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Underground’s Voice

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   Underground’s Voice é um projecto pessoal do Christophe Correia com origens no ano de 2012 e que tem como principal objectivo a divulgação de bandas do meio underground, seja nacional ou internacional e que tem primorado pela qualidade.

   Um trabalho cheio de qualidade, reconhecido por todos e sempre com o objectivo de evoluir, por isso nada melhor do que seguir a entrevista com o Christophe para sabermos a enormidade deste projecto Underground´s Voice.

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Viva Cristophe! É uma grande honra ter-te neste número e pela tua disponibilidade para responderes a estas perguntas da Ode Lusitana. Para começar quero felicitar-te pelo teu excelente trabalho na Underground’s Voice e por todo o teu apoio dado ao movimento underground, especialmente ao movimento nacional. Já é um projecto com quatro anos, mas como se dá o primeiro passo e como avanças com as primeiras entrevistas da Underground’s Voice? Qual foi o momento chave para uma ideia que já vinha a fervilhar há bastante tempo?

A honra é toda minha! Antes de mais, obrigado pelas tuas palavras e todo o apoio que dás à Underground’s Voice. É sempre bom saber que ainda existe quem valoriza o trabalho e é melhor ainda quando vem de alguém que admiramos como é o caso. A ideia de criar a Underground’s Voice surgiu um pouco do nada porque, para ser sincero, não tinha nada planeado nem pensado nesse sentido antes de realmente a criar. Fui percebendo que em Portugal a grande maioria das bandas mais pequenas e/ou recentemente criadas não tinham voz e dificilmente conseguiam sair da garagem ou sala de ensaio para se fazerem conhecer.

No outro extremo temos as bandas, sejam elas mais underground ou mainstream, que toda a gente conhece e são referidas em todo o tipo de sites, webzines, revistas, reportagens, etc. Porque não equilibrar as coisas? Foi nisso que pensei durante um par de dias. Seria mais interessante ser a 35ª webzine a publicar uma notícia a anunciar a vinda de uma grande banda a Portugal e a revelar o título do novo álbum dos Moonspell ou criar algo novo, que pouca gente faz e possa ser vantajoso para as pequenas bandas, as nossas bandas, que lutam diariamente por um lugar ao sol? A primeira opção seria a mais fácil, a que me permitia chegar mais rapidamente ao grande público, a que teria mais views e partilhas. Mas essa nunca foi a minha forma de ver as coisas. Enquanto escrevo esta resposta lembrei-me de um exemplo um pouco estúpido mas que serve como comparação: Se subir um edíficio de 20 andares pelo elevador poupo tempo mas sou igual a todos os outros, se subir pelas escadas demoro mais tempo mas perco meia dúzia de calorias e acabo por ter vantagens com isso. A Underground’s Voice é isto, é optar pelas vantagens que realmente importam, as vantagens que ficam para sempre: as amizades, promover as bandas e artistas que realmente precisam, dar a conhecer novos nomes, dar a primeira oportunidade a bandas numa entrevista e deixar de lado as vantagens momentâneas como os likes, views e partilhas. Como não me canso de dizer, a primeira entrevista foi com o Miguel Inglês, vocalista de Equaleft que alinhou na ideia de estrear este formato, publicada uns dias depois da Underground’s Voice ter sido criada e abriu porta a todas as outras que vieram a seguir. Já tive a honra de entrevistar bandas de renome mundial e sou fã incondicional de algumas delas o que me enche de orgulho pela oportunidade e por significar que, de certa forma, o trabalho tem sido bem feito. E o verdadeiro trabalho faz-se com as bandas nacionais que estão a dar os primeiros passos. Os Moonspell não nasceram grandes… E temos potencial para termos muitas bandas a seguirem-lhes as pisadas. Adorei trabalhar com os Wrath From Above, uma banda que nem eu conhecia e ganhou um concurso na Underground’s Voice que lhes permitiu passar o dia connosco, ter uma entrevista, sessão de fotos. Irá acontecer o mesmo com outras bandas nacionais, tenho grande vontade de trabalhar com bandas que precisam do primeiro empurrão como os Secret Chord, por exemplo.

 

Mais de 300 entrevistas feitas, muitos contactos, muita música descoberta e decides avançar para as entrevistas ao vivo e gravadas. Como surgiu a Diana Morais neste teu trabalho e que te tem ajudado nesta parte visual? Entendes estas entrevistas como uma complementaridade ao trabalho efectuado nas entrevistas escritas ou decididamente estás agora mais virado para estas entrevistas filmadas que são mais directas e nos mostra mais o pensamento das bandas na hora? Quais os próximos planos para estes tipos de entrevistas?

As entrevistas em vídeo estavam no pensamento desde o primeiro dia e sempre foi um objectivo mas, para além de não ter as condições para tal na altura, senti que não seria boa ideia começar logo por aí. Eu sou apenas um fã de música, não tenho qualquer formação nesta área nem experiência em projectos anteriores e não queria dar um passo maior que a perna. O ideal seria começar por baixo, aprender a estruturar uma entrevista e convidar bandas para as responder mesmo sabendo que o alcance da Underground’s Voice era quase nulo. Felizmente nunca recebi um “não” e todos deram a maior força para o crescimento desta ideia. A Underground’s Voice teve um crescimento enorme ao longo do tempo mas foi sempre sustentado e controlado e com as prioridades bem definidas, gosto de arriscar e acabei por o fazer em diversas vezes mas nunca dei um passo quando achei que não o deveria dar e tive boas oportunidades para o fazer. Depois de 3 anos e quase 350 entrevistas publicadas senti que era altura de inovar e não deixar que isto estagnasse e achei que já faria sentido introduzir as entrevistas em vídeo. Não foi fácil porque eu não tenho material para gravação e nem sequer sei editar vídeos por isso tinha que ter a ajuda de alguém. Encontrei a pessoa mas não tinha local para gravar, depois encontrei local e já não tinha a pessoa até que surgiu a Diana com material e local disponível. Aceitou de imediato o meu convite e bastou termos uma única reunião para acertarmos tudo e começar a trabalhar nisso. Dias depois recebi o meu primeiro convidado neste formato, o Raça, vocalista dos Revolution Within e acho que as expectativas foram cumpridas o que me permitiu continuar neste formato. Hoje em dia recebemos bandas nos escritórios e vamos fazendo entrevistas vários pontos do país, às 3h da manhã depois de concertos, em concertos pequenos, em festivais grandes, a bandas nacionais e internacionais. Tudo vale quando se gosta e quando se tem oportunidade. É uma sensação excelente poder conhecer, conviver e entrevistar artistas que sempre admiraste. Quanto a planos para estas entrevistas… Apenas continuar o que tem sido feito, dar voz às bandas!

