Divulgação do metal português

Lyfordeath

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Lyfordeath, banda formada no ano de 2012, na zona do Porto, pratica uma mistura sonora com fortes bases thrash, death e progressive, mas mesmo assim insuficientes de descrever para entrarmos nesta sonoridade fantástica.

   Com o lançamento em 2013 do tema “Emissary of Death”, disponibilizam para audição em Agosto deste ano o single “Satan” que foi o mote para esta entrevista com o Ramiro (Emanuel Ribeiro).

   A banda é formada por Gil Dias (voz), João Almeida (guitarra), Carlos Moreira (guitarra), Emanuel Ribeiro (baixo) e Luis Moreira (bateria).

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Viva Ramiro! Muito obrigado por teres aceite o convite para esta entrevista à Ode Lusitana. E vamos começar pela mais recente novidade o vídeo “Satan”. O vídeo está fantástico, mas como nasceu essa parceria com a Diafragma (Ana Sousa & Pedro Gonçalves)?

Conhecemos o Pedro e a Ana no “Hell Sweet Hell Lordelo Metalfest”, em 2015. Na altura, fizeram um pequeno vídeo nosso, que nos despertou interesse em ver o trabalho deles. Entretanto, já estando nós a pensar em gravar a “Satan”, em conjunto, fomos delineando e projetando o videoclip até chegarmos ao que temos hoje.

 

Além disso tem a particularidade de ter sido filmado na Citânia de Sanfins, que é um dos castros mais representativos da nossa história. Porquê a escolha deste local e como é que se sentiram ao expressar a vossa música nesse lugar?

Inicialmente, tínhamos idealizado um anfiteatro ao ar livre mas, genialmente, o Pedro tirou a Citânia de Sanfins da cartola. Ideia que nos agradou desde logo: o local em si estava bem dentro do tema e além do mais, por ser residente em Sanfins, o Pedro tinha facilidade em obter as licenças.

Apos analisar a proposta, decidimos reformular todo o guião e gravar o videoclip na Citânia de Sanfins e o resultado final está à vista: a meu ver compensou bastante.

Estar a gravar e a tocar naquele local fez nos sentir grandes mas completamente insignificantes. A grandeza Histórica do local, que já ronda os dois milénios, faz-nos perceber que nós, raça humana, somos apenas um grão de areia que flui pela ampulheta do universo.

 

Lyfordeath tem o ano de fundação em 2012, mas neste último ano tem apostado fortemente na divulgação do vosso nome e podemos ver isso nos vários concertos que tem dado e do qual vos vi em Fevereiro no Hard Bar junto com Gates of Hell, Motim e The Gravediggers. Os ensaios são importantes mas são estas actuações que fazem com que a vossa máquina fique bem oleada. Qual a tua opinião acerca destes concertos que tem feito? A interação com o público durante o concerto e fora do concerto tem sido importante para vos fazer crescer?

Ensaiar é indispensável mas é nos concertos que as nossas emoções se sobressaem mais: não só por termos pessoas à nossa frente mas principalmente pela sinergia que acontece ou não com essas mesmas pessoas. Isso faz-nos crescer como banda, como músicos, como Homens ao encontro de uma identidade comum: Lyfordeath.

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És o elemento mais velho da banda e isso faz com que tenhas uma responsabilidade diferente perante o resto da banda, ou o objectivo será sempre fortalecer cada vez mais os Lyfordeath?

Numa fase inicial admito que o facto de ser o elemento mais velho e mais experiente da banda dava-me uma responsabilidade acrescida. Não só na condução dos ensaios como na gestão das expectativas criadas pela própria banda: Eu tinha 28 anos e o Luís (baterista) tinha 15.

Com o passar destes anos, com a convivência, aprendizagens mutuas e alguma estrada nas pernas, as coisas foram-se equilibrando e atualmente considero-me mais um que acrescenta valor a esta família fantástica, da qual faço parte.

 

Agora a pergunta da praxe. Como está a correr a preparação do novo álbum? Será sempre um álbum conceptual baseado muito na onda do vosso tema de 2013 “Emissary of Death”? Quem é este emissário? E já agora, para quando a previsão de lançamento do álbum?

Neste momento, estamos numa fase de composição e conceptualização não nos é possível prever datas em concreto.

Por enquanto, a história do emissário não pode ser desvendada.

Apenas podemos revelar que é uma personagem assolada por dúvidas e questões sobre si mesmo e tudo o que o rodeia e não será propriamente um herói mas sim uma mistura de um anti herói e de um herói byroniano.

