será a primeira gravação da banda enquanto quarteto, com dois guitarristas. Até agora o nosso percurso tinha sido sempre no formato power trio. A edição será, em princípio, exclusivamente digital e gratuita.

Apesar de nos conhecermos há mais de 20 anos, nem sempre é fácil conciliar ideias, vontades ou egos. Por vezes, temos opiniões divergentes sobre o caminho a seguir, seja musical ou outro. Mas com um pouco de paciência tudo se resolve. Ao fim de tanto tempo de amizade, não será certamente a música, que esteve na sua origem, a acabar com a mesma.

– É tudo Ary e muito obrigado por teres respondido. As últimas linhas são tuas em que podes dizer o que bem entenderes!

Quero agradecer, mais uma vez, a amabilidade e interesse da Ode Lusitana em entrevistar-me e dar a conhecer um pouco o meu percurso e trabalho. Da minha parte, manifesto a minha inteira disponibilidade em colaborar naquilo que precisarem.

Contém com o exemplar do EP de estreia dos Cape Torment ainda em 2015 e, mais para o início do próximo ano, aguardem o novo registo dos Assassinner.

Grande abraço e até breve!

 

Extreme Unction – novo vídeo

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Extreme Unction banda icónica do death / doom metal nacional tem as suas raízes no ano de 1990 com origem em Santo António dos Cavaleiros, após se terem chamado numa primeira fase Guilhotina, banda que tinha sido formada em 1987.

Na década de noventa marcam o ritmo do metal nacional, com o lançamento das demos “Insane Procreation” (1992) e “In Sadness” (1993). No ano de 1993 participam com o tema “Insane Procreation” no split “Mortuary Vol. 1” em que também participaram Thormenthor, Bowelrot, Moonspell e Silent Scream. Em 1995 lançam através da Monasterium o seu único longa-duração com o título “In Limine Mortis“. Em 1999 ainda lançam a demo “Cursed” e fazem um hiato até 2008 quando lançam o tema “Cold Breeze of Winter“.

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De momento está na calha a apresentação do seu álbum “The Last Sacrament” em que a actual formação é constituída por Pedro Gonçalves “Pedrada” (voz), Koja Mutilator (baixo), Marco Marouco (guitarra), Sérgio Marcelino (guitarra) e Pedro Almeida “Tosher” (bateria).

Do novo trabalho segue o video clip “Banned Heritage“.

Antiquus Scriptum

Logo - JpegAntiquus Scriptum, é um projecto nascido em Almada em 1998 e tem em Sacerdos Magus o seu mentor na divulgação desta sonoridade “unorthodox symphonic black / folk / thrash metal com influências ambientais”. A demo de estreia tem data de 1999, com o título “Tales From the Past Millenium”. Depois de mais algumas demos lança em 2002 o seu álbum de estreia “Abi in Malam Pestem”. Ao longo da sua existência a discografia conta já com 5 álbuns, sendo o último o álbum “Recovering the Throne (Tribute Album)”, mas está prevista a edição de um Best Of intitulado “… Outrora, Quando As Águas Choravam… e do seu novo trabalho Imaginarium“.

   Para conhecer este fantástico projecto estivemos a falar com Sacerdos Magus.  

Olá Sacerdos Magus! Desde já é um prazer enorme teres aceite este pedido para uma entrevista e de fazeres parte com o teu projecto desta Ode Lusitana. Ainda te lembras de como começa esta tua paixão pelo Metal? Tinhas um grupo de amigos onde trocavam as edições das bandas e faziam tape-trading? Que lembranças tens dessa altura?

Olá Marco. O prazer é meu, amigo, infelizmente são poucos os convites para entrevistas a Antiquus Scriptum em zines e revistas, pois aqui em Portugal são sempre os mesmos a serem apoiados, são sempre os Filii Nigrantium Infernalium, os Corpus Christii, os Switchtense, os Holocausto Canibal, os PussyVibes, os Midnight Priest, enfim… Sempre os mesmos de sempre! Lá fora é a mesma tanga, são sempre os Moloch, os Xasthur, os Drowning The Light, Satanic Warmaster, etc… Infelizmente são sempre os mesmos a ser apoiados e é quase preciso andar a pedir por favor à entidades responsáveis para nos fazerem uma entrevista ou uma review, uma tristeza! Isto não é nada pessoal contra ti, Marco, mas é o que acontece. Vejo bandas novas acabadas de lançar o 1º trabalho, terem muitos mais apoios seja de editoras, zines, revistas ou rádios, do que Antiquus Scriptum que anda nisto desde 1998 e já vai com 5 (!) álbuns gravados, todos lançados profissionalmente no estrangeiro, apesar de não tocar ao vivo, uma completa vergonha!… Agora respondendo directamente à tua questão, sim, lembro-me bastante bem de quando entrei no Heavy Metal, foi em 1987, com o Thrash e claro, fazias-mos tape-trading, sim. As memórias desses tempos são douradas, foram tempos mágicos da nossa juventude! Trocava-mos k7s, discos de vinil, e os primeiros CDs que começaram a aparecer 1 ano antes e mais tarde, em 1992, fiz a minha 1ª banda de Thrash, os Anesthesia, e aí o pessoal das bandas começou também contactar-se por carta e a fazer tape-trading via correio… As coisas foram evoluindo, nós também fomos evoluindo como músicos, veio o Death Metal, depois, o Doom, o Black Metal e cá estou eu quase 30 anos depois ainda a batalhar pela música, com um projecto formado e consolidado e apesar da Net e dos downloads, ainda a fazer tape & cd-trading, muito por causa da minha distribuidora, a Eye Of Horus Distribution

12083734_787012504743721_120313212_n-2Decides enveredar pela via de músico e fazes parte de várias bandas, como Firstborn Evil / The Firstborn, Psycoma ou The Invertebrate e vocalista de sessão de Sistematic Collision. Ou seja, géneros bastante variados. Tinhas curiosidade em experimentar várias sonoridades? Como surgiram estas participações nestas bandas?