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Este teu projecto evolui bastante rapidamente e agora tens uma outra novidade que é a Underground’s Voice Magazine. Na altura desta entrevista ainda não houve o lançamento deste primeiro número mas aproveito para te dizer que quero fazer a reserva de um exemplar!! Obrigado! Voltando à magazine, como te surgiu a ideia? Era o passo que te faltava? Também achei curioso a situação de teres entrevistas, mas não com bandas, o que demonstra também que existe todo um meio que gira à volta do underground e que é preciso dar a conhecer. Com isto tudo, qual é a equipa que te ajudou nesta estreia e como surgiram todas estas ideias do conteúdo da mesma e que foge um pouco ao que vemos normalmente numa magazine?

Ao contrário das entrevistas em vídeo, nunca tinha pensado numa revista. Mas acabou por ser algo que senti vontade de fazer e que penso que faz sentido nesta fase da Underground’s Voice que está na sua melhor fase de sempre. Porque não coroar isso com algo especial? O lançamento de uma edição única e limitada de uma revista pareceu-me uma solução interessante. O mais óbvio seria incluir várias entrevistas com bandas, fazer reviews a álbuns e reportagens de concertos mas não tem absolutamente nada disso. Mais uma vez decidi não ir pelo caminho mais fácil ou tradicional (atenção, não estou, de todo, a criticar essa forma de trabalho até porque eu mesmo sou consumidor desse tipo de publicação. Apenas me refiro ao facto da Underground’s Voice ter um perfil e um conceito diferente, nem melhor nem pior) e criar conteúdos originais escritos por pessoas que estejam dentro desse assunto. Desde entrevistas a outros intervenientes que não bandas, há artigos sobre artworks, sobre a relação entre a arte e a música, sobre a importância das webzines/fotógrafos/etc para as bandas e muito mais. A revista está quase concluída (finalmente!!!) e foi feita sem qualquer apoio, patrocínio e nem sequer publicidade paga tem. Em vez da tradicional publicidade que se costuma ver na maior parte das revistas optei por ocupar esse espaço a divulgar bandas nacionais e publicitar outras entidades que sempre deram o seu apoio à Underground’s Voice. A revista foi idealizada por mim e a grande maioria dos seus conteúdos também mas tive, como sempre, a grande ajuda da Diana que apoiou e trabalhou muito para que se tenha tornado possível a revista sair. Outro enorme contributo tem sido o da minha amiga Maria Peixoto, responsável pelas belas t-shirts da Underground’s Voice, pela capa e por todo o layout da revista e que tem emprestado o seu enorme talento a este projecto. Por isso a equipa responsável por esta revista limita-se a mim, à Diana e à Maria, juntado a nós todas as pessoas que escreveram um artigo e a quem nunca me vou cansar de agradecer.
PS: o teu nome está obviamente na lista de reservas, muito obrigado!

 

Uma das perguntas que fizeste na tua página foi o que gostaríamos que viesse a seguir nesta excelente evolução. Da minha parte referia a continuares o lançamento desta tua magazine, nem que seja com uma edição trimestral, talvez a inclusão de um CD, assim como também sugeria a criação de um site onde pudesses ter todas as entrevistas, sejam escritas ou através de vídeo. Mas por ti, o que desejas que viesse a seguir? Este é um trabalho apenas teu, mas devido ao reconhecimento e ao volume de trabalho estarias disposto a recrutar colaboradores para te ajudarem? Qual o limite para a Underground’s Voice?

Agradeço a tua excelente sugestão e sem dúvida que a vou ter em conta, aliás, a questão do site está em cima da mesa e cada vez mais se torna uma necessidade até pela dificuldade em encontrar algumas entrevistas mais antigas em que não sabes muito bem em que data foi feita. Como disseste, a Underground’s Voice é um projecto apenas meu e independetemente do volume de trabalho, do reconhecimento ou do que quer que seja quero que continue a ser. A Diana é minha colaboradora e entende todo o conceito, toda a forma de trabalhar e a forma da Underground’s Voice estar na dita “cena” nacional e consegue perceber por termos uma relação de grande amizade fora de trabalho. A Underground’s Voice, apesar de ser um projecto muito ligado a bandas, a artistas, a seguidores, a promotores, etc é um projecto muito pessoal e por isso tem muito das minhas emoções e estados de espírito na sua essência e é algo que quero manter. Não se deve confundir com falta de vontade de trabalhar com outras pessoas, adoro fazê-lo e adoro trabalhar em equipa e posso perfeitamente vir a trabalhar com uma equipa num projecto novo. Quanto a limites, não os tenho porque estou constantemente insatisfeito e sempre em busca de algo mais. Fiquei muito feliz e entusiasmado quando cheguei às 300 entrevistas publicadas mas actualmente considero isso pouco. Arranquei com entrevistas em vídeo, tive crónicas para uma publicação brasileira, tive o privilégio de apresentar a Underground’s Voice na televisão, tudo coisas que me enchem de orgulho e actualmente acho isso pouco. Neste momento estou focado na revista que vai ser um enorme passo em frente mas quando a tiver lançada vou imediatamente considerar um objectivo concluído e pensar em algo maior e já tenho algumas ideias para isso. Novidades irão, provavelmente, aparecer em breve! Trabalho com máxima humildade e os pés no chão mas sempre com objectivos e desafios grandes.

 

És um forte conhecedor do nosso movimento nacional, em que também és da opinião que temos muito boas bandas. Os nossos grandes embaixadores lá fora continuam a ser os Moonspell, fruto de muito trabalho, mas entre outros também tivemos o reconhecimento além fronteiras dos Heavenwood e Tarantula, com muitas situações pontuais de outras bandas. É verdade que não podemos comparar a situação actual com o boom do Metal há uns anos, em que através de um contrato discográfico os nomes das mesmas era muito mais facilmente projectado, mas o que nos falta para termos mais bandas reconhecidas lá fora? Poderá haver receio ou mesmo falta de dinheiro para poder dar esse salto? Como vemos temos lançamentos muito originais e com uma boa qualidade sonora que nos coloca muito à frente de algumas bandas que nos visitam. Será apenas uma questão periférica do nosso país como alguns dizem?

Engraçado me fazeres essas perguntas porque recentemente tive uma conversa sobre este tema e até há uma referência sobre isto na revista!!! É um assunto delicado que pode ser interpretado de várias formas. Acho que sermos um país periférico já não é desculpa para a não internacionalização das bandas. Há países que têm uma localização ainda menos favorável que a nossa e têm bandas capazes de ser internacionalizarem… O que seria de nós se estivessemos na Austrália? Nós aqui temos voos low-cost para grande parte da Europa, podemos ir de carro para as cidades espanholas mais próximas, há comboios, etc. Uma banda Australiana tem, inevitavelmente que fazer mais esforços para chegar onde quer que seja. Nós estamos mal localizados mas não tanto como alguns querem fazer parecer. Na minha opinião existem vários motivos para o facto das nossas bandas não se conseguirem atingir esse patamar, alguns que são da inteira responsabilidade da banda e outros que são factores externos. Nem todas as bandas estão dispostas a embarcar numa aventura dessas e passar um mês em digressão, seja por motivos de trabalho, familiares ou simplesmentente podem não achar vantajoso fazê-lo. É preciso que a banda seja levada a sério e com máxima responsabilidade e não vê-la com uma hobbie ou algo para te abstraíres da realidade durante os ensaios e meia duzia de concertos que dás e para além disso é preciso um largo investimento para tornar isso possível. E, verdade seja dita também, temos que admitir que nem todas as bandas têm qualidade para atingir esse patamar o que é totalmente compreensível. Há o bom e o mau em todas as áreas e a música não poderia fugir a isso. De qualquer maneira concordo quando dizes que estamos à frente de muitos na qualidade de lançamentos e as bandas cá em Portugal tem excelentes locais para gravar os seus álbuns… Locais esses que às vezes até recebem bandas internacionais! O mesmo se pode dizer quanto à produção e quanto aos profissionais nessa área, estamos extremamente bem servidos. Se as bandas internacionais reconhecem essa qualidade e vêm cá gravar e tocar é sinal que realmente temos potencial senão iam gravar a outro país qualquer. Com isto tudo, fica provado que as bandas tem qualidade para chegar lá mas nem sempre estão dispostas a apostar e investir nisso (obviamente me refiro às que têm possibilidades de investir) e ficam à espera da sorte. Mas a sorte não espera, procura-se.