 

Entras para os Lyfordeath através do teu primo João Almeida (Sookey), e vinhas de ter tocado baixo com os Hangover numa veia mais metal core. Estiveste em mais alguns projetos?

Antes de integrar os Lyfordeath tive Hangover durante 10 anos.

Esta foi banda que quando começou era de Nu Metal e acabou como uma banda Metalcore.

Antes de 2002, altura em que juntamente com o meu grande amigo Victor Martins formei os Hangover, tive os Feedback (banda de pop rock e onde eu me iniciei como baixista aos 14 anos).

Com 16 anos e em simultâneo com os Feedback, integrei mais dois projetos: Sem Registo (rock cantado em português) e SAXO (música de baile).

 

Como nasceu essa tua paixão pelo baixo? Digo isto, porque geralmente o baixo é o instrumento que menos atraí músicos a optarem por esta escolha, mas que tem um peso demolidor na secção rítmica das bandas. Por exemplo lembro-me em miúdo de equalizar o som para ouvir o Steve Harris nos álbuns de Iron Maiden. Quais são os teus baixistas de eleição?

Eu tinha 14, andava no 9ºano e o meu melhor amigo da época (Carlos Alves), que era da minha turma, frequentava aulas de música que existiam na escola, que eram dadas de forma voluntária e gratuita pelo professor de música da escola (Luís Rego), após o final do horário escolar. Por influência do Carlos, comecei a assistir a essas aulas.

Como eu não sabia tocar, o Carlos dava-me uma guitarra acústica e punha-me a fazer as tónicas, em notas graves, dos acordes e riffs que fazia.

Foi numa dessas situações em que seu estava com o Carlos que o professor de música me disse que eu tinha “feeling” de baixista e apresentou-me um baixo a serio: um “Samik” de 4 cordas, com um braço mais pequeno que um baixo comum (o baixo da escola).

Três semanas depois, numa festa da escola, toquei uma música ao vivo com os Feedback (banda da escola) e senti-me muito bem em palco e, sobretudo, com o baixo.

Relativamente aos meus baixistas de eleição, estes foram aparecendo mais tarde. Não pelas capacidades técnicas que possuem mas, sobretudo pela identidade vincada que possuem quando tocam: Fieldy (Korn) Ryan Martinie (Mudvayne) e Robert Trujillo (Metallica) são aqueles com quem mais me identifico.

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A vida é feita por uma evolução a todos os níveis, incluindo os musicais. Uma das particularidades dos headbangers hoje em dia é a grande variedade de bandas que ouvimos. Fazendo um exercício de memória ainda te lembras de quais as bandas com que começaste a ouvir Metal?

Lembro-me perfeitamente que a primeira banda de Metal que ouvi, foi Metallica: o álbum “Kill ‘Em All”. Tinha 10 anos, na altura, e curiosamente foi-me emprestado por um primo meu que não é grande apreciador de Metal.

Curiosamente, não foi Metallica a banda que me fez despertar, verdadeiramente, a paixão pelo “Metal”. Foram bandas como Korn, Sepultura, Slipknot, Machine Head, Coal Chamber, Mudvayne, Slayer… que atiraram comigo para os Hangover e consequentemente para o Metal.

 

Hoje em dia que bandas é que te tem despertado interesse, sejam nacionais ou internacionais?

Atualmente sou mais diversificado relativamente a bandas. Continuo a ouvir, não com tanta frequência, quase todas as mesmas bandas que ouvia na adolescência mas, ao longo dos anos, o meu léxico de bandas foi aumentando.

Bandas como Opeth, Moonspell, Wako, Porcupine tree, Fleshgod Apocalypse, Meshuggah, Dream Theater, Between the Buried and Me, Gojira, Death, Unearth, Ouroborus, Clock Paradox de entre outras foram se juntando ao meu menú.

 

Como elemento dos Lyfordeath, ou como espectador, tens presenciado muitos concertos e do qual deves ter reparado na grande quantidade de bandas existentes no nosso país, assim como um público que se vai tornando (novamente) fiel. As condições para as bandas também tem sido bastante boas, inclusive a nível sonoro. Em que mais podemos evoluir?

Temos verificado nos últimos anos uma grande melhoria das condições para atuação das bandas, pena é que essa evolução tenha vindo acompanhada de uma enorme recessão relativamente aos caixets que, infelizmente, são muito baixos, na grande maioria das vezes.

Lembro-me que há 10 anos atrás, com Hangover, com muito menos trabalho desenvolvido, auferíamos caixets bem superiores aos que atualmente, por norma, são praticados: às vezes nem pagam as despesas.