Sim, eu sou uma pessoa muito polivalente musicalmente e isso nota-se bem até em Antiquus Scriptum, quem conhece bem o projecto pode ver isso com nitidez… Gosto de quase todos os géneros de Metal (até ao Black Metal!), Punk e Hardcore (antigo!), Rock e Hard-Rock, do bom, (que no fundo são os pais do Heavy Metal), e oiço música variada mesmo fora do Metal, como Folklore de qualquer parte do mundo, música ambiental, música clássica e até gosto de música Pop dos anos 80. Como te disse comecei a tocar em bandas com os Anesthesia em 1992, como baixista & vocalista. Nunca gravamos nada, mas demos uns quantos concertos ao vivo e já serviu de rampa para o que viria a seguir. Em 1994 formei os Psycoma, banda de Punk / Crossover que cantava em português e onde desempenhava funções de baixista. Ao mesmo tempo, durante 94, eu e o Vítor Mendes que toca actualmente em Neoplasmah, fizemos um projecto de Grindcore, os The Invertebrate, onde eu era baixista & vocalista, para desanuviarmos do Punk, mas não era nada sério. Ainda gravamos 2 demo tapes, mas morreu tudo na praia quando em 1995 Psycoma acabou e eu formei os Firstborn Evil com o Bruno Fernandes, que ainda continua com The Firstborn, o Paulo Vieira, que continuou durante uns anos com The Firstborn, também, e que já passou por inúmeros projectos de Punk e Metal e é hoje guitarrista de Perpetratör, e o seu irmão Gustavo Vieira, que continuou igualmente em The Firstborn, por uns anos e me acompanhou em Antiquus Scriptum como teclista convidado até 2013, ano em que saiu o “Ars Longa, Vita Brevis…“, o último trabalho com ele. Fiz também de vocalista de sessão, como disseste, para Sistematic Collision, que eram os pre-Neoplasmah, quando saí dos Firstborn Evil, em 1998, mas esta experiência durou pouco tempo, pois tinha ideias já para um projecto de Pagan Black / Viking Metal (os meus estilos de Metal preferidos, juntamente com o Thrash), no que se revelou ser Antiquus Scriptum.

Em 1998 decides sair dos Firstborn Evil e formar Antiquus Scriptum junto com o Vítor Mendes e o Dário Duarte. Já tinhas uma boa definição do que querias para a banda? Como funcionavam os vossos ensaios e gravações?

Sim, em 1998 saio dos Firstborn Evil, mesmo nas vésperas da gravação do seu 1º álbum, “Rebirth Of Evil“, sendo até tão em cima da hora que foi o Paulão a gravar o baixo, pois não tinham tempo para integrar um baixista substituto… Formo os Antiquus Scriptum ainda nesse ano, com o Vítor Mendes (Asmodeus), que já vinha de Psycoma e The Invertebrate, como referi, e com o Dário Duarte (Drakonem Drakul), mas mesmo ensaiando e dando um único concerto ao vivo, em Almada, (o único até hoje do projecto, pois nunca mais toquei ao vivo), a participação deles era meio de músicos convidados, já, apesar dos ensaios. Tinha tão boa definição do que queria fazer, que a nossa “união” não durou sequer um ano e depressa os “despedi” da banda e continuei com o projecto a solo, depois de 1999, convidando como já disse o Gustavo Vieira (Helskir) para me ajudar nos teclados de estúdio e com a ajuda também do Paulo Vieira (Nyx Sludgedweller), que começou inicialmente por me gravar e produzir os trabalhos de estúdio, feito que perdura até hoje, e mais tarde, a partir do 1º álbum, “Abi In Malam Pestem“, também a participar na guitarra solo, em algumas baterias, coros e etc… Com o Dario e com o Vítor, as coisas não funcionavam muito bem, por isso os “despedi” e decidi continuar a solo. O Dario não tocava um caralho de bateria e o Vítor, apesar de bom músico, que ainda hoje o é, e da já nossa longa cumplicidade como músicos, não se encaixava muito bem no espírito BM de Antiquus Scriptum e além disso sempre foi uma pessoa muito fechada consigo mesmo e difícil de contar para certas coisas, ou de até simplesmente sair à rua para conviver ou beber um copo… Fartei-me, decidi que nunca mais iria ter bandas na minha vida, nunca mais iria tocar ao vivo e continuei com Antiquus Scriptum como uma one man band até hoje, embora já tenham passado inúmeros músicos convidados pelo projecto durante estes 17 anos de existência.

12076992_787012848077020_1877757632_n-2Que te fez formar uma one man band? Fala-nos um pouco do teu interesse por estes tipos de projectos e de alguns que não sendo one man band te atraíram bastante em termos de conceito, como por exemplo os Bathory?

