Divulgação do metal português

Entrevistas

Lunah Costa – Headbang Solidário

11046251_804810916284590_2646544302005737024_o

   Numa época em que as dificuldades e diferenças sociais aumentam, é sempre de realçar quando há quem dedique parte do seu tempo a tornar as coisas um pouco mais simples. O Headbang Solidário surgiu para através de eventos solidários, onde se inclui concertos de Metal, tornar possível esta angariação de fundos para estas causas nobres.

   Lunah Costa, foi a mentora deste projecto que irá para a quarta edição a decorrer no Metalpoint a 17 e 18 de Junho.

   Esta entrevista, fala disto e de muito mais, mostrando que é uma das pessoas do Norte que tem feito um esforço enorme na divulgação do metal, sendo uma das criadoras da mais recente produtora Cthulhu Productions. Mas vamos à entrevista!

481151_756967657780267_3268944178906064257_n-2

Olá Lunah! É com enorme prazer que temos a tua presença neste número da Ode Lusitana. Para começar nada melhor do que o grande trabalho que se tem vindo a fazer e que é o Headbang Solidário. Como surgiu a ideia deste projecto da organização de eventos para a angariação de fundos para causas sociais? Quem é que constitui a equipa do “ Solidário”?

Muito obrigada desde de já pelo convite, é um prazer ser entrevistada pela Ode Lusitana. O Headbang Solidário surgiu quando uma amiga minha de longa data, a Vera Pentieiros, pediu ajuda para angariar fundos para o seu projecto Noites Solidárias que auxilia os sem-abrigo e famílias carenciadas, porque estavam sem dinheiro para comprar comida. Eu até a data nunca tinha organizado nenhum concerto mas aceitei ajudar. Como correu bem, decidi continuar com o Headbang e ajudar várias associações e causas. Não tenho como ajudar monetariamente as associações, por isso é esta a minha forma de ajudar. Em relação à equipa do Headbang, basicamente sou eu. No entanto, tenho o Fábio Pinto que elabora os cartazes do Headbang e tenho o Hugo Rajado que no dia dos eventos ajuda no que for necessário.

Como se processa a ligação entre vocês e as várias associações que apoiam?

Quando escolho uma associação ou projecto, tenho que conhecer bem a forma como trabalham e verificar se estão com dificuldades. Marcamos reuniões, as associações ou projectos apresentam provam das suas dificuldades, recibos, dividas, gastos e visito os espaços destas. No caso por exemplo da associação Senhores Bichinhos, eu sei e conheço as clínicas as dividas que a associação tem por salvar e cuidar dos animais. Para além que era voluntária da associação e hoje faço parte como membro da mesma. Conheço os animais, conheço o local e sei como a associação funciona. E é igual para o projecto Noites Solidárias, já assisti a entregas, todos os meses publicam os gastos e os recibos e conheço pessoas que este projecto auxilia. E é isso que faço. Tento ter a certeza que o dinheiro é bem entregue. No dia do evento, o valor angariado é entregue directamente do Metalpoint a um membro da associação ou projecto.

12779182_878912708874410_2386121746943942899_o-2

O primeiro festival foi realizado em Maio do ano passado. O que mais tens notado de evolução entre esse festival e o último, realizado em Fevereiro deste ano? Já notas que as pessoas conseguem reconhecer facilmente o vosso trabalho e a apresentação deste festival?

O que tenho notado é que algumas bandas se disponibilizam para participar, enquanto no primeiro evento eu entrei em contacto com todas as bandas, neste momento, tenho bandas a contactar-me para ajudar e participar. Tenho recebido mais propostas de parcerias e de apoios. Tal como tenho associações a pedir ajuda. Acho que sim, acho que o nome Headbang Solidário já é reconhecido, não por todos claro, mas tenho recebido palavras de apoio de várias pessoas que não conheço pessoalmente, bandas que querem tocar neste evento e associações que pedem ajuda, mas ainda há um longo caminho a percorrer, é ainda algo recente.

Como nasceu a hipótese de utilizarem o Metalpoint como sítio dos concertos? Há a hipótese de quererem efectuar estes concertos em outras cidades ou espaços?

O Metalpoint foi o meu primeiro contacto. O Metalpoint não é apenas um local com excelentes condições. É o local que manteve o metal nacional vivo durantes estes anos, sem nunca desistir apesar das dificuldades. Se há algo que posso garantir, é que no Porto, o Headbang será sempre no Metalpoint. O Headbang não é apenas um projecto de festivais, é a representação do que eu acredito. E eu acredito na gratidão. E estou eternamente grata ao Hugo Almeida do Metalpoint, por ter abrido as portas a alguém que nunca fez nada do género, que acreditou em mim e que ainda hoje, é um grande apoio. Mas não está excluída a hipótese de alargar para outras zonas do país.

Em Junho próximo teremos a 4ª edição, desta vez associado à ajuda às crianças. Como a Associação Sorrisos de Criança ‘participa’ neste evento?

Eu decidi abraçar uma causa que me diz muito: as crianças. E tenho amigas que colaboram com essa associação. A Sorrisos de Criança, tal como qualquer outra associação, tem apenas que estar presente no dia dos eventos para promover o seu trabalho, tal como receber o valor angariado. No entanto, é necessário também um contacto regular entre mim e a associação, caso uma destas condições não se verifique, tenho que procurar outra associação ou projecto dentro deste âmbito.

Já se encontra o cartaz fechado ou poderemos ter mais algumas bandas?

Ainda poderá haver surpresas. O cartaz está fechado, mas é sempre possível haver algumas alterações. As bandas que participam, têm músicos que infelizmente não vivem da música, têm empregos, e como tal, por algum motivo profissional ou até de saúde, podem levar à alteração do cartaz.

 

10360830_511907415619627_5646981720403438311_n-3

Como se efectua a escolha destas bandas, que tem sido uma surpresa para muitas pessoas, já que algumas são menos conhecidas ou ainda em início de actividade?

Digamos que tento colocar as bandas que admiro e gosto, o máximo que pode acontecer é receber um “não” ou até não obter resposta. Também penso no que o público gosta porque, sinceramente, um dos objectivos principais é angariar fundos. No entanto, sim, arrisco em bandas que nunca tocaram ao vivo, que nunca tocaram no Porto ou no Metalpoint, porque defendo que essas bandas têm o direito de mostrar o seu trabalho e claro que peço sempre material para ouvir.

Também é por isso que tento fazer cartazes com bandas de estilos diferentes, porque todas têm o direito de mostrar o que valem, independentemente do estilo de metal que tocam e já ouvi comentários deste género” não gosto do estilo, mas até gostei bastante da banda”. O Headbang tem sempre as portas abertas para qualquer banda, desde que tenham qualidade para oferecer ao público.

As pessoas que assistem a estes concertos conseguem ter um espírito solidário? Consegues explicar alguma da insensibilidade das pessoas perante estas causas, seja relativamente aos sem abrigo, aos animais, ou mesmo às crianças? Cada vez mais se perdem os valores morais nesta sociedade actual?

Como costumo dizer: os metaleiros são uns fofos (risos). Em todos os estilos musicais, em toda a sociedade, há sempre boas e más pessoas, tal como há pessoas solidárias e outras nem por isso. No entanto, um dos objectivos do Headbang Solidário é também diminuir a visão da (ainda) maioria das pessoas, que os metaleiros são todos uns porcos, feios e maus (risos) e tenho conseguido. As associações ficam muito admiradas com a solidariedade das pessoas que vão as eventos: levam comida, roupa, compram sempre alguma coisinha nas bancas para ajudar. Estou muito mas muito orgulhosa de todos os que vão aos eventos. É um ambiente lindo.

Mas sim, acho que os valores morais estão a regredir. As pessoas colocam o dinheiro à frente de tudo: da amizade, da gratidão, da humildade. Mas no caso da adesão do publico aos eventos, só tenho a agradecer a presença de todos.

12814618_245047712503261_4708831219555122976_n

Tens uma presença bastante forte no que toca ao movimento underground e entre as tuas várias participações, estás agora na Cthulhu Productions. Da tua parte tens a organização de eventos e o agenciamento de bandas. Como nasce esta produtora, tendo uma variedade enorme de campos a que está ligada?

Não acho que tenha uma presença forte no movimento underground, ainda tenho um longo caminho a percorrer e muito a aprender. A Cthulhu nasceu nas profundezas das sugestões que tenho recebido (risos). Várias pessoas sugeriram que eu criasse algo a ganhar algum dinheiro, porque o trabalho que tenho feito no Headbang está a ser bem feito e que poderia investir em algo assim. E o facto de estar próxima das bandas, alguns laços de amizade foram criados, e fui-me apercebendo que as bandas poderiam necessitar de alguns serviços, a um preço simbólico para conseguirem alguns objectivos, como tocar em todo o país e no estrangeiro. Esse é o meu trabalho: levar as bandas aos quatro cantos do mundo, a começar por Portugal.

Em relação aos outros serviços, tenho amigos que sabem dar aulas de música, o Hugo Rajado, o Dabid Pinto e Tiago Gomes e têm muitas pessoas que querem aprender mas que não podem pagar o que geralmente as escolas pedem, logo, criei uma escola de música com pessoas que sabem dar aulas e que gostam, a um preço o mais baixo possível e com as melhores condições possíveis.

A nível de gravação de vídeo, tenho amigos que neste momento estão a criar um projecto nesse sentido, visto que a pareceria com a ISFrame não tinha como continuar.

Ou seja, nasceu entre amigos e irá permanecer entre amigos.

