Divulgação do metal português

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Toxikull – “The Nightraiser”

Toxikull, banda de heavy / thrash metal de Cascais, lança hoje o EP “The Nightraiser” via Firecum Records e Mosher Records, o qual poderá ser então adquirido através destas editoras.

A banda formada em 2016 tinha editado nesse ano o álbum de estreia “Black Sheep“.

Na formação temos Lex Thunder (guitarra / voz), Michael Blade (guitarra), Antim “The Viking” (baio / voz) e The Lorke (bateria).

Para apresentar este novo trabalho a banda apresenta 3 datas espalhadas pelo país!

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Digressão “The Awakening / Tzak’ Sotz’ Tour 2018”

Neste fim de semana, a 24 de Março começa a digressão “The Awakening / Tzak’ Sotz'” no RoqueBar (Lordelo / Porto), que serve de divulgação aos mais recentes trabalhos de Wrath Sins e de Sotz’, com chancela da Raising Legends Records e da Raging Planet.

Ainda faltam mais algumas datas a serem confirmadas, mas podemos ver as existentes no cartaz divulgado até ao momento.

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Wrath Sins, praticantes de thrash / progressive metal, naturais de Vila Nova de Gaia e formados em 2012, tem a edição do seu primeiro trabalho em 2015 sob o nome “Contempt over the Stormfall” e editaram no final do ano passado o álbum “The Awakening”. A banda é constituída por Miguel Silva (voz / guitarra), Rui Coutinho (guitarra), Ricardo Nora (baixo) e Diego Mascarenhas (bateria).

Sotz’, banda originária do Porto e praticante de death metal, tem o seu início em 2008 como uma ideia do João Rocha, dando os primeiros concertos em 2014 e em 2017 lançam o seu EP de estreia “Tzak’ Sotz'”. A formação da banda é constituída por Dan Vesca (voz), João ‘Jisus? Rocha (guitarra), Pedro Magalhães (guitarra), Emanuel Ribeiro (baixo) e Tiago Silva (bateria).

 


LOUD! – edição Março 2018 (# 204)

Está disponível o número 204 da LOUD!, em que na capa apresenta Al Jourgensen, vocalista dos Ministry. Muitas entrevistas, notícias e reviews, com algumas das novidades musicais a nível nacional e internacional.

Relativamente à facção nacional apresenta entrevistas com Innards (com o seu EP de estreia previsto para breve, praticantes de old school death metal e constituídos para este álbum por Hugo Andremon (voz / guitarra), Rui Gil (baixo) e Rolando Barros (bateria)), Wrath Sins (thrash / progressive metal – editaram o ano passado o seu segundo longa-duração “The Awakening” pela Raising Legends Records), Kaelling (progressive metal – Marinha Grande, editaram o álbum “Lacuna”) e Trinta & Um (punk / hardcore – Linda-a-Velha, que entre as muitas novidades apresentam o lançamento do álbum ao vivo “Ao Vivo na Academia”).

Mais um número a não perder!

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Laughbanging Podcast #91

Está disponível para audição o número 91 da Laughbanging – Comédia Metaleira, com entrevista à Carina Domingues dos Disthrone, banda do Seixal praticante de crust punk / d-beat e que em 2016 editou o EP “Retaliação” através da Hellprod Records. Mais um episódio a não perder!

 


Fora de Rebanho – Associação Cultural – 5º aniversário

A Fora de Rebanho – Associação Cultural, tem vindo a cumprir com os objectivos de promoção de actividades culturais e artísticas e para festejar o seu 5º aniversário nada melhor do que com muita música a realizar no sábado 10 de Março na A.S.D.R.E.Q. na Quintela de Orgens (Viseu), sendo o cartaz constituído por:

  • Bizarra Locomotiva (metal industrial – Lisboa, festejam este ano os seus 25 anos de formação, tendo editado o álbum homónimo em 1994. Também tem agendados mais alguns concertos este ano e com a participação entre outros no Comendatio Metal Fest, Moita Metal Fest e Casainhos Fest)
  • Avulsed (death metal – Espanha)
  • Dawnrider (doom metal – Lisboa, formados em 2004 contam com 3 longa durações editados – “Alpha Chapter” (2007), “Two” (2009) e “The Third Crusade” (2014)
  • Dr Frankestein (surf / punk / rock – Lisboa)
  • Ravensire (heavy metal – Lisboa, formados em 2011, tem como último longa duração o álbum “The Cycle Never Ends” de 2016)
  • She Pleasures Herself (post punk / electro / goth / dark wave / 80’s revival – Lisboa)

10 Fora do Rebanho

 


Basalto – novo álbum “Doença”

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Crédito foto: Oscar Sánchez Requena

Basalto, apresenta novo álbum de nome “Doença”, lançado no mês de Fevereiro através da Fuck Off and DIY. A banda natural de Viseu e praticantes de stoner / doom / metal lança assim o seu segundo trabalho, depois da sua estreia “Basalto” editado em 2016.

A banda é constituída pelo António Baptista (guitarra / voz), Nuno Mendonça (baixo) e João Lugatte (bateria). O som deste álbum foi captado pelo António Baptista no Vila Chã Bands Cave – Sala 2, sendo misturado e masterizado pelo mesmo no Estúdio 1,2, Fuck You. O artwork deste trabalho esteve a cargo do Bruno Vilela.

Adquire este lançamento através da página da banda no bandcamp, onde também tem t-shirts e hoodies disponíveis para venda.

Enquanto não é preparada a review deste álbum podes ouvir o som deste novo trabalho:

 


World of Metal – nova edição gratuita

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Está disponível para download gratuito o número 14 da World of Metal, relativo ao mês de Março de 2018. Na capa apresentam os alemães Helloween, mas estas 93 páginas estão recheadas de entrevistas, críticas a álbuns, artigos de opinião, concertos e muito mais.

Relativamente às bandas nacionais há as entrevistas com Second Lash (rock / grunge – Porto, formados em 2015, editaram o ano passado o álbum de estreia “Tabula Rasa”), Perpetratör (thrash metal – Lisboa, formados em 2008, lançaram já este ano o poderoso “Altered Beast”), assim como uma pequena entrevista aos britânicos Fall From Perfection, que contam na bateria com o português Nuno Ramalho (elemento dos Tomb of Gods, banda da Figueira da Foz dos anos 90) e por fim um guia musical especial acerca das bandas que participam no Moita Metal Fest 2018 a decorrer nos dias 6 e 7 de Abril no Largo do Pavilhão Municipal de Exposições.

Faz aqui o download deste número da World of Metal!

 


Infraktor – álbum de estreia “Exhaust”

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Infraktor, banda de thrash / death metal de Santa Maria da Feira, festeja hoje o lançamento do seu álbum de estreia “Exhaust” através da Rastilho Metal Records, com um concerto no Metalpoint no Porto que contará com os convidados especiais Revolution Within (thrash / groove metal – Santa Maria da Feira, formados em 2005, editam em 2016 o seu terceiro longa duração, sob o nome “Annihilation”) e Final Mercy (thrash / groove metal – Porto, fundados em 2006, editam em 2017 o seu último trabalho, “Revival”).

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No entanto mais datas já se encontram disponíveis:

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A banda formada em 2013 é constituida pelo Hugo Silva (voz), Carlos Almeida (guitarra), Ricardo Martins (guitarra), Miguel Pinto (baixo) e Francisco Martins (bateria).

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Crédito foto: Judith Pressler Pina


Buried Alive – o “regresso”

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Buried Alive banda thrash metal, de Vila Nova de Gaia / Porto, teve lançamento no início do ano, através da Firecum Records, das duas primeiras demos “The First Brutal” e “El Niño”.

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A banda formada em 1991 tem a particularidade de actualmente contar com a mesma formação que gravou estes dois trabalhos, depois de várias alterações e que é constituída por José Pereira (voz / guitarra), José Cardoso (guitarra / voz), Ricardo Vieira (baixo) e Eric DiMeglio (bateria).

Ao todo a banda conta com 3 álbuns: “Spoils of War” (1999), “Welcome To Reality” (2001) e “Exploding Ashes” (2015)

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https://soundcloud.com/firecum-records/buried-alive-lost


Terror Empire

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   Terror Empire, banda de thrash metal formada em 2009 com localização em Coimbra, tem agitado as águas do nosso panorama underground, sendo de realçar o seu álbum de estreia “The Empire Strikes Black” de 2015 através da Nordavind Records. Antes já tinham apresentado o EP “Face the Terror” de 2012.

   Som directo, agressivo e com característica de murro no estômago, estivemos à conversa com o vocalista Ricardo Martins que nos abre às portas ao mundo de Terror Empire. A formação desta máquina trituradora é constituída por Ricardo Martins (voz), Rui Alexandre (guitarra), Rui Puga (baixo) e João Dourado (bateria)

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Viva Ricardo! É uma honra muito grande ter os Terror Empire, representados por ti aqui nas páginas da Ode Lusitana, ainda para mais quando editaram em 2015 o vosso fantástico primeira-longa duração “The Empires Strikes Black”. Muitos concertos dados, muitas entrevistas, muitas críticas positivas ao álbum, que já faz parte do vosso ADN e do público que assiste aos vossos concertos, marcaram este registo. Por isso vamos voltar ao ano de 2009 que é quando tudo começa. Como se dá a formação da banda? Já existia um contacto grande entre os elementos dos Terror Empire?

Boas Marco. Antes demais, a honra é toda minha. Agradeço em nome dos Terror Empire a entrevista.

Voltando a 2009… Eu, o Rui e o Puga somos amigos de longa data e já tínhamos tido uma banda. Nessa altura andávamos à procura de um baterista para começar um novo projecto. O Puga, entretanto, conheceu o Gonçalo e o Sérgio num concerto em Arganil. Começámos por seduzir (ahahah) o Gonçalo, combinámos uns ensaios e as coisas foram resultando. Pouco depois junta-se o Sérgio e as coisas começaram a ganhar forma de Terror Empire.

 

Os vossos ensaios eram completamente descomprometidos até se lembrarem que estava na altura de lançar algo sob a forma o vosso trabalho de estreia o EP “Face the Terror” de 2012?

Desde que formamos os Terror Empire que o objectivo passava por gravar algo e fazer as coisas como deve de ser. Claro que no início, os ensaios eram mais uma descoberta de entrosamento e de gostos. Após essa fase inicial, os temas começaram a surgir mais coesos e com um cunho muito nosso. Sabíamos que para sermos levados a sério e arranjarmos mais concertos teríamos de ter algo gravado. Gravámos, lançamo-nos às feras e foi o que melhor fizemos, chegámos a outros palcos, tocámos de norte a sul. Tem sido muito gratificante.

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Existem várias coisas que definem o som de uma banda, sejam as guitarras, secção rítmica ou as vozes. No teu caso como decorreu essa realidade de teres o posto de vocalista na banda? Foi uma grande luta até atingires este teu registo vocal? Quais são os vocalistas que mais admiras?

Foi simples, não sei tocar nenhum instrumento e curtia mandar uns berros ahahah. E acho que foi algo que decidimos em muito putos (eu e o Rui), eu era vocalista e ele guitarrista, tínhamos uns 11 ou 12 anos, mal sabíamos que isso iria mesmo acontecer ahahah.

O registo, e é aquela resposta que quase todos dão, é até ganhar calo. Foi tentar até chegar a um em que me sentisse confortável e o conseguisse sem esforçar e sem dar cabo da garganta.

Max Cavalera e Phil Anselmo, são dois dos que mais me influenciaram, mas sempre procurei achar o meu próprio registo.

 

Inspiração para a escrita das letras não te falta, já que basta olhar para o estado da sociedade, mas como é teu o processo de escrita?

Adoraria estar aqui com um grande paleio de um processo de escrita todo pseudo-intelectual, mas é muito terra a terra. Geralmente o que me leva a escrever prende-se com situações de injustiça social, com a degradação civilizacional a que assistimos e algumas situações pessoais. Há uma clara decadência do humanismo, estamos focados mais na posse, em jogos de poder e em lucros do que em cuidarmos uns dos outros. É como dizes, inspiração, ou motivos para escrever não faltam.

Despertando para um tema, escrevo sobre isso, fazendo posteriormente os arranjos para que se encaixe na música.

 

A vossa evolução e amadurecimento foi evidente ao longo dos anos até que se avizinhou um novo trabalho, mais propriamente o longa duração de estreia. Mas antes e em 2013 entra o João Dourado para a bateria. Como se deu o contacto e como foi a adaptação tanto da banda como dele? Ainda para mais quando a parte final de produção e mistura do álbum é feita nos Golden Jack Studios, pertença do João. No meio da agressividade, há também muita festa. Que recordações guardas da gravação do álbum e quais os momentos especiais que mais te orgulhas?

O Gonçalo, por motivos profissionais e pessoais saiu do país e tivemos de procurar baterista, o que aqui pela zona de Coimbra, na altura, não se estava a figurar um processo rápido, dada a escassez de bateristas disponíveis dentro do género. Lembrámo-nos do Dourado, mas não saberíamos se ele iria curtia a ideia, dado que o thrash não era a cena dele. Ele era o baterista de Antichthon (black metal). Falámos com ele, combinaram-se uns ensaios e o homem arrasou. Sentimos logo que ele era o ideal, para além de grande músico as suas qualidades humanas equiparam-se ao seu talento, o que levou a que a adaptação fosse um processo natural e rápido. O Dourado trouxe-nos uma agressividade ainda maior e com as suas influências do black metal permitiu outras abordagens mais extremas.

As gravações foram semanas intensas, com vários sentimentos experienciados, mas focados em conseguir um trabalho que nos orgulhasse e esse orgulho surge quando escutas o resultado final e te sentes concretizado e realizado.

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Após a edição do álbum houve uma azafama enorme com concertos presenciados por muita gente, as entrevistas e uma roda-viva que não parava. Nessa altura como sentiste o pulso ao underground nacional? Existem muito boas bandas dos mais variados géneros no país todo, mas ainda notas grandes diferenças de organização nos eventos de sítio para sítio?

Está bem vivo. Acontecem eventos todas as semanas. Temos bandas com enorme qualidade em Portugal e que dão grandes concertos. O público que se desloque a um qualquer concerto do underground não sairá frustrado com o que pagará, às vezes um valor bastante irrisório. As bandas comportam-se como profissionais, as condições para o público estão cada vez melhores, há um maior cuidado por parte dos organizadores em oferecer melhores condições ao público tal como às bandas.