Acho que já respondi mais ou menos ao que me fez formar uma one man band na resposta anterior. O que me fez despertar o interesse por ter uma one man band, foi o Boom de Black Metal nórdico, que chegou cá em 1994, 95, e o facto de muitos dos projectos que vinham do norte da Europa serem constituídos por 1 ou 2 elementos apenas. Não foi só Bathory e Burzum que me influenciaram por serem one man bands, mas também Satyricon, em termos de conceito, Emperor, Darkthrone, Enslaved, Gorgoroth, Dark Funeral, Dissection, Mörk Gryning, Master’s Hammer, e claro, Mayhem, entre tantos, tantos outros… Rendi-me simplesmente a esse conceito muito forte que vinha lá de cima, o de 1 ou 2 gajos fazerem tudo nas bandas e decidi que seria este o meu caminho futuramente. Em Portugal não é um conceito muito utilizado usualmente, o das one man bands, mas no norte da Europa e hoje em dia não só na Escandinávia, como na Rússia, Ucrânia, Polónia, França, etc, e diria até um pouco por todo o globo no que toca a Black Metal e derivados, é um conceito muito utilizado e escusado será de dizer que a maior parte das one man bands espalhadas por esse mundo fora não tocam ao vivo.

Começas com as edições e fazes um hiato devido a vários problemas pessoais entre 2002 e 2008, retornando nesse ano de 2008 com o segundo longa duração “Immortalis Factus“, voltando em grande com uma dedicação enorme e que se tem visto nos últimos anos. “Ars Longa, Vita Brevis…“, álbum de originais de 2013, fazes um álbum fantástico e variado de covers “Recovering The Throne (Tribute Album)” e já para início de 2016 tens o lançamento do duplo CD, que é um Best Of, intitulado “… Outrora, Quando As Águas Choravam…“. Fala-nos um pouco então desse teu retorno feito e destes últimos trabalhos?

O hiato foi sim entre 2003 e 2007, devido a uns problemas pessoais, e sim, voltei em 2008 com o 2º longa duração, “Immortalis Factus“, que saiu na altura por uma editora norte americana, a Ophiucus Records, em formato profissional, mas limitadíssimo a 100 cópias, apenas… A dedicação é sempre a mesma ao longo dos anos, só tenho pena realmente do projecto não ter mais reconhecimento, principalmente cá em Portugal, depois de um histórico tão rico e tão vasto como é o de Antiquus Scriptum. No geral os álbuns têm sido bem recebidos pelo público, apesar do pobre apoio das zines, revistas e rádios na divulgação dos mesmos, mas apesar de tudo tenho um público muito fiel e que me apoia bastante e não me posso mesmo assim queixar das vendas do merch do projecto. O processo de evolução tem sido normal como acontece com todas as bandas, para melhor, acho eu, e Antiquus Scriptum tem vindo a vincar a sua sonoridade que é, na minha suspeita opinião, muito peculiar, e a traçar a sua marca no Underground, não só com inúmeros trabalhos editados, mas principalmente com a qualidade e profissionalismo que caracterizam o projecto. O “… Outrora, Quando As Águas Choravam…“, vai ser um Duplo CD, que será lançado em Janeiro de 2016 pela alemã Pesttanz Klangschmiede e pela espanhola Negra Nit Distro, limitado a 666 cópias e que será uma retrospectiva destes longos 17 anos de projecto, reunindo os melhores temas de Antiquus Scriptum desde a 1ª demo de estúdio, “In Pulverem Reverteris“, até ao último álbum de originais, o “Ars Longa, Vita Brevis…“, incluíndo já alguns temas novos que temos feito até então e que ainda não foram editados. Espero que seja bem recebido também e que seja mais uma pedra na já sólida muralha que é Antiquus Scriptum!

Ao mesmo tempo estás a preparar um novo trabalho. Como estão a decorrer as composições para o próximo álbum459142-2Imaginarium“? Podias explicar o teu método de trabalho? Ultimamente existem sempre duas presenças habituais nas tuas edições, que é a do Paulo Vieira (Paulão), que te tem ajudado a vários níveis e a editora alemã Pesttanz Klangschmiede. Como surgiram estas amizades e como trabalhas com eles?

Bom, as coisas com o “Imaginarium” (próximo álbum de originais), estão a decorrer normalmente e as composições vão fluindo naturalmente sem grandes esforços. Já sou um músico batido, podemos dizer, sei bem o que quero fazer em cada trabalho e não me preocupo muito com tecnicismos ou exuberâncias, deixando sempre o feeling falar mais alto e deixando as coisas fluírem naturalmente. Começo por escolher um título, e começo por fazer os riffs de guitarra e a bateria ao mesmo tempo, podendo ou não, depende dos casos, ir escrevendo logo a letra também e a faixa vai saindo naturalmente. Depois do esqueleto feito, vêm naturalmente os arranjos e melhoramentos e pronto, o tema fica pronto. Depois em estúdio gravo tudo da minha parte, ou seja, guitarras, bateria, baixo e vozes e aí é que é composto o teclado, sempre com a minha supervisão, acrescentados os solos, coros e todos os instrumentos que não me cabem a mim gravar. Sim, o Paulão, além de produtor, como já tinha dito, é sempre presença assídua na guitarra solo e coros e até já me tem feito algumas baterias e etc, tal como foi assídua a presença do seu irmão Gustavo Viera entre 2000 e 2013, substituído após a sua saída pelo seu irmão mais novo, o Ricardo Viera, que passou a fazer os teclados a partir daí; digamos que tenho a participação musical da família Vieira em peso em Antiquus Scriptum 🙂 São velhas amizades, já conheço este pessoal há 20 anos, toco com eles desde os Firstborn Evil, como já referi, e faz todo o sentido estar rodeado por músicos e amigos assim ao longo dos anos, mesmo não sendo membros efectivos. Sobre a Pesttanz Klangschmiede, foi uma editora que apareceu no início de 2013, depois de lançar toneladas de edições mais pequenas, muitas das vezes em formatos Pro CDr, e não profissional, por outras labels e foi uma editora que me lançou nesse ano o álbum “Ars Longa, Vita Brevis…“, limitado a 1.000 cópias em formato profissional jewel case + 100 cópias em formato deluxe digipack e fez isto com toda a discografia do projecto, não só com os álbuns subsequentes, mas também com os trabalhos antigos, lançando todos, 1 por 1, em formato jewel cases limitados a 1.000 cópias e em formato digipack, limitados a 100 cópias. É uma editora, que apesar de pequena, se esforça arduamente no que toca a promoção e divulgação do projecto, (esta sim!), e se tem desfeito em esforços para levar não só Antiquus Scriptum, como as restantes bandas da editora mais longe e só lhe tenho a agradecer por tudo e tenho muito orgulho em estar na germânica Pesttanz Klangschmiede!