Quem compõem a Cthulhu Productions? Uma das primeiras parcerias foi com a banda portuense Thorvus. Como surgiram os contactos com eles e como as bandas e as pessoas podem entrar em contacto com vocês?

A Cthulhu Productions é basicamente composta por mim, para além dos professores, o Hugo Rajado, o Dabid Pinto e Tiago Gomes, e colaborações que ainda estão a ser analisadas.

Em relação aos Thorvus, conheço os Thorvus à 3 anos, por motivos pessoais, namoro com o Fábio Pinto, guitarrista e vocalista. Sempre gostei do trabalho deles, acompanhei-os ao longo destes anos como manager e amiga. Foi por causa deles que ganhei amor ao metal nacional de forma que hoje dedico-me a esse “amor” (risos). Só sabendo as dificuldades das bandas nacionais de metal, é que se ganha paixão pela causa.

Podem contactar por email: productionscthulhu@gmail.com , por facebook: https://www.facebook.com/CthulhuProductions e por tlm: 915 880 324.

O nome Cthulhu, remete ao imaginário do mestre norte-americano H. P. Lovecraft. Como foi a tua descoberta deste autor? Tens mais autores que despertam a tua curiosidade? O que achas da situação nacional em que vemos os jovens cada vez mais a se afastarem da leitura? O que se poderia fazer para alterar esta mentalidade?

Desde de muito cedo que adquiri o âmbito de ler. O meu irmão mais velho sempre me deu grandes obras para ler e H.P Lovecraft foi o primeiro génio do terror que fiquei grande admiradora até aos dias de hoje, porque na sua obra ele, ao mesmo tempo que ele cria personagens míticas como o Cthulhu, insere elementos de fantasia e ficção cientifica que são géneros que aprecio bastante, para além da sua escrita fria, detalhada e mórbida. A obra dele diz-me muito, ao ponto de escolher este nome para o projecto e de futuramente, tatuar uma homenagem ao escritor e à sua obra e assim começo a responder a outra questão: tenho imensos escritores que despertam a minha curiosidade e mais que isso, a minha admiração. Tenho um braço tatuado com Edgar Allan Poe, Florbela Espanca e Oscar Wilde, e ainda falta tatuar o H.P Lovecraft e o José Saramago. Os livros, a leitura, sempre foi a minha grande paixão. Em relação aos nossos jovens, sinceramente, não estou a par das suas escolhas de leitura, mas é percetível que na sua maioria não têm sequer hábitos de leitura e sim, isso preocupa-me, por acredito que há escritores, há livros, há simples frases, que podem mudar a nossa maneira de ser, quem somos. Que nos podem tornar melhores seres humanos. Não sei como alterar esta mentalidade. Mas acredito que a família tenha um papel essencial. No entanto, cada um tem os seus gostos, as pessoas são livres de não gostar de ler, mas, sinceramente, acho que deveriam ler pelo menos um livro por mês.

 

11822709_703852443091789_5020848730510104393_n-3

Entre as várias coisas, também efectuas entrevistas a bandas. Como é o teu processo de preparação das mesmas? O que achas do aumento destas publicações e porque não surgem mais?

Infelizmente, já não faço à imenso tempo. Felizmente, a Som do Rock, apoiam-me nos meus projectos e entende que não tenho como fazer entrevistas neste momento. Criei o festival Som do Rock Fest para agradecer esse mesmo apoio.

Tudo teve um início, por isso como começou a tua paixão pelo Metal e com quais bandas? Tinhas um grupo de amigos na secundária em que davam a conhecer novas sonoridades? Quais os álbuns que ouvias no início e ainda gostas de ouvir?

Começou na barriga da minha mãe (risos). O meu irmão mais velho já ouvia metal, então colocava os phones na barriga da minha mãe (risos). A medida que fui crescendo, fui sempre ouvindo metal, simplesmente porque gostava mais desse tipo de música do que o restante que a minha irmã e amigos ouviam. Os únicos metaleiros que conheci eram os amigos do meu irmão que com o tempo seguiram a vida deles e fiquei sozinha (risos). Basicamente, cresci em uma aldeia muito reservada em que fui maltratada por me vestir de preto todos os dias e com t-shirts de bandas que as vezes são “agressivas” (risos) . É duro crescer numa aldeia que és a única a ouvir este género de música. Não tinha amigos que ouvissem o mesmo, até o meu 9º ano em que conheci três pessoas que ouviam metal da minha idade. No secundário, conheci apenas o Marcelo, que faleceu com 18 anos, logo, a nossa amizade foi demasiado curto, a vida dele foi demasiado curta. As primeiras bandas que ouvi e que me recordo foram: Iron Maiden, Metallica, Manowar, Sepultura, Pantera, Black Sabbath, Megadeath. Não posso escolher um álbum (risos) é impossível, ouço vários de várias bandas. No entanto, por motivos pessoais, há um álbum que sempre me vai acompanhar : “Black Album”, dos Metallica, era o álbum que o meu irmão usava para me adormecer e que alguém muito especial que já partiu, tocava guitarra para mim. De resto, não consigo escolher.

E assim terminamos esta entrevista. Quero agradecer-te pela tua disponibilidade! Muito obrigado! E estas últimas linhas estão à tua disposição para dizeres o que quiseres.  

Muito obrigada pelo convite pelo apoio. E obrigada a todos os que têm dado o seu apoio aos meus projectos, farei sempre o meu melhor.

Anúncios

Web

12698531_1003825406357874_6407613466273312287_o-2

   Web são uma das bandas que durante mais tempo tem espalhado a palavra do Metal por terras nacionais, com o seu thrash metal e que este ano fazem 30 anos de carreira.

   Fundados em Outubro de 1986 no Porto, editaram até ao momento três longa-durações, “World Wild Web” (2005), “Deviance” (2011) e o mais recente “Everything Ends” (2015). Formados actualmente por Fernando Martins (voz / baixo), Victor Matos (guitarra), Filipe Ferreira (guitarra) e Pedro Soares (bateria), conseguiram evoluir ao longo dos anos e monstram o seu potente som.

12032705_528979993950828_4201271407480546352_o

Vamos conhecer um pouco mais de Web em entrevista com um dos músicos mais reconhecidos a nível nacional, o Victor Matos, membro fundador do grupo.

 

Olá Victor! É uma honra ter-te neste número da Ode Lusitana pela importância que tens mo metal nacional, seja em cima do palco, ou a assistir a muitos concertos e festivais pelo país fora. E a cereja acima do bolo é a edição deste álbum “Everything Ends”, passados quase 30 anos da formação da banda. Ao princípio o título do álbum podia levar a uma situação mais drástica, mas aí temos Web, a percorrer o país de lés a lés. Como tem sido as reacções ao álbum e o que as pessoas te tem dito? Qual a fórmula de manter o vosso som actualizado, levando a uma evolução constante da banda?

Antes de mais Viva! E obrigado por te teres lembrado dos Web.

O titulo do álbum insere-se no contexto do próprio álbum, nas letras, no artwork e no clima que pretende criar, mas como é obvio “Everything Ends” é um dado adquirido, não vale a pena tentar fugir disso, mais tarde ou mais cedo acontece!

As reacções ao álbum têm sido muito positivas, quem já conhece o percurso e o trabalho de Web fala em evolução técnica e sonora conseguindo sempre soar a Web. Aqueles que ouvem ou vêm Web pela primeira vez e já conheciam de nome costumam dizer-nos que não faziam ideia que a nossa sonoridade fosse esta e dão-nos parabéns! Os “virgens” mediante aquilo que ouvem ou vêm costumam ficar muito admirados quando se apercebem que a banda celebra agora 30 anos e que nunca esteve parada.

A fórmula para mantermos o som actualizado é simples e tem a ver com a nossa maneira de ser. Em termos de novidades acompanhamos sempre o meio nacional quer internacional, porque gostamos e esta é a nossa paixão! Não nos fechamos no passado, porque já passou e também não recusamos a novidade sem primeiro a conhecermos.

Penso que é esta atitude que naturalmente nos dá a tal evolução constante de que falas.

11224019_884125248327891_7182193790142624165_nEste álbum serviu de mote à “Everything Ends Tour” com vários concertos ainda na calha como o Moita Metal Fest, SWR Metal Fest, Bulldozer Fest, Viseu Rock Fest, ou mesmo em espaços mais pequenos. Tive a oportunidade de os ver em vários sítios e é evidente a energia em cima do palco. Como tem corrido estes concertos? É notária a evolução nas condições e nas salas de concertos? És observador atento das bandas que partilham o palco com vocês? Tem previstas mais datas nesta tour?

Os concertos têm corrido muito bem! A parte I da tour com todos aqueles fins de semana seguidos foi excelente em termos de convívio com as outras bandas e com o público!

A parte II está agora a decorrer, em termos temporais é diferente, uma vez que é mais espaçada no tempo.

Posso desde já dizer que em termos de convívio está a acontecer a mesma situação atrás descrita, em termos de participação do público, está a ser brutal! Boas casas com muita participação do pessoal, notamos que muitos já cantam os temas do novo álbum e apercebermo-nos que temos muita malta nova lá presente, nova em termos de idade e nova por serem a primeira vez que assistem a um concerto de Web.

Este facto deixa-nos muito contentes

Todos sabemos a vossa história, mas como é que tu e o David Duarte começaram por ser roadies dos Tarantula? Podíamos dizer que já existia um aglomerado forte de pessoas na década de 80 que se interessava pela música mais extrema? Onde é que se juntavam e procuravam descobrir novas edições de bandas?