Sou bastante grato a todos os que organizam tal como a todos os que aparecem e vão permitindo que o movimento viva e cresça.

 

O que ainda atraí os mais jovens a ouvirem Metal e que se vai notando com a presença de uma nova geração nos concertos?

O mesmo que nos atraiu. Satanás ahahah. Fora de brincadeiras, acho que é o mesmo que nos levou a gostar, seja pela agressividade, dinâmica, energia, musicalidade, letras, etc. É algo que nos toca e que fica. Não é moda, ou se gosta ou se odeia.

Eu acho que o pessoal mais novo, felizmente, é mais eclético. Não se limita a gostar apenas de uma vertente e tudo o resto é mau.

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Locais de concertos não tem faltado um pouco por todo o lado e Coimbra sempre foi conhecida como uma “maternidade de bandas” dos mais variados estilos, onde entre outras podemos considerar os M’as Foice, assim como os Tédio Boys uns dos grandes impulsionadores desta criatividade que se vivia em Coimbra. Concertos não faltavam e bandas também não. Para o lançamento do vosso álbum “The Empire Strikes Black” escolheram um local bem no centro de Coimbra, o Salão Brazil, com a participação dos Destroyers of All e Revolution Within, com uma casa muito bem composta. Mas tudo ficou por aqui. Existe uma quebra acentuada de concertos dedicados ao Metal em Coimbra (em Aveiro também aconteceu o mesmo, mas fica a análise para uma próxima), os espaços escasseiam, o movimento perde força e até vemos o Mosher Fest a se deslocar para os arredores de Coimbra. Consegues explicar o que se está a passar na cidade de Coimbra, ainda para mais quando temos boas bandas na zona e um público enorme devido a ser uma ‘cidade universitária’? O que é necessário para melhorar esta situação?

Sobre Coimbra, na verdade não posso opinar, não vivo em Coimbra e como tal desconheço a realidade da cidade. Sei que vão acontecendo alguns eventos, mas concertos de metal não tem havido muitos, para além do Mosher Fest.

Um facto é que há uma maior dificuldade em encontrar um local central em Coimbra, que ofereça as condições necessárias para a organização de concertos de metal. Por isso a tal deslocalização que falas. Não posso dar uma resposta mais fundamentada, porque não vivo o dia-a-dia da cidade.

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Tudo tem a sua origem e no teu caso, a viver na Lousã, como foi essa tua descoberta pelo Metal? Tinhas um grupo de amigos que se reuniam para comentar e ouvir as novidades ou procuravas conhecer por ti próprio as novas sonoridades? Ainda te lembras dos primeiros álbuns que te despertaram essa paixão? Quais foram esses álbuns?

A minha descoberta do metal na Lousã foi semelhante à de qualquer outra pessoa quer viva em Coimbra, Lisboa ou outro lugar do planeta.

Foi na Lousã que vi RAMP, ainda chavalito, graças ao meu irmão ser mais velho e eu colar-me a ele. Foi também através dele que tive acesso a muitas outras bandas. Embora os nossos gostos musicais sejam muito diferentes, ele tinha uns amigos que ouviam metal e eu ia ouvindo umas cassetes que ele ia lá tendo em casa (sim, sou do tempo das cassetes). Ainda sou do tempo em que havia programas na TV que passavam metal de vez em quando e ia-se descobrindo algumas coisas. Depois entre amigos íamos trocando música.

Tenho um sentimento especial pelo “Chaos AD” dos Sepultura, pois foi o primeiro álbum que comprei. O “Intersection” dos RAMP também é um que muito estimo e que já mal roda de tão gasto que está, tinha uns 15, 16 anos. Depois nas tais cassetes tinha lá Pantera, Metallica, Napalm Death, Ratos de Porão, Iron Maiden.

Foi por aqui que começou o meu interesse.

 

Estamos quase a chegar ao fim, mas não podíamos terminar esta entrevista sem saber que novidades é que nos podes dizer do novo álbum? Já tem nome e vão ter a participação de músicos convidados? Após a saída do vosso guitarrista Sérgio Alves estão a planear colocar um novo elemento?

Estamos a finalizar a composição do álbum. Em breve vamos divulgar várias novidades, mas podem esperar um álbum com a agressividade característica.

 

Agora sim Ricardo, é tudo e queria agradecer pela tua disponibilidade. Estas últimas palavras são tuas e ficamos a aguardar as novidades de Terror Empire.

Foi um prazer amigo. Obrigado por todo o apoio que dão às bandas, divulgando os nossos trabalhos. Grato a todos os que fazem o underground nacional pulsar. Vão estando atentos ao nosso facebook e site para saberem as novidades do próximo álbum e outras. Um abraço!


Cortina de Ferro

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   Cortina de Ferro é um programa radiofónico da autoria do Daniel Pacheco, com emissão na AVFM de Ovar, mas também disponível via streaming, que se dedica à divulgação do Som Eterno, com especial incidência no underground e que começou as suas edições em Julho do ano passado.

   Daniel Pacheco é um verdadeiro divulgador e nada melhor que conhecer o seu excelente programa, assim como as muitas histórias que nos tem para contar.

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Começas há quase 30 anos e por curiosidade na ‘mesma’ estação que estás actualmente, mas que na altura se chamava Rádio Atlântico, uma das muitas estações que existiam nesses anos, com o programa “Onda Forte”. Como surgiu esta tua paixão pela rádio e esta oportunidade em especial?

A paixão pela rádio não foi imediata, mas vou-te confidenciar uma história deveras interessante. Um determinado senhor de nome Eduardo Pereira, já na altura na casa dos 50 anos e penso que nem a 4ª classe tinha, era um “engenhocas” como nunca tinha visto. Ele era, e penso que ainda seja (apesar da Idade), um “macanudo” inveterado (Macanudo=Utilizador intenso de comunicações via Rádio CB), foi ele que construiu o primeiro emissor da Rádio Atlântico, era tão fraquinho que apenas cobria um raio de 1 Km, ou seja, apenas era escutada no centro da cidade de Ovar. Tudo era artesanal, sendo a mesa de trabalho composta por 2 “pratos”, mesa de mistura de 6 canais e 2 leitores de K7’s, tudo isto preparado por ele, e assim nascia a primeira Rádio Pirata do concelho de Ovar. Para que a mesma funcionasse das 7 da manhã à meia noite, era necessário ter pessoal suficiente para cobrir todas essas horas, pois como todos sabem, na altura não existiam computadores nem software que hoje em dia todas as rádios possuem, software esse que torna uma rádio moderna autónoma, pois pode funcionar 24 horas por dia sem qualquer supervisão humana. Mas na altura nada era assim, era preciso batizar muitos “maçaricos” quase diariamente, e numa certa altura através do já desaparecido presidente da Casa do povo de Ovar, onde estava e ainda está situado os estúdios da atual AVfm, presidente esse que tinha uma ligação de grande amizade com o meu pai, falou-lhe um dia na possibilidade de eu passar a colaborar com a Rádio Atlântico, e é assim que começa a minha aventura nas lides de animador de rádio. Basicamente todos os colaboradores eram bastante jovens, cada um “inventava” um programa dentro do seu gosto pessoal, todos tinham que carregar o seus discos e K7’s sempre que tinham uma emissão agendada, a rádio não possuía qualquer registo musical, queres fazer um programa de rádio?? Arranja musica para ele…e eu com os parcos recursos financeiros, lá ia comprando uns discos usados, e raramente uns novos, apenas as K7’s abundavam com gravações enviadas de contatos que já tinha na altura com pessoal de lisboa ligado aos Fanzines que faziam cópias, de outras cópias de bandas que se conseguia arranjar na altura. Com algum material em carteira que dava para 1 hora de emissão, então com 16 anos, nasce o primeiro programa de Metal no concelho de Ovar o “Onda Forte”, que curiosamente e até aos dias de hoje, não existiu mais ninguém no concelho a ter um espaço dedicado ao “som eterno” numa emissora, a partir daí a paixão foi crescendo, e o “bichinho” da rádio nunca mais desapareceu.

Já tinhas alguns programas de referência que seguias? Com que idade inicias estas tuas andanças e como foi o teu teste de fogo em relação a estares em frente a um microfone a falar, já que o ‘dom da palavra’ é bastante importante para um locutor?

Já agora para que todos se possam situar, nasci no dia 7 de Dezembro de 1969, comecei as lides radiofónicas em 1986, então com 16 anos. Escutava regularmente o programa “Som da Frente” de António Sérgio que emitia todos os dias à tarde entre as 16 e as 17 horas que mais tarde passou para horas improváveis… da 1 às 3 da manhã, também o “Rock em Stock” de Luis Filipe Barros que ia para o ar das 17 ás 18 horas e mais tarde passou a emitir das 00h à 01h, mas o grande influenciador foi sem duvida o carismático “Lança Chamas” de António Sérgio, que emitia aos Sábados à tarde. Relativamente ao teste de fogo frente a um microfone, não me recordo muito bem desse dia, a única coisa que me lembro perfeitamente, era as “bacoradas” que saia pela boca ao mencionar o nome das bandas, e não era o único, a maior parte não dominava bem o inglês devido à juventude, e o aperfeiçoamento da voz perante o microfone vai evoluindo naturalmente, ou seja, com o tempo moldamos a nossa voz mediante o que escutamos pelos headphones, é sem duvida um processo evolutivo.

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Daniel Pacheco com o programa “Poluição Metálica

Desde Julho do ano passado estás de volta à Rádio AVFM de Ovar, com o teu novo programa “Cortina de Ferro”. Como nasce esta tua amizade com o Zé Luis e como surgiu este convite dele para apresentares este teu programa? A chama estava acessa, mas deste uma resposta positiva logo de imediato? Tinhas uma ideia específica para o programa? Como te surgiu o nome “Cortina de Ferro”?

O Zé Luis é um grande amigo de infância, tal como eu também é fundador da Rádio. O Zé Luis ao contrario de mim, nunca mais largou as lides radiofónicas, tendo acumulado uma grande experiencia como locutor e produtor, liderou várias rádios no distrito de Aveiro, além de ser um DJ e produtor bastante conhecido, nos dias de hoje tem a sua própria empresa de publicidade, e acumula o cargo de vice presidente da AVfm bem como a direcção de programas em part-time. Depois da grande remodelação que a AVfm sofreu à cerca de 2 anos, com a anterior direcção a ser demitida e a tomada de posse da atual, a Rádio AVfm renasceu das cinzas e está em constante crescimento e sustentabilidade. Uma das prioridades da atual direcção foi vocacionar a rádio para aquilo que ela é na essência, uma rádio local e não uma cópia de outra rádio de grande projecção, o que infelizmente quase todas as rádios fazem, perdendo assim a sua identidade como rádio local. Existem neste momento programação para todo o tipo de gostos musicais e não só, existe diretos de várias modalidades desportivas praticadas no concelho, cobertura de eventos culturais, etc. Para isso a direcção convidou alguns colaboradores da “velha guarda” que foram acompanhando o crescimento atual da AVfm , claro que faltava algo na grelha, e o Zé Luis tinha a carta na manga pronta a lançar quando fosse o “timing” ideal. Ele sondou-me por diversas vezes para a possibilidade de ser integrado na grelha de programação um programa dedicado ao Metal em geral, pois era o único género que a grelha ainda não contemplava, confesso que na maioria das conversas fiquei sempre renitente, estava bastante “enferrujado” pois à anos que não olhava para o microfone, mas o “bichinho” da Rádio falou mais alto e a resposta positiva surgiu em Junho de 2016, começando as emissões regulares depois das férias em Julho de 2016. O nome para um novo programa foi decidido em conjunto, eu tinha 2 nomes em mente, mas um deles era apenas de uma palavra e o Zé Luis aconselhou-me o atual, pois com 2 nomes a pronuncia tornasse totalmente diferente e soa melhor, assim nasce a “Cortina de Ferro” inspirada na Guerra fria. Inicialmente procurava um nome que tivesse impacto e ao mesmo tempo desse para jogar com as palavras, e Cortina de Ferro encaixou na perfeição, pois podes simplesmente citar com impacto Cortina de Ferro, como jogar com ela como por exemplo: Abre-se a Cortina, vão rasgar a Cortina, entram pela Cortina, etc. Estou bastante satisfeito com a escolha e o consenso foi geral.

Tens o “Onda Forte” e o “Poluição Metálica” nos teus inícios radiofónicos. Como fazias as tuas pesquisas para os programas? Tinhas parcerias com algumas editoras, além da correspondência que recebias das bandas? Foram alturas talvez complicadas, mas ao mesmo tempo foi uma época de bastantes descobertas musicais. Como encaravas o metal nesses anos? Estavas em contacto com mais programas de rádio nacionais?

Esta pergunta vai ter uma resposta curta, a razão é obvia, pois é sabido que nessa altura a comunicação apenas era efectuada por telefone fixo o que era caro, ou então por carta via CTT, rádios piratas em contato com editoras nem pensar, correspondência com bandas?, como? se nem contatos delas existiam, não tinha-mos contatos com outros programas similares porque nem sequer conhecíamos as rádios, quanto mais os programas emitidos pelas mesmas, as informações que recebia eram apenas dos fanzines da altura vindos de Lisboa através de um primo meu fanático por Metal, e depois a muito custo comprava a Metal Hammer que era caríssima, o jornal Blitz, sim no inicio o Blitz era uma jornal antes de ser revista, que sempre trazia algumas noticias de Metal, e mais tarde surgiu a revista Portuguesa Rock Power. A divulgação e conhecimento de bandas nacionais e estrangeiras eram feitas praticamente através de cópias manhosas em K7’s e algumas gravações do “Lança Chamas” sempre a rezar para que o António Sérgio não falasse. Depois era escutar em reprodutores de K7’s a pilhas (Walkman), com as cabeças carregadas de metal, pois as K7’s de crómio eram muito caras, portanto toca a limpá-las com uma cotonete e álcool, velhos tempos…os anos 80 foram a época de ouro do Metal Internacional , e o despontar de muitas bandas nacionais, nessa altura foram lançados os maiores marcos do Metal mundial, que influenciaram e continuam a influenciar milhares de bandas um pouco por todo o mundo, som esse que ficou imortalizado e que perdura até aos dias de hoje.

Hoje em dia a informação abunda na internet, as bandas são bastantes, mais fácil de entrar em contacto com elas, com edições constantes a surgirem todos os dias. Como fazes a tua preparação dos programas? Como organizas os vários contactos que tens tido diariamente e de todas as partes do mundo? Tens a presença constante de alguém que te ajude?