Também tens a tua distribuidora “Eye Of Horus Distribution“. Como surgiu esta ideia e quais os planos futuros?

Bom, a Eye Of Horus Distribution nasceu em 2013 da minha necessidade de escoar os CDs de Antiquus Scriptum que provêm das royalties que as editoras me dão, sempre que sai um disco novo, ou uma reedição. Por exemplo, trabalho a 20% com a Pesttanz, no caso dos jewel cases e a 18% se forem digipacks, vinis ou t-shirts, o que dá 200 CDs para mim dos 1.000 fabricados, ou 18 digipacks ou t-shirts, de uma tiragem de 100 exemplares. Claro, que por mais que venda, nunca consigo vender 200 CDs de Antiquus Scriptum de uma virada só e como tenho já 5 álbuns editados, o stock começou-se a acumular aqui em casa… Como queria também ajudar na divulgação dos álbuns, resolvi criar a Eye Of Horus e comecei a fazer trade com várias editoras um pouco por todo o mundo, do material de Antiquus Scriptum, pelos lançamentos deles e não só. Depressa constituí um catálogo bem variado, como sabes, e comecei a ter, para além dos títulos de Antiquus Scriptum, items de outras bandas, não só de projectos de BM / Viking Metal, semelhantes a Antiquus Scriptum, como lançamentos também de Death Metal, Doom, Thrash ou whatever… Comecei a anunciar mensalmente essas listas de material no Facebook e comecei a ter muito bom feedback de algum pessoal, que começou a adquirir regularmente títulos da minha distro, apesar da crise que o mundo da música atravessa na venda de material físico. Assim, para além de ajudar a espalhar o material do meu projecto um pouco por todo o lado, ajudando a Pesttanz e a mim mesmo, consigo ter sempre um catálogo Underground variado e sempre vou vendendo alguma coisa. No fim, vendo bem as cenas, acabo por vender os 200 CDs que à partida eram de Antiquus Scriptum, mas que se transformaram em outros títulos e assim consigo não só escoar o meu merch do projecto, como ainda facturar alguma coisinha para ajudar a pagar os estúdios e todos os encargos financeiros que o projecto acarreta. Planos para o futuro com a distro não são muitos, deixa-me dizer-te… Poderia fazer um site, um blog ou uma página Facebook para a Eye Of Horus, mas sinceramente acho que isso não é necessário, pois tenho a minha clientela fiel através da minha página do meu FB pessoal e safo-me bem assim. Talvez um dia possa crescer e ter um site todo pipi para a Eye Of Horus, mas isso implicaria ter 1º um site profissional de Antiquus Scriptum, pois ainda não tenho, só tenho um blog que é o “Antiquarium“, para ajudar a promover o projecto na Net, aparte do FB. De momento estou bem assim, unicamente utilizando apenas a minha página pessoal do FB para anunciar mensalmente as novidades da Eye Of Horus. De futuro quiçá se não poderei alargar os horizontes e ter um site profissional, tanto para Antiquus Scriptum, como para a Eye Of Horus Distribution, mas por agora safo-me bem assim.

12006092_310973312360345_5612376906546437226_n-2Que achas do nosso panorama nacional e que dicas podes dar às pessoas que estão agora a entrar neste meio, desde as bandas até aos que divulgam estas nossas sonoridades?