 

Uma das lacunas que temos a nível nacional é a falta de meios escritos, seja na base das magazines e fanzines, o que contraria um pouco o movimento que vemos a nível mundial, incluindo o europeu, com várias projectos lançados. Mesmo as webzines em Portugal tem vindo a desaparecer. És da opinião que é importante haver o suporte de papel para a divulgação do Metal? Qual a razão das poucas edições actualmente em Portugal, quando ainda há uns anos existiam tantas newsletters, fanzines, folhetins? És um consumidor deste tipo de leitura? Quais as magazines ou fanzines que lês?

Acho que cada vez mais a internet engole esse tipo de publicações e capta mais a atenção dos leitores devido ao seu acesso mais imediato, digamos assim. Hoje basta abrir o Google e em segundos estamos a ler todo o tipo de notícias e vídeos sem qualquer problema. Sem dúvida que não há nada melhor do que ter uma revista ou um folhetim na mão, tem muito mais valor e até nos dá outro tipo de proximidade. Acho que seria importante que continuassem a existir e é uma pena vermos que estão aos poucos a desaparecer, mais ainda, sabendo que algumas delas eram de enorme qualidade! Não sei se existe alguma explicação lógica para isso estar a acontecer… Provavelmente trata-se apenas de evolução, um sinal dos tempos que insiste em substituír o homem pela máquina e que levou a este desfecho. Falo por mim também, a Underground’s Voice sempre foi uma plataforma online e está agora a estrear-se em papel para uma edição especial e pelo volume de trabalho que dá, sinceramente, não me via a fazer uma revista mensal nestas condições. É trabalho que a grande maioria não valoriza por ser necessário pagar (na sua maioria) enquanto está tudo disponível gratuitamente na internet e actualmente estamos quase todos mais virados para o mais prático, para tudo que é mais imediato. Felizmente ainda há quem consiga valorizar o trabalho, os artworks e tudo que é realmente palpável. Actualmente são poucas essas publicações mas como se costuma dizer, somos poucos mas bons!
Sou um leitor eclético mas confesso que não compro nenhuma revista todos os meses. Normalmente compro aquela que mais vai de encontro aos meus gostos e interesses e vou acompanhando as notícias diariamente na várias webzine. Provavelmente acabei por me adaptar a esta realidade por todos os motivos que fui referindo acima.

 

Com a quantidade de música actualmente disponível, ainda para mais com o trabalho que tens, em que ouves bastantes bandas, há sempre aqueles álbuns que recorres volta e meia e que te despertam uma excelente sensação. Consegues enumerar alguns álbuns que te iniciaram neste tua paixão pelo metal e que ainda os ouves? Neste momento, que bandas é que andas a ouvir e que tens gostado do seu som, sejam bandas nacionais ou internacionais?

O tipo de trabalho que tenho faz com que realmente esteja constantemente em contacto com a música e, com toda a sinceridade, ouço tanta coisa que se torna mais complicado ser apanhado de surpresa ou ouvir algo que seja completamente transcendente. Isso não quer dizer que ouças maus álbuns porque, na realidade, a grande maioria dos que ouço são no mínimo bastante razoáveis! Machine Head é e será sempre a minha banda favorita e são aqueles que já me acompanharam em vários estados de espírito completamente opostos, é uma daquelas coisas pouco explicáveis mas, para mim, são mais que uma banda, são tipo um melhor amigo em forma de música. Acompanham-me sempre. Ainda falando de bandas internacionais tenho estado numa onda mais Thrash (como quase sempre!!) com Warfect, Violator, Dekapitator, Suicidal Angels entre muitos outros. Tenho também que destacar, inevitavelmente alguns álbuns nacionais que têm rodado muito por aqui: Revolution Within que lançaram provavelmente o seu melhor álbum e logo na altura que completaram 10 anos de carreira, Equaleft, WAKO, Tales For The Unspoken, Filii Nigrantium Infernalium, Morte Incandescente, Web e tantos outros que nem consigo enumerar… a música nacional transpira saúde e qualidade!

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Christophe é assim que chegamos ao final desta entrevista. Queria-te agradecer novamente pela tua disponibilidade e as últimas palavras são tuas.

Eu é que agradeço pelo convite. Como leitor da Ode Lusitana e admirador de todo o teu excelente trabalho foi uma enorme honra para mim poder dar o meu contributo nesta edição, um enorme obrigado! Aproveito para repetir aqui o que já te disse algumas vezes em privado: Houvessem mais pessoas como tu neste meio que lutam e trabalham pela causa, por amor à camisola e tudo funcionaria melhor. É um privilégio para mim poder contactar e conviver contigo!
Quero obviamente agradecer a todos que seguem a Underground’s Voice e que a apoiam seja de que forma for, o trabalho pode ser muito bem feito mas se ninguém estiver atento de nada vale e felizmente não me têm falhado. Uma palavra de agradecimento, mais uma vez, à Diana Morais e à Maria Peixoto por toda a ajuda e enorme contributo que dão em troca de… nada!                                                                                                                                                                            Como últimas palavras gostava só de dizer que não adianta alimentar as guerrinhas que todos vemos diariamente nas redes sociais e novelas em vários eventos de concertos e festivais. E outra coisa, a tecnologia está muito avançada mas um “vou” no evento ainda não equivale à presença real. Saiam de casa, apoiem as bandas nacionais, vão a concertos, divirtam-se, bebam um copo, comprem álbuns e merch e acima de tudo mantenham um espírito positivo, todos temos a ganhar com isso. Obrigado e até breve!
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Lyfordeath

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Lyfordeath, banda formada no ano de 2012, na zona do Porto, pratica uma mistura sonora com fortes bases thrash, death e progressive, mas mesmo assim insuficientes de descrever para entrarmos nesta sonoridade fantástica.

   Com o lançamento em 2013 do tema “Emissary of Death”, disponibilizam para audição em Agosto deste ano o single “Satan” que foi o mote para esta entrevista com o Ramiro (Emanuel Ribeiro).