A internet e mais propriamente as redes sociais, fizeram a “Cortina de Ferro” em pouco mais de 6 meses, atingir níveis de notoriedade e projeção nunca antes imaginados por mim, consegui colocar o programa num patamar de tal maneira elevado em 6 meses, do que qualquer outro anterior em muitos anos. Eu tenho a minha vida profissional (Comercial na área das TI), o que me consome largas horas do dia, e é à noite depois do jantar que me sento calmamente junto ao meu “Desktop”, onde faço a gestão diária das minhas 2 páginas, a pessoal e a oficial. Nunca vou dormir antes da 1 da manhã, pois tenho “timings” a cumprir com uma regra bastante simples; em primeiro lugar dou resposta a todas as mensagens que me enviam diariamente, sejam de ouvintes e amigos, ou de bandas, depois disto feito vou pesquisando através de Sites e Grupos da especialidade, noticias, novos lançamentos, etc., ao mesmo tempo vou descarregando “aço” que as editoras e bandas me enviam para divulgação.

Quando faço uma emissão especial, por exemplo, dedicada a um país especifico, essas são bem mais trabalhosas, ou já tenho algum material relativo ao país em questão, ou então tenho que entrar diretamente em contato com as bandas pretendidas, para que me enviem todo o material necessário, posso afirmar que me tem surpreendido este género

de emissão, o interesse e o envolvimento das bandas nos dias que precedem estas emissões deixam-me com vontade de fazer crescer a “cortina de Ferro” cada vez mais, tem sido extraordinário. A preparação da emissão começa sempre à 2ª feira e tem que estar concluída no máximo até 5º feira à noite, dia em que divulgo a “playlist” para sábado, pois a 6ª feira é dedicada a redigir toda a informação acumulada sobre as bandas que vão “rolar” nesse sábado. É um trabalho exaustivo que demora horas, tanto mais que sou apenas eu que faço todo o trabalho, para que a emissão vá para o “ar” todos os Sábados.

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A primeira e única festa de Metal organizada em Ovar até hoje, com o cunho do Daniel Pacheco

Hoje em dia a informação abunda na internet, as bandas são bastantes, mais fácil de entrar em contacto com elas, com edições constantes a surgirem todos os dias. Como fazes a tua preparação dos programas? Como organizas os vários contactos que tens tido diariamente e de todas as partes do mundo? Tens a presença constante de alguém que te ajude?

Quando comecei as emissões regulares da Cortina de Ferro, tive sempre como prioridade a divulgação do Underground, são as bandas inseridas neste cenário que necessitam de maior apoio e divulgação, o cenário do Mainstream já tem apoio quanto baste, não querendo dizer com isto que não passe bandas pertencentes ao Mainstream nacional e internacional. A dificuldade em encontrar registos para download de bandas não muito conhecidas é muito, daí só tenho uma hipótese, que é o contato direto com as mesmas, o que até hoje tem corrido na perfeição. Para quem escuta as emissões da Cortina de Ferro, sabe que as minhas “Playlist” englobam todo o tipo de sonoridades, sejam nacionais ou não, daí, normalmente começo as emissões com sons mais “suaves”, para com o decorrer da emissão ir “acelerando” até ao Metal mais extremo, são emissões para todos os gostos. Quanto à descoberta de novas bandas, tenho os amigos da “cortina de Ferro” que diariamente me enviam “link´s” para audição, a quem o faz, fica desde já aqui o meu agradecimento publico, pois o meu tempo é escasso e esse gesto é uma mais valia.

Uma das particularidades é disponibilizares o programa em streaming, o que facilita muito a divulgação dos teus programas e que se tem repercutido nas várias respostas positivas nacionais e internacionais. Para confirmar tiveste ainda há pouco tempo uma entrevista concedida à página colombiana “Solo para metal maníacos”, o que foi excelente. Que novas parcerias conseguiste criar com esta nova forma de contacto a nível mundial? Também existe interesse no nosso metal por parte das pessoas que entram em contacto contigo?

É precisamente aqui que as redes sociais desempenham o seu papel máximo, pode não parecer normal, mas não sou eu que procuro parcerias. As emissões dedicadas ao Underground de outros países é que me trouxeram esses contatos. As páginas, grupos no Facebook, Blogs e editoras de vários pontos do mundo, quando vêm a partilha que

as bandas que constam nas “Playlists” fazem nas suas páginas oficiais, e espalham pelas suas redes de amigos, entram em contato comigo, tão simples quanto isso, o que me deixa verdadeiramente orgulhoso, do trabalho feito nestes parcos meses. Relativamente ao interesse demonstrado pelo nosso Metal, infelizmente penso que não seja muito, e em certa parte compreendo, o interesse desses contatos é para que divulgue o seu próprio som, e nada mais, tirando uma solicitação de um Blog de Atlanta Midnight Children que me solicitou para que escolhesse 5 bandas de estilos diferentes do cenário Underground Lusitano, o que fiz e foi divulgado no mesmo Blog no inicio deste ano e que podem encontrar a publicação na página oficial da Cortina de Ferro.

 

Falando do nosso metal, observamos um movimento crescente, com o aparecimento de várias bandas com excelentes trabalhos, assim como bandas mais antigas que ainda se mantêm com a edição de novos trabalhos. Qual a tua opinião do ponto de situação actual do underground nacional, seja a nível de bandas, concertos, assim como público?

Penso que a generalidade do Undeground nacional está bem, tem qualidade e recomenda-se, pena é que os apoios por parte das editoras seja escasso, e que a maioria apenas tem umas “demos” ou apenas um EP gravado, muitas vezes gravações de qualidade duvidosa fruto das mesmas serem editadas pelos próprios meios. Segundo um estudo que li recentemente, Portugal é dos países que mais bandas de Metal têm “per capita”, o que leva a esta mesma situação. A maior parte das recém nascidas, pouco tempo duram, e as que vão subsistindo contam no seu line-up músicos com trabalhos paralelos com outras bandas, outras vão subsistindo com os concertos que felizmente vão acontecendo quase semanalmente nos sítios que todos conhecem, tocando quase sem retribuição alguma, ou seja, estão tal como eu, tocam por amor à causa sem receber nada em troca…Quanto ao publico, sempre que tenho oportunidade de ir ver um concerto, o que é raro devido à escassez de tempo, parecem quase sempre os mesmos, a “tribo” está a necessitar de sangue novo!!!

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O que é necessário para atrair mais pessoas para o género do metal, no meio deste caldeirão musical actual? E vamos um bocado mais à frente e pergunto-te o que é necessário para tirar do sofá algum pessoal da velha guarda para vir assistir aos concertos?

Para esta questão vou dar um exemplo mais pessoal, ou seja, o meu filho. Ele sempre soube da minha paixão pelo Metal, mas sempre lhe passou ao lado fruto da tenra idade, era mais virado para o som tipo Eminem, mas tudo bem, mais vale esse do que outros que por aí abundam. De à 3 anos para cá, começou a ter uma certa curiosidade pela minha biblioteca musical, daí, dei com ele a escutar sons mais industriais como Rammstein e Slipknot, para logo depois começar a escutar Iron Maiden e ficar fã de Cradle Of Filth. Hoje tem 15 anos e nunca lhe “massacrei” a cabeça com Metal, apenas começou a gostar por iniciativa própria. Têm uma banda de eleição Amon Amarth de quem é fã, e “decorou” um colete de ganga que tinha com Badges de bandas eleitas por ele. O ponto alto do seu gosto pelo Metal, foi acompanhar-me ao Coliseu do Porto para vê-los no ano passado, foi o seu batismo em concertos, estava tão “vidrado” no show que nem ao Wc foi em 3 horas de concerto, por isso apelo à velha guarda, peguem nos vossos, sejam filhos, sobrinhos ou mesmo netos (eheheh) e levem-nos a um concerto, nem que seja para testar a reacção deles e ao mesmo tempo revivam velhos tempos, não se deixem apagar, pois o nosso som é eterno.

Imagina que estás num final de dia de trabalho, não te apetece pesquisar e ouvir novas bandas e queres um momento de relaxamento, mas a ouvir alguns álbuns de metal. Indica três álbuns que ouvirias, de maneira a ficares com um sorriso no rosto e que consideras grandes edições do metal.

Para esta questão vai uma confidencia. Depois de muito Rock e Hard-Rock, o “Som Eterno” é um pouco como qualquer droga, começas com sons mais “softs” e lentamente vais querendo explorar sensações mais fortes, isso aconteceu comigo, gosto de todos os géneros e sub géneros do Metal, daí vou eleger 3 álbuns que rompi o vinil até parecerem crateras depois de um sismo de grande magnitude. O primeiro confesso, foi o que me despoletou para o Metal, “Powerslave” dos Iron Maiden lançado em Setembro de 84, o segundo foi lançado em Junho de 89, “Agent Orange” o 3º álbum dos Sodom, por acaso o ultimo antes da saída do grande guitarrista Frank Blackfire para os Kreator, e por ultimo para mim e para muitos, o melhor álbum de sempre dos Metallica lançado em 1986 “Master Of Puppets”, o primeiro álbum de Metal a ser certificado com Platina, 12 no total.

As últimas palavras são tuas e novamente muito obrigado pela tua participação na Ode Lusitana.

Marco, desde já agradeço o convite para esta entrevista que me deu um enorme prazer, e longa vida à Ode Lusitana, vamos mantendo contato.

Por ultimo vou deixar aqui um testemunho de algumas maluqueiras que se faziam na minha adolescência….

Naquele tempo comprar um LP era um acto religioso, até tirava fotocópias das capas para distribuir pelos amigos…
Aquilo que chamam agora pins naquele tempo eram crachás, não sei por que lhe mudaram o nome…
As notas de 100 escudos bem escondidas nos envelopes para comprar fanzines e merchandising…
Aquelas duas horas de lança-chamas…
E claro menos 30 anos\ menos 20 kilos eheheheh

Já la vão muitos anos mas é algo que não se esquece, e depois lembrar as calças elásticas o cabelo com beirinha e o colete de ganga carregado de crachás, e como sempre, lá andas á busca de uns trocos para a cervejola, para não estar no concerto a seco, e depois era a espera para comprar os vinis e grava-los para k7 para podermos ouvir na escola eram bons tempos… tempos em que comprar um álbum que acabava de sair era algo religioso, e lá estava a malta a poupar uns trocos para a próxima compra, muitas vezes era o “guito” do almoço da escola, e lá ia a casa da avó comer uma sopinha à “socapa” mas sabendo que logo que sai-se o álbum já era meu…
hoje em dia é tudo downloads de mp3, e acreditem que isso não substitui o cheiro de um disco de vinil novinho nas mãos.


Metal Soldiers Records

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Metal Soldiers Records é uma editora / distribuidora do Fernando Roberto, um grande apaixonado pelas sonoridades mais pesadas e que se dedica a divulgar uma grande quantidade de bandas e não só, através do seu vasto catálogo.

   Mas vamos à entrevista, onde ficamos a conhecer todo o seu trabalho, as suas ideias e os seus próximos desafios.

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Viva Fernando! Antes de tudo é um prazer teres aceite este meu repto para responderes a umas perguntas acerca da Metal Soldiers Records e dos teus trabalhos, já que és uma das pessoas com uma história fantástica no apoio e divulgação do Metal no nosso país. Ainda para mais quando ao longo destes anos ainda continuas nesta tua grande cruzada! O primeiro contacto que tive com um dos teus trabalhos, foi a aquisição do número 3 da tua fanzine Hallucination ‘Zine de 1994 que tinha a particularidade de ser uma split fanzine, juntamente com o número 3 da Dark Oath Magazine do João Carlos Monteiro e que excelentes leituras e novas bandas me presenteou durante a leitura. Mas vamos à Metal Soldiers Records! Qual o momento em que decides avançar com este teu projecto e qual era a tua ideia inicial? Tiveste o apoio de mais alguém neste início? Já tinhas vários contactos de bandas e editoras, nas quais tinhas tido conversas acerca deste teu trabalho?

Olá amigo Marco Santos, tudo bem? Espero que sim. Obrigado pelas tuas palavras e pelo teu reconhecimento. Tal como tu sabes o “bichinho” de fazer algo em prol do Heavy Metal esteve e estará sempre presente na minha mente e após alguns anos de silêncio, decidi começar este meu projeto em meados de 2009, no qual decidi chamar-lhe simplesmente Metal Soldiers. Inicialmente seria uma espécie de Fan Club 100% dedicado à edição e reedição de bandas antigas da década de 70 e 80 ou seja a ideia seria lançar sob o nome de Metal Soldiers Fan Club alguns LP’s & CD’s e tornar-me assim o órgão oficial de algumas bandas que me solicitassem apoio tanto na divulgação como na distribuição. Nessa altura contactei algumas bandas e as respostas não foram nada agradáveis porque a maioria das bandas (já para não dizer a sua totalidade) não concordou e nem compreenderam essa minha ideia… um Fan Club?!?! Uns acharam que isso iria gerar confusão porque seria o Fan Club de um “monte” de bandas, outros mencionaram o facto de necessitarem de uma entidade tipo editora porque daria maior projeção às bandas, etc, etc, ou seja perante tantas reações negativas eu vi-me obrigado a alterar o nome e a modalidade que ainda está em vigor ou seja Metal Soldiers Records.

No inicio faltavam-me alguns contactos, principalmente de fábricas e nessa área tive a ajuda do meu grande amigo Xico da Blood & Iron Records, editora inclusive com a qual efetuei várias parcerias.

Sim, antes de iniciar estas atividades eu falei com muita gente, tanto de editoras como de bandas e o “feedback” foi muito positivo. Aliás, uma das pessoas com quem troquei mais ideias até foi o Stefan Riermaier da editora alemã Karthago Records ou seja esta foi a editora que eu tomei como exemplo para iniciar as atividades. Claro que o Stefan disse logo que me ajudava no que fosse necessário.

A Metal Soldiers Records tem um enorme catálogo onde se inclui uma vasta gama de produtos desde CD, vinil, fanzines (da qual sou um cliente habitual destas pérolas escritas, adquirindo grande parte do material disponível!), material em segunda mão e muitos trabalhos sob o nome da Metal Soldiers. Como funcionam as parcerias para teres este material no teu catálogo, incluindo autênticas relíquias discográficas? Também é de salientar e louvar uma forte gama de bandas brasileiras, havendo uma estreita ligação com o que se faz do outro lado do Atlântico. Como surgiu esta colaboração com o Brasil e com quem estás ligado a nível de trabalho e divulgação?