Desculpa a rispidez, mas não irei nomear quaisquer bandas nem editoras nacionais, simplesmente porque nunca vi Antiquus Scriptum ser referenciado por nenhuma banda e a nível de editoras, o apoio ao meu projecto, cá dentro, ser de rigorosamente ZERO! Como já disse na 1ª questão, são sempre os mesmos a ser referenciados e apoiados, parecendo que Antiquus Scriptum é um projecto de Categoria B, simplesmente porque não toca ao vivo… Vivemos num país mesquinho, de gente mesquinha e o Underground infelizmente não foge à regra. São só apoiadas nas zines, nas resvistas, nas rádios e mesmo pelas editoras, somente as bandas dos amigos dos amigos e vivemos num circulo completamente viciado, onde são sempre os mesmos a serem entrevistados ou a merecer uma review… Os media, seja mass, seja a nível Underground, estão podres e completamente viciados! Só se safam as bandas que têm cunhas e a mim particularmente, parece-me que as editoras cada vez têm mais mau gosto naquilo que editam e promovem, pois cada vez vejo mais palha, para não dizer merda, ser idolatrada e vangloriada logo ao 1º registo, muitas das vezes, enquanto cá andam pessoas e bandas nisto há uma vida inteira a esforçarem-se arduamente para manter os seus projectos activos, como é o caso de Antiquus Scriptum, projectos esses muitas das vezes com uma qualidade muito superior a essa trampa a que eles chamam de “revelação do ano” e coisas assim… Como nunca vi banda alguma referenciar Antiquus Scriptum como um projecto a seguir e como nunca tive apoio algum por parte de editoras credíveis cá em Portugal, as minhas referências são ZERO! No entanto poderei dizer aos mais novos, que apesar das toneladas de lixo que parecem crescer nos esgotos e ter o triplo da visibilidade de muitos projectos veteranos com qualidade duplamente superior, apoiem as bandas que gostam, comprem o merch das bandas e não se fiquem pelos downloads. Há sempre boas bandas a surgir em todos os estilos, (também não sou nenhum quadrado), e essas bandas ou projectos precisam do vosso apoio para sobreviver. Vão aos concertos, comprem um t-shirtzinha, o EP ou o álbum da banda e apoiem também aquelas editoras que se esforçam para lançar bandas de qualidade, e não merda que não trás nada de novo ao Underground e são uma réplica completa de tudo o que já foi feito… Apoiem principalmente os projectos antigos, pois eles mais que ninguém merecem ser apoiados por vós, pois já andam nisto há muitos Invernos e mais que ninguém, pelos seus currículos e empenho de décadas, merecem ser apoiados não só por vocês, como de deveriam acima de tudo ser apoiados pelos media, zines, rádios e todos os demais ligados ao Underground Metálico. Tenho dito!

Muito obrigado pelas tuas respostas e as últimas palavras são tuas.

Obrigado eu, mais uma vez pela oportunidade, Marco. As minhas últimas palavras resumir-se-iam ao que disse na resposta anterior, ou seja, pedir ao pessoal para apoiarem os projectos pequenos, não só nacionais como estrangeiros também, com a compra de merch e indo aos concertos das bandas que gostam. Não se resumam aos downloads, uma banda ou um álbum tem muito mais magia quando é ouvido no formato original e não apoiem nem comprem só Iron Maiden, ou Metallica, há milhões de bandas credíveis que precisam e merecem o vosso apoio incondicional, com a venda do seu diverso merchandise. Apoiem as editoras pequenas, não só as grandes majors, que se esforçam arduamente para comercializar e divulgar projectos de valor do nosso Underground e apoiem as poucas zines que ainda existem, como é o caso da “Ode Lusitana” e oiçam os poucos programas de rádio de Metal, muitos deles piratas ou através de Net-Radios, mas esforcem-se por usar aquela t-shirtzinha da banda que gostam e de promover e apoiar de alguma maneira essas bandas, não se limitando a ir a um blog e sacar a discografia a Mp3 e já está… As bandas, as editoras, as distros, as zines, as rádios, todas elas passam por grandes dificuldades para sobreviver, hoje em dia, devido à decadência do Metal e da queda das vendas de material físico, por isso lembrem-se, se aquela banda que gostam lançou uma demo, um EP ou um álbum novo, se tem uma t-shirt de qualidade que vos fique bem, porque não contactar a banda e encomendar este material, ou em vez de se estar a gastar rios de dinheiro em CDrs para reproduzir em casa, porque não comprar aquela tape que muitas vezes só custa 3 ou 4€, aquele vinilzinho precioso, ou aquele CD profissional que vai fazer as delicias das audições futuras lá em casa e tem de longe muito mais valor que uma pasta convertida em Mp3, que não tem valor emocional algum e só serve, (deveria ser assim), para promover o álbum e o projecto em causa e não é de maneira nenhuma alternativa ao CD, vinil, ou tapes originais! Tenho dito. Obrigado a ti, Marco, mais uma vez pela oportunidade e a todos os que lêem estas linhas e de algum modo apoiam o Underground, adquirindo o diverso material original. Força & Honra e abraço a todos!

Ode Lusitana # 10 – Outubro 2015 já disponível

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O número de Outubro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Antiquus Scriptum (Sacerdos Magus), Cape Torment (Ary Elias) e My Enchantment (Alex Zander). Notícias sobre Buried Alive, “Female Growlers United Front – The Unleash of the Witches”, Mosher Fest 2015, My Dementia, Santa Maria Summer Fest, Ravensire, Embraced By Fall e Eadem.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.

http://issuu.com/marcosantos6/docs/ode_lusitana_10

Terror Empire – primeiro vídeo

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Terror Empire, banda de Coimbra fundada em 2009 e praticantes de thrash metal apresentam o seu primeiro vídeo, de nome “The Route of the Damned” do seu álbum de estreia “The Empire Strikes Black”. Este álbum foi lançado em fevereiro de 2015 através da editora Nordavind Records.

O álbum “The Empire Strikes Black”, foi antecedido pelo EP de 2012 “Face the Terror”.

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A banda é constituida por Ricardo Martins (voz), Sérgio Alves (guitarra), Rui Alexandre (guitarra), Rui Puga (baixo) e João Dourado (bateria).

Som do Rock

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Com formação em julho de 2014 nasce Som do Rock com o objectivo de divulgar os sons mais pesados através de vários meios. Desde a página do facebook até ao site, conta também desde novembro de 2014 com a edição da e-zine Som do Rock Magazine e tem lançado já várias compilações com nomes da cena nacional.

Com uma equipa recheada de vários colaboradores falamos com o Paulo Teixeira, responsável por todo este trabalho e que nos mostra a sua paixão por esta nobre causa.