   A banda é formada por Gil Dias (voz), João Almeida (guitarra), Carlos Moreira (guitarra), Emanuel Ribeiro (baixo) e Luis Moreira (bateria).

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Viva Ramiro! Muito obrigado por teres aceite o convite para esta entrevista à Ode Lusitana. E vamos começar pela mais recente novidade o vídeo “Satan”. O vídeo está fantástico, mas como nasceu essa parceria com a Diafragma (Ana Sousa & Pedro Gonçalves)?

Conhecemos o Pedro e a Ana no “Hell Sweet Hell Lordelo Metalfest”, em 2015. Na altura, fizeram um pequeno vídeo nosso, que nos despertou interesse em ver o trabalho deles. Entretanto, já estando nós a pensar em gravar a “Satan”, em conjunto, fomos delineando e projetando o videoclip até chegarmos ao que temos hoje.

 

Além disso tem a particularidade de ter sido filmado na Citânia de Sanfins, que é um dos castros mais representativos da nossa história. Porquê a escolha deste local e como é que se sentiram ao expressar a vossa música nesse lugar?

Inicialmente, tínhamos idealizado um anfiteatro ao ar livre mas, genialmente, o Pedro tirou a Citânia de Sanfins da cartola. Ideia que nos agradou desde logo: o local em si estava bem dentro do tema e além do mais, por ser residente em Sanfins, o Pedro tinha facilidade em obter as licenças.

Apos analisar a proposta, decidimos reformular todo o guião e gravar o videoclip na Citânia de Sanfins e o resultado final está à vista: a meu ver compensou bastante.

Estar a gravar e a tocar naquele local fez nos sentir grandes mas completamente insignificantes. A grandeza Histórica do local, que já ronda os dois milénios, faz-nos perceber que nós, raça humana, somos apenas um grão de areia que flui pela ampulheta do universo.

 

Lyfordeath tem o ano de fundação em 2012, mas neste último ano tem apostado fortemente na divulgação do vosso nome e podemos ver isso nos vários concertos que tem dado e do qual vos vi em Fevereiro no Hard Bar junto com Gates of Hell, Motim e The Gravediggers. Os ensaios são importantes mas são estas actuações que fazem com que a vossa máquina fique bem oleada. Qual a tua opinião acerca destes concertos que tem feito? A interação com o público durante o concerto e fora do concerto tem sido importante para vos fazer crescer?

Ensaiar é indispensável mas é nos concertos que as nossas emoções se sobressaem mais: não só por termos pessoas à nossa frente mas principalmente pela sinergia que acontece ou não com essas mesmas pessoas. Isso faz-nos crescer como banda, como músicos, como Homens ao encontro de uma identidade comum: Lyfordeath.

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És o elemento mais velho da banda e isso faz com que tenhas uma responsabilidade diferente perante o resto da banda, ou o objectivo será sempre fortalecer cada vez mais os Lyfordeath?

Numa fase inicial admito que o facto de ser o elemento mais velho e mais experiente da banda dava-me uma responsabilidade acrescida. Não só na condução dos ensaios como na gestão das expectativas criadas pela própria banda: Eu tinha 28 anos e o Luís (baterista) tinha 15.

Com o passar destes anos, com a convivência, aprendizagens mutuas e alguma estrada nas pernas, as coisas foram-se equilibrando e atualmente considero-me mais um que acrescenta valor a esta família fantástica, da qual faço parte.

 

Agora a pergunta da praxe. Como está a correr a preparação do novo álbum? Será sempre um álbum conceptual baseado muito na onda do vosso tema de 2013 “Emissary of Death”? Quem é este emissário? E já agora, para quando a previsão de lançamento do álbum?

Neste momento, estamos numa fase de composição e conceptualização não nos é possível prever datas em concreto.

Por enquanto, a história do emissário não pode ser desvendada.

Apenas podemos revelar que é uma personagem assolada por dúvidas e questões sobre si mesmo e tudo o que o rodeia e não será propriamente um herói mas sim uma mistura de um anti herói e de um herói byroniano.

 

Entras para os Lyfordeath através do teu primo João Almeida (Sookey), e vinhas de ter tocado baixo com os Hangover numa veia mais metal core. Estiveste em mais alguns projetos?

Antes de integrar os Lyfordeath tive Hangover durante 10 anos.

Esta foi banda que quando começou era de Nu Metal e acabou como uma banda Metalcore.

Antes de 2002, altura em que juntamente com o meu grande amigo Victor Martins formei os Hangover, tive os Feedback (banda de pop rock e onde eu me iniciei como baixista aos 14 anos).

Com 16 anos e em simultâneo com os Feedback, integrei mais dois projetos: Sem Registo (rock cantado em português) e SAXO (música de baile).

 

Como nasceu essa tua paixão pelo baixo? Digo isto, porque geralmente o baixo é o instrumento que menos atraí músicos a optarem por esta escolha, mas que tem um peso demolidor na secção rítmica das bandas. Por exemplo lembro-me em miúdo de equalizar o som para ouvir o Steve Harris nos álbuns de Iron Maiden. Quais são os teus baixistas de eleição?

Eu tinha 14, andava no 9ºano e o meu melhor amigo da época (Carlos Alves), que era da minha turma, frequentava aulas de música que existiam na escola, que eram dadas de forma voluntária e gratuita pelo professor de música da escola (Luís Rego), após o final do horário escolar. Por influência do Carlos, comecei a assistir a essas aulas.

Como eu não sabia tocar, o Carlos dava-me uma guitarra acústica e punha-me a fazer as tónicas, em notas graves, dos acordes e riffs que fazia.

Foi numa dessas situações em que seu estava com o Carlos que o professor de música me disse que eu tinha “feeling” de baixista e apresentou-me um baixo a serio: um “Samik” de 4 cordas, com um braço mais pequeno que um baixo comum (o baixo da escola).

Três semanas depois, numa festa da escola, toquei uma música ao vivo com os Feedback (banda da escola) e senti-me muito bem em palco e, sobretudo, com o baixo.

Relativamente aos meus baixistas de eleição, estes foram aparecendo mais tarde. Não pelas capacidades técnicas que possuem mas, sobretudo pela identidade vincada que possuem quando tocam: Fieldy (Korn) Ryan Martinie (Mudvayne) e Robert Trujillo (Metallica) são aqueles com quem mais me identifico.

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A vida é feita por uma evolução a todos os níveis, incluindo os musicais. Uma das particularidades dos headbangers hoje em dia é a grande variedade de bandas que ouvimos. Fazendo um exercício de memória ainda te lembras de quais as bandas com que começaste a ouvir Metal?

Lembro-me perfeitamente que a primeira banda de Metal que ouvi, foi Metallica: o álbum “Kill ‘Em All”. Tinha 10 anos, na altura, e curiosamente foi-me emprestado por um primo meu que não é grande apreciador de Metal.

