Shell From Oceanic
Shell From Oceanic, banda do Porto formada em 2010, abalou a cena nacional do metal progressivo com o seu álbum de estreia “Ambivalence” editado em dezembro do ano passado.
Formados por César Ramos (guitarra), Cláudio Frank (guitarra), Luís Correia (baixo) e Luis Neto (bateria/percussão) segue a entrevista para ficarem a conhecer melhor a banda e se ainda não tiveram a oportunidade de ouvir o álbum, procurem e fiquem atentos ao som deles.
Para começar tenho que vos agradecer por terem aceite responder a estas perguntas da Ode Lusitana e é um prazer ter uma das bandas mais inovadoras do metal progressivo português nas nossas páginas. E a primeira pergunta é como nasce Shell From Oceanic no Porto, corria o ano de 2010? Já todos se conheciam? O Luís Correia (baixo) entra para a banda em Maio do ano passado. Como foi esta integração?
Obrigado pelo interesse e pela entrevista! Muito resumidamente, poucos meses depois do início do projecto, o César (Guitarra/Teclados) falou com o Luís (bateria) através de um anúncio num fórum online, visto que muitas bandas de referência/influência eram um ponto em comum para os dois. A partir daí, marcou-se um ensaio com os restantes membros fundadores do grupo, que já não fazem parte da formação, e começámos a compor algumas músicas. Após várias mudanças de membros, chegamos no final de 2013 à formação com a qual iríamos gravar o álbum de estreia. Cláudio Frank e César Ramos nas guitarras, Ricardo Mendes no baixo, e Luís Neto na bateria.
Após a conclusão das músicas, contactámos o Paulo Lopes do estúdio Soundvision, e começámos as gravações para o álbum, que intitulamos de “Ambivalence”. Já quase no fim das gravações, as circunstâncias levaram a uma mudança de baixista, tendo entrado o atual, Luís Correia, que ainda gravou duas das músicas do álbum (“Hope”, e “Into Arid Seas”).
Durante muito tempo andaram à procura de vocalista, mas optaram por deixar este espaço vago no seio da banda. Foi a necessidade que vos levou a optar por serem uma banda instrumental, ou a voz poderá não se coadunar com o vosso som? A banda instrumental é para manter?
No início, sim, a falta de vocalistas compatíveis com o nosso som foi a grande culpada. Sempre pensámos em ter um vocalista, até porque, originalmente, a nossa sonoridade era mais agressiva, e virada para o death metal. Logo, não viamos muito sentido em sermos uma banda instrumental. Chegaram a passar vocalistas pela formação, e algumas das músicas presentes no álbum tinham já letras e linhas de voz escritas, mas quando fechamos a formação pré-álbum decidimos que fazia sentido pôr os vocais de lado, porque queríamos seguir uma vertente estilística mais virada para sonoridades progressivas e com influências de jazz fusão e música eletrónica. Isto também porque queríamos ter mais liberdade expressiva, num sentido de poder ter estruturas não convencionais e passagens complexas sem termos de nos preocupar com a presença de um vocalista.
Em relação à última pergunta; a ideia é continuarmos uma banda instrumental, mas não vamos fechar portas a mudanças futuras, porque apesar de termos já 5 anos de existência, apenas recentemente consideramos que nos tornamos numa banda completa, e ainda temos imenso para explorar. Este álbum é o produto de 4 anos de composição, mudanças de membros e alguma turbulência, por isso esperamos no futuro poder fazer algo mais ponderado e com mais maturidade.
Em dezembro do ano passado lançam o vosso primeiro longa duração de nome “Ambivalence”. Como funcionou este longo processo de gravações? Na minha opinião este é um álbum que mostrou uma excelência dentro deste estilo. Qual a opinião que receberam acerca deste trabalho?
A composição do álbum foi iniciada em meados de 2011 e terminada um pouco antes da entrada em estúdio, em Dezembro de 2013. Decidimos trabalhar com o Paulo Lopes (Crushing Sun) no Soundvision Studios, por ser uma referência em produção neste genero de música. Houve sempre um grande interesse em lançar algo com uma atenção especial à qualidade, acabando por demorar algo mais com estas preparações.
As opiniões que recebemos do álbum ultrapassaram as nossas expectativas, havendo boas criticas em blogs internacionais e por parte do público nacional, um grande interesse em levar a banda aos palcos.
Está nos vossos objectivos não tocar ao vivo e apenas fazer gravações de estúdio? Qual a próxima novidade dos Shell From Oceanic e o que podemos esperar?
Não, de todo! Ainda não pudemos tocar ao vivo por razões logísticas, devido ao facto de sermos todos estudantes/trabalhadores. Tencionamos começar os concertos no último trimestre deste ano, por isso sim, teremos novidades em breve.
Falamos do presente, mas também queremos saber o vosso passado. Como se interessaram pelos sons mais pesados e quais foram os primeiros álbuns que ouviram?
Foi uma transição natural de ouvir outras coisas, não sabemos bem responder. Ficam aqui algumas das bandas que serviram como ponto de referência para irmos de encontro uns aos outros musicalmente:
Opeth, Scale the Summit, Between the Buried and Me, Cynic, Mastodon, Intronaut, Devin Townsend, Death, Extol.
Que trabalhos de metal progressivo actuais e a nível mundial acompanham? Qual é a vossa opinião em relação à recepção que este estilo tem nos headbangers nacionais?
Não somos grandes fãs do panorama do metal progressivo atual, e ouvimos muito mais música fora do género, mas achamos bastante positiva a boa reação do público português a este mesmo, porque mesmo quando lançámos o álbum não faziamos ideia do que esperar, e tivemos uma excelente recepção dos headbangers nacionais e não só, maioritariamente por ser um trabalho algo diferente do que tem andado por aí, o que nos deixa, obviamente, bastante satisfeitos.
E com isto terminamos esta entrevista e da qual agradecemos novamente, esperando novidades em breve. Estas últimas linhas são vossas para deixarem umas palavras aos nossos leitores.
Obrigado mais uma vez, e estejam atentos à nossa página de Facebook, que as novidades estão para breve!
Círculo de Fogo
Círculo de Fogo, é um nome que já se encontra entranhado na história do movimento underground português. Com o primeiro aparecimento em 1995 através do programa de rádio, tem sido utilizado todos os meios para a divulgação da música que se faz no nosso país, sendo de destacar as e-compilações e do qual todos deverão visitar o bandcamp para efectuar o download deste material. Melhor dito, visitem tudo o que esteja relacionado com o Círculo de Fogo!
Mas não há nada melhor do que ter uma conversa com o mentor deste excelente trabalho, o Luís Filipe Neves.
Viva Luis! É com prazer que assistimos aos 20 anos do Círculo de Fogo, que começou pela divulgação do metal em 1995 através do programa de rádio com o mesmo nome, mas também passando após isso pela divulgação que fazes através da net e pelas e-compilações. Começando quase pelo fim qual a receita para este sucesso de 20 anos? De onde surge o nome Círculo de Fogo?