Eu confesso que para fazer este tipo de lançamentos ou melhor como tu lhe chamas-te estas “pérolas escritas” é necessário ter muito gosto e acima de tudo muita paciência porque ao contrário do que as pessoas pensam nem sempre as bandas possuem em seu poder as suas próprias músicas, repara eu contactei algumas bandas que … após falar com todos os elementos da banda eles não tinham os originais dos seus próprios LP’s, … contactei bandas que nada me entregaram porque nada tinham e quando isso acontece é desesperante porque uma pessoa tem que se movimentar por outros lados. Bandas Brasileiras que tiveram que recorrer ao Mercado Livre para comprarem uma cópia em 2ª mão do seu próprio álbum, parece incrível mas é verdade! Outro dos grandes obstáculos neste tipo de lançamentos é também a dificuldade em localizar grande parte ou a totalidade dos membros de cada banda para que me possam autorizar o lançamento dos seus trabalhos. Já agora relembro que sempre que eu faço um lançamento eu tenho o cuidado de contactar todos os elementos da banda. Depois de localizados é necessário que todos os elementos estejam de acordo com o proposto o que (infelizmente!) nem sempre acontece, daí já me ter acontecido situações bastante constrangedoras como foi o caso de músicos que proíbem a publicação de suas fotos nos lançamentos…(aconteceu no lançamento por exemplo dos Metal Pesado) no qual tive que cortar a maioria das fotos porque o vocalista proibiu a sua publicação no CD ou no caso dos Inquisição que um baterista (músico convidado que nem pertencia ao line-up da banda) “simplesmente” proibiu a utilização das músicas de uma demo de 87. Mas muitas outras situações constrangedoras também aconteceram como no caso dos Raven onde a banda contactou a editora para me enviar os artworks originais dos dois álbuns e a própria editora, a SPV Records, respondeu que já não possuía os trabalhos originais ou seja pura “filha da put**se” e estamos a falar de uma grande editora. Como podes ver este tipo de lançamentos não são fáceis de conseguir.

Falando um pouco das parcerias e do material que distribuo, nos primeiros anos da editora eu necessitei ganhar nome no mercado e como tal vi-me obrigado a funcionar muito à base de trocas aceitando quase todas as propostas ou as contrapropostas que me chegavam. Claro que isso me permitiu criar um catálogo com muito material, aumentando assim a oferta de bandas para todos os meus clientes.

Bem, quanto à colaboração com o Brasil, a minha paixão pelo Metal Brasileiro já vem desde os longínquos anos 80, altura em que comecei a “devorar” as primeiras bandas Brasileiras, nessa altura fazia muito “tape trading” com os países da América do Sul, em especial os Brasileiros. Sempre mantive contacto com muita gente no Brasil por isso é que ainda hoje tenho lá excelentes colaboradores. Curiosamente, neste momento o meu principal distribuidor no Brasil é Português ou seja é o meu grande amigo João Pedro Sousa da Editora Your Poison Records / Route 55 Records que se mudou para lá há meia dúzia de anos.

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Apresentas um catálogo bastante completo, mas ainda estás a planear mais algo para a Metal Soldiers Records? O objectivo será cimentar cada vez mais esta tua distribuidora, mas passa também por diversificares mais a tua oferta? Como sentes o interesse de todas as pessoas que entram em contacto contigo para a compra de material? Além do pessoal da denominada ‘velha guarda’ há o interesse por parte dos mais novos em adquirir e conhecer novo material?

Sim, eu tenho sempre algo mais para acrescentar às minhas atividades, em relação à Metal Soldiers Records, eu estou a pensar e vou fazer algumas alterações para breve e a mais significativa é a divisão da editora consoante os estilos das bandas a lançar ou seja irei subdividi-la em Rock Soldiers Records, Metal Soldiers Records (atual nome), Thrash Metal Soldiers e Death Metal Soldiers e depois logo se vê se ficará só com estas subdivisões. Não me parece correto estar a encaixar bandas tão diferentes na mesma etiqueta, daí as subdivisões que já não é uma inovação uma vez que outras editoras também já o fizeram no passado como é o caso da editora alemã Pure Steel Records que é mais uma das editoras com quem trabalho e com quem tenho laços de grande amizade. É uma das minhas grandes referências. Outra das grandes novidades é que eu vou querer começar a apostar no Rock’n’Roll até porque existem muitas bandas, incluindo bandas Portuguesas que merecem ver os seus trabalhos reeditados, grupos antigos que foram muito importantes para todo o nosso movimento Rock’n’Heavy.

Os clientes que eu tenho são “poucos mas bons”, neste momento tenho pouco mais de 250 clientes ou seja eu costumo dizer em tons de brincadeira que isto é um pequeno núcleo de fans (aqui está outra vez a tal palavra Fan por isso é que eu inicialmente idealizei um Fan Club) que mantem todo este projeto vivo e (felizmente!) de perfeita saúde. A maioria (para não dizer a totalidade) é malta da “velha guarda” com a “velha escola” dos nossos anos 80 por isso fazem compras com muita paixão à base de bandas antigas e álbuns antigos. O interesse dos mais novos é quase “nulo”, ZERO.

 

Além da Metal Soldiers Records, também tens a NBQ Records, que se estreou o ano passado com o álbum “System Sickness” dos Baktheria, até ao mais recente “Overloaded” dos Booby Trap, passando entre outros pelos Buried Alive, Shivan e até pelos brasileiros Atacke Nuclear. Qual o conceito por trás da NBQ Records e qual o ideia com que foi criada? Tens mais algumas edições em vista e que possas já divulgar? Já agora, o que querem dizer as iniciais NBQ?

A decisão de fundar a NBQ Records foi como se diz em bom Português uma editora “a pedido de muitas famílias” ou seja foram imensas as bandas que me contactaram e que não se enquadravam nos moldes da Metal Soldiers Records, muitas delas com muita qualidade para serem lançadas. A criação de uma nova editora veio assim ao encontro dessa necessidade. É mais uma aposta ganha até porque está a crescer de vente em popa, alias outra coisa não seria de esperar porque é um projeto que mexe com bandas que estão 100% no ativo, tudo bandas com músicos novos que têm “sangue na guelra” e como tal o sucesso está a ser garantido.

Quanto a novos lançamentos, irei lançar já no inicio de 2017 os novos álbuns dos Portugueses Veinless – “IX” (NBQR008) e o Miss Cadaver – “Mänifestvm Raivus” (NBQR009).

As iniciais NBQR querem dizer Nuclear Biológico Químico Radiológico.

 

No início fiz referência ao teu trabalho como editor da Hallucination ‘Zine, em que na década de 90 se fazia uma grande divulgação através destas publicações, onde tomávamos conhecimentos de outras bandas, de fanzines, do que se fazia nos outros países, assim como as bandas portuguesas que iam aparecendo e marcando o seu cunho na nossa história. Hoje em dia as fanzines praticamente que desapareceram no nosso país, sendo a divulgação das bandas feita em alguns blogs, mas principalmente através do Facebook, o que por vezes torna a informação tão fragmentada, tornando difícil ter conhecimento do que se vai fazendo. Como explicas o desaparecimento destas publicações, quando no resto do mundo ainda dão cartas, adaptando-se às novas realidades? De tanta coisa que temos o que nos faz falta em Portugal para fazer crescer ainda mais o nosso movimento? E já agora como sentes o pulso do que se vai fazendo por cá, seja a nível de concertos, programas de rádio, salas de espectáculos, editoras, distribuidoras, gravadoras e até mesmo o público?

Bem uma coisa é certa, o papel escrito já dura há gerações e irá durar mais algumas gerações. Sabes que tudo é cíclico. Portugal nem sempre é dos melhores exemplos porque nós portugueses começámos por enterrar os gravadores de fitas áudio, depois enterra-mo o gira-discos e por fim enterrámos as publicações em suporte físico porque tudo isto dá trabalho. Noutros países mais desenvolvidos tudo isso ainda funciona e isso sim é maravilhoso por isso é que eu não compreendo a mentalidade da maioria dos Portugueses. Em Portugal faz falta acima de tudo profissionalismo, somos muito amadores e é por isso que estamos na cauda dos países da Europa, não é por acaso que andamos na boca do mundo ao lado de países como a Grécia ou a Itália até porque a nível de “trafulhice” somos países muito semelhantes. Repara eu tenho tido imensos problemas com editoras e distribuidoras que tentam injetar material da Metal Soldiers no mercado ao preço da “uva mijona” e adivinha qual é a nacionalidade desses “crápulas”??? Esses 3 países que já mencionei entre outros de quinto mundo como é o caso da Ucrania e da Russia. Felizmente existem algumas pessoas que lutam por um movimento mais forte mas não é fácil quando a maioria da malta “rema” para o outro lado ou até mesmo em sentido contrário. Há que acreditar e é por isso que eu tento sempre dar mais e melhor.

 

Na tua área tens um grande contacto de trabalhos de bandas, o que na actualidade se torna bastante difícil absorver tudo o que é lançado. Falo por mim que aproveito as viagens de carro para o trabalho para ir ouvindo as novidades, assim como o algum tempo disponível em casa para pesquisar o que se vai fazendo. Ainda continuas atento ao que se vai fazendo, ou gastas algum tempo para recordar/relembrar álbuns que te marcaram durante este teu envolvimento no Metal? Como foi descobrir estas bandas em meados da década de 80, onde qualquer lançamento trazia sempre novidades? Que bandas mais te cativaram na altura?

Sabes que eu costumo dizer em tons de brincadeira que parei no tempo dai eu ter criado a Metal Soldiers porque tudo o que gosto e tudo o que oiço remonta àquela gloriosa década de 80. Tento manter-me atento ao que se vai fazendo aqui e ali, mas cada vez é mais difícil surpreender-me com novas bandas ou novos projetos. Os clássicos das bandas dos anos 80 estão sempre a rodar tanto no carro, como no serviço bem como na aparelhagem lá de casa ou no computador. Bem foram muitas as bandas que me marcaram nessa década de 80 mas as mais sonantes foram os Kiss, Meat Loaf, Judas Priest, Anthrax, Megadeth, Testament, Sepultura, Necrodeath, Bathory, Voivod, Death entre outras…

 

E agora uma pergunta difícil, em que por vezes os entrevistados partem a cabeça para conseguir responder, mas do qual ouvimos sempre histórias fantásticas. Quais os teus cinco álbuns favoritos, que mais te marcaram e porquê?

É sempre difícil a escolha até porque vou ter que deixar de fora alguns bons álbuns mas aqui vai:

 

Judas Priest – “Ram It Down” (1988) um álbum e uma banda que passou muitas vezes no Rock’n’Stock, programa esse que eu seguia assiduamente. Os Judas Priest sempre foram o “patinho feio” do Heavy Metal ou seja a maioria do pessoal nos anos 80 detestava esta banda mas eu sempre gostei e sempre acreditei no som deles e hoje em dia, passados tantos anos ainda os vemos a crescer.

 

Sepultura – “Schizophrenia” (1987) com as fitas das gravações do “Bestial Devastation” e “Morbid Visions” quase gastas, qual foi o meu espanto quando numa bela final de uma manhã de sábado, vinha eu da Feira da Ladra e numa das rotineiras visitas à Bimotor dou de caras com este grande abum, acabadinho de chegar a Portugal, foi compra certa! Uma das grandes pérolas de todos os tempos.

 

Bathory – “Blood Fire Death” (1988) … gostaria aqui de relembrar muita gente que nos anos 80 eram muitos poucos os seguidores que existiam dos Bathory, os discos passavam meses e meses nas discotecas a ganhar pó, porque ninguém os comprava só que depois deu-se o “boom” do Black Metal e pronto passou toda a gente a gostar ser fan de Venom, Celtic Frost, Hellhammer, etc, etc….a malta tem memória curta mas eu não…lembro-me de tudo ao pormenor, como se fosse hoje. Eu fui um dos fundadores da 1ª Editora em Portugal de música “obscura”, a antiga Dark Records (R.I.P.) no qual ainda efetuei vários lançamentos dos quais destaco o 7” dos Decayed – “The Seven Seals” (Um abraço para o meu primo Zé!!! Saudações primo!).

 

Death – “Leprosy” (1988) é um marco da música pesada, grande banda e grande álbum. Influenciou inúmeras bandas dentro do som mais pesado.

 

Megadeth – “Rust in Peace” (1990) este é para mim o melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos ou seja se me tens dito para escolher apenas um esta seria a minha escolha.

 

E assim chegamos ao fim da entrevista. Queria agradecer-te novamente pela tua participação, assim como quero dar-te os parabéns pelo teu trabalho e que se inicie uma ligação forte e interessante entre a Metal Soldiers Records e a Ode Lusitana. Estas últimas linhas são tuas para dizeres o que te vai na alma.

Eu é que agradeço. Tal como tu sabes eu sou um grande fan deste tipo de publicações e como tal irei querer sempre dar-te o meu contributo. Podes sempre contar comigo. Um grande abraço.


Laughbanging Podcast

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Laughbanging, é um projecto criado em 2015 como um blog, sendo um espaço onde se junta o humor ao Metal.

14566357_1177805625630921_2837003625547227902_o   Neste ano de 2016 foi criado o Laughbanging Podcast, onde segundo os autores tem como objectivo falar de “forma descontraída e humorística sobre o mundo do heavy metal”. A dupla é constituída pelo Paulo Rodrigues e pelo Gustavo Vieira, dois comediantes stand up apaixonados pelo heavy metal e que nos levam pelos mais variados temas e sonoridades, com um grande toque de humor.

O número 40 do programa já está disponível para todos os ouvintes e este episódio tem o título de “Bandas e músicos que passaram por várias sonoridades”. A seguir com atenção e com um sorriso no rosto!

Todos os programas estão disponíveis aqui.

Laughbanging – Comédia Metaleira.

https://www.youtube.com/watch?v=ahPDZyH0Q-o

 


Booby Trap – novo álbum “Overloaded”

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   Booby Trap, banda aveirense de thrash / crossover, editou no dia 17 de outubro o seu novo longa-duração “Overloaded”. Com Pedro Junqueiro (voz), Pedro Azevedo (guitarra), Carlos Ferreira (baixo) e Hugo Lemos (bateria), este é o segundo-longa duração da banda, após o lançamento de “Survival” em 2013. Um álbum com capa de Deivis Tavares, conta com a participação de Bruno Tavares (Souq), Simão Santos (Martelo Negro) e coros de Luis Rattus (Crise Total/Albert Fish) e Zé Redondo (Estado de Sítio).