Curiosamente, não foi Metallica a banda que me fez despertar, verdadeiramente, a paixão pelo “Metal”. Foram bandas como Korn, Sepultura, Slipknot, Machine Head, Coal Chamber, Mudvayne, Slayer… que atiraram comigo para os Hangover e consequentemente para o Metal.

 

Hoje em dia que bandas é que te tem despertado interesse, sejam nacionais ou internacionais?

Atualmente sou mais diversificado relativamente a bandas. Continuo a ouvir, não com tanta frequência, quase todas as mesmas bandas que ouvia na adolescência mas, ao longo dos anos, o meu léxico de bandas foi aumentando.

Bandas como Opeth, Moonspell, Wako, Porcupine tree, Fleshgod Apocalypse, Meshuggah, Dream Theater, Between the Buried and Me, Gojira, Death, Unearth, Ouroborus, Clock Paradox de entre outras foram se juntando ao meu menú.

 

Como elemento dos Lyfordeath, ou como espectador, tens presenciado muitos concertos e do qual deves ter reparado na grande quantidade de bandas existentes no nosso país, assim como um público que se vai tornando (novamente) fiel. As condições para as bandas também tem sido bastante boas, inclusive a nível sonoro. Em que mais podemos evoluir?

Temos verificado nos últimos anos uma grande melhoria das condições para atuação das bandas, pena é que essa evolução tenha vindo acompanhada de uma enorme recessão relativamente aos caixets que, infelizmente, são muito baixos, na grande maioria das vezes.

Lembro-me que há 10 anos atrás, com Hangover, com muito menos trabalho desenvolvido, auferíamos caixets bem superiores aos que atualmente, por norma, são praticados: às vezes nem pagam as despesas.

Mas acredito que, na grande maioria das situações, paga-se o que se pode. Assim sendo, há que dar valor a quem tenta fazer alguma coisa pelo Metal.

Não obstante disto, podendo parecer que não, os reduzidos caixets auferidos pela gradíssima maioria das bandas tem uma enorme influência no atraso ao seu desenvolvimento e crescimento para o exterior pois é da subsistência destas que estamos afalar: a grande maioria só existem por amor à causa.

Mas é bom não esquecer que esta situação é cada vez mais transversal a todos os setores de atividade: a tão aclamada crise e a falta de dinheiro obrigam as pessoas consumirem menos. Nem todos podem ir ver concertos, comprar discos ou outro tipo de merchandise que, em abona da verdade, ajudam a compor as contas de uma banda.

 

Como se consegue trazer esta geração mais nova para o Metal, sem se sentirem excluídos perante os seus colegas no secundário?

Nos tempos que correm, na minha opinião, a discriminação sobre os metaleiros é menor. Já se vê uma maior abertura das pessoas relativamente ao diferente ou fora de padrão e o respeito pelo que não gostamos aumentou.Penso que neste sentido tem existido uma enorme evolução e acredito que, cada vez mais, serão a minoria aqueles que não respeitam as diferenças.

 

Sendo o Metal um movimento que está sempre na vanguarda, tem feito um aproveitamento das tecnologias e principalmente das redes sociais para a divulgação de tudo o que está relacionado com o seu trabalho. Este bombardeamento de informação poderá saturar o meio levando a que mesmo assim se torne complicado chegar a todos os intervenientes?

Devido às dificuldades, nomeadamente financeiras, que normalmente as bandas ultrapassam, qualquer forma gratuita de se promoverem torna-se de relevada importância e, como é obvio, aproveitável ao máximo.

Naturalmente, sendo esta a maioria das bandas (muitas bandas) e sendo poucos os meios de se promoverem de forma gratuita, é natural que se torne mais difícil chegar de forma eficaz a quem pretendemos chegar mas não acredito que estes meios se venham a saturar.

Na vida, como em tudo, tudo tem um fim: tudo começa, tudo acaba e salvo raras exceções, o que acaba deixa de ser relembrado.

 

Em Portugal estamos a ver um grande trabalho de divulgação por parte das bandas, mas continua a faltar uma intervenção maior dos vários meios de comunicação, como fanzines, revistas, programas de rádio, devido ao seu número reduzido. Em tua opinião estes meios de comunicação seriam mais aglomerantes da divulgação das bandas, podendo até chegar a informação a mais pessoas?

Apesar da sua relevância não ser a mesma de alguns anos, até devido à internet e redes sociais, a rádio, a televisão e as revistas em papel ainda são meios de comunicação que atingem grandes massas.

Na perspetiva das bandas, estes meios são vistos não só pelo número de pessoas que atingem mas, principalmente, pelo tipo de pessoas: o volume de programação destes meios dedicados ao Metal são poucos relativamente ao número de artistas ou bandas a promover/divulgar.

Sendo assim, as bandas encaram a sua aparição nestes meios como uma questão de estatuto e reconhecimento.

Quando falo em estatuto, refiro-me ao papel destes meios como “recomendadores daquilo que é bom”, não porque são os donos da verdade absoluta mas porque, sendo escassos relativamente à enorme oferta de bandas, criam a sua “nata” e transmitem-na em grande escala. Sendo por isso, de extrema importância, a existência de mais canais e meios de transmissão de Metal, não só para as bandas, como para os apreciadores: abrindo assim as portas à diversidade e maior opção de escolha.

 

És ‘consumidor’ de fanzines, revistas?

Não sou grande consumidor: compro, de quando em vez, uma revista ou outra.

Sou mais consumidor de blogues e sites, principalmente do underground, onde vou descobrindo bandas interessantíssimas e de grande valor.

 

Ramiro, é assim que chegamos ao final desta entrevista, a qual agradeço a tua participação e desejo as maiores felicidades para os Lyfordeath. Estas últimas palavras são tuas.    

Agradeço desde já à Ode Lusitana pelo interesse em mim e nos Lyfordeath e a oportunidade desta entrevista. Para mim é e sempre será um orgulho falar de mim, do meu trabalho e do trabalho da minha família (Lyfordeath).

Para os nossos irmãos do Headbang, resta-me apelar a que se mantenham firmes e cada vez mais em força nos concertos.

Um grande abraço a todos.

Vemo-nos por aí.

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Fotos: Diafragma

H.O.S.T. – Apresentação do lyric video “Catharsis by Carnage”

 

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Provenientes do Porto, com o início da actividade em Março deste ano, temos os H.O.S.T. que tem a particularidade de reunir grande parte dos músicos que compunham a banda Cycles há dez anos atrás e que lançaram o álbum “Phoenix Rising” em 2006. Sendo assim a banda é composta por Carlos Barbosa (guitarra – Fearstomb, Cycles), Filipe Moreira (guitarra – Fearstomb, Cycles, Unfolded Vision), Vera Sá (baixo – Cycles, Head:Stoned), Augusto Peixoto (bateria – Dove, Cycles, Head:Stoned, DUM) e as vozes a ficarem a cargo do holandês Gerrit Dries.

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Em breve será editado o EP de estreia “Bastard of the Fallen Thrones”, mas já podemos ouvir o som da banda através do lyric video “Catharsis by Carnage” e que conta com a participação especial do Jorge Marques, vocalista dos Tarantula.