Saudações, Marco e leitores da Ode Lusitana!
No início, diz-se que é por “amor à camisola” ou “carolice”, mas talvez a divulgação de música seja uns dos meus karmas. Desde a infância que me sinto atraído pelas sonoridades mais rockadas e pesadas, as quais partilhava com os amigos mais chegados, alguns familiares e colegas de escola. Enquanto houver gente ativa, seja a compor, produzir, editar, organizar eventos, etc, que matéria-prima para divulgar não falta.
A primeira vez que vi círculos de fogo na grande tela foi no filme “Dracula de Bram Stoker“, porém o nome surgiu em leituras e transcende a música, até porque as variadas temáticas líricas abordadas no Metal incitam-nos para outras áreas de interesse.
O teu início está muito relacionado à rádio, com alguns programas antes do “Círculo de Fogo”, como o “Barreira de Som” e outro de Hard n’ Heavy. Como era trabalhar nestes programas? Como era realizada a preparação dos programas? Existia uma boa resposta por parte das pessoas da zona de Viseu?
O Barreira de Som foi um projeto apresentado em ’93 por mim e por Miguel Rodrigues [Sons Marginais, Red Line, Motaquarta]. A Rádio NoAr, no coração da cidade, abrigou o programa nas noites de segunda a sexta-feira (eu às terças), ao qual se juntaram Jorge Figueiredo [Metal NoAr, Metalurgia], Manuel Joaquim [Wroth Zine, Eclipse Metálico], Gonçalo Melo [banda Shiver, DJ no The Day After], entre outros realizadores, e abrangia do Hard Rock ao Death/Grind. Após a venda dessa emissora, em ’94 passei pela Rádio Viriato, onde dava airplay ao Hard n’ Heavy, no final das tardes. O Círculo de Fogo começou no Rádio Clube do Interior em 1995, até finais dos 90s. Rolavam os vinis, cassetes e CDs que tinha até então, adicionava à playlist outros discos de amigos que emprestavam e como não havia internet, consultava zines, newsletters, revistas e jornais para reciclar informação, bem como escrevia a músicos, editores, managers, promotores e media. Mantinha o hábito de sintonizar regularmente os programas underground das rádios piratas locais, bem como os radioshows de Metal, sendo o António Sérgio, Luís Filipe Barros e Gustavo Vidal algumas das minhas referências diretas. Por carta, por telefone no decorrer da emissão ou pessoalmente, havia quem se manifestasse, mas também é sabido que os programas de autor sempre suscitaram mais fidelidade por parte dos ouvintes, em relação aos generalistas.
Em 2003 passas a ter uma mais forte divulgação pela net através do site do Círculo de Fogo. Este trabalho ajudou-te na organização de todo o teu trabalho? Na minha opinião pelo menos ajudou-me a encontrar e informação facilmente e a saber onde tinha que procurar as novidades e os contactos! Como recolhias a informação? Tiveste a colaboração de algumas pessoas neste projecto?
O site em www.circulodefogo.inforzone.com foi criado no ano em que o Círculo de Fogo regressou à antena da Viriato FM e servia de apoio ao programa, principalmente a agenda de concertos, que era escrita, com alguns cartazes em anexo. Talvez seja a mais antiga agenda de Metal em Portugal, na internet. Cerca de 17 mil cartazes de espetáculos ao vivo encontram-se presentemente disponíveis para consulta em www.facebook.com/CirculoDeFogo.pt.
Apesar do Círculo de Fogo ser o meu alter ego na música, todos os que me contactam, por carta, e-mail ou Facebook são colaboradores neste projeto.
Desde 2007 editas as e-compilações, que são um excelente trabalho de compilação e divulgação do metal português. Como funciona o processo de criação destas compilações? Uma coisa que acho fantástica são as capas e os nomes atribuídos a cada compilação. Como surgem na tua ideia? Depois de 4 anos surge a compilação número 10 (“Regeneração”). Quando teremos as próximas?
Desde a primeira emissão do Círculo de Fogo que há espaço para a produção nacional; nos últimos anos do programa, a primeira edição de cada mês era preenchida integralmente pelas sonoridades lusas, fosse Metal, Rock, Punk, Hardcore, Gótico ou Progressivo. A primeira compilação foi editada um mês depois do programa de rádio acabar e é uma continuidade na difusão da diversificada música portuguesa.
As capas são da autoria do pintor gestual Pedro Albuquerque (www.facebook.com/AlbuQpedroalbuquerque), natural de Viseu, o qual se destaca igualmente na escultura, heráldica e pergaminhos. Entre outras estórias, menciono a ilustração da compilação #1 que é um excerto de um trabalho, posteriormente reconhecido internacionalmente, o qual se encontra desde 2009 num museu em New York – “capital do mundo”. Quando a #10 “Regeneração” foi idealizada, o objetivo seria incluir maioritariamente bandas jovens na cena, independentemente do background dos músicos, sendo o baterista Tiago dos Sangue Lusitano o mais novo a participar, com 13 anos.
A #11 será editada a 21 de setembro do corrente ano, intitular-se-á “Viseu” e incluirá bandas e solistas naturais e/ou residentes no distrito de Viseu, nos universos do Metal n’ Rock. Sendo alojada em www.circulodefogo.bandcamp.com, será uma coletânea digital em aberto, com possibilidade de serem adicionados outros grupos. É feita a pensar no legado musical viseense, desconhecido de muita gente, mesmo entre conterrâneos, é elaborada para apoiar os músicos no/do presente e deixa a porta aberta para futuros projetos musicais que surjam na região. Incluirá biografias redigidas em português.
O Círculo de Fogo tem passado estes 20 anos pelos altos e baixos da nossa cena underground nacional. Como tens visto a situação nestes anos todos? O aparecimento das novas tecnologias tem dado um maior facilitismo de divulgação às bandas, diminuindo o número de pessoas que se dedicam à divulgação através de webzines, fanzines? Qual o caminho que está a seguir o nosso metal?
Quando a internet, como é conhecida, não existia ou ainda era uma miragem, as bandas e editoras recorriam aos meios de divulgação para dar a conhecer o seu trabalho. As novas tecnologias impulsionaram a auto-promoção, graças ao aparecimento dos sites, depois impôs-se o MySpace e, mais recentemente, o Facebook, não obstante continua a haver mass media no suporte. Baseando-me, por exemplo, em cartazes de eventos que vou publicando, têm surgido imensas bandas ultimamente; nunca deixou de haver promotores e palcos de norte a sul do país, e verifico que há cada vez mais seguidores e interessados em acompanhar o nosso underground. O “Boom” do Metal nacional ocorreu em meados dos 90s, com algumas bandas a criar um movimento pós-“The Birth of a Tragedy“, não obstante atualmente temos muitas centenas de bandas no ativo, para todos os gostos e feitios, muitas delas em nada ficam atrás das congéneres estrangeiras.