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A banda aveirense foi formada em 1993, tendo lançado em 1994 a muito badalada demo de estreia “Brutal Intervention”. Muitos concertos decorreram, tendo optado por suspenderem a banda em 1997. em 2012 voltam ao activo, impondo o seu ritmo, lançando então em 2013 o primeiro longa-duração “Survival“. A vontade de fazer música e subir aos palcos não tem parado!

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Ode Lusitana # 16 – Outubro 2016 já disponível

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Número de Outubro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download gratuito.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Christophe Correia (Underground’s Voice) e Emanuel Ribeiro (Lyfordeath). Notícias sobre Disthrone, Requiem Laus, Biolence, Analepsy, Salqiu, Inthyflesh, Headbang Solidário, Oeste Underground Fest e Mosher Fest.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.


Underground’s Voice

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   Underground’s Voice é um projecto pessoal do Christophe Correia com origens no ano de 2012 e que tem como principal objectivo a divulgação de bandas do meio underground, seja nacional ou internacional e que tem primorado pela qualidade.

   Um trabalho cheio de qualidade, reconhecido por todos e sempre com o objectivo de evoluir, por isso nada melhor do que seguir a entrevista com o Christophe para sabermos a enormidade deste projecto Underground´s Voice.

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Viva Cristophe! É uma grande honra ter-te neste número e pela tua disponibilidade para responderes a estas perguntas da Ode Lusitana. Para começar quero felicitar-te pelo teu excelente trabalho na Underground’s Voice e por todo o teu apoio dado ao movimento underground, especialmente ao movimento nacional. Já é um projecto com quatro anos, mas como se dá o primeiro passo e como avanças com as primeiras entrevistas da Underground’s Voice? Qual foi o momento chave para uma ideia que já vinha a fervilhar há bastante tempo?

A honra é toda minha! Antes de mais, obrigado pelas tuas palavras e todo o apoio que dás à Underground’s Voice. É sempre bom saber que ainda existe quem valoriza o trabalho e é melhor ainda quando vem de alguém que admiramos como é o caso. A ideia de criar a Underground’s Voice surgiu um pouco do nada porque, para ser sincero, não tinha nada planeado nem pensado nesse sentido antes de realmente a criar. Fui percebendo que em Portugal a grande maioria das bandas mais pequenas e/ou recentemente criadas não tinham voz e dificilmente conseguiam sair da garagem ou sala de ensaio para se fazerem conhecer.

No outro extremo temos as bandas, sejam elas mais underground ou mainstream, que toda a gente conhece e são referidas em todo o tipo de sites, webzines, revistas, reportagens, etc. Porque não equilibrar as coisas? Foi nisso que pensei durante um par de dias. Seria mais interessante ser a 35ª webzine a publicar uma notícia a anunciar a vinda de uma grande banda a Portugal e a revelar o título do novo álbum dos Moonspell ou criar algo novo, que pouca gente faz e possa ser vantajoso para as pequenas bandas, as nossas bandas, que lutam diariamente por um lugar ao sol? A primeira opção seria a mais fácil, a que me permitia chegar mais rapidamente ao grande público, a que teria mais views e partilhas. Mas essa nunca foi a minha forma de ver as coisas. Enquanto escrevo esta resposta lembrei-me de um exemplo um pouco estúpido mas que serve como comparação: Se subir um edíficio de 20 andares pelo elevador poupo tempo mas sou igual a todos os outros, se subir pelas escadas demoro mais tempo mas perco meia dúzia de calorias e acabo por ter vantagens com isso. A Underground’s Voice é isto, é optar pelas vantagens que realmente importam, as vantagens que ficam para sempre: as amizades, promover as bandas e artistas que realmente precisam, dar a conhecer novos nomes, dar a primeira oportunidade a bandas numa entrevista e deixar de lado as vantagens momentâneas como os likes, views e partilhas. Como não me canso de dizer, a primeira entrevista foi com o Miguel Inglês, vocalista de Equaleft que alinhou na ideia de estrear este formato, publicada uns dias depois da Underground’s Voice ter sido criada e abriu porta a todas as outras que vieram a seguir. Já tive a honra de entrevistar bandas de renome mundial e sou fã incondicional de algumas delas o que me enche de orgulho pela oportunidade e por significar que, de certa forma, o trabalho tem sido bem feito. E o verdadeiro trabalho faz-se com as bandas nacionais que estão a dar os primeiros passos. Os Moonspell não nasceram grandes… E temos potencial para termos muitas bandas a seguirem-lhes as pisadas. Adorei trabalhar com os Wrath From Above, uma banda que nem eu conhecia e ganhou um concurso na Underground’s Voice que lhes permitiu passar o dia connosco, ter uma entrevista, sessão de fotos. Irá acontecer o mesmo com outras bandas nacionais, tenho grande vontade de trabalhar com bandas que precisam do primeiro empurrão como os Secret Chord, por exemplo.

 

Mais de 300 entrevistas feitas, muitos contactos, muita música descoberta e decides avançar para as entrevistas ao vivo e gravadas. Como surgiu a Diana Morais neste teu trabalho e que te tem ajudado nesta parte visual? Entendes estas entrevistas como uma complementaridade ao trabalho efectuado nas entrevistas escritas ou decididamente estás agora mais virado para estas entrevistas filmadas que são mais directas e nos mostra mais o pensamento das bandas na hora? Quais os próximos planos para estes tipos de entrevistas?

As entrevistas em vídeo estavam no pensamento desde o primeiro dia e sempre foi um objectivo mas, para além de não ter as condições para tal na altura, senti que não seria boa ideia começar logo por aí. Eu sou apenas um fã de música, não tenho qualquer formação nesta área nem experiência em projectos anteriores e não queria dar um passo maior que a perna. O ideal seria começar por baixo, aprender a estruturar uma entrevista e convidar bandas para as responder mesmo sabendo que o alcance da Underground’s Voice era quase nulo. Felizmente nunca recebi um “não” e todos deram a maior força para o crescimento desta ideia. A Underground’s Voice teve um crescimento enorme ao longo do tempo mas foi sempre sustentado e controlado e com as prioridades bem definidas, gosto de arriscar e acabei por o fazer em diversas vezes mas nunca dei um passo quando achei que não o deveria dar e tive boas oportunidades para o fazer. Depois de 3 anos e quase 350 entrevistas publicadas senti que era altura de inovar e não deixar que isto estagnasse e achei que já faria sentido introduzir as entrevistas em vídeo. Não foi fácil porque eu não tenho material para gravação e nem sequer sei editar vídeos por isso tinha que ter a ajuda de alguém. Encontrei a pessoa mas não tinha local para gravar, depois encontrei local e já não tinha a pessoa até que surgiu a Diana com material e local disponível. Aceitou de imediato o meu convite e bastou termos uma única reunião para acertarmos tudo e começar a trabalhar nisso. Dias depois recebi o meu primeiro convidado neste formato, o Raça, vocalista dos Revolution Within e acho que as expectativas foram cumpridas o que me permitiu continuar neste formato. Hoje em dia recebemos bandas nos escritórios e vamos fazendo entrevistas vários pontos do país, às 3h da manhã depois de concertos, em concertos pequenos, em festivais grandes, a bandas nacionais e internacionais. Tudo vale quando se gosta e quando se tem oportunidade. É uma sensação excelente poder conhecer, conviver e entrevistar artistas que sempre admiraste. Quanto a planos para estas entrevistas… Apenas continuar o que tem sido feito, dar voz às bandas!

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Este teu projecto evolui bastante rapidamente e agora tens uma outra novidade que é a Underground’s Voice Magazine. Na altura desta entrevista ainda não houve o lançamento deste primeiro número mas aproveito para te dizer que quero fazer a reserva de um exemplar!! Obrigado! Voltando à magazine, como te surgiu a ideia? Era o passo que te faltava? Também achei curioso a situação de teres entrevistas, mas não com bandas, o que demonstra também que existe todo um meio que gira à volta do underground e que é preciso dar a conhecer. Com isto tudo, qual é a equipa que te ajudou nesta estreia e como surgiram todas estas ideias do conteúdo da mesma e que foge um pouco ao que vemos normalmente numa magazine?

Ao contrário das entrevistas em vídeo, nunca tinha pensado numa revista. Mas acabou por ser algo que senti vontade de fazer e que penso que faz sentido nesta fase da Underground’s Voice que está na sua melhor fase de sempre. Porque não coroar isso com algo especial? O lançamento de uma edição única e limitada de uma revista pareceu-me uma solução interessante. O mais óbvio seria incluir várias entrevistas com bandas, fazer reviews a álbuns e reportagens de concertos mas não tem absolutamente nada disso. Mais uma vez decidi não ir pelo caminho mais fácil ou tradicional (atenção, não estou, de todo, a criticar essa forma de trabalho até porque eu mesmo sou consumidor desse tipo de publicação. Apenas me refiro ao facto da Underground’s Voice ter um perfil e um conceito diferente, nem melhor nem pior) e criar conteúdos originais escritos por pessoas que estejam dentro desse assunto. Desde entrevistas a outros intervenientes que não bandas, há artigos sobre artworks, sobre a relação entre a arte e a música, sobre a importância das webzines/fotógrafos/etc para as bandas e muito mais. A revista está quase concluída (finalmente!!!) e foi feita sem qualquer apoio, patrocínio e nem sequer publicidade paga tem. Em vez da tradicional publicidade que se costuma ver na maior parte das revistas optei por ocupar esse espaço a divulgar bandas nacionais e publicitar outras entidades que sempre deram o seu apoio à Underground’s Voice. A revista foi idealizada por mim e a grande maioria dos seus conteúdos também mas tive, como sempre, a grande ajuda da Diana que apoiou e trabalhou muito para que se tenha tornado possível a revista sair. Outro enorme contributo tem sido o da minha amiga Maria Peixoto, responsável pelas belas t-shirts da Underground’s Voice, pela capa e por todo o layout da revista e que tem emprestado o seu enorme talento a este projecto. Por isso a equipa responsável por esta revista limita-se a mim, à Diana e à Maria, juntado a nós todas as pessoas que escreveram um artigo e a quem nunca me vou cansar de agradecer.
PS: o teu nome está obviamente na lista de reservas, muito obrigado!

 

Uma das perguntas que fizeste na tua página foi o que gostaríamos que viesse a seguir nesta excelente evolução. Da minha parte referia a continuares o lançamento desta tua magazine, nem que seja com uma edição trimestral, talvez a inclusão de um CD, assim como também sugeria a criação de um site onde pudesses ter todas as entrevistas, sejam escritas ou através de vídeo. Mas por ti, o que desejas que viesse a seguir? Este é um trabalho apenas teu, mas devido ao reconhecimento e ao volume de trabalho estarias disposto a recrutar colaboradores para te ajudarem? Qual o limite para a Underground’s Voice?

Agradeço a tua excelente sugestão e sem dúvida que a vou ter em conta, aliás, a questão do site está em cima da mesa e cada vez mais se torna uma necessidade até pela dificuldade em encontrar algumas entrevistas mais antigas em que não sabes muito bem em que data foi feita. Como disseste, a Underground’s Voice é um projecto apenas meu e independetemente do volume de trabalho, do reconhecimento ou do que quer que seja quero que continue a ser. A Diana é minha colaboradora e entende todo o conceito, toda a forma de trabalhar e a forma da Underground’s Voice estar na dita “cena” nacional e consegue perceber por termos uma relação de grande amizade fora de trabalho. A Underground’s Voice, apesar de ser um projecto muito ligado a bandas, a artistas, a seguidores, a promotores, etc é um projecto muito pessoal e por isso tem muito das minhas emoções e estados de espírito na sua essência e é algo que quero manter. Não se deve confundir com falta de vontade de trabalhar com outras pessoas, adoro fazê-lo e adoro trabalhar em equipa e posso perfeitamente vir a trabalhar com uma equipa num projecto novo. Quanto a limites, não os tenho porque estou constantemente insatisfeito e sempre em busca de algo mais. Fiquei muito feliz e entusiasmado quando cheguei às 300 entrevistas publicadas mas actualmente considero isso pouco. Arranquei com entrevistas em vídeo, tive crónicas para uma publicação brasileira, tive o privilégio de apresentar a Underground’s Voice na televisão, tudo coisas que me enchem de orgulho e actualmente acho isso pouco. Neste momento estou focado na revista que vai ser um enorme passo em frente mas quando a tiver lançada vou imediatamente considerar um objectivo concluído e pensar em algo maior e já tenho algumas ideias para isso. Novidades irão, provavelmente, aparecer em breve! Trabalho com máxima humildade e os pés no chão mas sempre com objectivos e desafios grandes.

 

És um forte conhecedor do nosso movimento nacional, em que também és da opinião que temos muito boas bandas. Os nossos grandes embaixadores lá fora continuam a ser os Moonspell, fruto de muito trabalho, mas entre outros também tivemos o reconhecimento além fronteiras dos Heavenwood e Tarantula, com muitas situações pontuais de outras bandas. É verdade que não podemos comparar a situação actual com o boom do Metal há uns anos, em que através de um contrato discográfico os nomes das mesmas era muito mais facilmente projectado, mas o que nos falta para termos mais bandas reconhecidas lá fora? Poderá haver receio ou mesmo falta de dinheiro para poder dar esse salto? Como vemos temos lançamentos muito originais e com uma boa qualidade sonora que nos coloca muito à frente de algumas bandas que nos visitam. Será apenas uma questão periférica do nosso país como alguns dizem?