O artwork da capa deste lançamento foi idealizada pelo baterista Augusto Peixoto, no seu IrondoomDesign Studio e a sessão fotográfica esteve a cargo do João Fitas.

Quebra-Cabeças – Compilação de Rock e Metal Português

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Disponível para download gratuito a compilação “Quebra-Cabeças (Compilação de Rock e Metal Português) da Rotem Records. Vê em baixo a ligação! Nesta compilação temos: Humanart (black metal – Santo Tirso, formados em 1998, editaram em 2014 o seu primeiro longa-duração “”Lightbringer”), HOST (metal – Porto, fundados em Março deste ano, apresentam o tema “Catharsis by Carnage” do futuro EP “Bastard of the Fallen Thrones”), Booby Trap (thrash metal / crossover – Aveiro, formadosem 1993 estão prestes a lançar o segundo longa-duração com o nome “Overloaded”), Basalto (stoner / metal – Viseu, formados no ano passado, lançaram o seu primeiro trabalho este ano), Mindtaker (thrash metal – Redondo (Évora)), Smash Skulls (thrash metal – Grândola), Autopsya (thrash metal – Loures, editaram em 2013 o seu primeiro longa-duração “Thrash Metal Army”), Havoc Mind (melodic heavy / progressive metal – Lisboa, tem no EP “Havoc Mind” de 2015 a sua estreia), Tomás SCM.O.R.G. (thrash metal – Lobão, Santa Maria da Feira, editaram em 2015 o seu álbum de estreia “Nightmare of Sound”), Frost Legion (black / thrash metal – Bobadela, tem a sua estreia em 2014 com o álbum “Death of Mankind”), Marco Antonio Blues Abuse (heavy punk blues – Lisboa), Emerging Chaos (thrash / death metal – Barreiros, editaram em 2015 o EP “The Deacy of Mankind”) e ROTEM (progressive black / death metal, projecto a solo de Rotem (Bruno Rodrigues), impulsionador desta compilação, editou o álbum “Dehumanization” em 2014 e além de todo o trabalho que faz, foi o criador do logotipo da Ode Lusitana). O download gratuito desta compilação é feito aqui

Ode Lusitana # 15 – Setembro 2016 já disponível

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Número de Setembro da Ode Lusitana já se encontra disponível para leitura e download gratuito.

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Daniel Laureano (A Constant Storm) e Pedro Frazão (Konad). Notícias sobre Booby Trap, Alkateya, Decayed, Attick Demons, Legacy of Cynthia, Lyfordeath, RAMP, Silveira Rock Fest e Paws & Claws.

Acede a este número através do facebook ou pelo issuu.

 

A Constant Storm

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   A Constant Storm é um projecto a solo do Daniel Laureano (Stormbringer), fundado no Porto em 2013 e que em 2014 contou com o lançamento da demo “Storm Born”, editando nesse mesmo ano o single “Love Crimes” (cover do tema dos Moonspell). Mas é com o primeiro longa-duração “Storm Alive” editado há poucos meses, que marcou definitivamente o panorama nacional, com uma diversidade musical fantástica, tornando este álbum um dos melhores editados a nacional.

   Estivemos à conversa com o Daniel para entrar no mundo de A Constant Storm, onde a nível musical tudo é permitido.

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Viva Daniel! Muito obrigado por esta tua presença na Ode Lusitana e é um prazer já que este teu projecto, A Constant Storm, veio trazer uma lufada de ar fresco ao underground nacional. Foi engraçado já que tive o primeiro contacto com o teu som através do tema “Pale March” editado na compilação “13 Portuguese Metal Compilation Vol. 7”, enquanto conduzia o carro paro o trabalho e fiquei bastante impressionado, entrando pouco depois em contacto contigo para adquirir este teu álbum “Storm Alive”. Já se passaram alguns meses do lançamento e as críticas e entrevistas tem chegado de todo o lado e bastante positivas. Como estás a reagir a todas estas respostas que tens tido deste teu trabalho?
Antes de mais, muito obrigado pelo convite e pelo interesse no projecto!

Até ao momento a resposta a este trabalho tem sido muito positiva, sendo que ainda não recebi qualquer review com pontuação inferior a 7/10. Confesso que estava à espera de receber críticas mais polarizadas, dada a natureza desafiante do álbum. Isto mostra que, ao contrário do que por vezes se pensa, os fãs de música neste país (e não só) estão dispostos a escutar propostas que não jogam pelo seguro e que fogem ao habitual.

 
Um projecto que começa com um “simples” Vendaval (primeiro nome proposto mas não foi avante) e que cresce para A Constant Storm, está a ser muito maior do que o primeiro conceito que criaste para este teu trabalho, iniciado em 2013? Qual foi o teu conceito original?
Este projecto nasceu sobretudo da necessidade que sentia em criar música, numa altura em que ainda não pertencia a qualquer banda ou colectivo. Na altura não me preocupei muito em pensar se isto poderia crescer e atrair a atenção de pessoas que não eu mesmo e foi nessa ordem de ideias que compus e gravei o primeiro EP, “Storm Born”. No fundo, fiz música por mim, para mim e fi-la recorrendo a meios rudimentares, que eram os que tinha à minha disposição.

 

Neste teu álbum “Storm Alive” tens a participação do Afonso Aguiar e do Ricardo Pereira, com quem fazes parte nos Moonshade e que também executam um excelente trabalho neste teu álbum. Como começou esta vossa amizade, que foi crescendo com o tempo e como foi a abordagem para este teu trabalho? É verdade que tens total autonomia já que é um projecto teu, mas em termos de gravações e ideias tiveste interesse em ouvir a opinião deles, ou serviram como suporte para transporem o que tinhas na tua mente?
Conheci o Afonso e o Ricardo quando entrei nos Moonshade no início de 2015, e eles, tal como os outros membros da banda, rapidamente se tornaram grandes amigos e pessoas que agora são como família para mim. Este excelente ambiente facilita tremendamente a criação musical e funcionamento entre todos, tanto na banda como em projectos paralelos como é o caso deste. Falando mais concretamente no álbum “Storm Alive”, apesar da composição musical ter ficado a meu cargo sempre estive receptivo às sugestões de ambos. Penso que as diferentes perspectivas só podem ajudar a fortalecer o resultado final e que essa variedade perder-se-ia se assumisse uma postura intransigente em relação a ideias que não partissem de mim próprio.