Os estudos científicos comprovam que a aprendizagem de um instrumento musical estimula o cérebro, a coordenação motora, a sociabilidade, entre outros benefícios. Nos dias que correm, uma guitarra clássica de iniciação fica mais ou menos pelo preço de um jogo PlayStation, além da formação musical que está mais acessível, seja em escolas públicas e privadas de música, na catequese, na internet,… Fico curioso pelo próximo caminho do Metal. Música é arte e cultura!”
E assim terminamos esta entrevista. Muito obrigado por tudo! O Círculo de Fogo faz um excelente trabalho na divulgação do metal nacional e esse é um dos seus principais objectivos. Podes deixar umas últimas palavras para encerrar esta entrevista.
– Apoiem, motivem e incentivem os músicos e todos aqueles que dão o seu contributo na cena musical portuguesa, enquanto cá andam. Depois de encerrarem atividades, de pouco adianta lamentar o seu fim.
Obrigado, Marco e muita força para a Ode Lusitana!
Depois desta entrevista e neste dia especial de 21 de setembro surge a compilação Nº 11 dedicada a Viseu com vários artistas naturais e/ou residentes no Distrito de Viseu. Faz o download desta e de outras compilações em Círculo de Fogo bandcamp.
Dead Silent
Dead Silent, banda do Funchal, teve as suas origens no início de 2006, após alguns dos elementos terem cessado com o anterior projecto de nome Blue Sound Traffic. Todos os elementos são conhecedores e participam no meio underground da Madeira e lançam em 2007 o EP de 3 temas. Em 2014 é divulgado o single “Disarray” que faz parte do trabalho a lançar em breve e de nome “The Island”. Banda composta pelo Dário Abreu (voz/baixo), Saúl Caires (guitarra), Eurico Santos (guitarra) e Jorgeu Abreu (bateria).
Estivemos à conversa com o Dário e que nos apresenta o mundo dos Dead Silent.
Viva Dário e bem-vindo à Ode Lusitana! Para começar, ainda te lembras como começou este teu interesse pelo metal? Tinhas um grupo de amigos que se reunia para ouvir as novidades? Ouvias de tudo um pouco, ou já tinhas interesse por uma sonoridade mais específica?
Boas! E desde já obrigado por esta entrevista. Basicamente acho que já nasci Metalhead e não sabia, depois quando o meu irmão pôs as mãos numa K7 de AC/DC foi sempre a abrir, Dio, Black Sabbath, Dokken, W.A.S.P., Iron Maiden, Venom, Death, Overkill, gravávamos tudo o que apanhávamos, fossem as cenas que o pessoal arranjava (que se tornavam uma espécie de propriedade da comunidade) ou do programa de Rádio da altura aqui na ilha (Dança do Fogo). comprávamos discos e K7s com o pouco dinheiro que houvesse. Lembro-me por exemplo de trocar K7s e encomendar com o pessoal as cenas, nomeadamente os Cd’s e t-shirts do catálogo, na altura uma fotocopia mal tirada a verde e preto, da hoje enorme Nuclear Blast.
Sempre ouvi dentro do METAL de tudo um pouco e hoje em dia do hard Rock mais lamechas ao noisecore mais barulhento do mais antigo ao mais moderno vou ouvindo de tudo um pouco.
Quando é que deixas de ser um ouvinte e passas a um executante? Era um interesse que já tinhas dento de ti? Ainda te lembras do teu primeiro instrumento?
Nem sei se posso ser considerado executante, nem me considero um músico. Sou apenas um gajo que gosta de METAL e se diverte a fazer umas coisas sem se preocupar muito com o que os outros possam pensar, pois se for esse o objectivo nº1 nem vale a pena ser feito pois com certeza que hás-de falhar…. ahhaha….
Foi um interesse que nasceu pois senti que era algo exequível. O Metal tem, ou pelo menos tinha, essa vantagem. Não havia aquela pressão para seres fantástico, apenas tinhas que ser duro e convicto pra seres respeitado, e alem de ser uma forma de expressão era também uma forma de convivência. No fundo penso que todo o gajo que um dia fez air guitar já pensou em formar uma banda…uns cometem a loucura de o fazer… de qualquer modo hoje em dia já anda aí um monte de gajos que pensam que ou és tecnicista ou não és ninguém eu como não sou ninguém tenho que rebater esse argumento … de qualquer forma anda aí muita cena tecnicista que eu aprecio e muito.
O meu primeiro instrumento foram umas violas acústicas do meu pai com a qual, eu e o meu irmão, o Jorge (baterista da banda), interpretávamos algo parecido a speed fado ou fado metal, o que, e tendo em conta que o meu irmão tocava bateria nas almofadas, até era bastante chique, a 1ª guitarra a serio foi uma Mason emprestada e depois gastei um salário na aquisição da Ibanez, com a qual tenho uma relação que dura até hoje. Por curiosidade o baixo que uso neste momento é também é um Ibanez.
Passas por várias bandas, como Reincarnation, Insania, Outerskin. Que lembranças guardas?
Lembranças? acima de tudo andar com material ás costas que esta gente não sabe viver ao pé da estrada…ahha. Depois os concertos são sempre uma experiência á parte ainda que por cá não existam muitos, mas os que há são memoráveis pelas melhores ou piores razões. Lembro-me por exemplo, com Outerskin, no Caniçal de um palco suspenso a uns 3 metros de altura, em andaimes que balançava muito e quando pisei terra firme as pernas começaram a tremer… ahahha. ….
Em dezembro de 2007 entras para os Dead Silent como baixista. Como surgiu essa oportunidade? Já conhecias o pessoal de outras andanças?
Os Dead Silent? Sim já nos conhecíamos há muito, até porque eu já tinha tocado com o Eurico na fase final de Insania e o meu Irmão e o Saúl eram dos Drawned in Tears e já nos conhecíamos até dos tempos em que faltávamos, pontualmente, ás aulas e em que o pessoal ainda temia “os metálicos”. Alem disso ensaiavam na minha casa, e apesar de eu estar nessa altura em Outerskin, os dias de ensaio não eram coincidentes, e precisavam de um baixista, a mim alem de me agradar o som e o pessoal, parecia-me melhor me juntar a eles do que ficar a ouvir o barulho …ehheh…
E surge também a oportunidade de seres vocalista! Como está a ser a experiência?
.. pois, posso dizer que definitivamente nem estava nos planos, até porque já tinha tido a experiência em Insania e tinha decidido que o meu futuro não passaria por mais que algumas back vocals ocasionais … Mas perante o facto de termos chegado a um ponto em que tínhamos tudo gravado e não havia voz, achámos que era uma solução exequível, e entre todos lá reconstruimos a parte lírica e vocal dos temas o que nos levou mais uma carrada de tempo mas valeu a pena porque entre todos conseguimos resolver bem a questão (O Jorge e o Eurico também fizeram vozes)… A experiencia tem sido interessante, mas o facto é que estou na fase em que estou começando a juntar as duas funções, e se calhar até não me importava de ceder uma dessas posições de forma a poder desfrutar ao máximo e também ganhar alguma eficiência.