Mas acredito que, na grande maioria das situações, paga-se o que se pode. Assim sendo, há que dar valor a quem tenta fazer alguma coisa pelo Metal.

Não obstante disto, podendo parecer que não, os reduzidos caixets auferidos pela gradíssima maioria das bandas tem uma enorme influência no atraso ao seu desenvolvimento e crescimento para o exterior pois é da subsistência destas que estamos afalar: a grande maioria só existem por amor à causa.

Mas é bom não esquecer que esta situação é cada vez mais transversal a todos os setores de atividade: a tão aclamada crise e a falta de dinheiro obrigam as pessoas consumirem menos. Nem todos podem ir ver concertos, comprar discos ou outro tipo de merchandise que, em abona da verdade, ajudam a compor as contas de uma banda.

 

Como se consegue trazer esta geração mais nova para o Metal, sem se sentirem excluídos perante os seus colegas no secundário?

Nos tempos que correm, na minha opinião, a discriminação sobre os metaleiros é menor. Já se vê uma maior abertura das pessoas relativamente ao diferente ou fora de padrão e o respeito pelo que não gostamos aumentou.Penso que neste sentido tem existido uma enorme evolução e acredito que, cada vez mais, serão a minoria aqueles que não respeitam as diferenças.

 

Sendo o Metal um movimento que está sempre na vanguarda, tem feito um aproveitamento das tecnologias e principalmente das redes sociais para a divulgação de tudo o que está relacionado com o seu trabalho. Este bombardeamento de informação poderá saturar o meio levando a que mesmo assim se torne complicado chegar a todos os intervenientes?

Devido às dificuldades, nomeadamente financeiras, que normalmente as bandas ultrapassam, qualquer forma gratuita de se promoverem torna-se de relevada importância e, como é obvio, aproveitável ao máximo.

Naturalmente, sendo esta a maioria das bandas (muitas bandas) e sendo poucos os meios de se promoverem de forma gratuita, é natural que se torne mais difícil chegar de forma eficaz a quem pretendemos chegar mas não acredito que estes meios se venham a saturar.

Na vida, como em tudo, tudo tem um fim: tudo começa, tudo acaba e salvo raras exceções, o que acaba deixa de ser relembrado.

 

Em Portugal estamos a ver um grande trabalho de divulgação por parte das bandas, mas continua a faltar uma intervenção maior dos vários meios de comunicação, como fanzines, revistas, programas de rádio, devido ao seu número reduzido. Em tua opinião estes meios de comunicação seriam mais aglomerantes da divulgação das bandas, podendo até chegar a informação a mais pessoas?

Apesar da sua relevância não ser a mesma de alguns anos, até devido à internet e redes sociais, a rádio, a televisão e as revistas em papel ainda são meios de comunicação que atingem grandes massas.

Na perspetiva das bandas, estes meios são vistos não só pelo número de pessoas que atingem mas, principalmente, pelo tipo de pessoas: o volume de programação destes meios dedicados ao Metal são poucos relativamente ao número de artistas ou bandas a promover/divulgar.

Sendo assim, as bandas encaram a sua aparição nestes meios como uma questão de estatuto e reconhecimento.

Quando falo em estatuto, refiro-me ao papel destes meios como “recomendadores daquilo que é bom”, não porque são os donos da verdade absoluta mas porque, sendo escassos relativamente à enorme oferta de bandas, criam a sua “nata” e transmitem-na em grande escala. Sendo por isso, de extrema importância, a existência de mais canais e meios de transmissão de Metal, não só para as bandas, como para os apreciadores: abrindo assim as portas à diversidade e maior opção de escolha.

 

És ‘consumidor’ de fanzines, revistas?

Não sou grande consumidor: compro, de quando em vez, uma revista ou outra.

Sou mais consumidor de blogues e sites, principalmente do underground, onde vou descobrindo bandas interessantíssimas e de grande valor.

 

Ramiro, é assim que chegamos ao final desta entrevista, a qual agradeço a tua participação e desejo as maiores felicidades para os Lyfordeath. Estas últimas palavras são tuas.    

Agradeço desde já à Ode Lusitana pelo interesse em mim e nos Lyfordeath e a oportunidade desta entrevista. Para mim é e sempre será um orgulho falar de mim, do meu trabalho e do trabalho da minha família (Lyfordeath).

Para os nossos irmãos do Headbang, resta-me apelar a que se mantenham firmes e cada vez mais em força nos concertos.

Um grande abraço a todos.

Vemo-nos por aí.

\m/

Fotos: Diafragma

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