11997202_826392307481732_997892801_nViva Paulo! É um prazer contar com a tua presença neste número da Ode Lusitana, por todo o trabalho que tens feito na divulgação do Metal e para começar queria perguntar-te como nasceu esta tua paixão pelo Metal? Tinhas lojas (ou as chamadas discotecas, que na altura vendiam discos!) que costumavas frequentar para conhecer novas sonoridades? O que ouvias com o teu grupo de amigos?

Antes de começar gostava de agradecer esta oportunidade.

O meu gosto pelo Metal nasceu tinha eu entre os doze e os treze anos, um dia ouvi na casa de um amigo um vinyl que o pai dele tinha e o som era bastante diferente daquele que estava habituado a ouvir em casa, aquilo mexia comigo era agradável.

Estavamos em 1979 hoje conto com 48 anos de idade.

Descobri que era Ozzy Osbourne, dai eu dizer sempre que o culpado por eu gostar de Metal é o Ozzy. Depois comecei a procurar mais e ia a lojas procurar e descobrir mais, lembro-me de uma que havia numa escadas junto à Rua do Carmo na Baixa de Lisboa, como o dinheiro era pouco e eu ainda um garoto limitava-me a ver e a ouvir.

O meu grupo de amigos não eram muito virados para este genero músical, foi ai que descobri com pena minha que ser Metaleiro em Portugal nessa altura era pouco recomendável. Lembro-me de uma vez à saida do liceu a mãe de um colega ter dito “ Não quero que andes com este tipo de pessoas, são má influência”, nunca mais me esqueci desta frase.

Em que altura começas a ter interesse pela parte escrita e de divulgação? Eras um consumidor de revistas / fanzines / newsletters? Quais os pontos positivos que estas publicações tinham e o que apreciavas mais dessas edições? Em que trabalhos de escrita participaste?

Uns anos mais tarde quando o só ir às lojas já não chegava passei a procurar por mais conhecimento, mas não era fácil encontrar publicações em Portugal, não devemos de esquecer que estávamos no início dos anos 80. Havia uma revista que comprava regularmente, era alemã e chamava-se POP CORN. Tinha muito que ler sobre o que se passava na Europa do norte, só era pena ser escrita em Alemão.

Com o passar dos anos começou a haver mais informação disponível mas só em 2011 comecei a participar de forma activa na escrita no site Metal em Portugal.

O que te levou a erguer o Som do Rock em Julho do ano passado? Como já comentei contigo é de louvar este teu projeto que tomou dimensões muito interessantes, mas até que ponto pensas fazer crescer este Som do Rock? Consegues explicar porque é que em Portugal a divulgação do Metal através dos vários meios de comunicação praticamente que desapareceu, estando aos poucos a voltar a erguer-se?

O Som do Rock foi criado para dar uma maior divulgação ao que se faz em terras lusas e além fronteiras, com segui estabelecer várias parcerias com outros sites e editoras em especial no Brasil e Finlândia. O Som do Rock vai crescer até onde for possivel com os meios existentes, está em estudo uma tornar o site mais interacticvo e com novas funcionalidades bem como a criação de app para andriod que já está em testes.

A explicação que encontro para que o Metal não seja divulgado para além dos meios que existem no nosso underground é o facto de ainda haver alguma resistência por parte do público em geral, logo as noticias de Metal não vendem por isso não haver divulgação, um exemplo recente foi o facto do Som do Rock ser Média Partner do PAX JULIA METAL FEST 2015 ter enviado informação para vários canais tais como a RTP, SIC RADICAL e não ter tido qualquer resposta.

Uma das coincidências fantásticas foi que o número zero da Ode Lusitana e o número zero da Som do Rock Magazine são editadas na mesma altura em Novembro de 2014! O que te levou a decidires criar uma magazine? Deves ter a mesma opinião do que eu, mas qual a importância da edição e distribuição (gratuita) desta magazine, facilitando a descarga em .pdf para quem estiver interessado? Qual a tua opinião de sermos um dos países europeus onde devemos ter o menor número de fanzines/magazines dedicadas ao Metal?

Verdade sem qualquer forma de termos combinado ambos os números zero sairam no mesmo mês.

A Som do Rock Magazine nasceu da necessidade de complementar o site, para além de partilharem alguma informação a Magazine tem seções únicas que não se encontram no site tais como o Correio dos leitores e em especial a Coluna mensal do Dico que é exclusiva da Magazine.

A edição e distribuição gratuita é importante pois é uma maneira de chegar a mais leitores e para quem gosta de ler em papel pode de forma gratuita descarregar e imprimir. Fica aqui uma dica de que houver os apoios necessário podemos passar a formato físico com edição em papel, tamanho pokect (A5)

De facto Portugal continua à margem do resto da Europa, temos uma grande comunidade mas poucos meios e informação, a internet é actualmente o melhor meio de comunicação.

a3043527267_10-2Som do Rock, além do site, da página do facebook e da magazine, também se tem dedicado à divulgação de bandas nacionais através de compilações. Como tem sido a receptividade por parte das bandas e do público para estas edições? Já tens mais alguma planeada?

Esse é outro projecto que complementa o trabalho da equipa, achamos que todo o resto só fazia sentido com as compilações.

As Bandas desde o inicio tem aplaudido o projecto que já tem duas compilações, a “13 Bandas 13 Temas” e a “SunSet Metal 2015” esta última tembém com uma novidade que penso nunca ter sido feita em Portugal é em dois Volumes o primeiro com Bandas e o segundo com um set de DJ em que só é usados temas de Bandas Portuguesas é portanto o primeiro “CD” de DJ de Metal.

O público tem aderido bem, o número de downloads é optimista para o futuro.