Dead Silent tornam-se uma banda que todos sentem curiosidade em ouvir, especialmente depois de lançarem o single “Disarray” e já no mês de Maio deste ano disponibilizam o tema “The Island”. Mas para quando a edição do álbum “The Island”?
A edição do álbum será o mais brevemente possível, mas seja pela nossa auto-exigência pessoal , ou por outros factores isto tudo tem levado algum tempo, depois de termos lançado o tema titulo, já era até pra estar disponível no Bandcamp, mas depois surgiram outras possibilidades que estão em estudo. E, por essa falha nos timings peço desde já desculpa a todos, sendo que seja em que formato for esperamos ter a cena cá fora o mais brevemente possível para quem quiser ouvir. Posso vos garantir que é um verdadeiro trabalho de equipa, honesto e dedicado feito por quatro gajos de trinta e tal anos pelo simples amor ao Rock e METAL, uma vez que não fazemos planos de ficar ricos com isto…
A ilha no fundo pode ser qualquer coisa… desde a nossa realidade diária como banda, de certa forma enclausurada numa Ilha, ou aquela do “nenhum homem é uma ilha” sendo que nessa versão eu até penso que ver o Homem como a própria ilha até tem um peso dramático que me agrada.
Com este tempo de espera já tem ideias para o próximo álbum?
De momento ainda não chegámos a essa fase de pensar no futuro, até porque entre as responsabilidades e horários laborais de cada um temos que fazer as coisas devagar e com os pés bem assentes no chão, por exemplo se nos encontramos para decidir qualquer coisa por vezes já não dá pra ensaiar. O próprio álbum foi gravado, e misturado, em horário de ensaio, e é assim que vamos passando as quartas e sábados sempre que possível, e infelizmente nem sempre é possível…
A insularidade da Madeira tem prós e contras. O confinamento do território pode levar a uma cena unida, mas ao mesmo tempo pode trazer dificuldades na divulgação, especialmente fora da ilha. O que achas desta situação?
Quanto a isso da ilha ser limitativa acho que depende de como lidas com o assunto, podes ficar num canto a chorar ou podes lidar com isso ou até, se a ilha te limita tanto, podes criar um par de tomates e nadar ou voar daqui pra fora…
Como está a cena metaleira na Madeira?
A cena diria que está como sempre, a diferença é que agora começam mais novos e se calhar de certa forma tocam melhor.
Aqui no continente tem havido uma forte divulgação a nível de bandas e eventos. As bandas daí conseguem apresentar publicamente os seus trabalhos?
Há fases em que há muitos concertos e depois fases mais calmas como agora, ainda assim as bandas vão fazendo o que têm a fazer sem pensar se dão muitos ou poucos concertos e temos assistido a bons trabalhos de bandas novas e velhas como os Exercium, Calamity Islet, Karnak Seti, Requiem Laus, Raiva e por aí a fora …
Há tempos estive no Funchal na Zona Velha, quando passa por mim um miúdo, com uma t-shirt dos Slayer e guitarra ao ombro, que me deixou com um sorriso de orelha a orelha, porque é sinal que o movimento não está morto. Que concelhos darias a este pessoal que quer começar com uma banda?
Ao pessoal que quer começar diria que devem faze-lo por amor á camisola e não para obter reconhecimento fácil pois assim estarão sempre frustrados. Diria também que o contrário do que muitos pensam o METAL não garante miúdas, dinheiro, fama ou fortuna a ninguém até pelo contrário gasta-se imenso dinheiro e tempo, mas pelo menos volta e meia lá ficamos com a miúda… ahhaha…
O que falta para a Madeira voltar a ter um ambiente forte a nível do Metal?
Não sei se a Madeira alguma vez vai ser muito forte a nível de metal…mas também penso que a cena não vai morrer, já não temos os Incognita ou os Drawned in Tears, mas ainda temos uma porrada de gente nova e velha a fazer Rock e METAL mesmo que no anonimato. Também era bom conseguir mais intercâmbio de bandas nos vários sentidos, sejam bandas exteriores a vir cá tocar ou pessoal de cá a ir e voltar.
E assim chegamos ao fim da entrevista e queria agradecer-te pelo tempo dispendido em responder às questões. Vamos continuar atentos aos Dead Silent e para finalizar podes deixar umas palavras aos nossos leitores.
Desde já obrigado a todos pela atenção, e espero que gostem do nosso trabalho, ou que pelo menos o oiçam para poderem dizer mal com conhecimento de causa… hahaha…. Agora a sério, acima de tudo desfrutem da cena e continuem a ouvir bom METAL seja de bandas gigantes ou quase desconhecidas que a cena precisa de todos. ROCK ON!
Segue, ouve e adquire o último trabalho trabalho dos Dead Silent no seu bandcamp Dead Silent!
Humanart
Humanart, banda proveniente de Santo Tirso, edita o seu primeiro trabalho, a demo “Fossil” a 15 anos atrás. Praticantes de uma sonoridade black metal bastante convincente editam em 2014 o seu primeiro longa duração “Lightbringer” que os marca como uma das bandas mais interessantes dentro do panorama nacional. Formados pelo Sathronus (voz), JJ e Fareal (guitarras), Ram (baixo) e Izmit (bateria).
Foi com o guitarrista e mentor JJ que estivemos à conversa.
Viva JJ! Os Humanart formaram-se em setembro de 1998 em Santo Tirso, mas conta-nos um pouco de como chegaste a este projecto, num concelho onde rareavam os adeptos desta sonoridade. Como foi a tua evolução como ouvinte até chegar a este género? O black metal português da altura já te despertava também alguma curiosidade?
Boa noite Marco e leitores em geral, o que posso dizer é que nessa altura já eu ouvia metal à uma boa meia dúzia de anos e tinha tido uma banda de garagem quando soube de um grupo de amigos mais novos e sem experiência estavam com a mesma ideia que eu vinha a amadurecer desde à tempos, a de formar uma banda do meu estilo de metal favorito, o Black metal. Assim, com essa primeira formação gravamos o MCD “Fossil” (2000) que teve bastante aceitação no underground nacional e em algumas publicações estrangeiras pois fomos reconhecidos pela qualidade e originalidade num meio ainda pouco explorado e onde reinava a semelhança entre projectos.
Os Humanart durante algum tempo foram um projecto apenas teu devido às várias mudanças na formação, mas com a entrada de novos elementos, evoluiram a nível sonoro. Como é o vosso processo de criação de novos temas? Os concertos ao vivo são sempre o vosso meio predilecto de transmitir o vosso som?