 

Ao fazer a pesquisa para esta entrevista houve algumas referências que fazes, que achei muita curiosidade e uma delas foi a alusão ao álbum “Nordavind” dos Storm (álbum único, lançado em 1995, que contava com a participação de Fenriz (Darkthrone), Satyr (Satyricon) e Kari Rueslatten (The Sirens)), pela que te marcou, pelo nome e acima de tudo pela variedade. És bastante receptivo a estas sonoridades diferentes? Estes músicos assim como outros como por exemplo Ihsahn (Emperor, Hardingrock, etc…), Garm (Ulver), mas principalmente (e um dos que mais respeito e sinto curiosidade) que é o caso do Fenriz, vieram todos de um meio mais black metal, mas tem uma visão muito mente aberta da música. No teu caso, também tens uma paixão forte pelo black metal, mas consegues explicar este viagem sonora que pelos vistos nasce neste género? O black metal é propício a este estudo por novas sonoridades?
Sou definitivamente receptivo e influenciado por todo o tipo de sonoridades, uma vez que acho que a música é demasiado rica e interessante para uma pessoa se prender a um só género, como compositor mas também como simples ouvinte. Sem artistas com mente suficientemente aberta para incorporar sonoridades diferentes esta arte nunca teria evoluído e, como tal, é extremamente agradável para mim poder apreciar Rotting Christ da mesma maneira que aprecio Queen, Ulver, The Sisters Of Mercy ou Kendrick Lamar, para dar alguns exemplos. Quanto ao black metal, penso que se trata de um estilo-base que de facto oferece muitas possibilidades de evolução. Existem vários casos de bandas e artistas com raízes neste estilo musical que levaram o seu som por caminhos tremendamente distintos e interessantes. Falo por exemplo dos já referidos Ulver à cabeça, mas também Ihsahn, Blut Aus Nord, Enslaved e por aí adiante.

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Agora vou ser um pouco mau, mas depois de ler todas as tuas influências musicais e que são das mais variadas possíveis, quero que indiques cinco álbuns que te marcaram e o porquê. A música sempre foi uma constante na tua vida desde que idade? Como surgiu o teu interesse por aprenderes um instrumento?

De facto, a dificuldade está na escolha!
– Bem, em primeiro lugar na minha lista coloco o “…And Justice For All” dos Metallica. É um álbum muito à frente do seu tempo, de uma banda também muito à frente do seu tempo e que é constantemente criticada por nunca se ter conformado a tocar o mesmo estilo durante 5 ou 6 álbuns seguidos. Os Metallica são, também, a banda que mais me fez apaixonar pela música da maneira como me apaixonei, portanto são uma influência seminal para mim.
– Depois, “Into The Labyrinth” dos Dead Can Dance, pela quantidade impressionante de diferentes sons e ideias musicais que eles conseguem fazer coincidir e combinar de uma maneira extremamente harmónica. O Brendan Perry é, também, uma das minhas maiores influências a título individual, tanto pelas suas composições como por ser um multi-instrumentista tremendamente capaz.

– De seguida, “Blood Inside”, dos Ulver. Um trabalho completamente impossível de confinar a um único género musical e que teve um impacto enorme em mim quando o ouvi pela primeira vez, pois veio redefinir toda a minha maneira de ouvir e pensar a música.
– Continuando, o já referido “Nordavind”, dos Storm, pela influência que teve neste projecto e pela qualidade absolutamente viciante e mestria dos arranjos que o duo Satyr/Fenriz aplicou a estes temas provenientes da tradição folclórica norueguesa.
– Por último, “Blind Scenes”, dos Soror Dolorosa, um dos trabalhos que mais me impressionou nos últimos anos, pela maneira perfeita como a banda mistura o gótico britânico clássico com uma melancolia muito própria e característica da cena coldwave francesa, sem nunca perder a sua identidade.

Respondendo à segunda parte da pergunta, comecei a interessar-me verdadeiramente por música por volta dos meus 11 anos de idade, através do meu pai e de alguns CD’s que ele tinha comprado ao longo dos anos, os quais acabou por me oferecer. Estes foram os primeiros álbuns que escutei por inteiro na minha vida: “Master Of Puppets”, dos Metallica, “Coma Of Souls”, dos Kreator e “Stained Class” e “Hell Bent For Leather”, dos Judas Priest. Juntamente com alguns ficheiros mp3 que havia reunido dos Scorpions, Iron Maiden e Nirvana e com alguns artistas cujos videoclips rodavam na MTV, como System Of A Down e Green Day, fui criando as bases para a minha exploração musical. Curiosamente já tocava guitarra há cerca de um ano, na altura por sugestão da minha professora de educação musical do quinto ano de escolaridade.
A vida é uma tempestade constante?
Definitivamente. Tudo acontece a um ritmo tão alucinante que é impossível escapar ao movimento e as mudanças trazidas pelos acontecimentos fazem com que a vida de cada um seja um turbilhão constante de momentos, tanto bons como maus.

 

Tens formação em audiovisuais e o teu objectivo é vires a trabalhar seriamente na área da fotografia. Como nasce essa tua paixão e quais as tuas referências ao nível de fotógrafos. Já tens apresentado alguns trabalhos teus ao público, ou em algum meio de comunicação? Qual a tua ideia de identidade visual para A Constant Storm?
A minha paixão pela imagem só floresceu verdadeiramente quando entrei na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo para o curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual e entrei em contacto com artistas fantásticos, que trabalham vídeo, cinema, fotografia, instalação, performance e todo o tipo de combinações diferentes entre estas formas. Tenho maior afinidade pela fotografia e as minhas maiores referências têm sido sobretudo artistas que trabalham sobre a identidade do próprio, muitas vezes através do auto-retrato, como Francesca Woodman, Jorge Molder, Nan Goldin ou Jeff Wall, este último pelas complexas encenações que cria nas suas fotografias de enormes dimensões. Sou também muito influenciado por capas de álbuns musicais que contenham fotografias, particularmente as capas do projecto alemão Sopor Aeternus & The Ensemble Of Shadows, cuja influência é evidente na capa do “Storm Alive”.

 

E assim chegamos ao final da entrevista! Obrigado por tudo. As últimas palavras são tuas e podes dizer o que quiseres!

Muito obrigado à Ode Lusitana pela oportunidade de responder a estas perguntas tão interessantes e de dar a conhecer o meu trabalho a um maior público. Sigam o projecto A Constant Storm no Facebook, Bandcamp e YouTube e apareçam na sessão de lançamento do disco “Storm Alive”, na Bunker Store, no próximo dia 24 de Setembro!

Konad

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   Konad, banda de Vila Franca de Xira, está a festejar os 20 anos de existência, tendo começado em 1996 ainda sob o nome de Konad Moska. Praticantes de uma mistura entre os mundos do punk e do thrash metal apresentam um crossover agressivo, que não deixa ninguém indiferente.

   Depois de algumas demos editadas é no ano de 2012 que editam o seu primeiro longa-duração de nome “Café Beirute”, mas é em 2015 com o seu segundo longa-duração, “Irae Dei” que vemos essa mudança na sonoridade dos Konad a enveredar por um caminho mais dentro do metal, mas não esquecendo as suas raízes.

   Com Kampino (voz), Pedro Frazão (guitarra), João Litrona (baixo) e Nuno sousa “China” (bateria) temos banda para muita animação e energia em palco. Foi com o Pedro Frazão que fomos saber mais dos Konad.

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Viva Pedro! Muito obrigado pela tua resposta positiva para esta entrevista à Ode Lusitana e da qual agradeço. Mas vamos ao início de tudo. Ainda te lembras de como começou esta tua paixão pelas sonoridades mais pesadas? Quais as bandas que te despertaram esse interesse? Tinhas um grupo de amigos onde partilhavam essas novas descobertas?