Sim mas eramos muito menos! Geralmente juntávamo-nos na escola secundária, nas casas de cada um, partilhávamos as revistas, (a maior parte em Alemão o que dificultava ainda mais), em dois ou três “tascos” no Porto, e claro, nos poucos concertos de que de vez em quando aconteciam! Em termos de frequência estamos a falar de cerca de meia dúzia por ano de bandas internacionais, e igual ou menos ainda de nacionais, e se estivermos a falar mesmo só de som extremos sem o “Rock”, eu diria mesmo que eram ainda menos…

Para terem uma ideia, mais de 80% dos vinis que adquiri na última metade dos anos 70 e da primeira dos anos 80 vieram de fora de Portugal, sobretudo do Corte Inglês de Vigo 😛

Depois abriu a Tubitek, mais tarde a Bimotor, pontos de referência no Porto, e já se trocava muita correspondência, com a particularidade do pedido da devolução do selo (lol), e as coisas já passaram a ser diferentes.

Em 1986, começam o vosso longo e saudável percurso, que foi interrompido por uma das coisas que a juventude de hoje em dia não tem conhecimento e que limitou algumas das bandas do nosso meio e que era o S.M.O. (Serviço Militar Obrigatório). Mas em 1992 fazem parte da compilação nacional “The Birth of a Tragedy”, e em 1994 editam a vossa primeira demo. A partir daí foi sempre a subir. Como definiram o som que queriam fazer no início? Havia alguém na banda que indicou que o caminho era o thrash metal? Como era o ambiente que se viva no meio da década de 90 a nível de concertos, público e bandas?

Nascemos em 1986 e a nossa estreia deu-se em 1987 no Rock Rendez Vouz. Foi muito auspiciosa e voltaríamos lá um ano mais tarde. De facto, na altura o SMO atrasou um pouco o nosso percurso. Devido à nossa idade ser em “escadinha” começamos a ir à vez, e quando um estava para sair entrava outro, na altura, o tempo médio foi de ano e meio.

Nunca nos preocupamos muito com o dito estilo, a principio, talvez devido aos temas serem mais arrastados fomos conotados com uns certos sons que estavam a proliferar na Europa mas por cá ainda eram pouco conhecidos, estou a falar de Black Metal e Death Metal. A partir da “Evil Tape” começamos a ser decididamente conectados com o Thrash Metal.

No meio da década de 90 houve um boom e começaram a haver muitos mais concertos, fanzines, salas e bares abertos ao dito som extremo. Enfim, o meio começou a proliferar e como é logico os Web pertencendo a este mesmo, e já na altura sendo considerada como uma banda veterana também começamos a tocar com muita mais frequência, editar demos, partilhar palcos com bandas estrangeiras, etc.

Já na altura em que o underground estava a regredir o David teve de abandonar a banda (finais de 1997), devido a doença, que 4 anos mais tarde nos retiraria a sua presença física… Eu e o Fernando tivemos de “levar o barco” por diante, não vou dizer que tivemos de recomeçar tudo de novo, uma vez que o nome Web já estava praticamente consolidado no meio Metálico Português, mas tivemos de “enterrar e expurgar velhos fantasmas” o que podem crer foi muito pior mesmo…

Passado menos de um ano, depois de muitos ensaios já com a nova formação, lá conseguimos dar um concerto e continuar a andar com a causa prá frente.

11051869_977571592295766_5201456662068038453_n-4

Como surgiram as tuas ligações com o Fernando Martins e o Pedro Soares? E já em 2005 como surge o Filipe Ferreira? Todos tem gostos musicais diferentes, ou partilham as mesma influências. Pelo que já vi, o teu gosto musical é bastante variado.

O Fernando conheci-o através do David, na altura era assíduo cliente/frequentador da Halloween, (para quem não sabe uma das primeiras lojas dedicadas inteiramente ao Heavy Metal que era da pertença do David e da esposa e se situava no C.C. Stop), na altura estávamos com uma remodelação na banda, saíram 3 elementos e entrando outros 3, e foi com este novo line up que gravamos a “Promo Tape”.

O Pedro respondeu a um anuncio que viu precisamente na Halloween, isto em Outubro de 1997 quando houve a última grade remodelação nos Web.

O Filipe também se candidatou ao lugar vago de guitarrista, na altura para podermos começar a promover o “World Wild Web” que tinha acabado de ser editado.

Nós partilhamos mais ou menos os mesmos gostos com umas certas diferenças nas preferências de bandas ou estilos. No meu caso consumo um leque muito variado de Metal, Rock e Blues, depende muito do momento e da oportunidade, não me preocupo com rótulos, o que gosto, gosto o que não gosto, não quer dizer que não preste, apenas que não gosto, o problema até pode ser meu, por isso paciência…

1933385_1027232944017120_818947595101649164_oActualmente temos a teia da internet que se tornou parte do nosso dia-a-dia, tornando possível aceder a muita informação e muita música. Utilizas as tecnologias para descobrir novas bandas, ou és mais selectivo na quantidade enorme de bandas que se descobrem todos os dias. Este meio facilitou a divulgação das bandas, ou limitou-o devido a essa mesma grande quantidade de informação? O que é necessário para singrar no nosso meio?

Sim utilizo bastante, muitas vezes opto por ouvir bandas de países não muito comuns e bandas que nem sequer tinha ouvido falar nelas, e isso agrada-me muito, dá-me muito prazer conhecer cenas novas e ficar a gostar delas.

Penso que a quantidade enorme de informação apesar de ter aspectos negativos, os positivos se forem bem aproveitados superam e de que maneira os negativos, não curto nada a frase “no meu tempo é que era”, não era já foi, por isso já passou, agora se o soubeste aproveitar ou não isso já é outra história.

Para singramos no nosso meio, é preciso perseverança, gosto, empenho e disponibilidade, mas isso é como tudo na vida, o resto com certeza que mais tarde ou mais cedo irá aparecer, por algum motivo se costuma dizer que a sorte protege os audazes!

E terminamos por aqui esta entrevista. Queria-te agradecer pelas tuas respostas e bebemos um copo num próximo concerto algures pelo país. As últimas palavras são tuas!

Eu é que agradeço quer a entrevista, quer o teu modo de estar e apoiar o nosso meio, e como últimas palavras convido o pessoal a aparecer num concerto qualquer num sítio qualquer a juntar-se a nós e bebermos o tal copo juntos.

IIN METAL WE TRUST!!! IN UNION WE STAND!


Dico – Breve História do Metal Português

12512301_1099417410082933_6856510904411113894_n

Na sequência do pré-lançamento de uma obra literária icónica do movimento nacional está de regresso através de uma nova edição revista e aumentada a “Breve História do Metal Português” da autoria do Dico (Eduardo José Almeida).

Nada melhor do que recordar uma entrevista dada pelo Dico à Ode Lusitana em Abril do ano passado.

   Jornalista e músico, Dico tem deixado a sua marca na história do underground nacional. Dos vários trabalhos realizados, até projectos que ainda estão em gestação ficamos a conhecer o excelente empenho demonstrado.

10941830_397395457107654_3757071436482432474_nViva Dico! Desde já queria agradecer por teres aceitado responderes a estas perguntas e queria começar por que nos contasses como foi a tua introdução ao “Som Eterno”? Ouvias os álbuns sozinho em casa ou existia a partilha com os amigos?

Olá, Marco. Eu é que agradeço o convite. O primeiro tema pesado que me recordo de ter ouvido foi o “Bohemian Rahpsody”, dos Queen, aos 7 anos. Na época, por influência dos meus irmãos, também ouvia a Suzi Quatro e, mais tarde, o hit single dos Survivor, “Eye of the Tiger”. Estes foram os primeiros artistas de Hard Rock que ouvi. Tinha eu 11 anos, em 1982, quando o meu irmão me deu a ouvir o “The Number of the Beast”, dos Iron Maiden, e a partir daí fiquei definitivamente enfeitiçado pela música pesada. Comecei a ouvir Van Halen, UFO, AC/DC, Saxon, Deep Purple, Huriah Heep, Motörhead, bandas que o meu irmão e os amigos dele me mostravam. Cedo comecei, também eu, a levar lá a casa os meus amigos para os endoutrinar no Heavy Metal (LOL).

Tinhas lojas em que procuravas as novidades que iam surgindo?

Sim. Passei inúmeras tardes com amigos a descobrir novos discos nas míticas discotecas Motor (mais tarde Bimotor) e One-off, bem como numa loja de música que havia no Centro Comercial do Lumiar.

Como começou o teu fascínio pela bateria? Ainda te lembras da tua primeira aquisição?

Lembro-me de ficar absolutamente fascinado com a forma de tocar do Nicko McBrain, dos Iron Maiden. Por isso, aos 12/13 anos comecei a “tocar bateria” em caixotes de papelão com as agulhas de tricot da minha mãe (LOL). Depois, passei a “tocar” com colheres de pau viradas ao contrário em caixas tupperware fechadas com ar dentro, para dar mais estrondo (LOL). Só aos 18 anos comprei a minha primeira bateria, uma Superstar (LOL) que custou 80 contos (400€) e me foi oferecida por uma tia. Na época, não sabia nada do hardware do instrumento. Lembro-me que a dada altura o lojista que me vendeu o kit disse: “Vou buscar a chave da bateria” e eu perguntei-lhe: “As baterias também têm chave?” (LOL) Na época, era este o meu grau de desconhecimento.