A substituição de elementos foi acentuada durante estes 16 anos de banda, eu resumo este percurso em três grandes formações: a que gravou o “Fossil”, a que gravou o “Hymn Obscura” e a actual que gravou a Tape “X Years of Black Crusade” e o álbum “Lightbringer” que estamos a promover. O som foi evoluindo assim como acontece com os gostos pessoais, o que começou com uma guitarra/teclas passou a duas guitarras assim que o Black metal com apontamentos sinfónicos deixou de fazer sentido para nós.
Por norma eu esboço o esqueleto de uma nova música em que depois todo o pessoal trabalha até se atingir resultados que nos satisfaçam, e sim, somos uma banda que adora tocar ao vivo com toda a interacção que isso possibilita.
Numa entrevista tua dizes que o “black metal é música carregada de raiva, inconformismo e reflexão, associados ao lado obscuro do Ser Humano”. Consegues explicar este lado obscuro do Homem e de tudo o que o rodeia? Os vossos temas giram à volta deste conceito? Que achas desta vaga actual de bandas post-black metal que vão aparecendo lá por fora? Pode ser polémico, mas estas bandas estão a desvirtuar o estilo?
O lado obscuro é toda aquela parte do ser que se encontra aprisionada pelos dogmas embebidos na sociedade actual principalmente através da religião organizada, gostamos de explorar os limites mesmo que para isso tenhamos de fugir ao politicamente correcto.
Não ouço nada dessa coisa do Post-bm nem acho que se enquadrem no mesmo universo ao qual sou fiel à duas décadas, simplesmente ignoro.
“Lightbringer” o vosso primeiro longa duração editado em 2014, foi um dos melhores registos portugueses do ano. Ao final deste tempo como olhas para o álbum? Os temas encaixaram bem, mesmo alguns deles já terem sido escritos a algum tempo? Vamos esperar mais tempo por um novo álbum?
Com este álbum tem acontecido algo que é inédito, após vários meses dou comigo a ouvi-lo regularmente e com imenso prazer sem sentir aquela necessidade de me afastar um pouco do material como é comum, adoro ouvi-lo e toca-lo, os temas fluem bastante bem já que a organização dos mesmos foi pensada com um fio condutor e uma coerência que não sendo conceptual é completamente intencional.
O sucesso deste trabalho só não teve para já mais eco no nosso país porque “forças estranhas” tentaram abafa-lo e denegri-lo mas estamos satisfeitos com as excelentes críticas que nos chegam dos media estrangeiros, alguns nacionais e muitos fãs de todo o lado aos quais agradecemos todo o apoio no meio desta podridão, podem continuar a contar com as nossas denúncias e exposições de situações incorrectas pois não devemos nada a ninguém nem temos qualquer tipo de contemplação com meia dúzia de imberbes que minam a cena toda.
Quanto a novo álbum ainda é bastante cedo para falar nisso pois vamos estar na estrada com “Lightbringer” por mais um ano pelo menos. Estamos a compor novo material mas que vai permanecer na obscuridade nos próximos tempos.
Ainda tens a noção que o underground português podia estar mais unido? É de realçar a enorme quantidade de bandas que existem actualmente e os vários sítios que existem para concertos, mesmo assim o que podíamos melhorar ainda mais? Os meios de divulgação (facebook, programas de rádio, webzines, fanzines) tem contribuído para o crescimento da nossa cena?
Tenho e cada vez mais, o underground nacional está disperso e desestruturado pelos factores que mencionei anteriormente e mais alguns, e nem me vou por com saudosismos do tempo das zines de papel (que vou matar agora!!!) e grandes eventos a que todos acorriam em massa pelo prazer de apoiar o underground, as coisas mudam e há que tentarmo-nos adaptar mas a desilusão passa por outros factores, dou-vos o exemplo do ridículo de não nos convidarem para a participação em determinados festivais pois não nos viram nas últimas edições dos mesmos no público (quando já comparecemos a inúmeras edições de alguns e mesmo que não o tivéssemos feito qual era o problema???), é disto que se faz o nosso underground, ter de levar com isto além de tocar de borla ou quase. Ou toda a gente saber que há publicações que só publicitam e dão relevo às bandas dos amiguinhos e aos estilos post-qualquererva que ouvem dizendo-se generalistas e isentos como os jornalistas de verdade. A nossa cena resume-se a duas ou três dezenas de boas bandas, meia dúzia de promotores sérios e umas tantas publicações de net e rádios, só.
Obrigado JJ pela tua participação e desejamos também que os Humanart sigam no bom caminho. Algumas palavras finais.
O nosso obrigado e parabéns à Ode Lusitana pelo seu arranque promissor! Os agradecimentos extendem-se a todos os leitores que de uma maneira ou de outra apoiam o metal nacional.
Visita o bandcamp dos Humanart em Humanart Bandcamp
Ultraje Vol. 1 – Compilação
A Ultraje está a preparar para este mês de Setembro duas edições que vem enriquecer a edição nacional relativa à divulgação do metal. São elas o primeiro número da revista Ultraje Magazine, que na devida altura iremos dar a sua atenção e que vem acompanhada pela compilação “Ultraje Vol. 1”, já com alinhamento definido.
Uma compilação que reúne várias bandas a nível mundial e que do nosso território conta com Destroyers Of All, Terror Empire, Emerging Chaos, Booby Trap, Quinteto Explosivo, Rotem e Karuniiru.
Um trabalho a não perder!
Firecum Records
A Firecum Records tem como porta estandarte a divulgação/distribuição de demos clássicas do underground português. Criados este ano, já editaram trabalhos dos Deification, Downthroat e Firstborn Evil. Ficamos um pouco à conversa com o Vasco Reigota e o Peter Junker.
Viva pessoal! É um prazer ter-vos neste número da Ode Lusitana e para começar nada melhor de perguntar-vos se vocês ainda se lembram como é que ambos se conheceram?
Peter: Honestamente já não me recordo bem mas penso que começou por termos alguns amigos em comum naquele eixo Aveiro/Ílhavo em torno do heavy metal que ligava o pessoal naquela altura, mas começamos a conviver mais frequentemente após o Vasco organizar o primeiro festival de heavy metal de Ílhavo no qual eu participei com os Booby Trap.

O movimento na década de 90 em Aveiro/Ílhavo e arredores era bastante forte, com muita coisa a acontecer a todos os níveis. Foi uma época excelente para o metal na região? O parricídio feito pelo Tó Jó (Agonizing Terror) em 1999, abalou fortemente a cena local?
