Divulgação do metal português

Dead Silent

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Dead Silent, banda do Funchal, teve as suas origens no início de 2006, após alguns dos elementos terem cessado com o anterior projecto de nome Blue Sound Traffic. Todos os elementos são conhecedores e participam no meio underground da Madeira e lançam em 2007 o EP de 3 temas. Em 2014 é divulgado o single “Disarray” que faz parte do trabalho a lançar em breve e de nome “The Island”. Banda composta pelo Dário Abreu (voz/baixo), Saúl Caires (guitarra), Eurico Santos (guitarra) e Jorgeu Abreu (bateria).

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Estivemos à conversa com o Dário e que nos apresenta o mundo dos Dead Silent.

Viva Dário e bem-vindo à Ode Lusitana! Para começar, ainda te lembras como começou este teu interesse pelo metal? Tinhas um grupo de amigos que se reunia para ouvir as novidades? Ouvias de tudo um pouco, ou já tinhas interesse por uma sonoridade mais específica?

Boas! E desde já obrigado por esta entrevista. Basicamente acho que já nasci Metalhead e não sabia, depois quando o meu irmão pôs as mãos numa K7 de AC/DC foi sempre a abrir, Dio, Black Sabbath, Dokken, W.A.S.P., Iron Maiden, Venom, Death, Overkill, gravávamos tudo o que apanhávamos, fossem as cenas que o pessoal arranjava (que se tornavam uma espécie de propriedade da comunidade) ou do programa de Rádio da altura aqui na ilha (Dança do Fogo). comprávamos discos e K7s com o pouco dinheiro que houvesse. Lembro-me por exemplo de trocar K7s e encomendar com o pessoal as cenas, nomeadamente os Cd’s e t-shirts do catálogo, na altura uma fotocopia mal tirada a verde e preto, da hoje enorme Nuclear Blast.

Sempre ouvi dentro do METAL de tudo um pouco e hoje em dia do hard Rock mais lamechas ao noisecore mais barulhento do mais antigo ao mais moderno vou ouvindo de tudo um pouco.

11072199_881419651900811_9027145652901562166_nQuando é que deixas de ser um ouvinte e passas a um executante? Era um interesse que já tinhas dento de ti? Ainda te lembras do teu primeiro instrumento?

Nem sei se posso ser considerado executante, nem me considero um músico. Sou apenas um gajo que gosta de METAL e se diverte a fazer umas coisas sem se preocupar muito com o que os outros possam pensar, pois se for esse o objectivo nº1 nem vale a pena ser feito pois com certeza que hás-de falhar…. ahhaha….

Foi um interesse que nasceu pois senti que era algo exequível. O Metal tem, ou pelo menos tinha, essa vantagem. Não havia aquela pressão para seres fantástico, apenas tinhas que ser duro e convicto pra seres respeitado, e alem de ser uma forma de expressão era também uma forma de convivência. No fundo penso que todo o gajo que um dia fez air guitar já pensou em formar uma banda…uns cometem a loucura de o fazer… de qualquer modo hoje em dia já anda aí um monte de gajos que pensam que ou és tecnicista ou não és ninguém eu como não sou ninguém tenho que rebater esse argumento … de qualquer forma anda aí muita cena tecnicista que eu aprecio e muito.

O meu primeiro instrumento foram umas violas acústicas do meu pai com a qual, eu e o meu irmão, o Jorge (baterista da banda), interpretávamos algo parecido a speed fado ou fado metal, o que, e tendo em conta que o meu irmão tocava bateria nas almofadas, até era bastante chique, a 1ª guitarra a serio foi uma Mason emprestada e depois gastei um salário na aquisição da Ibanez, com a qual tenho uma relação que dura até hoje. Por curiosidade o baixo que uso neste momento é também é um Ibanez.

Passas por várias bandas, como Reincarnation, Insania, Outerskin. Que lembranças guardas?

Lembranças? acima de tudo andar com material ás costas que esta gente não sabe viver ao pé da estrada…ahha. Depois os concertos são sempre uma experiência á parte ainda que por cá não existam muitos, mas os que há são memoráveis pelas melhores ou piores razões. Lembro-me por exemplo, com Outerskin, no Caniçal de um palco suspenso a uns 3 metros de altura, em andaimes que balançava muito e quando pisei terra firme as pernas começaram a tremer… ahahha. ….

Em dezembro de 2007 entras para os Dead Silent como baixista. Como surgiu essa oportunidade? Já conhecias o pessoal de outras andanças?

Os Dead Silent? Sim já nos conhecíamos há muito, até porque eu já tinha tocado com o Eurico na fase final de Insania e o meu Irmão e o Saúl eram dos Drawned in Tears e já nos conhecíamos até dos tempos em que faltávamos, pontualmente, ás aulas e em que o pessoal ainda temia “os metálicos”. Alem disso ensaiavam na minha casa, e apesar de eu estar nessa altura em Outerskin, os dias de ensaio não eram coincidentes, e precisavam de um baixista, a mim alem de me agradar o som e o pessoal, parecia-me melhor me juntar a eles do que ficar a ouvir o barulho …ehheh…

E surge também a oportunidade de seres vocalista! Como está a ser a experiência?11121784_890560067653436_7961361888241017894_n

.. pois, posso dizer que definitivamente nem estava nos planos, até porque já tinha tido a experiência em Insania e tinha decidido que o meu futuro não passaria por mais que algumas back vocals ocasionais … Mas perante o facto de termos chegado a um ponto em que tínhamos tudo gravado e não havia voz, achámos que era uma solução exequível, e entre todos lá reconstruimos a parte lírica e vocal dos temas o que nos levou mais uma carrada de tempo mas valeu a pena porque entre todos conseguimos resolver bem a questão (O Jorge e o Eurico também fizeram vozes)… A experiencia tem sido interessante, mas o facto é que estou na fase em que estou começando a juntar as duas funções, e se calhar até não me importava de ceder uma dessas posições de forma a poder desfrutar ao máximo e também ganhar alguma eficiência.