Em relação a novos trabalhos pretendo lançar em Dezembro o “13 Bandas 13 Temas 2015” e no Verão o “SunSet Metal 2016”. Serão sempre em formato digital e gratuitos, se apoios houve-se era possivel passar a formato fisico.

Depois deste tempo todo o que achas do panorama actual do Metal nacional desde o público até às bandas? O que é necessário para tirar algumas pessoas do sofá e levá-las a um bar onde estão a tocar 3 bandas de metal e pagas 5 € por umas horas bem passadas? E ao mesmo tempo o que achas de ver gente tão nova a começar a aparecer nos concertos?

O Metal Nacional está bem vivo e recomenda-se, em relação às Bandas temos muitas já consagradas em terras lusas que já tem um cuidado na sua sonoridade que em nada fica a dever ao que se faz lá fora. Não sou contra o publico dar 40,00 ou 50,00 Euro para ver uma grande Banda internacional, mas não devem de esquecer que os 5,00 Euro dados para poderem ver tres ou mais Bandas Nacionais valem muito para quem dedica o seu tempo por com muito sacrifício pessoal e serve de incentivo à continuação do seu trabalho. Temos que apoiar mais o Metal Português merece a pena e não se vão arrepender, disso tenho a convicção.

E são com estas palavras que terminamos esta entrevista e queria agradecer-te por teres participado. As últimas palavras são tuas!  

Mais uma vez queria agradecer a oportunidade e desejar à Ode Lusitana uma continuação do bom trabalho que faz em prole do nosso Metal.

Peço a todos os Metaleiros que apoiem o de bom que se faz no nosso País, as Bandas merecem tal como todos os que não estando na linha da frente também fazem o seu papel.

Ravensire – Novo tema

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Os lisboetas Ravensire disponibilizam o tema “Temple at the End of the World“, que fará parte do álbum “The Cycle Never Ends” a editar no próximo ano de 2016. Para ouvir com atenção!

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Formados em 2011 tinham já editado o seu primeiro longa-duração em 2013 com o nome “We March Forward“.

Baktheria

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Há bandas que nos deixam com um sorriso no rosto quando colocamos um CD na aparelhagem e os Baktheria são um exemplo extraordinário!

Provenientes de Lisboa e formados em 2013 juntam o que há de melhor no death, thrash e punk, tocando esta mistura a abrir. Em Maio deste ano editam o seu primeiro trabalho “System Sickness” com 13 temas, onde pontificam Rui Vieira (voz/guitarra), Rui Marujo (baixo) e Alex Zander (bateria).  

Foi com o Rui Vieira que falamos e nos explica o mundo desta banda.

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Viva Rui! Bem-vindo à Ode Lusitana! Vamos começar por um pouco da tua história inicial com o Metal. Ainda te lembras quando é que se dá o teu início nestas audições metaleiras? Quem é que te iniciou nestas sonoridades? Tinhas algum grupo de amigos que se reunia para ouvir música e falar das bandas? Que bandas é que te cativaram?

Viva Marco, obrigado pelo teu convite e desde já uma saudação pelo teu interesse e contributo para a divulgação do underground e Metal em geral. Lembro-me perfeitamente do início. Digamos que foram duas fases que se interligaram. A primeira foi com Scorpions e Europe, pelo único acesso que existia ao rock naquela altura. Era isso que passava insistentemente na televisão, na RTP 1. Lembro-me da “Still Loving You” (Scorpions) e da “The Final Countdown” (Europe) estarem meses a fio no primeiro lugar do top. É claro que aquilo começou a mexer com a minha cabeça. Por volta de 86/87, e aqui dá-se a segunda fase, um amigo empresta-me a cassete que viria a revolucionar a minha vida. Tinha no seu interior, a bíblia, ou seja, “Live After Death” dos Iron Maiden, e também Metallica, Venom, Helloween e The Exploited, daí o meu gosto pelo Punk, que sempre andou de mãos dadas com o Metal. Entretanto, quando fui morar para Arruda dos Vinhos, conheci algumas pessoas que também partilhavam da religião metálica, como o Helder Rodrigues ou o Nuno Mariano, ambos actuais membros dos Machinergy. Nós tínhamos um ritual engraçado, isto por 88/89. Íamos à noite para o jardim municipal de Arruda curtir um sonoro com um rádio gigante da Sanyo, mas antes passávamos na padaria para comprar pão quente! Levávamos Coca-Cola e manteiga (!!!) e era a loucura! Entretanto, chegaria às nossas vidas o “Lança-Chamas” do António Sérgio e o “Rock Em Stock” do Luís Filipe Barros que revolucionou tudo e abriram as portas que faltavam.

Devem ter sido horas e horas de volta de uma aparelhagem até que te tornas músico e até começas a cantar. Como se deu esse interesse pela via instrumental?

Cisne Negro, Bicéfalo, Miss Cadaver, Machinergy, é sinal que tens vários interesses. O que procuras numa banda que inicias ou da qual fazes parte?