Vasco: Os anos noventa foram produtivos na nossa zona, é um facto! Como sou de Ílhavo começo por cá. Em Ílhavo nunca houve muita gente a fazer alguma coisa. Eu tive alguns projectos, A Prophetical Fanzine, a Lustful Records, etc…. Nessa altura, adolescente e sem dinheiro nenhum, organizei dois concertos onde actuaram bandas como Moonspell, Xharathorn, Disgorged… actualmente Heavenhood, Malevolence, Deification… a minha banda, Agonizing Terror, e os Booby Trap do Peter Junker entre outras. Tirando isso, existiu uma newsletter e uma distro do amigo Adão Jr… a Mishantropic; da qual também fiz parte. Além disso tivemos a Adrenaline Prod do amigo Francis Cole, que embora mais virada para o gótico, também organizou eventos com bandas de Metal. O pessoal dos Agonizing Terror tambem cá trouxe bandas como Grog, Shiver, Aberration e Autopsia. Actualmente só o Blindagem organiza aqui alguma coisa. E claro… temos o Vagos Open Air aqui ao lado. Sobre o parricídio não vou comentar, apenas posso dizer que os tempos seguintes não foram nada fáceis aqui em Ílhavo. A cena em Ílhavo acabou.
Peter: Em Aveiro também não foi muito diferente, recordo saudosamente os anos 90 em que havia praticamente uma banda a ensaiar em cada esquina, infelizmente essa força morreu com a entrada no novo milénio, mesmo os poucos espaços que ainda realizavam concertos acabaram por fechar, hoje não temos um espaço em Aveiro dedicado exclusivamente às sonoridades mais pesadas, quase não há lugar onde possamos realizar um concerto, mas em contrapartida as bandas estão cada vez a aparecer mais e mais fortes, não só as da velha guarda mas também esta nova geração de miúdos que sabem bem o que querem… espero que pelo menos nesse aspecto, assim continue….
Com a passagem dos anos o movimento voltou a dar sinais de vida e ultimamente aparece a Firecum Records. Qual a ideia por trás deste vosso projecto?
Peter: Era uma ideia que eu já andava a magicar há um bocado na minha cabeça mas por falta de tempo, apoio e alguém para partilhar esta aventura comigo, nunca passou do papel, entretanto calhou em conversa com o Vasco em como ele gostava de reeditar a demo da sua antiga banda, Deification com alguns melhoramentos ao nível de som e num formato mais actual do que a velhinha e original cassete, a partir dai as coisas aconteceram em catadupa; tratar de remasterização, do artwork, de definirmos o que seria a imagem de marca da editora e em menos de um mês tínhamos o CUM001 na rua….
Certo é que a Firecum Records foi criada com o intuito de disponibilizar em formato CD demos clássicas do underground nacional, se possível remasterizadas e com temas extras inéditos que possam enriquecer a edição original mas também é verdade que ambicionamos, mais cedo ou mais tarde dar o passo seguinte que passa por editar novas bandas…
Sei que as próximas edições estão no segredo dos deuses, mas já entraram em contacto com mais alguém? Como é que as pessoas reagem aos vossos contactos? Qual a recepção que está a haver por parte do público?
Vasco: Nem os Deuses sabem de nada! Sim, claro que foram feitos contactos. A Firecum é um tributo ao underground nacional como vocês podem comprovar com os nossos lançamentos. Gostamos de dizer que trazemos recordações ao pessoal mais antigo e novidades antigas aos mais novos. Trabalhamos com bandas que achamos que merecem ser trazidas á tona por diversos e variados motivos. A reação das bandas convidadas têm sido simplesmente espectacular! Trata-se de pessoal old school, com o Metal no coração. Nós não temos lucros que nos possibilitem recompensar dignamente as bandas mas até agora nunca houve problemas com isso e as bandas aceitam o convide com agrado e orgulho. Orgulho do qual partilhamos! A reacção do público tem sido bastante boa! Temos já pessoal a colecionar as nossas edições o que demonstra interesse. Deification já esgotou e Downthroat e Firstborn Evil vão a caminho.
Qual a vossa opinião acerca do panorama em Portugal, desde as bandas até ao público e passando por toda a máquina que envolve o meio?
Vasco: O que dizer? Temos bandas espectaculares, concertos e festivais aos pontapés. Bandas a editar trabalhos regularmente. Temos algum reconhecimento internacional. Era isto que queríamos quando éramos putos há 25 anos atrás! Temos variedade e qualidade de escolha, não há desculpas para queixumes. O público está lá sempre que possível, somos um pais pequeno não se esqueçam disso porque é isso que nos torna grandes!
Últimas palavras para os leitores da Ode Lusitana.
Vasco: Obrigado por todo o apoio que nos têm dado. Esperamos estar cá muito tempo com todos vocês do nosso lado. Obrigado Marco pelo apoio e que faças e bom trabalho com a Ode Lusitana e que ela perdure. Muito obrigado e respeito a todos!
Peter: É importante que projetos como a Firecum e a tua Ode Lusitana continuem a alimentar o underground, é isto que distingue o heavy metal de todos os outros géneros, a dedicação a este género musical tão único e apaixonante…go and spread the word…
WE CUM FOR YOU ALL!!!
Ouve aqui alguns dos lançamentos da Firecum Records: Soundcloud Firecum Records
Festering
Festering, banda de death metal formada em 1992 em Santo António dos Cavaleiros, entra num interregno pouco após a formação, voltando em 2012 com dois trabalhos. A demo “From the Grave” e o EP “Exhumed”. Actualmente de volta de um novo registo falamos com o Koja Fernandes, uma autêntica ‘instituição’ do metal português.
Viva Koja! Ao pesquisar acerca dos Festering e de rever as bandas das quais já foste elemento, pergunto se ainda te lembras de como é que começaste a ouvir metal? E como é que passas a ser um intérprete musical?
Então vamos por partes. Primeiro comecei a ouvir metal, só depois me tornei “músico” de metal. Tive o primeiro contacto com a música pesada em meados dos anos 80, 1984/1985, por aí, e, foi através de um facto curioso. Um dia vinha da escola e encontrei uma cassete na rua, no chão e levei-a para casa. Essa cassete tinha várias músicas gravadas de algumas bandas, que na altura não fazia ideia quem eram, mas as quais mais tarde vim a descobrir. Bandas como Helix, Saxon, Iron Maiden, Motorhead, etc. Até à altura não tinha grande interesse por música, nem sequer tinha aparelhagem sonora para a ouvir. O que se ouvia em casa era a televisão e sobretudo rádio, através do meu pai, que tinha sempre uma “telefonia” ligada lá em casa. Não tinha aparelhagem, mas tinha um daqueles pequenos gravadores, usados para carregar os jogos de computador no saudoso ZX Spectrum 46K. O famoso gravador de cassetes da marca “Computone”. Quando pus a cassete nesse mítico gravador e comecei a ouvir aquilo, a minha vida mudou completamente. Até ali o que me interessava de música era Bryan Adams, Scorpions e alguma música que se ouvia nos anos 80, mas não tinha nada deles, cassetes ou discos. A partir daí começou a minha busca incessante por bandas de metal, comprei um gravador como deve ser (com colunas e tudo… lol…) e comecei a ouvir bandas mais pesadas como Metallica, Slayer e assim. Uma das coisas que me ajudou muito na minha entrada na música pesada, foi uma estação de televisão pirata, que surgiu nos anos 80, penso que se chamava TRL (Televisão Regional de Loures), nesse canal pirata, para além de filmes, existia um programa de Heavy Metal. Foi aí onde tive um contacto mais profundo com o mundo do Heavy Metal, através dos videoclipes que emitiam. Depois surgiram os programas de rádio, “O Mensageiro do Massacre” na Rádio Voz de Almada, o “Lança-chamas”, etc. Quando dei por mim, já pertencia à tribo dos metaleiros, onde criei amizades com vários nativos da mesma etnia.