Ao longo do teu percurso musical passas por várias bandas (Paranóia, Powersource, etc), mas fala-nos da tua passagem pelos Dinosaur, desde a gravação da demo auto-intitulada, ao aparecimento do tema “Accident” na compilação “The Birth of a Tragedy”, assim como da tua passagem pelos Sacred Sin e do lançamento do “Darkside”.

A minha passagem pelos Dinosaur não foi isenta de problemas e conflitos, mas prefiro recordar os bons momentos, que foram muitos. Adorava os Dinosaur. Evoluímos e crescemos em conjunto. Nos dois anos que estive no grupo tivemos vários pontos altos: a participação no 1º Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa, o concerto no Cais do Sodré na final do concurso, a 1º parte dos Censurados na Bobadela, a gravação da demo-tape e dos telediscos, a participação na compilação “The Birth of a Tragedy” com o tema “Accident”…Tenho orgulho daquilo que alcançámos. Fazíamos música genuína, com paixão, de forma inocente. Sabíamos que tínhamos bons temas, mas só percebemos que estávamos a fazer algo relevante quando chegámos à final do referido concurso e fomos objecto de uma exposição mediática pouco habitual na época para um grupo de Metal underground. Vivi nos Dinosaur momentos mágicos. Também foi um enorme privilégio tocar com os Sacred Sin e tive a sorte de gravar com eles o “Darkside”. Estive com a banda menos de um ano, mas esse período temporal, apesar de breve, foi também extremamente profícuo. O ambiente interno era impecável, mas na época estava a atravessar uma fase complicada a nível pessoal, o que me impediu de aproveitar melhor a minha estadia na banda. Além disso, tecnicamente não estava preparado para tocar num grupo como os Sacred Sin.

foto dico2

Um dos motivos porque és reconhecido no meio é pela tua escrita. Desde a participação em várias revistas a blogues, ao longo dos anos tens demonstrado esse interesse. Como surge essa paixão? O que te tem motivado ao longo dos anos a participares nesses projectos todos?

O que me motiva é um profundo amor pelo Underground. Tenho sempre de estar a fazer algo relacionado com o Metal. Sempre. Desde há muitos anos que essa necessidade irreprimível se manifesta na escrita sobre música. Muitas vezes não consigo ter tempo para todas as publicações nas quais colaboro. Sempre adorei escrever, portanto foi natural aliar esse gosto à minha paixão pelo Metal. Em 1989/1990 elaborei o projecto de uma zine intitulada No More Denial, que nunca chegou a ser publicada, mas a primeira vez que efectivamente escrevi sobre música foi em 1991, para a Metal Trail Zine.

Em 2013 é editado o livro “Breve História do Metal Português”. Confesso que quando o adquiri o li de uma ponta a outra, com os headphones metidos na cabeça e com o youtube ligado à procura de bandas que apareciam e que não tinha sequer conhecimento da sua existência. Foi um projecto bastante difícil de fazer?

Já várias pessoas me disseram que pesquisavam na Internet as bandas presentes no livro à medida que o liam. Essa é, efectivamente, a melhor forma de apreciar o “Breve História do Metal Português”. É uma descoberta constante. Não foi propriamente difícil de fazer, até porque foi um processo progressivo. Só a dado momento, quando já tinha um significativo volume de informação, percebi que fazia sentido dar-lhe a forma de livro. Assim foi, apesar de, à época, me debater com problemas de saúde. O que correu pior foi a relação de trabalho com a editora. As propostas de paginação que me apresentaram eram desastrosas, pelo que tive de tomar as rédeas ao projecto e encontrar quem paginasse o livro. Desvinculei-me da editora, pelo que a segunda edição foi da minha inteira responsabilidade.

Também ficaste surpreendido por algumas bandas? Que bons momentos guardas deste trabalho?

Surpreendeu-me o facto de músicos como o José Cid ou o Júlio Pereira terem tido um papel, embora fugaz, na génese do Rock pesado nacional durante os anos 70. São artistas a quem não associamos uma abordagem musical mais pesada. As melhores recordações que guardo são do processo de investigação, da descoberta constante de novas informações. Foi um percurso fantástico, descobri imensas bandas e adquiri muito conhecimento. Outra boa recordação prende-se com o facto de todos os músicos que entrevistei se revelarem bastante acessíveis e humildes. Foi uma surpresa. Por fim, é inesquecível a sensação de tomar nas mãos, pela primeira vez, um exemplar do livro.

Um dos blogues que eu seguia curiosamente era o “A a Z do Metal Português”. E aqui a pergunta: para quando uma compilação deste material que estava todo reunido? Estarias disponível para lançar este material via ebook?

Para minha desagradável surpresa descobri diversas vezes textos oriundos do blogue publicados noutros locais, sem a minha autorização. A dada altura, havia 4 ou 5 biografias da minha autoria a circularem livremente pela Internet, sem a minha assinatura. Tive de ameaçar os responsáveis com um processo judicial. Após esses tristes episódios entendi que o blogue não podia ser, de forma alguma, uma livre fonte de recolha de informação para ladrõezecos da propriedade intelectual alheia. Por outro lado, houve músicos que ficaram melindrados com as biografias que publiquei no blogue sobre as suas bandas. Não gostaram de ver relembrados episódios reais que quiseram negar e esquecer. Esses músicos envergonhavam-se do seu passado musical e queriam negá-lo, mas a história não desmente os factos. Eram pessoas que não mereciam o meu empenho e investimento de tempo a redigir as biografias dos seus grupos. Por todas estas razões, decidi eliminar o blogue. Nessa medida, embora a ideia de publicar esse material seja extremamente atractiva, não sei até que ponto seria sensato fazê-lo, pelo menos a breve/médio prazo. Antigas refregas ressurgiriam e não tenho paciência para conflitos desnecessários.

 

408380_112027742311095_1806830516_n-2

Tens em mente a edição de mais algum trabalho? O que gostarias de lançar?

Antes de mais, estou a procurar condições para fazer uma nova impressão do “Breve História do Metal Português”. Há muito que o livro esgotou e tem havido imensos pedidos, pelo que se impõe uma nova edição. Contudo, financiar o projecto não é fácil. Por outro lado, gostaria de escrever a história do Metal feito num país com ligações históricas a Portugal mas cujo nome ainda não posso revelar. As ideias para esse projecto ainda não passam disso mesmo. Estou também a compilar informação para escrever a minha autobiografia musical. Talvez haja 1 ou 2 pessoas interessadas em lê-la. (LOL)

E assim terminamos esta entrevista onde as últimas palavras são por tua conta, mas antes disso queria saber a tua opinião acerca do estado ‘literário’ do nosso país em relação ao metal e o que aconselharias a todos para se iniciarem neste mundo da edição, desde os livros às fanzines.” Obrigado e abraço!

Em relação a livros sobre Metal publicados no nosso país ainda estamos numa fase embrionária. Além do meu livro e da biografia dos Moonspell nada existe. No entanto, sei que a biografia de outra banda está para ser publicada há mais de um ano. Em termos literários destaco a corajosa fundação das Publicações a Ferro e Aço, editora que lançou a versão portuguesa da biografia dos “Metallica …And Justice for All: The Truth About Metallica” e prepara o lançamento de mais obras do género. Ou seja, o mercado está a mexer, mas ainda de forma incipiente. O meu conselho é que quem deseje publicar um livro o faça como edição de autor. Ao contrário do que muitos dizem este género de edições não são desprestigiantes. É sempre melhor ser o próprio autor a ter controlo absoluto sobre todo o processo, desde a publicação à promoção, do que depender de editoras. Trabalhei com duas no âmbito do meu livro e ambas as experiências foram autênticos flops. Em regime de edição de autor a distribuição da obra pode ficar circunscrita à meia dúzia de lojas em que o autor consegue disponibilizar o livro, mas as vendas por correio são extremamente eficazes e suplantam essa dificuldade desde que a promoção seja eficaz.

Relativamente às fanzines também é necessário encontrar boas formas de divulgação e distribuição. Um bom grafismo, escrita de qualidade e uma periodicidade cumprida à risca são fulcrais. Estas regras aplicam-se igualmente às webzines, e-magazines, newsletters e formatos análogos.

Para terminar, dêem ao Metal o vosso melhor contributo, seja através da formação de grupos, da promoção de concertos, da publicação de zines ou da realização de programas radiofónicos. Ajudem o Underground a desenvolver-se. Sejam persistentes e felizes.

 

Como comentado, fazem as pré-encomendas do seu novo livro através do mail livrobhmp@yahoo.com.

12642907_499812076865991_2164842745670079756_n

Também disponível para descarga a compilação para download gratuito “Breve História do Metal Português – Banda Sonora Infernal”aqui.

812925_orig


Cruz de Ferro

1001879_452783558150957_1514740991_n

Cruz de Ferro é uma das bandas únicas no nosso panorama musical nacional e que nos tem mostrado que é possível utilizar a língua portuguesa com um acompanhamento rítmico feroz, onde as guitarras ganham vida neste heavy metal proveniente de Torres Novas, constituídos por Ricardo Pombo (voz / guitarra), Rui Jorge (guitarra), João Pereira (baixo) e Bruno Guilherme (bateria).

   Formados em setembro de 2009, editam em Dezembro de 2012 o seu EP de apresentação “Guerreiros do Metal”. Desde o início mostraram que vinham para marcar a diferença e as letras provam isso mesmo (“Guerreiros do Metal / somos nós e tu vais ver / incendiamos palcos / tudo o que vier”).