Engraçado me fazeres essas perguntas porque recentemente tive uma conversa sobre este tema e até há uma referência sobre isto na revista!!! É um assunto delicado que pode ser interpretado de várias formas. Acho que sermos um país periférico já não é desculpa para a não internacionalização das bandas. Há países que têm uma localização ainda menos favorável que a nossa e têm bandas capazes de ser internacionalizarem… O que seria de nós se estivessemos na Austrália? Nós aqui temos voos low-cost para grande parte da Europa, podemos ir de carro para as cidades espanholas mais próximas, há comboios, etc. Uma banda Australiana tem, inevitavelmente que fazer mais esforços para chegar onde quer que seja. Nós estamos mal localizados mas não tanto como alguns querem fazer parecer. Na minha opinião existem vários motivos para o facto das nossas bandas não se conseguirem atingir esse patamar, alguns que são da inteira responsabilidade da banda e outros que são factores externos. Nem todas as bandas estão dispostas a embarcar numa aventura dessas e passar um mês em digressão, seja por motivos de trabalho, familiares ou simplesmentente podem não achar vantajoso fazê-lo. É preciso que a banda seja levada a sério e com máxima responsabilidade e não vê-la com uma hobbie ou algo para te abstraíres da realidade durante os ensaios e meia duzia de concertos que dás e para além disso é preciso um largo investimento para tornar isso possível. E, verdade seja dita também, temos que admitir que nem todas as bandas têm qualidade para atingir esse patamar o que é totalmente compreensível. Há o bom e o mau em todas as áreas e a música não poderia fugir a isso. De qualquer maneira concordo quando dizes que estamos à frente de muitos na qualidade de lançamentos e as bandas cá em Portugal tem excelentes locais para gravar os seus álbuns… Locais esses que às vezes até recebem bandas internacionais! O mesmo se pode dizer quanto à produção e quanto aos profissionais nessa área, estamos extremamente bem servidos. Se as bandas internacionais reconhecem essa qualidade e vêm cá gravar e tocar é sinal que realmente temos potencial senão iam gravar a outro país qualquer. Com isto tudo, fica provado que as bandas tem qualidade para chegar lá mas nem sempre estão dispostas a apostar e investir nisso (obviamente me refiro às que têm possibilidades de investir) e ficam à espera da sorte. Mas a sorte não espera, procura-se.

 

Uma das lacunas que temos a nível nacional é a falta de meios escritos, seja na base das magazines e fanzines, o que contraria um pouco o movimento que vemos a nível mundial, incluindo o europeu, com várias projectos lançados. Mesmo as webzines em Portugal tem vindo a desaparecer. És da opinião que é importante haver o suporte de papel para a divulgação do Metal? Qual a razão das poucas edições actualmente em Portugal, quando ainda há uns anos existiam tantas newsletters, fanzines, folhetins? És um consumidor deste tipo de leitura? Quais as magazines ou fanzines que lês?

Acho que cada vez mais a internet engole esse tipo de publicações e capta mais a atenção dos leitores devido ao seu acesso mais imediato, digamos assim. Hoje basta abrir o Google e em segundos estamos a ler todo o tipo de notícias e vídeos sem qualquer problema. Sem dúvida que não há nada melhor do que ter uma revista ou um folhetim na mão, tem muito mais valor e até nos dá outro tipo de proximidade. Acho que seria importante que continuassem a existir e é uma pena vermos que estão aos poucos a desaparecer, mais ainda, sabendo que algumas delas eram de enorme qualidade! Não sei se existe alguma explicação lógica para isso estar a acontecer… Provavelmente trata-se apenas de evolução, um sinal dos tempos que insiste em substituír o homem pela máquina e que levou a este desfecho. Falo por mim também, a Underground’s Voice sempre foi uma plataforma online e está agora a estrear-se em papel para uma edição especial e pelo volume de trabalho que dá, sinceramente, não me via a fazer uma revista mensal nestas condições. É trabalho que a grande maioria não valoriza por ser necessário pagar (na sua maioria) enquanto está tudo disponível gratuitamente na internet e actualmente estamos quase todos mais virados para o mais prático, para tudo que é mais imediato. Felizmente ainda há quem consiga valorizar o trabalho, os artworks e tudo que é realmente palpável. Actualmente são poucas essas publicações mas como se costuma dizer, somos poucos mas bons!
Sou um leitor eclético mas confesso que não compro nenhuma revista todos os meses. Normalmente compro aquela que mais vai de encontro aos meus gostos e interesses e vou acompanhando as notícias diariamente na várias webzine. Provavelmente acabei por me adaptar a esta realidade por todos os motivos que fui referindo acima.

 

Com a quantidade de música actualmente disponível, ainda para mais com o trabalho que tens, em que ouves bastantes bandas, há sempre aqueles álbuns que recorres volta e meia e que te despertam uma excelente sensação. Consegues enumerar alguns álbuns que te iniciaram neste tua paixão pelo metal e que ainda os ouves? Neste momento, que bandas é que andas a ouvir e que tens gostado do seu som, sejam bandas nacionais ou internacionais?

O tipo de trabalho que tenho faz com que realmente esteja constantemente em contacto com a música e, com toda a sinceridade, ouço tanta coisa que se torna mais complicado ser apanhado de surpresa ou ouvir algo que seja completamente transcendente. Isso não quer dizer que ouças maus álbuns porque, na realidade, a grande maioria dos que ouço são no mínimo bastante razoáveis! Machine Head é e será sempre a minha banda favorita e são aqueles que já me acompanharam em vários estados de espírito completamente opostos, é uma daquelas coisas pouco explicáveis mas, para mim, são mais que uma banda, são tipo um melhor amigo em forma de música. Acompanham-me sempre. Ainda falando de bandas internacionais tenho estado numa onda mais Thrash (como quase sempre!!) com Warfect, Violator, Dekapitator, Suicidal Angels entre muitos outros. Tenho também que destacar, inevitavelmente alguns álbuns nacionais que têm rodado muito por aqui: Revolution Within que lançaram provavelmente o seu melhor álbum e logo na altura que completaram 10 anos de carreira, Equaleft, WAKO, Tales For The Unspoken, Filii Nigrantium Infernalium, Morte Incandescente, Web e tantos outros que nem consigo enumerar… a música nacional transpira saúde e qualidade!

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Christophe é assim que chegamos ao final desta entrevista. Queria-te agradecer novamente pela tua disponibilidade e as últimas palavras são tuas.

Eu é que agradeço pelo convite. Como leitor da Ode Lusitana e admirador de todo o teu excelente trabalho foi uma enorme honra para mim poder dar o meu contributo nesta edição, um enorme obrigado! Aproveito para repetir aqui o que já te disse algumas vezes em privado: Houvessem mais pessoas como tu neste meio que lutam e trabalham pela causa, por amor à camisola e tudo funcionaria melhor. É um privilégio para mim poder contactar e conviver contigo!
Quero obviamente agradecer a todos que seguem a Underground’s Voice e que a apoiam seja de que forma for, o trabalho pode ser muito bem feito mas se ninguém estiver atento de nada vale e felizmente não me têm falhado. Uma palavra de agradecimento, mais uma vez, à Diana Morais e à Maria Peixoto por toda a ajuda e enorme contributo que dão em troca de… nada!                                                                                                                                                                            Como últimas palavras gostava só de dizer que não adianta alimentar as guerrinhas que todos vemos diariamente nas redes sociais e novelas em vários eventos de concertos e festivais. E outra coisa, a tecnologia está muito avançada mas um “vou” no evento ainda não equivale à presença real. Saiam de casa, apoiem as bandas nacionais, vão a concertos, divirtam-se, bebam um copo, comprem álbuns e merch e acima de tudo mantenham um espírito positivo, todos temos a ganhar com isso. Obrigado e até breve!
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Lyfordeath

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Lyfordeath, banda formada no ano de 2012, na zona do Porto, pratica uma mistura sonora com fortes bases thrash, death e progressive, mas mesmo assim insuficientes de descrever para entrarmos nesta sonoridade fantástica.

   Com o lançamento em 2013 do tema “Emissary of Death”, disponibilizam para audição em Agosto deste ano o single “Satan” que foi o mote para esta entrevista com o Ramiro (Emanuel Ribeiro).

   A banda é formada por Gil Dias (voz), João Almeida (guitarra), Carlos Moreira (guitarra), Emanuel Ribeiro (baixo) e Luis Moreira (bateria).

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Viva Ramiro! Muito obrigado por teres aceite o convite para esta entrevista à Ode Lusitana. E vamos começar pela mais recente novidade o vídeo “Satan”. O vídeo está fantástico, mas como nasceu essa parceria com a Diafragma (Ana Sousa & Pedro Gonçalves)?

Conhecemos o Pedro e a Ana no “Hell Sweet Hell Lordelo Metalfest”, em 2015. Na altura, fizeram um pequeno vídeo nosso, que nos despertou interesse em ver o trabalho deles. Entretanto, já estando nós a pensar em gravar a “Satan”, em conjunto, fomos delineando e projetando o videoclip até chegarmos ao que temos hoje.

 

Além disso tem a particularidade de ter sido filmado na Citânia de Sanfins, que é um dos castros mais representativos da nossa história. Porquê a escolha deste local e como é que se sentiram ao expressar a vossa música nesse lugar?

Inicialmente, tínhamos idealizado um anfiteatro ao ar livre mas, genialmente, o Pedro tirou a Citânia de Sanfins da cartola. Ideia que nos agradou desde logo: o local em si estava bem dentro do tema e além do mais, por ser residente em Sanfins, o Pedro tinha facilidade em obter as licenças.

Apos analisar a proposta, decidimos reformular todo o guião e gravar o videoclip na Citânia de Sanfins e o resultado final está à vista: a meu ver compensou bastante.

Estar a gravar e a tocar naquele local fez nos sentir grandes mas completamente insignificantes. A grandeza Histórica do local, que já ronda os dois milénios, faz-nos perceber que nós, raça humana, somos apenas um grão de areia que flui pela ampulheta do universo.

 

Lyfordeath tem o ano de fundação em 2012, mas neste último ano tem apostado fortemente na divulgação do vosso nome e podemos ver isso nos vários concertos que tem dado e do qual vos vi em Fevereiro no Hard Bar junto com Gates of Hell, Motim e The Gravediggers. Os ensaios são importantes mas são estas actuações que fazem com que a vossa máquina fique bem oleada. Qual a tua opinião acerca destes concertos que tem feito? A interação com o público durante o concerto e fora do concerto tem sido importante para vos fazer crescer?

Ensaiar é indispensável mas é nos concertos que as nossas emoções se sobressaem mais: não só por termos pessoas à nossa frente mas principalmente pela sinergia que acontece ou não com essas mesmas pessoas. Isso faz-nos crescer como banda, como músicos, como Homens ao encontro de uma identidade comum: Lyfordeath.

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És o elemento mais velho da banda e isso faz com que tenhas uma responsabilidade diferente perante o resto da banda, ou o objectivo será sempre fortalecer cada vez mais os Lyfordeath?

Numa fase inicial admito que o facto de ser o elemento mais velho e mais experiente da banda dava-me uma responsabilidade acrescida. Não só na condução dos ensaios como na gestão das expectativas criadas pela própria banda: Eu tinha 28 anos e o Luís (baterista) tinha 15.

Com o passar destes anos, com a convivência, aprendizagens mutuas e alguma estrada nas pernas, as coisas foram-se equilibrando e atualmente considero-me mais um que acrescenta valor a esta família fantástica, da qual faço parte.

 

Agora a pergunta da praxe. Como está a correr a preparação do novo álbum? Será sempre um álbum conceptual baseado muito na onda do vosso tema de 2013 “Emissary of Death”? Quem é este emissário? E já agora, para quando a previsão de lançamento do álbum?

Neste momento, estamos numa fase de composição e conceptualização não nos é possível prever datas em concreto.

Por enquanto, a história do emissário não pode ser desvendada.

Apenas podemos revelar que é uma personagem assolada por dúvidas e questões sobre si mesmo e tudo o que o rodeia e não será propriamente um herói mas sim uma mistura de um anti herói e de um herói byroniano.

 

Entras para os Lyfordeath através do teu primo João Almeida (Sookey), e vinhas de ter tocado baixo com os Hangover numa veia mais metal core. Estiveste em mais alguns projetos?

Antes de integrar os Lyfordeath tive Hangover durante 10 anos.

Esta foi banda que quando começou era de Nu Metal e acabou como uma banda Metalcore.

Antes de 2002, altura em que juntamente com o meu grande amigo Victor Martins formei os Hangover, tive os Feedback (banda de pop rock e onde eu me iniciei como baixista aos 14 anos).

Com 16 anos e em simultâneo com os Feedback, integrei mais dois projetos: Sem Registo (rock cantado em português) e SAXO (música de baile).

 

Como nasceu essa tua paixão pelo baixo? Digo isto, porque geralmente o baixo é o instrumento que menos atraí músicos a optarem por esta escolha, mas que tem um peso demolidor na secção rítmica das bandas. Por exemplo lembro-me em miúdo de equalizar o som para ouvir o Steve Harris nos álbuns de Iron Maiden. Quais são os teus baixistas de eleição?

Eu tinha 14, andava no 9ºano e o meu melhor amigo da época (Carlos Alves), que era da minha turma, frequentava aulas de música que existiam na escola, que eram dadas de forma voluntária e gratuita pelo professor de música da escola (Luís Rego), após o final do horário escolar. Por influência do Carlos, comecei a assistir a essas aulas.

Como eu não sabia tocar, o Carlos dava-me uma guitarra acústica e punha-me a fazer as tónicas, em notas graves, dos acordes e riffs que fazia.

Foi numa dessas situações em que seu estava com o Carlos que o professor de música me disse que eu tinha “feeling” de baixista e apresentou-me um baixo a serio: um “Samik” de 4 cordas, com um braço mais pequeno que um baixo comum (o baixo da escola).

Três semanas depois, numa festa da escola, toquei uma música ao vivo com os Feedback (banda da escola) e senti-me muito bem em palco e, sobretudo, com o baixo.

Relativamente aos meus baixistas de eleição, estes foram aparecendo mais tarde. Não pelas capacidades técnicas que possuem mas, sobretudo pela identidade vincada que possuem quando tocam: Fieldy (Korn) Ryan Martinie (Mudvayne) e Robert Trujillo (Metallica) são aqueles com quem mais me identifico.

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A vida é feita por uma evolução a todos os níveis, incluindo os musicais. Uma das particularidades dos headbangers hoje em dia é a grande variedade de bandas que ouvimos. Fazendo um exercício de memória ainda te lembras de quais as bandas com que começaste a ouvir Metal?

Lembro-me perfeitamente que a primeira banda de Metal que ouvi, foi Metallica: o álbum “Kill ‘Em All”. Tinha 10 anos, na altura, e curiosamente foi-me emprestado por um primo meu que não é grande apreciador de Metal.

Curiosamente, não foi Metallica a banda que me fez despertar, verdadeiramente, a paixão pelo “Metal”. Foram bandas como Korn, Sepultura, Slipknot, Machine Head, Coal Chamber, Mudvayne, Slayer… que atiraram comigo para os Hangover e consequentemente para o Metal.

 

Hoje em dia que bandas é que te tem despertado interesse, sejam nacionais ou internacionais?

Atualmente sou mais diversificado relativamente a bandas. Continuo a ouvir, não com tanta frequência, quase todas as mesmas bandas que ouvia na adolescência mas, ao longo dos anos, o meu léxico de bandas foi aumentando.