O tornar-me músico, veio por acréscimo. Através das amizades que criei com os meus companheiros de juventude e infância, amizades que ainda se mantêm. Conheci um pessoal nas aulas de Karaté, que frequentava nessa altura, todos de Santo António dos Cavaleiros, então no meio desse grupo de amigos surgiu a ideia de formar uma banda de Heavy Metal. Através de violas acústicas, almofadas, bancos, panelas e tampas de tachos, para se fazer uma bateria, começámos essa aventura. Depois começámos a alugar um estúdio de ensaios em Lisboa, segundo me recordo, na Rua Morais Soares. Era aí onde fazíamos o barulho mais a sério e onde os Guilhotina (o primeiro nome da banda) começaram a compor e a tocar as primeiras músicas, numa vertente mais Punk/Hard Core. Mais tardes, através das mesadas, prendas de aniversários e natais, surgiram os primeiros instrumentos. Por volta de 1989/90 a banda passou a denominar-se Extreme Unction, inicialmente com uma sonoridade mais Thrash e mais tarde Death Metal. Os ensaios passaram a alternar entre as nossas casas, a Associação de Moradores de Santo António dos Cavaleiros e um estúdio na Povoa de Santo Adrião.
Os Festering são formados em 1992 e junto com o vosso outro projecto, os Morbid Symphony editam um split. Isto tudo ao mesmo tempo que através dos Extreme Unction também editavam material. Na altura o que representava os Festering para vocês? Os Extreme Unction tiveram um papel importante nos Festering?
Extreme Unction era a nossa/minha banda, era através dela que ambicionamos viver da/para a música. Os Morbid Symphony e os Festering, bem como os Necro Terror, Benevolence ou Gritos Oleosos, eram projetos paralelos que eu tinha com alguns elementos dos E.U., ou com outro pessoal. Esses projetos reuniam outro tipo de influências musicais que não tinham espaço nos Extreme Unction. Nessa altura havia tempo para tudo, só estudávamos e tocávamos música. Sempre que surgia alguém com uma ideia para uma sonoridade diferente da banda principal, criávamos um projeto e gravávamos alguma coisa nos nossos locais de ensaio, através dos nossos meios. Os Extreme Unction eram a banda principal, para a qual investíamos o nosso dinheiro, com a qual dávamos concertos. Os Extreme Unction foram importantes para os restantes projetos, devido aos músicos que se envolviam nesses mesmos projetos e as influências diversificadas que traziam para eles.
Em 2012 apresentam a demo “From the Grave” e pouco depois editam o portentoso EP “Exhumed”. O que acharam da recepção do público a estas duas edições que servem de regresso aos Festering?
Penso que a receção foi positiva, pelas opiniões recolhidas, acho que as pessoas gostaram do trabalho. Nomeadamente da Demo-tape, pois o EP teve uma edição muito limitada, daí não dispormos de um termo de comparação. Mas penso que, duma maneira geral fomos bem recebidos, pelo que podemos aferir através do rápido escoamento do material em venda.
Passados estes anos já tem prevista a edição do longa duração para breve? Como decorreram as gravações? Quais as temáticas que abordam?
Neste momento estamos em gravações de 10 novos temas, para uma possível edição, caso surjam interessados em lançar o álbum. Estas novas músicas abordam temas mais violentos, numa vertente mais “gore”, desde guerras étnicas e religiosas, genocídios históricos, a temas mais surreais ligados ao terror, ao imaginário zombie e dos velhos filmes de humor e horror como: “The Texas Chain Saw Massacre”; “Bad Taste”. Musicalmente, a sonoridade dos novos temas aproxima-se mais do Gore/Grind (Napalm Death, Carcass), embora se mantenham as influências Death Metal (Entombed, Death, Bolt Thrower, Obituary).
Está previsto também, não sei se ainda para este ano, o lançamento em CD dos dois trabalhos de 2012 (Demo + EP). Edição conjunta da Sinais produções, War Prod e Caverna Abismal.
Ao longo destes anos dentro do meio qual é a tua opinião acerca do metal feito em Portugal? As coisas estão melhores? O death metal ainda respira por cá?
Penso que duma maneira geral o Death Metal em Portugal tem subido de nível, tem acompanhado os tempos e a décalage que existia entre o que se fazia lá fora e o que se fazia em Portugal esbateu-se. Temos bandas com qualidade equiparada ao que se faz nos outros países. Penso que isso é transversal aos outros estilos de Metal. Temos excelentes bandas a lançar bons trabalhos, desde o mais pesado e extremo ao mais melódico e tradicional, como é o caso dos últimos trabalhos de Neoplasmah, Filli Nigrantium Infernalium, Ravesire, Perpetrator… existem boas bandas dentro do Death/Grind, das quais aprecio e que estão bastante ativas em Portugal, Undersave, Dementia 13, Serrabulho, Holocausto Canibal, Grog, Serrabulho, Dawn of Ruins.
Há vinte e tal anos atrás, tal como hoje, havia boas bandas. Não havia as mesmas condições logísticas, tecnológicas e técnicas, nem os músicos eram tão dotados, embora existissem alguns bons executantes. Não havia tantas condições, mas existiam músicos talentosos, criativos e com grande vontade, e, havia todo um admirável mundo novo por explorar. Pois hoje em dia, porventura, estará tudo inventado, qualquer banda que surja não deverá ter pretensões à originalidade, pois a sua música terá sempre uma base em algo já feito. Não digo que as bandas não possam ter a sua sonoridade própria, algo que os distinga dos demais, mas originalidade e inovação não me parece muito provável. A prova disso é a onda de revivalismos que ciclicamente vai surgindo em todos os quadrantes da música.
Hoje em dia existem melhores instrumentos, tecnologia altamente evoluída, mais, maior e melhor acesso ao conhecimento musical. Quer à divulgação do nosso trabalho, quer ao estudo e execução da própria música. Escolas, professores, literatura, vídeos na internet, enfim… uma panóplia de fontes de informação nos mais diversos formatos. Mas isso melhora a sonoridade da música, a qualidade técnica ajuda muito, mas se não houver criativos, bons compositores, a música não chega às pessoas, o público não se revê no que ouve. Um bom executante, com bons instrumentos e bons recursos financeiros e logísticos, não será obrigatoriamente um bom compositor. E o Death, Heavy, Power, Speed, Grind…como o jazz, blues ou a música clássica, é uma forma de arte, e os músicos são os artistas. Sendo assim, não basta haver bons executantes, é preciso a genialidade dos músicos para marcar a diferença entre o que é som e o que é música. Mas claro está… os verdadeiros juízes são o público, os ouvintes, neste caso os metaleiros.