   O primeiro longa-duração é lançado no final de 2015, com 10 temas cantados em português “Morreremos de Pé” mostra a razão de prestar muita atenção à Cruz de Ferro. Ricardo Pombo, músico fundador, fala desta excelente banda.

11816258_833219740107335_1328692374733778879_o

Viva Ricardo! Muito bem-vindo a estas páginas da Ode Lusitana e para mim é uma honra trocar estas palavras contigo e dar a conhecer um pouco mais a Cruz de Ferro. Não assisti ao concerto de lançamento do vosso CD “Morreremos de Pé”, mas pelas imagens divulgadas foi festa autêntica. Em compensação, adquiri o vosso trabalho e tem rodado alto e bom som aqui por casa. Já gostava bastante do vosso som no lançamento do EP, sendo o meu tema favorito o “Glória ao Rey”, mas com este primeira longa-duração mostram que são uma das bandas que marcam a diferença no panorama nacional. Como foi essa festa de lançamento do álbum? Como tem sido a resposta dada pelas pessoas a este trabalho? Que tem achado das boas críticas que tem vindo de outros países, mesmo cantando na nossa língua portuguesa?

Bom dia, primeiro de tudo quero agradecer a oportunidade desta entrevista a Ode Lusitana, uma fanzine da qual eu próprio costumo seguir e por isso a honra é toda minha. No que diz respeito ao concerto de lançamento em Lisboa, correu muito bem, tivemos o RCA muito bem composto e duas grandes bandas a tocar connosco, os Shivan (Ed.: heavy metal – Loures) e os Leather Synn (Ed.: heavy metal – Lisboa). Foi uma noite memorável! Em relação ao álbum, estamos a ter excelentes reviews e tenho inclusive muita gente a falar comigo pessoalmente a dar-me os parabéns pelo trabalho realizado, o que me deixa muito feliz. O álbum deu muito trabalho e demorou cerca de dois anos a ser composto, por isso ouvir boas criticas leva-me a querer que esse tempo não foi um desperdício. Em relação as criticas de outros países, tem surgido muito da América do sul e também do Brasil, temos também algumas criticas de países da Europa e parece que afinal de contas a língua não tem sido uma barreira.

Essa particularidade da língua foi bem definida por ti desde o início da formação da banda e à qual eu dou o total apoio. Foi uma questão de facilidade de transmissão da mensagem ou também és da opinião que a nossa língua tem bastante musicalidade? Podes contar-nos como surgiu a tua amizade com o Eurico Gomes Dias e como ele se torna um dos principais escritores das letras deste vosso trabalho?

Em relação a língua teve mesmo a ver com o tentar preencher uma lacuna que havia, e ainda hoje há no nosso underground, heavy metal cantado em português. A nossa língua torna a composição das musicas mais difícil, mas acaba por nos dar um outro alento e energia. O facto de estarmos a fazer algo que mais nenhuma banda arrisca fazer, faz do nosso trabalho único, por isso será sempre algo que vai fazer parte do ADN da banda, orgulhosamente cantar em Português! Também acho que nos conseguimos expressar melhor na nossa língua. O Eurico é meu amigo de infância, fomos criados na mesma aldeia, perto de Torres Novas, e para alem de ser um grande escritor e historiador é um grande amigo e metálico também.

12484654_903814693047839_600796799841859410_o.jpg

Portugal tem uma história riquíssima a todos os níveis, sendo motivo de orgulho de todos os portugueses. Mesmo assim, não temos a tendência para conhecermos mais essa mesma história e os nossos vários símbolos. Por vezemos vivemos ainda sob a nuvem do Estado Novo, em que palavras como ‘Nação’ e ‘Pátria’ foram “apropriadas pela ditadura e demonizadas pela revolução (do 25 de abril)”. Salazar sempre teve interesse em elevar os valores nacionais a todos os níveis e talvez seja por isso que não queremos ver esses valores. Qual a tua opinião acerca desta situação da nossa história não ter a divulgação merecida? Ou achas que ela existe, mas não é divulgada? Com quais figuras proeminentes da nossa história gostavas de ter uma conversa?

Acho que acima de tudo todos damos valor a nossa história, fico um pouco triste quando me apercebo que a palavra pátria e nação hoje em dia são muito associadas a certos extremismos (Nacionalismo; Xenofobia, etc), os próprios Cruz de Ferro já tiveram a certo ponto da carreira de mostrar que não existe nada de politico na nossa ideologia, já fomos erradamente conectados como nacionalistas só porque gostamos de contar historias de bravura do nosso povo. Mas entretanto as pessoas aperceberam-se que não temos nada a ver com esses ideais e já não nos chateiam, sabem que o que queremos mesmo é heavy metal e cerveja!!! Uma figura com o qual eu gostaria de conversar seria sem duvida com D. Duarte de Almeida, o decepado, que nós metemos na capa do álbum! O acto de bravura dele foi mesmo único, e acabou por infelizmente morrer na miséria.

Em entrevistas anteriores falas que não tens tido muita curiosidade pelo lançamento de novos trabalhos, sendo um fã das antigas sonoridades como Saxon, WASP, Judas Priest e Iron Maiden. Como nasce essa tua paixão pelo metal quando eras uma criança? Quais os 5 álbuns de metal que considerarias levar se tivesses que ir para um sítio isolado?

Nessa entrevista talvez não tenha sido muito bem interpretado, obviamente que ainda tenho muita curiosidade e consumo bastante novos trabalhos, mas mais dentro de outros géneros como death metal e thrash metal. O que disse em algumas entrevistas foi que existe muita banda nova apenas a fazer o que os antigos fizeram e com uma qualidade inferior, mas de vez em quando lá vão aparecendo bandas novas com excelentes trabalhos de heavy metal mais old-school. A minha paixão pelo Metal surge com 10 anos, quando comprei um vinil de Iron Maiden, o “Piece of Mind”! Tenho um irmão mais velho que já me tinha mostrado estas sonoridades mais pesadas. Desde que comprei esse vinil, nunca mais fui o mesmo! Bem, 5 álbuns de metal para levar para um sitio isolado será sem duvida a questão mais difícil que já me fizeram, mas olha, talvez levasse o “Painkiller” de Judas Priest; o “Animal House” de U.D.O.; o “Keeper of the Seven Keys Part II” de Helloween, o “Killers” de Iron Maiden e o “Port Royal” de Running Wild. Mas Fico com a sensação que faltam muitos…

905966_1056221981084697_6772145887496242543_o

Quando frequentavas concertos com os teus amigos, o que é que te atraia mais? Foi aí que começou o teu interesse por ser músico, ou como é que apareceu?

O meu interesse em ser músico surge muito antes de ver o meu primeiro concerto, como sou de Torres Novas acabei por ver o meu primeiro concerto já com 16 ou 17 anos, e na altura já tinha uma banda. Sempre tive a paixão pela composição e quando era ainda puto (Com 12 ou 13 anos) em vez de brincar com carrinhos ou bonecos, brincava com um teclado a compor musicas e dar nomes fictícios a bandas para cada musica que compunha. Entretanto comecei a aprender a tocar guitarra e surgiu também a paixão pelo instrumento em si, não me gosto de ver como guitarrista, prefiro que me vejam como compositor, mas a guitarra foi uma paixão que levou anos e acabei por meter a composição de lado para andar a tocar como freelancer. Mas hoje em dia apenas vejo a guitarra como uma ferramenta para as minhas composições. Finalmente estou em paz comigo mesmo.

Um dos álbuns que dou muito valor é o “Kingdom of Lusitania” dos Tarantula e lembro-me que quando o comecei a ouvir em programas de rádio e depois quando comecei a ler as letras me ter trazido uma satisfação enorme. A temática deste álbum é muito semelhante à Cruz de Ferro. Também é um álbum do qual tens interesse? Que achas da evolução do metal nacional ao longo dos anos a todos os níveis? Actualmente temos uma grande quantidade de bandas e até de sítios para tocar, mas em relação à divulgação, desde programas de rádio até às fanzines o número de elementos de divulgação tem diminuído bastante. Consegues perceber qual a razão?

Na altura em que saiu o “Kingdom of Lusitania” comprei-o logo, e lembro-me de andar de casa em casa a mostrar o álbum a todos os meus amigos. Foi sem duvida um álbum que me marcou muito também. Não só pela temática mas também pela sua musicalidade. Hoje em dia já tive a honra de privar com eles e para alem de serem uma grande banda são todos pessoas cinco estrelas. Em relação ao metal nacional, hoje está com muita qualidade e muitas bandas, felizmente. Com o boom da internet as bandas hoje têm que estar sempre a fazer algo, têm que gravar com alguma regularidade, têm que ter vídeos, etc. E isso requer muito mais tempo dispendido, mas em compensação existe mais editoras e mais publico para ver o nosso trabalho. Eu ainda sou do tempo em que andava um ano a ensaiar e não se gravava nada nem se tocava ao vivo, e quando se tocava não havia grandes condições. Hoje em dia tudo mudou, temos condições, estúdios, etc. Mas como disse, será sempre preciso trabalhar mais e melhor para nos mantermos `a superfície. Em relação a divulgação está mais digitalizada, já não existe tanto em formatos físicos, mas a coisa tende a mudar porque as pessoas apercebem-se que nada chega ao papel. Eu pessoalmente não gosto de estar muito tempo a ler no computador ou no telefone, cansa-me muito mais a vista. Talvez seja da idade…

E assim terminamos a entrevista. Quero-te agradecer pela tua disponibilidade! Finalmente, podes dizer as últimas palavras e terminar então esta entrevista. Muito obrigado!