Dead Silent tornam-se uma banda que todos sentem curiosidade em ouvir, especialmente depois de lançarem o single “Disarray” e já no mês de Maio deste ano disponibilizam o tema “The Island”. Mas para quando a edição do álbum “The Island”?

A edição do álbum será o mais brevemente possível, mas seja pela nossa auto-exigência pessoal , ou por outros factores isto tudo tem levado algum tempo, depois de termos lançado o tema titulo, já era até pra estar disponível no Bandcamp, mas depois surgiram outras possibilidades que estão em estudo. E, por essa falha nos timings peço desde já desculpa a todos, sendo que seja em que formato for esperamos ter a cena cá fora o mais brevemente possível para quem quiser ouvir. Posso vos garantir que é um verdadeiro trabalho de equipa, honesto e dedicado feito por quatro gajos de trinta e tal anos pelo simples amor ao Rock e METAL, uma vez que não fazemos planos de ficar ricos com isto…

1455931_948959628480146_800532496942067744_nO que representa esta ilha?

A ilha no fundo pode ser qualquer coisa… desde a nossa realidade diária como banda, de certa forma enclausurada numa Ilha, ou aquela do “nenhum homem é uma ilha” sendo que nessa versão eu até penso que ver o Homem como a própria ilha até tem um peso dramático que me agrada.

Com este tempo de espera já tem ideias para o próximo álbum?

De momento ainda não chegámos a essa fase de pensar no futuro, até porque entre as responsabilidades e horários laborais de cada um temos que fazer as coisas devagar e com os pés bem assentes no chão, por exemplo se nos encontramos para decidir qualquer coisa por vezes já não dá pra ensaiar. O próprio álbum foi gravado, e misturado, em horário de ensaio, e é assim que vamos passando as quartas e sábados sempre que possível, e infelizmente nem sempre é possível…

A insularidade da Madeira tem prós e contras. O confinamento do território pode levar a uma cena unida, mas ao mesmo tempo pode trazer dificuldades na divulgação, especialmente fora da ilha. O que achas desta situação?    

Quanto a isso da ilha ser limitativa acho que depende de como lidas com o assunto, podes ficar num canto a chorar ou podes lidar com isso ou até, se a ilha te limita tanto, podes criar um par de tomates e nadar ou voar daqui pra fora…

Como está a cena metaleira na Madeira?

A cena diria que está como sempre, a diferença é que agora começam mais novos e se calhar de certa forma tocam melhor.

Aqui no continente tem havido uma forte divulgação a nível de bandas e eventos. As bandas daí conseguem apresentar publicamente os seus trabalhos?

Há fases em que há muitos concertos e depois fases mais calmas como agora, ainda assim as bandas vão fazendo o que têm a fazer sem pensar se dão muitos ou poucos concertos e temos assistido a bons trabalhos de bandas novas e velhas como os Exercium, Calamity Islet, Karnak Seti, Requiem Laus, Raiva e por aí a fora …

Há tempos estive no Funchal na Zona Velha, quando passa por mim um miúdo, com uma t-shirt dos Slayer e guitarra ao ombro, que me deixou com um sorriso de orelha a orelha, porque é sinal que o movimento não está morto. Que concelhos darias a este pessoal que quer começar com uma banda?

Ao pessoal que quer começar diria que devem faze-lo por amor á camisola e não para obter reconhecimento fácil pois assim estarão sempre frustrados. Diria também que o contrário do que muitos pensam o METAL não garante miúdas, dinheiro, fama ou fortuna a ninguém até pelo contrário gasta-se imenso dinheiro e tempo, mas pelo menos volta e meia lá ficamos com a miúda… ahhaha…

11080453_881419091900867_2566967762218703770_oO que falta para a Madeira voltar a ter um ambiente forte a nível do Metal?

Não sei se a Madeira alguma vez vai ser muito forte a nível de metal…mas também penso que a cena não vai morrer, já não temos os Incognita ou os Drawned in Tears, mas ainda temos uma porrada de gente nova e velha a fazer Rock e METAL mesmo que no anonimato. Também era bom conseguir mais intercâmbio de bandas nos vários sentidos, sejam bandas exteriores a vir cá tocar ou pessoal de cá a ir e voltar.

E assim chegamos ao fim da entrevista e queria agradecer-te pelo tempo dispendido em responder às questões. Vamos continuar atentos aos Dead Silent e para finalizar podes deixar umas palavras aos nossos leitores.  

Desde já obrigado a todos pela atenção, e espero que gostem do nosso trabalho, ou que pelo menos o oiçam para poderem dizer mal com conhecimento de causa… hahaha…. Agora a sério, acima de tudo desfrutem da cena e continuem a ouvir bom METAL seja de bandas gigantes ou quase desconhecidas que a cena precisa de todos. ROCK ON!

Segue, ouve e adquire o último trabalho trabalho dos Dead Silent no seu bandcamp Dead Silent!

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