Sem dúvida, foram horas infinitas a ouvir o “Somewhere In Time” e a ver todos aqueles pormenores da capa, a tentar descobrir novos detalhes (ocultos)! O click para começar a criar música foi com o “Beneath the Remains”, foi ali que a necessidade de passar à composição surgiu. Isto porque os Sepultura, na minha opinião, para além de revolucionar, vieram também democratizar o Metal, mais concretamente o Thrash. Eram do Brasil, ou seja, não eram de nenhuma potência americana, britânica ou alemã, logo era possível vingar fora desse eixo metálico, desse triunvirato dominador, eram jovens com ar desportivo e cativante, a escrita era profundamente simples, embora acutilante, a música era de outro mundo, também ela, simples, a meu ver. Estes vários projectos/bandas em que estou envolvido são o reflexo do meu gosto vasto pela música pesada e pela música no geral. Eu consumo tudo e quero fazer um pouco de tudo enquanto cá estiver. A música que fizer é o que irá perdurar da minha memória, e é com essa permissa que eu me tento desdobrar em várias vertentes. E daí serem tudo projectos fundados ou co-fundados por mim. Não me vejo a integrar uma banda estabelecida, isso não me satisfaz. Cisne Negro será o próximo rebento. Aguardem!

10986565_384066841793040_5064017038685466890_n-3A 16 de setembro de 2013 surgem os Baktheria. Pelos vistos a data ficou na memória! Como surge esta reunião entre tu, o Alex Zander e o Rui Marujo? Já os conhecias de há longa data? O humor e a boa disposição fazem parte da vossa atitude. É um requisito essencial nos Baktheria?

O requisito essencial é não tornar esta banda séria! Tem de ser/continuar simples, sarcástica, trabalhadora mas descontraída, sem grandes planos e/ou esquemas. Conheci o Alex através de um anúncio que coloquei no Metalunderground. Nessa altura, procurava baterista para Miss Cadaver e ainda ensaiámos algumas malhas mas a coisa ficou por ali até porque pouco tempo depois formei, com o Marujo (que já conhecia há algum tempo) e outro baterista, os Crustifiction, mas este projecto teve vida curta. É a seguir que nos juntamos os três e nascem os Baktheria com o objectivo de fazer barulho e berraria. Nos nossos concertos é onde essa faceta “humorística” se nota mais, essa forma descontraída com que nos apresentamos já faz parte do espectáculo. Afinal, um concerto é uma comunhão e boa disposição. É ainda melhor quando o Marujo está “quentinho”!

Em Maio deste ano editam o vosso álbum de estreia “System Sickness”. É uma chapada na cara quando se coloca a ouvir! Sei que vais falar bem do teu trabalho (e é verdade!), mas que achas destas críticas positivas que tem recebido? Houve alguma coisa engraçada que tenham comentado acerca do álbum?

Desde que começámos a compor, senti que algo fixe pudesse vir a acontecer. Penso que ao iniciar um projecto com o objectivo de ser simples, sem “rodriguinhos”, nos deixou logo sem aquela responsabilidade, aquele peso de ter que ser isto ou aquilo, de cumprir com regras. Não queremos saber, Baktheria é mandar tudo para o caralho, ponto. Acho que este trabalho, dentro da sua simplicidade, está bem conseguido, da música ao artwork e o que Baktheria encerra em si. As críticas têm sido muito agradáveis mas também não foram muitas até porque não estamos numa de andar a melgar o pessoal para fazer reviews e isso. Até nisso não nos levamos muito a sério… A review do Arte Metal do Brasil tem uma expressão engraçada e que resume bem Baktheria, qualquer coisa como “não estão aqui para enrolar…”. É isso mesmo!

11822760_394405487425842_5339045189317188111_n-2Uma das coisas que vemos neste trabalho é a crueza do vosso som simples e directo. Como é que surgiram estes temas nos vossos ensaios? Quem é o principal compositor? A temática das vossa letras está em perfeita sintonia com o vosso som. É uma fórmula para manter ou querem experimentar coisas novas?

Os Baktheria nasceram com o propósito de ser uma banda simples e virada para o “vivo” e são como que um tributo a Ratos de Porão ou Extreme Noise Terror, não tenho problemas em assumir isso, nenhuns. Foi tudo muito rápido embora planeado. Eu e o Alex, compusemos, em pouco mais de dois meses, uns 10 ou 11 temas. Entretanto, o Rui Marujo (baixo) entrou e contribui com ideias para cerca de três temas. As letras, bem como toda a imagem e essência de Baktheria, é o mal, basicamente. Mas não é um mal fictício, é um mal bem terrestre. E esse conteúdo tem de ser traduzido em pura agressão musical! A fórmula é para manter, simples e eficaz. O que queremos mesmo no próximo trabalho é engrossar ainda mais o som, queremos um peso mesmo fodido!!!

Quando estás num concerto em que os Baktheria participam, és dos que se encostam ao bar a beber cerveja ou dos que estão atentos às bandas? Ou ambas as coisas? Que achas desta mistura em concertos de bandas novas, com o pessoal que já anda na estrada aos anos? Que conselhos darias a este pessoal mais novo?

A minha postura, normalmente, é de observação com uma cerveja na mão! Mas depois de tocar, só apetece é cair na cama, sair. Há uma grande descarga de adrenalina, fico seco, pensativo. Comigo é assim. Mas por respeito e também para curtir as outras bandas e estar com o pessoal, bebem-se umas cervejas, põe-se a conversa em dia, etc. Quanto à mistura que referes, acho muito bem. Por mim, qualquer coisa serve, o que importa é o respeito e humildade, boa onda entre as bandas, pessoal da organização, etc. O resto é lirismo. O conselho aplica-se a novos e velhos.

É tudo, Rui. Muito obrigado pelas tuas respostas e por esta tua participação. Podes deixar algumas palavras aos nossos leitores e aos vossos fãs!

Obrigado Marco pela entrevista e boa sorte para a Ode Lusitana e os teus projectos. Baktheria é banda de “vivo”, portanto, quando passarmos por onde vocês moram, apareçam que vão levar com uma descarga de barulho e cenas parvas, mas vão curtir.