Bandas como Opeth, Moonspell, Wako, Porcupine tree, Fleshgod Apocalypse, Meshuggah, Dream Theater, Between the Buried and Me, Gojira, Death, Unearth, Ouroborus, Clock Paradox de entre outras foram se juntando ao meu menú.

 

Como elemento dos Lyfordeath, ou como espectador, tens presenciado muitos concertos e do qual deves ter reparado na grande quantidade de bandas existentes no nosso país, assim como um público que se vai tornando (novamente) fiel. As condições para as bandas também tem sido bastante boas, inclusive a nível sonoro. Em que mais podemos evoluir?

Temos verificado nos últimos anos uma grande melhoria das condições para atuação das bandas, pena é que essa evolução tenha vindo acompanhada de uma enorme recessão relativamente aos caixets que, infelizmente, são muito baixos, na grande maioria das vezes.

Lembro-me que há 10 anos atrás, com Hangover, com muito menos trabalho desenvolvido, auferíamos caixets bem superiores aos que atualmente, por norma, são praticados: às vezes nem pagam as despesas.

Mas acredito que, na grande maioria das situações, paga-se o que se pode. Assim sendo, há que dar valor a quem tenta fazer alguma coisa pelo Metal.

Não obstante disto, podendo parecer que não, os reduzidos caixets auferidos pela gradíssima maioria das bandas tem uma enorme influência no atraso ao seu desenvolvimento e crescimento para o exterior pois é da subsistência destas que estamos afalar: a grande maioria só existem por amor à causa.

Mas é bom não esquecer que esta situação é cada vez mais transversal a todos os setores de atividade: a tão aclamada crise e a falta de dinheiro obrigam as pessoas consumirem menos. Nem todos podem ir ver concertos, comprar discos ou outro tipo de merchandise que, em abona da verdade, ajudam a compor as contas de uma banda.

 

Como se consegue trazer esta geração mais nova para o Metal, sem se sentirem excluídos perante os seus colegas no secundário?

Nos tempos que correm, na minha opinião, a discriminação sobre os metaleiros é menor. Já se vê uma maior abertura das pessoas relativamente ao diferente ou fora de padrão e o respeito pelo que não gostamos aumentou.Penso que neste sentido tem existido uma enorme evolução e acredito que, cada vez mais, serão a minoria aqueles que não respeitam as diferenças.

 

Sendo o Metal um movimento que está sempre na vanguarda, tem feito um aproveitamento das tecnologias e principalmente das redes sociais para a divulgação de tudo o que está relacionado com o seu trabalho. Este bombardeamento de informação poderá saturar o meio levando a que mesmo assim se torne complicado chegar a todos os intervenientes?

Devido às dificuldades, nomeadamente financeiras, que normalmente as bandas ultrapassam, qualquer forma gratuita de se promoverem torna-se de relevada importância e, como é obvio, aproveitável ao máximo.

Naturalmente, sendo esta a maioria das bandas (muitas bandas) e sendo poucos os meios de se promoverem de forma gratuita, é natural que se torne mais difícil chegar de forma eficaz a quem pretendemos chegar mas não acredito que estes meios se venham a saturar.

Na vida, como em tudo, tudo tem um fim: tudo começa, tudo acaba e salvo raras exceções, o que acaba deixa de ser relembrado.

 

Em Portugal estamos a ver um grande trabalho de divulgação por parte das bandas, mas continua a faltar uma intervenção maior dos vários meios de comunicação, como fanzines, revistas, programas de rádio, devido ao seu número reduzido. Em tua opinião estes meios de comunicação seriam mais aglomerantes da divulgação das bandas, podendo até chegar a informação a mais pessoas?

Apesar da sua relevância não ser a mesma de alguns anos, até devido à internet e redes sociais, a rádio, a televisão e as revistas em papel ainda são meios de comunicação que atingem grandes massas.

Na perspetiva das bandas, estes meios são vistos não só pelo número de pessoas que atingem mas, principalmente, pelo tipo de pessoas: o volume de programação destes meios dedicados ao Metal são poucos relativamente ao número de artistas ou bandas a promover/divulgar.

Sendo assim, as bandas encaram a sua aparição nestes meios como uma questão de estatuto e reconhecimento.

Quando falo em estatuto, refiro-me ao papel destes meios como “recomendadores daquilo que é bom”, não porque são os donos da verdade absoluta mas porque, sendo escassos relativamente à enorme oferta de bandas, criam a sua “nata” e transmitem-na em grande escala. Sendo por isso, de extrema importância, a existência de mais canais e meios de transmissão de Metal, não só para as bandas, como para os apreciadores: abrindo assim as portas à diversidade e maior opção de escolha.

 

És ‘consumidor’ de fanzines, revistas?

Não sou grande consumidor: compro, de quando em vez, uma revista ou outra.

Sou mais consumidor de blogues e sites, principalmente do underground, onde vou descobrindo bandas interessantíssimas e de grande valor.

 

Ramiro, é assim que chegamos ao final desta entrevista, a qual agradeço a tua participação e desejo as maiores felicidades para os Lyfordeath. Estas últimas palavras são tuas.    

Agradeço desde já à Ode Lusitana pelo interesse em mim e nos Lyfordeath e a oportunidade desta entrevista. Para mim é e sempre será um orgulho falar de mim, do meu trabalho e do trabalho da minha família (Lyfordeath).

Para os nossos irmãos do Headbang, resta-me apelar a que se mantenham firmes e cada vez mais em força nos concertos.

Um grande abraço a todos.

Vemo-nos por aí.

\m/

Fotos: Diafragma


H.O.S.T. – Apresentação do lyric video “Catharsis by Carnage”

 

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Provenientes do Porto, com o início da actividade em Março deste ano, temos os H.O.S.T. que tem a particularidade de reunir grande parte dos músicos que compunham a banda Cycles há dez anos atrás e que lançaram o álbum “Phoenix Rising” em 2006. Sendo assim a banda é composta por Carlos Barbosa (guitarra – Fearstomb, Cycles), Filipe Moreira (guitarra – Fearstomb, Cycles, Unfolded Vision), Vera Sá (baixo – Cycles, Head:Stoned), Augusto Peixoto (bateria – Dove, Cycles, Head:Stoned, DUM) e as vozes a ficarem a cargo do holandês Gerrit Dries.

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Em breve será editado o EP de estreia “Bastard of the Fallen Thrones”, mas já podemos ouvir o som da banda através do lyric video “Catharsis by Carnage” e que conta com a participação especial do Jorge Marques, vocalista dos Tarantula.

O artwork da capa deste lançamento foi idealizada pelo baterista Augusto Peixoto, no seu IrondoomDesign Studio e a sessão fotográfica esteve a cargo do João Fitas.


Quebra-Cabeças – Compilação de Rock e Metal Português

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Disponível para download gratuito a compilação “Quebra-Cabeças (Compilação de Rock e Metal Português) da Rotem Records. Vê em baixo a ligação! Nesta compilação temos: Humanart (black metal – Santo Tirso, formados em 1998, editaram em 2014 o seu primeiro longa-duração “”Lightbringer”), HOST (metal – Porto, fundados em Março deste ano, apresentam o tema “Catharsis by Carnage” do futuro EP “Bastard of the Fallen Thrones”), Booby Trap (thrash metal / crossover – Aveiro, formadosem 1993 estão prestes a lançar o segundo longa-duração com o nome “Overloaded”), Basalto (stoner / metal – Viseu, formados no ano passado, lançaram o seu primeiro trabalho este ano), Mindtaker (thrash metal – Redondo (Évora)), Smash Skulls (thrash metal – Grândola), Autopsya (thrash metal – Loures, editaram em 2013 o seu primeiro longa-duração “Thrash Metal Army”), Havoc Mind (melodic heavy / progressive metal – Lisboa, tem no EP “Havoc Mind” de 2015 a sua estreia), Tomás SCM.O.R.G. (thrash metal – Lobão, Santa Maria da Feira, editaram em 2015 o seu álbum de estreia “Nightmare of Sound”), Frost Legion (black / thrash metal – Bobadela, tem a sua estreia em 2014 com o álbum “Death of Mankind”), Marco Antonio Blues Abuse (heavy punk blues – Lisboa), Emerging Chaos (thrash / death metal – Barreiros, editaram em 2015 o EP “The Deacy of Mankind”) e ROTEM (progressive black / death metal, projecto a solo de Rotem (Bruno Rodrigues), impulsionador desta compilação, editou o álbum “Dehumanization” em 2014 e além de todo o trabalho que faz, foi o criador do logotipo da Ode Lusitana). O download gratuito desta compilação é feito aqui


A Constant Storm

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   A Constant Storm é um projecto a solo do Daniel Laureano (Stormbringer), fundado no Porto em 2013 e que em 2014 contou com o lançamento da demo “Storm Born”, editando nesse mesmo ano o single “Love Crimes” (cover do tema dos Moonspell). Mas é com o primeiro longa-duração “Storm Alive” editado há poucos meses, que marcou definitivamente o panorama nacional, com uma diversidade musical fantástica, tornando este álbum um dos melhores editados a nacional.

   Estivemos à conversa com o Daniel para entrar no mundo de A Constant Storm, onde a nível musical tudo é permitido.

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Viva Daniel! Muito obrigado por esta tua presença na Ode Lusitana e é um prazer já que este teu projecto, A Constant Storm, veio trazer uma lufada de ar fresco ao underground nacional. Foi engraçado já que tive o primeiro contacto com o teu som através do tema “Pale March” editado na compilação “13 Portuguese Metal Compilation Vol. 7”, enquanto conduzia o carro paro o trabalho e fiquei bastante impressionado, entrando pouco depois em contacto contigo para adquirir este teu álbum “Storm Alive”. Já se passaram alguns meses do lançamento e as críticas e entrevistas tem chegado de todo o lado e bastante positivas. Como estás a reagir a todas estas respostas que tens tido deste teu trabalho?
Antes de mais, muito obrigado pelo convite e pelo interesse no projecto!

Até ao momento a resposta a este trabalho tem sido muito positiva, sendo que ainda não recebi qualquer review com pontuação inferior a 7/10. Confesso que estava à espera de receber críticas mais polarizadas, dada a natureza desafiante do álbum. Isto mostra que, ao contrário do que por vezes se pensa, os fãs de música neste país (e não só) estão dispostos a escutar propostas que não jogam pelo seguro e que fogem ao habitual.

 
Um projecto que começa com um “simples” Vendaval (primeiro nome proposto mas não foi avante) e que cresce para A Constant Storm, está a ser muito maior do que o primeiro conceito que criaste para este teu trabalho, iniciado em 2013? Qual foi o teu conceito original?
Este projecto nasceu sobretudo da necessidade que sentia em criar música, numa altura em que ainda não pertencia a qualquer banda ou colectivo. Na altura não me preocupei muito em pensar se isto poderia crescer e atrair a atenção de pessoas que não eu mesmo e foi nessa ordem de ideias que compus e gravei o primeiro EP, “Storm Born”. No fundo, fiz música por mim, para mim e fi-la recorrendo a meios rudimentares, que eram os que tinha à minha disposição.

 

Neste teu álbum “Storm Alive” tens a participação do Afonso Aguiar e do Ricardo Pereira, com quem fazes parte nos Moonshade e que também executam um excelente trabalho neste teu álbum. Como começou esta vossa amizade, que foi crescendo com o tempo e como foi a abordagem para este teu trabalho? É verdade que tens total autonomia já que é um projecto teu, mas em termos de gravações e ideias tiveste interesse em ouvir a opinião deles, ou serviram como suporte para transporem o que tinhas na tua mente?
Conheci o Afonso e o Ricardo quando entrei nos Moonshade no início de 2015, e eles, tal como os outros membros da banda, rapidamente se tornaram grandes amigos e pessoas que agora são como família para mim. Este excelente ambiente facilita tremendamente a criação musical e funcionamento entre todos, tanto na banda como em projectos paralelos como é o caso deste. Falando mais concretamente no álbum “Storm Alive”, apesar da composição musical ter ficado a meu cargo sempre estive receptivo às sugestões de ambos. Penso que as diferentes perspectivas só podem ajudar a fortalecer o resultado final e que essa variedade perder-se-ia se assumisse uma postura intransigente em relação a ideias que não partissem de mim próprio.

 

Ao fazer a pesquisa para esta entrevista houve algumas referências que fazes, que achei muita curiosidade e uma delas foi a alusão ao álbum “Nordavind” dos Storm (álbum único, lançado em 1995, que contava com a participação de Fenriz (Darkthrone), Satyr (Satyricon) e Kari Rueslatten (The Sirens)), pela que te marcou, pelo nome e acima de tudo pela variedade. És bastante receptivo a estas sonoridades diferentes? Estes músicos assim como outros como por exemplo Ihsahn (Emperor, Hardingrock, etc…), Garm (Ulver), mas principalmente (e um dos que mais respeito e sinto curiosidade) que é o caso do Fenriz, vieram todos de um meio mais black metal, mas tem uma visão muito mente aberta da música. No teu caso, também tens uma paixão forte pelo black metal, mas consegues explicar este viagem sonora que pelos vistos nasce neste género? O black metal é propício a este estudo por novas sonoridades?
Sou definitivamente receptivo e influenciado por todo o tipo de sonoridades, uma vez que acho que a música é demasiado rica e interessante para uma pessoa se prender a um só género, como compositor mas também como simples ouvinte. Sem artistas com mente suficientemente aberta para incorporar sonoridades diferentes esta arte nunca teria evoluído e, como tal, é extremamente agradável para mim poder apreciar Rotting Christ da mesma maneira que aprecio Queen, Ulver, The Sisters Of Mercy ou Kendrick Lamar, para dar alguns exemplos. Quanto ao black metal, penso que se trata de um estilo-base que de facto oferece muitas possibilidades de evolução. Existem vários casos de bandas e artistas com raízes neste estilo musical que levaram o seu som por caminhos tremendamente distintos e interessantes. Falo por exemplo dos já referidos Ulver à cabeça, mas também Ihsahn, Blut Aus Nord, Enslaved e por aí adiante.

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Agora vou ser um pouco mau, mas depois de ler todas as tuas influências musicais e que são das mais variadas possíveis, quero que indiques cinco álbuns que te marcaram e o porquê. A música sempre foi uma constante na tua vida desde que idade? Como surgiu o teu interesse por aprenderes um instrumento?

