Divulgação do metal português

Humanart

574450_418562381505301_1117754563_nHumanart, banda proveniente de Santo Tirso, edita o seu primeiro trabalho, a demo “Fossil” a 15 anos atrás. Praticantes de uma sonoridade black metal bastante convincente editam em 2014 o seu primeiro longa duração “Lightbringer” que os marca como uma das bandas mais interessantes dentro do panorama nacional. Formados pelo Sathronus (voz), JJ e Fareal (guitarras), Ram (baixo) e Izmit (bateria).

Foi com o guitarrista e mentor JJ que estivemos à conversa.

 

Viva JJ! Os Humanart formaram-se em setembro de 1998 em Santo Tirso, mas conta-nos um pouco de como chegaste a este projecto, num concelho onde rareavam os adeptos desta sonoridade. Como foi a tua evolução como ouvinte até chegar a este género? O black metal português da altura já te despertava também alguma curiosidade?

Boa noite Marco e leitores em geral, o que posso dizer é que nessa altura já eu ouvia metal à uma boa meia dúzia de anos e tinha tido uma banda de garagem quando soube de um grupo de amigos mais novos e sem experiência estavam com a mesma ideia que eu vinha a amadurecer desde à tempos, a de formar uma banda do meu estilo de metal favorito, o Black metal. Assim, com essa primeira formação gravamos o MCD “Fossil” (2000) que teve bastante aceitação no underground nacional e em algumas publicações estrangeiras pois fomos reconhecidos pela qualidade e originalidade num meio ainda pouco explorado e onde reinava a semelhança entre projectos.

Captura de ecrã 2015-09-1, às 20.14.47Os Humanart durante algum tempo foram um projecto apenas teu devido às várias mudanças na formação, mas com a entrada de novos elementos, evoluiram a nível sonoro. Como é o vosso processo de criação de novos temas? Os concertos ao vivo são sempre o vosso meio predilecto de transmitir o vosso som?

A substituição de elementos foi acentuada durante estes 16 anos de banda, eu resumo este percurso em três grandes formações: a que gravou o “Fossil”, a que gravou o “Hymn Obscura” e a actual que gravou a Tape “X Years of Black Crusade” e o álbum “Lightbringer” que estamos a promover. O som foi evoluindo assim como acontece com os gostos pessoais, o que começou com uma guitarra/teclas passou a duas guitarras assim que o Black metal com apontamentos sinfónicos deixou de fazer sentido para nós.

Por norma eu esboço o esqueleto de uma nova música em que depois todo o pessoal trabalha até se atingir resultados que nos satisfaçam, e sim, somos uma banda que adora tocar ao vivo com toda a interacção que isso possibilita. 

Numa entrevista tua dizes que o “black metal é música carregada de raiva, inconformismo e reflexão, associados ao lado obscuro do Ser Humano”. Consegues explicar este lado obscuro do Homem e de tudo o que o rodeia? Os vossos temas giram à volta deste conceito? Que achas desta vaga actual de bandas post-black metal que vão aparecendo lá por fora? Pode ser polémico, mas estas bandas estão a desvirtuar o estilo?

O lado obscuro é toda aquela parte do ser que se encontra aprisionada pelos dogmas embebidos na sociedade actual principalmente através da religião organizada, gostamos de explorar os limites mesmo que para isso tenhamos de fugir ao politicamente correcto.

Não ouço nada dessa coisa do Post-bm nem acho que se enquadrem no mesmo universo ao qual sou fiel à duas décadas, simplesmente ignoro.

11072532_1037299142964952_4483586767220727822_nLightbringer” o vosso primeiro longa duração editado em 2014, foi um dos melhores registos portugueses do ano. Ao final deste tempo como olhas para o álbum? Os temas encaixaram bem, mesmo alguns deles já terem sido escritos a algum tempo? Vamos esperar mais tempo por um novo álbum?

Com este álbum tem acontecido algo que é inédito, após vários meses dou comigo a ouvi-lo regularmente e com imenso prazer sem sentir aquela necessidade de me afastar um pouco do material como é comum, adoro ouvi-lo e toca-lo, os temas fluem bastante bem já que a organização dos mesmos foi pensada com um fio condutor e uma coerência que não sendo conceptual é completamente intencional.

O sucesso deste trabalho só não teve para já mais eco no nosso país porque “forças estranhas” tentaram abafa-lo e denegri-lo mas estamos satisfeitos com as excelentes críticas que nos chegam dos media estrangeiros, alguns nacionais e muitos fãs de todo o lado aos quais agradecemos todo o apoio no meio desta podridão, podem continuar a contar com as nossas denúncias e exposições de situações incorrectas pois não devemos nada a ninguém nem temos qualquer tipo de contemplação com meia dúzia de imberbes que minam a cena toda.

Quanto a novo álbum ainda é bastante cedo para falar nisso pois vamos estar na estrada com “Lightbringer” por mais um ano pelo menos. Estamos a compor novo material mas que vai permanecer na obscuridade nos próximos tempos.

 Ainda tens a noção que o underground português podia estar mais unido? É de realçar a enorme quantidade de bandas que existem actualmente e os vários sítios que existem para concertos, mesmo assim o que podíamos melhorar ainda mais? Os meios de divulgação (facebook, programas de rádio, webzines, fanzines) tem contribuído para o crescimento da nossa cena?

Tenho e cada vez mais, o underground nacional está disperso e desestruturado pelos factores que mencionei anteriormente e mais alguns, e nem me vou por com saudosismos do tempo das zines de papel (que vou matar agora!!!) e grandes eventos a que todos acorriam em massa pelo prazer de apoiar o underground, as coisas mudam e há que tentarmo-nos adaptar mas a desilusão passa por outros factores, dou-vos o exemplo do ridículo de não nos convidarem para a participação em determinados festivais pois não nos viram nas últimas edições dos mesmos no público (quando já comparecemos a inúmeras edições de alguns e mesmo que não o tivéssemos feito qual era o problema???), é disto que se faz o nosso underground, ter de levar com isto além de tocar de borla ou quase. Ou toda a gente saber que há publicações que só publicitam e dão relevo às bandas dos amiguinhos e aos estilos post-qualquererva que ouvem dizendo-se generalistas e isentos como os jornalistas de verdade. A nossa cena resume-se a duas ou três dezenas de boas bandas, meia dúzia de promotores sérios e umas tantas publicações de net e rádios, só.

 Obrigado JJ pela tua participação e desejamos também que os Humanart sigam no bom caminho. Algumas palavras finais.

O nosso obrigado e parabéns à Ode Lusitana pelo seu arranque promissor! Os agradecimentos extendem-se a todos os leitores que de uma maneira ou de outra apoiam o metal nacional.

Visita o bandcamp dos Humanart em Humanart Bandcamp

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