Eu agradeço todo o apoio, terei sempre em consideração todos aqueles que apoiam o nosso underground. Os Cruz de Ferro vão estar na estrada com o nosso espectáculo a partir de Março, por isso vão ficando atentos as datas e cidades onde vamos estar! Oiçam o nosso álbum e acima de tudo apoiem o metal nacional.

Para alguma informação podem contactar-nos através do mail: Cruzdeferro666@gmail.com

CHEERS

546917

Cruz de Ferro – “Morreremos de Pé” CD 2015 (Non Nobis Productions)

Primeiro lançamento de Cruz de Ferro, depois da excelente estreia com o EP de 2012 “Guerreiros do Metal”. Sim, há uma primeira coisa que salta à vista e que é as letras serem em português, o que torna o resultado final em algo bastante interessante! Apresentam um heavy metal sem compromissos onde as guitarras indicam a direção seguida durante a música, com vários solos que unem as músicas. Sobresai a voz do Ricardo Pombo que no seu tom ‘guerreiro’ vai dando voz aos nossos heróis nacionais, ou às nobres causas guerreira e não só da nossa história nacional. “O Decepado”, “Nova Aljubarrota”, “Santiago”, “Quinto Império”, são alguns dos temas que nos demonstram esta ideia. Resumindo, um bom álbum para ouvir e gritar bem alto as letras!

 


Buried Alive

561845_361503203958176_1000193939_n

Buried Alive é uma banda nascida já nos idos anos de 1991 em Vila Nova de Gaia, ou seja que passados 25 anos ainda mostram a sua perseverança de querer mostrar o seu trabalho e provar que ainda estão activos para mostrar o seu thrash metal.

   A sua demo de estreia surge em 1996 com o nome “The Fisrst Burial” a que se segue a promo-tape de 1998 “El Niño”. Após a participação em algumas compilações surge o primeiro longa duração “Spoils of War” em 1999, seguido por “Welcome to Reality” de 2001.

   Após uma grande paragem surgem em 2015 com o terceiro longa-duração “Exploding Ashes”. E que grande trabalho de regresso tiveram! A banda actualmente é constituía por Jorge Fernando (voz / guitarra), Ricardo Sousa (guitarra), Ricardo Vieira (baixo) e Hugo Almeida (bateria).

   Foi com o Jorge Fernando que ficamos a conhecer um pouco mais dos Buried Alive.

 12593631_1083518931701031_2131369264895980777_o

Viva Jorge! É um prazer ter-te neste número da Ode Lusitana, especialmente porque se trata do ressurgimento destas edições, após uma pequena pausa e nada melhor do que iniciar com uma entrevista a Buried Alive. Foi com bastante satisfação que assisti ao lançamento do vosso álbum “Exploding Ashes” no Metalpoint, assim como o concerto já este ano de 2016 no Hard Bar em Bustos. Antes de avançarmos com a entrevista, queria saber o que é que te faz ainda subir a um palco para tocar, quando à semelhança de muita gente podias estar em casa no sofá ou numa esplanada algures por aí? O que te faz mexer e continuar a tocar este estilo de música?

Boas, Ode Lusitana! Ainda bem que gostaste, o que me faz subir a um palco para tocar, ao fim de tantos anos, é uma paixão enorme que tenho pela música, comecei a aprender música cedo, com 7 anos e a ouvir Heavy Metal e não só, para aí com 8 ou 9, portanto, imagina, mas não é só tocar é também ir ver concertos de outras bandas. 

O objectivo inicial da formação da banda em 1991 junto com o José Pereira foi de tocarem a música que gostavam. Como foi que se dá o início de começares a ouvir metal? Juntavam-se em casa de alguém para verem as novidades ou já andavam pelas lojas? Como conheces o José Pereira e dão início aos Buried Alive?

A ideia inicial de formar uma banda surgiu ainda antes de 1991, o Pereira era meu vizinho e da mesma idade do meu irmão, que desde muito cedo me iniciou no mundo do Heavy Metal, juntávamo-nos em casa dos meus pais e em casa dos pais do Pereira a ouvir grandes bandas, Iron Maiden, Judas Priest, Van Halen, etc. e a ver vídeos sacados do Headbangers Ball e outros como VH1. Depois como eu andava a aprender música foi só convencer-mos os nossos pais a comprar as guitarras e foi assim que começou.

Depois de lançamentos de alguns trabalhos e de uma paragem de 6 anos, regressam em 2009 e até previram o lançamento de um EP. No entanto mais mudanças na banda e para este álbum temos o Ricardo Vieira, o Ricardo Sousa e o Hugo Almeida. São amizades que já vem de longe? Existe muita diversão e loucura em cima do palco, mas nota-se que funcionam perfeitamente a nível musical. O objectivo será sempre o prazer de tocar para as pessoas?

As paragens que temos tido até hoje têm sido sempre por motivos profissionais, e como nenhum de nós vive da música, à excepção do Hugo, que é dono do Metalpoint, quando o trabalho interfere com a banda, infelizmente é necessário tomar decisões. O Pereira, juntamente comigo era elemento fundador, mas por questões de trabalho teve de abandonar e com ele o nosso baixista da altura, o Filipe Raimundo. O Ricardo Vieira já tinha gravado a nossa 2ª maquete “El Niño” e gravou o nosso 1º álbum, “Spoils of War”, por isso já era conhecido, o Ricardo Sousa, apesar de nunca ter tocado connosco já era conhecido da banda e a química entre todos resultou muito bem, e não é só a nível musical mas também a nível pessoal, que para mim é muito importante, ale de quatro membros de buried alive somos também quatro amigos e enquanto continuar assim iremos tocar até não dar mais, até o corpo não deixar.

Ao fim de 14 anos sem edições apresentam este novo álbum. Como surgiu a hipótese da edição ser feita pela Firecum Records? O Pedro Junqueiro além de pertencer à esta editora também é vocalista nos Booby Trap, tendo actuado com vocês. Qual a sensação de teres passado em palcos em que te reencontras com este pessoal que também anda a longos anos pela estrada e que continua a tocar por gosto? Muita troca de histórias entre vocês?

A ideia era gravarmos um EP, mas o incêndio no estúdio do Bruno Silva, fez-nos perder as gravações, por isso continuamos a compor e fizemos músicas para um álbum. Entretanto o Pereira e o Filipe saíram e tive que ensinar as músicas todas aos Ricardos e voltar a treinar a minha voz. A edição ia ser feita por nós, uma edição de autor ou disponibilizar de borla on line, mas através de um amigo comum, o Pedro Branco da Bunker Store, entramos em contacto com o Pedro Junqueiro e chegamos a acordo para a edição do álbum e cá está ele, ao fim de tanto tempo. Os concertos que demos juntos foram fantásticos porque houve uma cumplicidade muito grande entre as duas bandas, talvez pelo amor que todos temos pela música, por andarmos cá à tantos anos, não sei, o que me interessa é o bom ambiente que tivemos nesses concertos…venham mais.

12525454_1083518808367710_2071997254664201893_o

Buried Alive fez este ano 25 anos de carreira. Imagino que não estarias à espera desta longevidade? Como olhas para a passagem destes anos todos? Que achas do grande número de bandas que a cena nacional actualmente possui?

Sinceramente, não mas, olhando para trás no tempo, a paixão pela música, enquanto durar e como já disse, o corpo deixar eu vou cá andar, seja com esta ou outra banda, com este pessoal ou outro, o que interessa é a diversão, nossa e do público que vai aos nossos concertos. Acho que por um lado é bom termos tantas bandas no activo, algumas novas, alguns regressos, mas como em tudo, isso gera também muita competitividade entre as bandas, mas desde que seja saudável, é na boa. Estamos cá é para tocar e como eu costumo dizer, eu só estou bem é em cima do palco.

Ora bem, álbum lançado e acredito que o que vocês querem será vir para a estrada tocar! Mesmo assim, deixo aqui este espaço para as tuas últimas palavras nesta entrevista e agradecer a tua disponibilidade e ajuda. Muito obrigado!

Sim, agora queremos é tocar, e tocar, e tocar……

É uma honra estar a ser entrevistado por vós e quem tem de agradecer sou eu e a banda por ainda haver pessoas como vocês com este tipo de iniciativas. Obrigado também aos fãs e todas aquelas pessoas que vão aos concertos, nossos e de outras bandas.

Obrigado por tudo e continuem assim.

Apoiem o Metal Nacional. \m/

Abraço

545393

Buried Alive – “Exploding Ashes” CD 2015 (Firecum Records)

Passados 14 anos desde a edição do seu último registo, ficamos absorvidos com o lançamento deste trabalho dos Buried Alive. Com a sua sonoridade vincadamente thrash, mantêm as influências sonoras do género da década de 90, com guitarras bem balanceadas, acompanhadas por uma secção rítmica que parece uma autêntica trituradora. As guitarras não se limitam a descarregar riffs, mas combinam para criar ambiências agressivas e pesadas, que nos influenciam para ter atenção ao trabalho que está a ser feito. As gravações, misturas e masterizações foram feitas no Metalpoint pelo Hugo Almeida, baterista da banda, sendo o trabalho de produção da banda toda. Um som final muito bem conseguido! Para os apreciadores de thrash metal é um álbum a ter em atenção e para os curiosos e interessados também.

 


Extreme Unction

Captura de ecrã 2015-11-1, às 11.37.20O nome Extreme Unction está ligado à nossa história da música mais pesada, sendo uma das bandas que marcou o movimento underground no início da década de 90 do século passado.