De facto, a dificuldade está na escolha!
– Bem, em primeiro lugar na minha lista coloco o “…And Justice For All” dos Metallica. É um álbum muito à frente do seu tempo, de uma banda também muito à frente do seu tempo e que é constantemente criticada por nunca se ter conformado a tocar o mesmo estilo durante 5 ou 6 álbuns seguidos. Os Metallica são, também, a banda que mais me fez apaixonar pela música da maneira como me apaixonei, portanto são uma influência seminal para mim.
– Depois, “Into The Labyrinth” dos Dead Can Dance, pela quantidade impressionante de diferentes sons e ideias musicais que eles conseguem fazer coincidir e combinar de uma maneira extremamente harmónica. O Brendan Perry é, também, uma das minhas maiores influências a título individual, tanto pelas suas composições como por ser um multi-instrumentista tremendamente capaz.

– De seguida, “Blood Inside”, dos Ulver. Um trabalho completamente impossível de confinar a um único género musical e que teve um impacto enorme em mim quando o ouvi pela primeira vez, pois veio redefinir toda a minha maneira de ouvir e pensar a música.
– Continuando, o já referido “Nordavind”, dos Storm, pela influência que teve neste projecto e pela qualidade absolutamente viciante e mestria dos arranjos que o duo Satyr/Fenriz aplicou a estes temas provenientes da tradição folclórica norueguesa.
– Por último, “Blind Scenes”, dos Soror Dolorosa, um dos trabalhos que mais me impressionou nos últimos anos, pela maneira perfeita como a banda mistura o gótico britânico clássico com uma melancolia muito própria e característica da cena coldwave francesa, sem nunca perder a sua identidade.

Respondendo à segunda parte da pergunta, comecei a interessar-me verdadeiramente por música por volta dos meus 11 anos de idade, através do meu pai e de alguns CD’s que ele tinha comprado ao longo dos anos, os quais acabou por me oferecer. Estes foram os primeiros álbuns que escutei por inteiro na minha vida: “Master Of Puppets”, dos Metallica, “Coma Of Souls”, dos Kreator e “Stained Class” e “Hell Bent For Leather”, dos Judas Priest. Juntamente com alguns ficheiros mp3 que havia reunido dos Scorpions, Iron Maiden e Nirvana e com alguns artistas cujos videoclips rodavam na MTV, como System Of A Down e Green Day, fui criando as bases para a minha exploração musical. Curiosamente já tocava guitarra há cerca de um ano, na altura por sugestão da minha professora de educação musical do quinto ano de escolaridade.
A vida é uma tempestade constante?
Definitivamente. Tudo acontece a um ritmo tão alucinante que é impossível escapar ao movimento e as mudanças trazidas pelos acontecimentos fazem com que a vida de cada um seja um turbilhão constante de momentos, tanto bons como maus.

 

Tens formação em audiovisuais e o teu objectivo é vires a trabalhar seriamente na área da fotografia. Como nasce essa tua paixão e quais as tuas referências ao nível de fotógrafos. Já tens apresentado alguns trabalhos teus ao público, ou em algum meio de comunicação? Qual a tua ideia de identidade visual para A Constant Storm?
A minha paixão pela imagem só floresceu verdadeiramente quando entrei na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo para o curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual e entrei em contacto com artistas fantásticos, que trabalham vídeo, cinema, fotografia, instalação, performance e todo o tipo de combinações diferentes entre estas formas. Tenho maior afinidade pela fotografia e as minhas maiores referências têm sido sobretudo artistas que trabalham sobre a identidade do próprio, muitas vezes através do auto-retrato, como Francesca Woodman, Jorge Molder, Nan Goldin ou Jeff Wall, este último pelas complexas encenações que cria nas suas fotografias de enormes dimensões. Sou também muito influenciado por capas de álbuns musicais que contenham fotografias, particularmente as capas do projecto alemão Sopor Aeternus & The Ensemble Of Shadows, cuja influência é evidente na capa do “Storm Alive”.

 

E assim chegamos ao final da entrevista! Obrigado por tudo. As últimas palavras são tuas e podes dizer o que quiseres!

Muito obrigado à Ode Lusitana pela oportunidade de responder a estas perguntas tão interessantes e de dar a conhecer o meu trabalho a um maior público. Sigam o projecto A Constant Storm no Facebook, Bandcamp e YouTube e apareçam na sessão de lançamento do disco “Storm Alive”, na Bunker Store, no próximo dia 24 de Setembro!


Konad

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   Konad, banda de Vila Franca de Xira, está a festejar os 20 anos de existência, tendo começado em 1996 ainda sob o nome de Konad Moska. Praticantes de uma mistura entre os mundos do punk e do thrash metal apresentam um crossover agressivo, que não deixa ninguém indiferente.

   Depois de algumas demos editadas é no ano de 2012 que editam o seu primeiro longa-duração de nome “Café Beirute”, mas é em 2015 com o seu segundo longa-duração, “Irae Dei” que vemos essa mudança na sonoridade dos Konad a enveredar por um caminho mais dentro do metal, mas não esquecendo as suas raízes.

   Com Kampino (voz), Pedro Frazão (guitarra), João Litrona (baixo) e Nuno sousa “China” (bateria) temos banda para muita animação e energia em palco. Foi com o Pedro Frazão que fomos saber mais dos Konad.

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Viva Pedro! Muito obrigado pela tua resposta positiva para esta entrevista à Ode Lusitana e da qual agradeço. Mas vamos ao início de tudo. Ainda te lembras de como começou esta tua paixão pelas sonoridades mais pesadas? Quais as bandas que te despertaram esse interesse? Tinhas um grupo de amigos onde partilhavam essas novas descobertas?

Boas Marco!! Sem dúvida que são memórias inesquecíveis. Aquela partilha adolescente com os amigos que (alguns) mais tarde viriam a ser colegas de banda. Iron Maiden, Wasp, Sepultura, Metallica, Slayer foram bandas marcantes para mim e para muitos dos jovens da época. Foram a porta de entrada num mundo simplesmente brutal!

 

Com o passar do tempo como nasceu essa tua vontade de tocar guitarra? Por vezes as pessoas ligam a paixão de tocar um instrumento com algum ídolo que se tem. No teu caso foi assim que aconteceu? Eras um assíduo frequentador de concertos na altura?

Mais tarde sim, tornei-me num frequentador de concertos. Em 1988, quando comecei a tocar guitarra, não havia muito acesso a material fonográfico nem os eventos em Portugal eram o que são hoje em número ou em qualidade (por vezes quantidade) de acesso à informação e facilidade de publicitar os mesmos. Quanto à guitarra, desde cedo me liguei com a sonoridade deste instrumento, mas a descoberta de Death e Chuck Schuldiner provocou um grande impacto naquilo que a música se tornou para mim, enquanto consumidor e músico.

 

Com início em 1992 fazes parte de Encancrate, banda de death metal melódico, mas que no ano de 1996 ao editarem a demo de estreia “A New Cicle of Fear”, também se torna o ano de fundação de Konad Moska, que mais tarde mudariam de nome apenas para Konad. Como surgiu a ideia junto com o Kampino, na altura também baterista dos Encancrate, enveredarem por um projecto dedicado na altura a uma veia mais punk? Sentias alguma saturação ligada ao Metal ou tinhas interesse neste movimento punk? Quais as bandas do estilo que te marcaram?

Algures no seu percurso Encancrate “bateu numa parede”. Tínhamos editado uma demo com boa aceitação, participámos em vários concertos e concursos, mas do ponto de vista de composição algo estava bloqueado. Assim, nos ensaios começámos a compor e tocar alguns temas (“Dá-lhe Gás”, “Kasal Ventoso”, “Vaka Louka”) num ambiente de descontração. Na altura as minhas referências seriam Exploited e Ratos de Porão. A coisa foi ficando interessante e acabámos por nos estrear ao vivo numa festa de Carnaval no extinto Lusideia Bar em Samora Correia. Mais tarde os Encancrate separam-se e o Kampino manteve viva a chama de Konad Moska. Ele sempre foi o mais punk de nós os dois (Eheheh). Apesar de, do ponto de vista social me identificar com o movimento, na época o punk enquanto música não estava na minha wishlist, ainda havia muito metal para devorar e era essa a sonoridade que me deslumbrava.

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Após uns anos iniciais conturbados em 2007 tens um retorno à banda e com esforço e dedicação vão ganhando uma notoriedade diferente, onde os lançamentos vão acontecendo e entre outros é de salientar o vosso primeiro longa-duração “Café Beirute” em 2012. Mas neste vosso último álbum “Irae Dei” a viragem para o metal, mais propriamente o crossover, é bem evidente. Como se deu esta evolução dentro da banda? As entradas do Márcio e Litrona (baixo) e André e China (bateria), tendo a passagem do Kampino apenas para a voz teve também influência na vossa sonoridade?

Sempre houve uma dualidade dentro das nossas bandas. Eu e o Kampino entrosamos de forma singular como pessoas e músicos. Somos amigos de longa data e o trabalho em conjunto tem sido pautado pela gratificação, sinceridade, partilha e uma busca por uma melhoria constante. Eu mais metal, ele mais punk. As bases de construção de ambos foram as mesmas, ele é um dos amigos do início da minha vida musical no rock pesado. Obviamente que o nosso percurso musical foi diferente após a génese, mas isso é, na nossa opinião, uma mais valia deste projeto, a possibilidade de misturar os dois mundos e a nossa abertura para o fazer. Quanto às mudanças de alinhamento, na questão do baixista deu-se à saída do Karmo por questões pessoais. O assumir da voz pelo Kampino era algo que já era tema de discussão há algum tempo. Com o trabalho de desenvolvimento do “Irae Dei” mostrou-se notório que o trabalho de voz e bateria se tinha tornado incomportável de executar em conjunto. Decidimos não comprometer o álbum e sim fazer o que nos ia na alma. Foi um passo natural.

 

As vossas letras, cantadas em português, versam a crítica social, o que dá ainda mais força à ideia expressa pelo vosso som. Estamos numa sociedade sem retorno, onde faltam os princípios e os valores? JJ Janiak dos Discharge refere que a “humanidade não está preparada para uma verdadeira anarquia porque as pessoas não conseguem viver em paz e coexistirem sem se matarem e roubarem umas às outras”. Concordas que esta visão caótica já se encontra entrada nos genes humanos?

Epá, o sociólogo é o Kampino, eu sou um homem da ciência (Eheheh). Mas parece-me evidente que estamos numa sociedade muito decomposta, não só em termos de valores, como em separação de classes e racial, assim como com uma grande componente de corrupção ativa, sem escrúpulos e tão in your face como os nossos temas. Considero o ser humano destrutivo por natureza. E atualmente essa agressividade até passa para as redes sociais. Cada vez mais as pessoas se separam do real e se mostram “heróis” ou demonstram aquilo que realmente são atrás de teclados. Estamos num caminho negro…

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Qual a reacção que tens tido deste vosso lançamento, assim como dos concertos que tem efectuado? Portugal é um país onde o punk e o metal na generalidade tem partilhado os mesmos palcos com boas reacções de parte a parte. Como consideras esta abertura por parte destes dois estilos? Afinal temos mais em comum do que muita gente pensa?

Temos tido reações muito positivas. No geral o álbum é bem recebido e agrada a gregos e a troianos. Na verdade a sonoridade mais crust que injetámos no “Irae Dei” teve esse efeito. É verdade que por motivos organizacionais é útil catalogar as bandas, mas na realidade entre metal e punk não existe um fosso assim tão grande quanto se possa por vezes imaginar, especialmente quando enveredas por géneros mais extremos do punk. Para quem realmente gosta de boa música, ver ao vivo num mesmo evento, bandas de ambos os estilos é até enriquecedor.

Pedro, por aqui termino a entrevista. Novamente muito obrigado! Estas últimas palavras são tuas, por isso estás à vontade para dizeres o que te vai na alma. Ficamos a aguardar novidades breves de Konad!

Obrigado Marco e Ode Lusitana por proporcionarem esta possibilidade de falar um pouco de Konad e daquilo que é uma das minhas paixões de vida. Celebramos, em 2016, vinte anos de banda e estamos a preparar uma surpresa engraçada para o pessoal que nos acompanha. Em breve haverão notícias mais detalhadas. E a todos que têm paixões persigam-nas avidamente e não deixem nunca que essa chama morra sem que se sintam realizados… Abraço!!!

 


Decayed – novo álbum “The Burning of Heaven”

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Lusitanian Black Fucking Metal!!!

Esta é a melhor frase para descrever o som dos Decayed que estão de regresso com a edição do seu 11º álbum, de nome “The Burning of Heaven”! Com edição Helld Prod e Chaosphere Recordings, são doze temas que não dão tréguas a ninguém e que mostram a solidez dos Decayed no nosso panorama underground nacional.

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Banda de Lisboa, nascidos no longínquo ano de 1990, tem como primeiro longa duração o célebre “The Conjuration of the Southern Circle” datado de 1993.  Depois disso os lançamentos não tem parado, com vários splits, EP’s e compilações. São 26 anos a debitar as suas sonoridades!

Neste álbum apresentam o membro fundador J.A. (voz/guitarra), assim como Vulturius (voz/baixo) e Tormentor (bateria).

 


Versus Magazine # 40 – Junho / Agosto 2016

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O último número da Versus Magazine já se encontra disponível para download gratuito.

Excelente publicação que prima pela qualidade gráfica, com muita informação, críticas a álbuns, artigos, reportagens de concertos e entrevistas conta neste número entre outras bandas com entrevistas aos nacionais Miss Lava, Godvlad e Soulue.

 


A Constant Storm – álbum de estreia “Storm Alive”

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A Constant Storm, banda do Porto fundada em 2013 lançou em Maio deste ano o seu álbum de estreia “Storm Alive“, estando disponível desde Julho este trabalho em formato físico.

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Daniel Laureano (a.k.a. Stormbringer) é o único mentor deste projecto de melodic death / black metal, mas com uma grande amplitude sonora como se pode ver pelas influências e gostos que passam por bandas como Dead Can Dance, Darkthrone, Ulver e muitas mais.

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Sem sombra de dúvidas é um dos projectos mais marcantes no panorama nacional durante este ano de 2016, em que esta diversidade musical apresentada demonstra uma lufada de ar fresco.

David Laureano, que também é guitarrista dos Moonshade, conta neste trabalho com a ajuda de dois elementos desta banda, tendo o Ricardo Pereira na voz e o Afonso Aguiar na programação da bateria.

Para os interessados neste excelente trabalho e desejam o CD podes fazer a encomenda através do bandcamp da banda. Edição limitada a 100 unidades.