É tudo e muito obrigado por esta colaboração. E já agora uma última palavra para os leitores.
Espero que apoiem o metal nacional e as bandas que, com grande esforço, mantêm Portugal no mapa da música pesada. Muitas vezes as bandas parece que precisam alcançar o respeito internacional, para receber o devido mérito no nosso país. Consumam o material das bandas nacionais, apareçam nos seus concertos e divulguem o nosso trabalho pelos vossos locais de socialização, físicos ou virtuais.
\m/ .. .Death Metal…The Brutal Way!!!… \m/
Para adquirir o novo trabalho “From the Grave” (2015) verifica aqui: Caverna Abismal Records
Emerging Chaos
Emerging Chaos, banda do Barreiro formada em Maio de 2009 praticante de thrash / death metal, faz a sua estreia sonora em 2011, com a demo “Why We Fight” composta por 4 temas. Depois de várias modificações na sua formação a banda é constituída actualmente por Jim Gäddnäs (voz), Tainan Lucas (guitarra), Eduardo Gonçalves (guitarra), Pedro Nascimento (baixo) e Jorge Silva (bateria). Com este alinhamento lançam este ano o EP “The Decay of Mankind”, com 5 temas num total de 20 minutos que nos mostram a força do seu som.
Para conhecer melhor os Emerging Chaos estivemos à conversa com o Pedro Nascimento.
Viva Pedro! Desde já o muito obrigado por teres aceite responder a estas perguntas e vamos começar pelo iníciode tudo. Como foi a tua introdução ao metal e como era feita a descoberta das novas bandas? Tinhas algum grupo amigo mais perto em que podias contar estas novidades?
O meu primeiro contacto com o metal foi em meados dos 80s quando me ofereceram o álbum “Powerslave” de Iron Maiden. Fiquei completamente passado com aquele som e foi a partir desse momento que procurei conhecer mais bandas dentro do género. Tinha alguns amigos que já estavam dentro do metal e comecei a trocar k7s regularmente com eles e foi assim que descobri uma porrada de bandas que me influenciaram musicalmente.
Como nasceu o teu gosto por tocares baixo? Em que bandas participas? Estive a ouvir o trabalho “Beyond the Dust” de 1998 aquando da tua participação nos Move Under Disorder. Com um som baseado principalmente no thrash metal o que levou ao desaparecimento desta banda?
Sempre gostei bastante de bandas com uma secção rítmica forte e quando tive dinheiro para comprar um instrumento nem pensei duas vezes e comprei um baixo. Tive umas bandas locais com uns amigos mas acho que o salto em termos musicais foi quando me juntei a uns tipos da linha de Sintra e formámos os Move Under Disorder. Foram tempos muito bons, gravámos e fizemos concertos de Norte a Sul do país mas infelizmente a saída de 2 dos membros precipitou o fim da banda em 2001.
Em Maio de 2009 dá-se o nascimento dos Emerging Chaos do qual és um dos elementos fundadores. Qual foi a necessidade de criar esta banda dedicada ao thrash / death metal? Já conhecias o pessoal? Conta-nos um pouco desta vossa origem.
Após o fim dos M.U.D. comecei a tocar cada vez menos, ainda tive uns projectos maisvirados para o industrial mas nunca tiveram pernas para andar por varios motivos, até que um dia o Jorge Silva, numa noite de copos, me convidou para uns ensaios. Fizemos ensaios com alguns guitarristas mas foi coma entrada do Tainan Lucas que as coisas começaram tomar forma musicalmente e surgiram os Emerging Chaos. Acho que o tipo de sonoridade nos saiu naturalmente, nunca apontámos para um género específico, as musicas foram surgindo a bom ritmo e gravámos a demo “Why We Fight” (que só saiu em formato digital ) já com o Hugo na voz, mais tarde entrou o Eduardo para a segunda guitarra e começámos as gravações do EP “The Decay of Mankind”.
Depois da saída do Hugo ‘Hellsinger’ e da ajuda do Osvaldo Serra nas actuações ao vivoandam à procura de um vocalista, até que aparece ofinlandês Jim Gäddnäs. Como surgiu esta oportunidade entre ambos e como é trabalhar com o Jim? Como foi o processo da criação deste vosso trabalho “The Decay of Mankind” e como tem sido as reacções?
A saida do Hugo aconteceu a meio da gravação do EP, o que veio baralhar completamente todos os prazos de lançamento do EP e pôr em causa algumas datas ao vivo que já tinhamos. O Osvaldo ofereceu-se para nos ajudar com algumas datas mas sabiamos que os outros projectos dele não lhe deixavam muito tempo livre e nunca deixamos de procurar um vocalista. Testámos sem grande sorte alguns vocalistas até que o Jorge nos informou que um finlandês que se tinha mudado para cá tinha respondido a um dos anúncios que tínhamos colocado. Combinámos uma audição e logo percebemos que era o tipo perfeito para o lugar. A voz do Jimera completamente diferente do que estavamos habituados, muito mais solta e funcionava muito bem nas musicas que tínhamos. As cinco músicas deste EP já estavam gravadas, só faltava colocar voz, mas demos ao Jim oportunidade de refazer do zero todas as letras existentes e ele imediatamente começou a trabalhar nas letras e a gravar as vozes à medida que as ia criando. O EP “The Decay of Mankind” saiu no início de Junho e tem tido boa aceitação e críticas favoráveis.
Qual o próximo passo dos Emerging Chaos? Que achas dacena musical actual da Margem Sul e das suas bandas? Margem Sul vs Lisbon South Bay, julgo que para ti vai continuar sempre a ser Margem Sul! Como explicas a quantidade de bandas que já saiu desta zona?
Para já os Emerging Chaos estão focados na promoção deste EP e em tocar ao vivo o mais possível, já temos algum material novo e devemos ainda este ano começar novas gravações. Lisbon South Bay?!? A Margem Sul sempre teve uma identidade própria e essa nova designação é um perfeito disparate. A Margem Sul é terreno fértil para bandas e temos vindo a tocar com bandas locais bastante boas e as novas bandas não param de aparecer. Se depender desta margem o Metal não desaparece!
E assim chegamos ao final desta entrevista e obrigado pela colaboração! Estas últimas palavras são tuas e podes dizer de tudo o que te vai na alma! Até uma próxima e vamos continuando atentos aos Emerging Chaos!
Queria agradecer á oportunidade desta entrevista e dar os parabéns pelo apoio e pela divulgação do que por cá se faz em termos de musica pesada!
Confere o som no bandcamp de Emerging Chaos: Emerging Chaos bandcamp