Boas Marco!! Sem dúvida que são memórias inesquecíveis. Aquela partilha adolescente com os amigos que (alguns) mais tarde viriam a ser colegas de banda. Iron Maiden, Wasp, Sepultura, Metallica, Slayer foram bandas marcantes para mim e para muitos dos jovens da época. Foram a porta de entrada num mundo simplesmente brutal!

 

Com o passar do tempo como nasceu essa tua vontade de tocar guitarra? Por vezes as pessoas ligam a paixão de tocar um instrumento com algum ídolo que se tem. No teu caso foi assim que aconteceu? Eras um assíduo frequentador de concertos na altura?

Mais tarde sim, tornei-me num frequentador de concertos. Em 1988, quando comecei a tocar guitarra, não havia muito acesso a material fonográfico nem os eventos em Portugal eram o que são hoje em número ou em qualidade (por vezes quantidade) de acesso à informação e facilidade de publicitar os mesmos. Quanto à guitarra, desde cedo me liguei com a sonoridade deste instrumento, mas a descoberta de Death e Chuck Schuldiner provocou um grande impacto naquilo que a música se tornou para mim, enquanto consumidor e músico.

 

Com início em 1992 fazes parte de Encancrate, banda de death metal melódico, mas que no ano de 1996 ao editarem a demo de estreia “A New Cicle of Fear”, também se torna o ano de fundação de Konad Moska, que mais tarde mudariam de nome apenas para Konad. Como surgiu a ideia junto com o Kampino, na altura também baterista dos Encancrate, enveredarem por um projecto dedicado na altura a uma veia mais punk? Sentias alguma saturação ligada ao Metal ou tinhas interesse neste movimento punk? Quais as bandas do estilo que te marcaram?

Algures no seu percurso Encancrate “bateu numa parede”. Tínhamos editado uma demo com boa aceitação, participámos em vários concertos e concursos, mas do ponto de vista de composição algo estava bloqueado. Assim, nos ensaios começámos a compor e tocar alguns temas (“Dá-lhe Gás”, “Kasal Ventoso”, “Vaka Louka”) num ambiente de descontração. Na altura as minhas referências seriam Exploited e Ratos de Porão. A coisa foi ficando interessante e acabámos por nos estrear ao vivo numa festa de Carnaval no extinto Lusideia Bar em Samora Correia. Mais tarde os Encancrate separam-se e o Kampino manteve viva a chama de Konad Moska. Ele sempre foi o mais punk de nós os dois (Eheheh). Apesar de, do ponto de vista social me identificar com o movimento, na época o punk enquanto música não estava na minha wishlist, ainda havia muito metal para devorar e era essa a sonoridade que me deslumbrava.

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Após uns anos iniciais conturbados em 2007 tens um retorno à banda e com esforço e dedicação vão ganhando uma notoriedade diferente, onde os lançamentos vão acontecendo e entre outros é de salientar o vosso primeiro longa-duração “Café Beirute” em 2012. Mas neste vosso último álbum “Irae Dei” a viragem para o metal, mais propriamente o crossover, é bem evidente. Como se deu esta evolução dentro da banda? As entradas do Márcio e Litrona (baixo) e André e China (bateria), tendo a passagem do Kampino apenas para a voz teve também influência na vossa sonoridade?

Sempre houve uma dualidade dentro das nossas bandas. Eu e o Kampino entrosamos de forma singular como pessoas e músicos. Somos amigos de longa data e o trabalho em conjunto tem sido pautado pela gratificação, sinceridade, partilha e uma busca por uma melhoria constante. Eu mais metal, ele mais punk. As bases de construção de ambos foram as mesmas, ele é um dos amigos do início da minha vida musical no rock pesado. Obviamente que o nosso percurso musical foi diferente após a génese, mas isso é, na nossa opinião, uma mais valia deste projeto, a possibilidade de misturar os dois mundos e a nossa abertura para o fazer. Quanto às mudanças de alinhamento, na questão do baixista deu-se à saída do Karmo por questões pessoais. O assumir da voz pelo Kampino era algo que já era tema de discussão há algum tempo. Com o trabalho de desenvolvimento do “Irae Dei” mostrou-se notório que o trabalho de voz e bateria se tinha tornado incomportável de executar em conjunto. Decidimos não comprometer o álbum e sim fazer o que nos ia na alma. Foi um passo natural.

 

As vossas letras, cantadas em português, versam a crítica social, o que dá ainda mais força à ideia expressa pelo vosso som. Estamos numa sociedade sem retorno, onde faltam os princípios e os valores? JJ Janiak dos Discharge refere que a “humanidade não está preparada para uma verdadeira anarquia porque as pessoas não conseguem viver em paz e coexistirem sem se matarem e roubarem umas às outras”. Concordas que esta visão caótica já se encontra entrada nos genes humanos?

Epá, o sociólogo é o Kampino, eu sou um homem da ciência (Eheheh). Mas parece-me evidente que estamos numa sociedade muito decomposta, não só em termos de valores, como em separação de classes e racial, assim como com uma grande componente de corrupção ativa, sem escrúpulos e tão in your face como os nossos temas. Considero o ser humano destrutivo por natureza. E atualmente essa agressividade até passa para as redes sociais. Cada vez mais as pessoas se separam do real e se mostram “heróis” ou demonstram aquilo que realmente são atrás de teclados. Estamos num caminho negro…

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Qual a reacção que tens tido deste vosso lançamento, assim como dos concertos que tem efectuado? Portugal é um país onde o punk e o metal na generalidade tem partilhado os mesmos palcos com boas reacções de parte a parte. Como consideras esta abertura por parte destes dois estilos? Afinal temos mais em comum do que muita gente pensa?

Temos tido reações muito positivas. No geral o álbum é bem recebido e agrada a gregos e a troianos. Na verdade a sonoridade mais crust que injetámos no “Irae Dei” teve esse efeito. É verdade que por motivos organizacionais é útil catalogar as bandas, mas na realidade entre metal e punk não existe um fosso assim tão grande quanto se possa por vezes imaginar, especialmente quando enveredas por géneros mais extremos do punk. Para quem realmente gosta de boa música, ver ao vivo num mesmo evento, bandas de ambos os estilos é até enriquecedor.

Pedro, por aqui termino a entrevista. Novamente muito obrigado! Estas últimas palavras são tuas, por isso estás à vontade para dizeres o que te vai na alma. Ficamos a aguardar novidades breves de Konad!

Obrigado Marco e Ode Lusitana por proporcionarem esta possibilidade de falar um pouco de Konad e daquilo que é uma das minhas paixões de vida. Celebramos, em 2016, vinte anos de banda e estamos a preparar uma surpresa engraçada para o pessoal que nos acompanha. Em breve haverão notícias mais detalhadas. E a todos que têm paixões persigam-nas avidamente e não deixem nunca que essa chama morra sem que se sintam realizados… Abraço!!!