   A banda é formada em 1987 com o nome Guilhotina, sendo Koja o único membro que se mantêm desta fase. Em 1990 a banda muda o nome para Extreme Unction, em que conta com Pedrada nas vozes e que ainda se mantêm na formação. Em 1992 lançam a demo com o tema “Insane Procreation” e depois de vários lançamentos editam em 1995 o álbum “In Limine Mortis” através da Monasterium. Em 2008 lançam a sua última gravação, com um tema de nome “Cold Breeze of Winter”.

   Passados estes anos voltam a mostrar a sua sonoridade death / doom metal através do álbum “The Last Sacrament”. Actualmente a banda é constituída por Pedro Gonçalves “Pedrada” (voz), Koja Mutilator (baixo), Marco Marouco (guitarra), Sérgio Marcelino (guitarra) e Pedro Almeida “Tosher” (bateria).           

   Estivemos à conversa com o Marco Marouco que nos levo ao universo dos Extreme Unction, mas também que nos apresentou um pouco dele e que é um grande apaixonado pelas sonoridades mais extremas.

11737970_138308046503335_2885629493119065983_n-2 

Viva Marco! Primeiro do que tudo queria agradecer-te pela tua disponibilidade para responder a estas perguntas, especialmente quando estás no meio da preparação do álbum “The Last Sacrament”, que marca o regresso dos Extreme Unction. Como surgiu a ideia de se voltarem a reunir e preparar este álbum?

Boas Marco!!! Hahahaha. A ideia do “The Last Sacrament” surgiu quando estávamos a gravar Festering em minha casa, tenho aqui um estúdio montado, então foi fácil, eu tinha uns riffs o Koja também, decidimos falar com os membros que gravaram o “In limine Mortis” e todos aceitamos gravar o que seria ou será o último disco da banda 20 anos depois do primeiro e único hahahaha.

O Bruno esta em NYC ele disse que gravava as baterias lá e enviava, mas isso demorou muito tempo e ao fim de uns meses ja tinhamos o disco composto e gravado e nada de respostas, decidimos falar com o P.Tosher para gravar as baterias, ele ouviu as músicas parece que curtiu e aceitou o disco ficou como queriamos, um som fodido, muito rock.

 

O objectivo é manter a sonoridade anterior de Extreme Unction ou irem por caminhos diferentes?

A gravação foi muito expontânea, inventava riffs, curtíamos, gravávamos, o Sérgio inventava a guitarra dele por cima do meu riff ate gostarmos todos e gravávamos… saiu o que saiu. Eu só componho para Extreme Unction, em todas as outras bandas nunca compus, fiz umas letras mas musicalmente nunca fiz nada, a não ser inventar os solos que por acaso são todos improvisados hahaha. Por isso os Extreme Unction têm muito do passado. Em termos de composição nóss sabemos o que falta e o que não falta numa musica de Extreme Unction, mas como todos fomos ouvindo outras músicas ao longo de 20 anos isso aparece no disco… Eu puxei pelos Thin Lizzy e Rainbow, o Sérgio pelos noruegueses o Koja pelos putrefactos que por ai andam… tem doom, heavy, death…

 

Todos vocês são já conhecidos de há longa data, mas como foi estarem todos na mesma sala a ensaiarem?

Para mim que não estou habituado a ensaiar foi fixe estar ali com o pessoal a curtir a tentar tocar as músicas todos juntos porque foi a primeira vez que tocamos todos juntos, nao suou bem mas foi um momento muito bom pegar nas guitarras e abanar as gadelhas

Com vários anos de experiência e em várias bandas o que pretendem transmitir com este regresso e o que esperam quando voltarem aos palcos sob o nome de Extreme Unction?

Não queremos transmitir nada de transcendental, apeteceu-nos fazer musica nova e ja que faziam 20 anos da edição do “In Limine Mortis” era giro conseguir editar músicas novas, falamos com algumas editoras e o Luis Lamelas da Chaosphere decidiu apostar no novo disco, em relação aos palcos, se quiserem ver Extreme Unction mandem mail para extremeunctionpt@gmail.com eu vou lá para abanar a gadelha e siga, eu curto de certeza hahaha.

12006475_174449879555818_4808802969479520246_o-2

Como surgiu a oportunidade de ingressares na banda em 1994?

Epá a ver se me lembro, eles só tinham um guitarrista o Mantus de Moonspell e andavam a procura de outro guitarrista mais melódico…acho, aprendi as músicas em casa do Koja e lá demos um concerto que correu bem.

 

Já conhecias alguns elementos da banda?

Com o Mantus estudei um ano no liceu e outro no conservatório de musica, o Koja e o Pedrada conhecia-os da escola de trocar discos, coisas que se faziam antes..

 

Antes da tua entrada ocorre a situação do Koja deixar o baixo para ser guitarra ritmo , devido à necessidade da banda, passando Pedrada para o baixo e voz, mas como não consegue fazer tudo ao mesmo tempo decidem convidar a Cláudia para a voz! Era sempre comum estas alterações ao longo dos anos?

Sim, isso era muito comum. O pessoal que tocava era pouco, éramos chavalos e não tínhamos muita experiência, então nem sempre os músicos se aguentavam muito tempo. Havia quem não tivesse grande talento para a música, outros sem disponibilidade e grande vontade para continuar. No início é muito fixe tocar numa banda, depois começas a ensaiar e a seres obrigado a dedicar algum tempo a isto, e aí é que as cenas começam a complicar. Até achares um line-up estável era lixado. Depois uns curtiam tocar umas cenas, outros preferiam outras e nem sempre se conseguia conciliar os gostos musicais de cada um. Pelos Extreme Unction, passou muito pessoal que foram para outras bandas: Moonspell, Ravensire, Sacred Sin, Gritos Oleosos, Desire… olha o meu caso, que toquei e toco em várias bandas e projetos. Só aí dá para se ter uma ideia do que já se passou durante estes anos.

1799944_115951188739021_7802807375647813282_o

Como consideras esses primeiros anos dos Extreme Unction, que tem o ponto alto o lançamento do único longa duração “In Limine Mortis” de 1995?

Foram anos de muitas mexidas, entradas e saídas. Devido a isso as cenas da banda terem demorado a sair e tão espaçadas umas das outras. Se os Extreme Unction tivessem mantido uma formação mais ou menos estável, de certeza que a coisa podia ter dado mais frutos e não tivesse ficado só por estes lançamentos. Mas a banda mesmo sem músicos fixos, ia tocando ao vivo, com músicos emprestados, ex-membros que faziam uma perninha… ou seja, a banda mantinha-se viva e activa, mas precisava de mais estabilidade para mandar cá para fora mais material, fazer mais lançamentos.

 

No início deste século, decides rumar aos Sabatan, banda madrilena de heavy metal, da qual participas inicialmente como baixista, gravando o álbum “Fire Angel” em 2006 e também fazes parte da icônica banda de thrash metal madrilena Omission aqui sim, como guitarrista e do qual participas entre outros lançamentos, no “Thrash Metal is Violence” de 2009 e “Merciless Jaws from Hell” de 2011. Como surgiu esta oportunidade por terras espanholas?

Fui para Madrid por motivos profissionais. Fui saindo na noite madrilena e conhecendo o pessoal, ao princípio era complicado falar com eles mas com o passar dos tempos já me fazia entender hahaha.

 

Como foi o teu contacto inicial com Sabatan e mais tarde com Omission?

Foi muito fixe, os Sabatan conheci-os pelos bares em que tocavam, ia ver ensaios e no fim dos ensaios tocava guitarra. Com o baterista gravámos uma demo, um EP e um disco nos quais participei com algumas letras. Os Omission ensaiavam ao lado e precisavam de um guitarrista, como ja lá andava o baterista de Sabatan a fazer uma perninha ele convidou-me para ir tocar guitarra, e lá fui eu.

Que achas da cena underground espanhola e quais os seus pontos fortes?

A cena underground espanhola está muito bem de saúde apesar das queixas, há bandas aos pontapés e muito boas, desde o hardrock dos Tequilla Sunrise ao heavy dos Ciclón, Leo, Frenzy, Wild ao thrash Omission, Hellraisers, Agresiva, Angelus Apatrida, death metal e grind aos pontapés com Haemorrage, Gloom, Embloodyment, black metal tambem há… têm sitios onde ensaiar, apesar de caros eles existem, muitas salas para concertos e uma associação que junta isso tudo, a Pounding Metal Union de Madrid depois cada cidade tem uma coisa do género, Metalcova em Barcelona, em Múrcia também há algo do género, Pais Basco, Badajoz… e ainda têm os festivais grandes para levar algumas bandas novas, o ponto forte sao as associações de Metal que existem em cada província…e os bares!!!!!

 

De regresso a Portugal e em parceria com o Rick e o Paulão, preparam um dos melhores álbuns de thrash metal nacional de 2014, o grande “Thermonuclear Epiphany” de Perpetratör. Houve uma necessidade tua de procurar uma banda em que pudesses transmitir a tua energia, ou o contacto foi feito por eles?

O Rick já me andava a chatear há uns anos para gravar essa porra mas faltavam as músicas, quando o Paulão nos apresentou as músicas ficamos um bocado baralhados com tanta qualidade, só com bateria e guitarras o que nos deu muita pica para continuar o caminho, os solos para variar foram inventados na hora, gravei uns 8 solos por música e o Paulão depois escolhia, depois o Rick gravou o baixo e a voz e a coisa funcionou, ficámos muito contentes com o resultado final.

10926188_10204205861689153_6065074565716412507_n-2

Um dos teus grandes prazeres é estares acima de um palco e desde o ano passado também participas ao vivo nos concertos de Filii Nigrantium Infernalium. Qual o conselho que darias aos músicos das novas bandas que ainda não tem muita rodagem em cima do palco?

Não se metam nisto hahahahaha… se for para curtir, siga, é ir para o palco e principalmente curtir o momento, esse já fica para ti, mesmo que depois tentem não pagar o cachet hahaha. E não fiquem paradinhos a mostrar que sabem tocar, quem é que curte paradinho??? Se derem pregos, azar! Para a proxima sai melhor.

 

Antes de acabarmos, como foi a tua iniciação na audição deste som eterno?

O meu irmão passou-me uma tape com o “Piece of Mind” de um lado e o “The Number of the Beast” do outro… foi o verão todo a partir brita… depois vieram os Venom, Twisted Sister, Motörhead, Celtic Frost e a thrashalhada toda tanto alemã como Bay Area como brasileira.

 

Ainda te lembras dos primeiros álbuns?

Sim… o primerio disco que tive foi subtraido numas eleições para a associação de estudantes na escola… Foi o “Peace Sells”… depois comprei uma colectânea dos Motörhead em cd… A partir dai foi sempre a comprar vinil tudo o que era da Noise Records… tive que vender tudo para ir para Madrid hahahaha…pobres.

 

O thrash metal tem uma grande influência na tua formação ao longo dos anos?

Sim mas não é a principal, eu sou mais do Heavy, aprendi muito com os guitarristas de thrash mas gosto mais dos do Heavy, Dave Murray, John Sykes e o grande Van Halen.

 

Agora sim, terminamos a entrevista e ficamos a aguardar “The Last Sacrament”, um dos retornos mais esperados dos últimos tempos. Muito obrigado por tudo Marco e as últimas palavras são tuas.

Obrigado pela entrevista e pela oportunidade de dar a conhecer os Extreme Unction comprem o disco na Chaosphere Recordings / Glam-o-rama e mandem mails a convidar o pessoal para tocar.

DOOMED WE LIVE…IN DEATH WE TRUST


My Enchantment

Captura de ecrã 2015-11-6, às 18.54.48

My Enchantment, banda do Barreiro formada no ano 2000 e praticante de black metal / melodic death metal com componentes sinfónicos, edita em 2005 o seu primeiro longa duração “Sinphonic”. No ano passado voltam as edições, desta vez com o EP “The Death of Silence”, do qual faz parte o single “The Fallen”. A banda é constituída por Alex Zander (voz), João “Grande” (guitarra), Pedro Alves (guitarra), Rui Gonçalves (teclado), Fernando Barroso (baixo) e Ricardo Oliveira (bateria).

   Estivemos à conversa com o vocalista Alez Zander, onde nos mostra a razão de ser uma banda em que todos necessitamos de estar atentos.

 12031617_1172764316072962_1091647297966025881_o-2

Olá Alex Zander! É um prazer teres aceite o convite para responderes a estas perguntas para a Ode Lusitana.

Para começar, como se dá a tua entrada nos My Enchantment no ano de 2012? Já conhecias bem a restante formação?

Boas Marco, obrigado pelo convite .
Está agora em “Outubro” a fazer 3 anos que fiz um casting para o lugar de vocalista, eu não conhecia ninguém da formação actual ou anterior mas conhecia a banda e algumas músicas.

Em 2005 editaram o único longa duração, “Sinphonic” e devido a vários problemas, que envolveram uma alteração profunda na formação da banda, editam em 2014 o EP “The Death of Silence”.

Nós já estávamos na gravação do nosso 2º álbum, quando faltava gravar a voz, então o vocalista decide sair da banda, como um efeito colateral houve também algumas alterações quer na guitarra e teclas, o que dificultaram o progresso e o retorno de forma estável aos palcos e gravações.

 

Esta edição foi para mostrar ao público que estavam de regresso às edições, em vez de se prepararem para lançar um segundo longa duração?

De certa forma sim, a banda delineou que voltaríamos aos palcos e durante isso iriamos compor e preparar a gravação de um ep com temas inéditos compostos pela nova formação, logo no início de 2013 começamos a tocar ao vivo e durante esse ano gravamos e colocamos disponível para venda o ep nos nossos concertos durante 2013/2014.

Regressamos com um EP para quem esperou muito tempo, um álbum levaria mais tempo.

Como foi trabalhar nestes temas?

Foi muito bom, estivemos muito empenhados na composição, e a preparar tudo cuidadosamente para que corresponde se às nossas espectativas, trabalhamos muito com maior frequência de ensaios e juntar as várias ideias de cada um.

12074684_1177623998920327_1799310105832355252_n-2Qual a importância desta edição para ti?

Confesso que foi um verdadeiro desafio e responsabilidade, a banda tem uma grande reputação no underground nacional e mais de uma década e meia de vida, bons músicos com objectivos bem definidos que iam ao encontro dos meus, a dedicação e empenho de todos contra as adversidades que fomos encontrando ao longo do tempo fez com que o “The Death of Silence” fosse muito especial por todos os desafios e objectivos realizados .

Como surgiu a parceria com a Music In My Soul para a reedição deste trabalho?

Em meados de 2014 houve uma proposta da MIMS que na altura parecia interessar aos objectivos da banda , o ep estava a ser vendido de forma promocional, para mais tarde editarmos uma versão final que fosse distribuído para venda nas lojas, íamos precisar disso e apareceu alguém com uma proposta para que tal acontecesse.

Podes adiantar-nos alguma coisa do novo álbum a editar no primeiro semestre do próximo ano?

Estivemos a tentar para que isso acontecesse no final deste ano mas não está a ser possível por isso esperamos, que muito antes do verão tenhamos o álbum na mão.
O álbum instrumentalmente é a continuação do EP, no conteúdo lírico será bem diferente . Ainda não definimos bem o número de temas que irá conter, pois temos material que excede o tempo de um CD.

Conta com temas muito agressivos com a sua melancolia sinfónica que já conhecem no EP.

My Enchantment tem participado em vários concertos nos últimos tempos e brevemente estarão no VI Festival Irmandade Metálica.

Os concertos ao vivo são um dos vossos principais objectivos com a banda?

Este último ano e meio tem sido bom tocamos quase todos os meses em diferentes sítios e festivais e tem sempre havido uma boa reacção tanto das pessoas como dos locais onde actuamos.
Mas neste futuro próximo (2016) essa rotatividade não tende a abrandar muito, queremos tocar ao vivo o máximo possível e tencionamos preparar tudo para o nosso próximo álbum, criar o cenário e ambiente adequado para o que acreditamos ser o início de algo que será muito bom para a banda após o lançamento.

O que achas desta enorme quantidade de eventos que tem surgido nos últimos tempos?

Muito bom e talvez mau (risos) temos tendência a criticar ou por ser em excesso ou por falta dele.
Actualmente são alguns, quero ir ver concertos diferentes e no fim descubro que são no mesmo dia e em locais completamente distantes um do outro (risos).
500x500O público tem respondido ao surgimento destes eventos, assim como da enorme quantidade de bandas que tem surgido?

Varia muito do local e do tipo de evento que se realiza, de certa forma nota se diferença de concerto para concerto na adesão.

Que achas da situação actual do metal nacional?

Tem evoluído ao longo dos anos em umas coisas e regredindo em muitas outras.

Como nasceu esta tua paixão pelo metal e que banda ouviam no início?

Para ser sincero nem me recordo de ano ou altura que tal aconteceu eu acho que já nasci a ouvir metal (risos), foi sem dúvida pela minha irmã mais velha ouvir thrash/death metal que eu comecei a ouvir música e a ter juízo.
Ouvia e ouço muito death metal americano e nórdico até que no inicio da década de 90 conheci bandas de black metal escandinavo e comecei a seguir religiosamente até aos dias de hoje , assim como outros géneros de metal.

Também eras um adepto dos concertos e do ambiente transmitido?

A partir do momento que fui a um concerto e gostei fiquei viciado, e claro que tudo o que proporcionar um bom “ambiente” é mais um dos motivos porque se gosta tanto de ir a concertos.

Como surge o teu interesse pela participação como músico nas bandas?

Eu era mais um dos que ouvia musica e desenvolvi curiosidade por estudar, tentar tocar o que ouvia das bandas que eu gostava, depois de conhecermos a música queremos progredir e aplicar o nosso conhecimento e sentimento junto de outros ou individualmente, fazer aquilo que ouvíamos outros fazer.

Eu ia a muitos concertos, assim que dei o meu 1º concerto gostei tanto que não quero parar.

Algo que começa como um gosto pessoal e depois queremos mais, a música faz parte de mim e do meu quotidiano, para os bons e maus momentos faz me sentir bem.

No último número da Ode Lusitana, realizamos uma entrevista com o Rui Vieira dos Baktheria, banda da qual fazes parte como baterista. Como surges nesta banda e como nasce este teu contacto com o Rui Vieira?

Eu tinha deixado de tocar bateria em um projecto anterior e estava disponível para voltar a tocar, conheci o Rui por um anúncio há procura de baterista para um projecto que ele já tinha, ainda ensaiamos umas vezes até que um tempo mais tarde ele quis formar uma banda e falou comigo, começamos então a trabalhar no álbum pouco tempo depois entra o Rui Marujo e foi assim que se instalou o caos e a desgraça.

O que nos podes dizer do novo trabalha que tens de nome Cisne Negro?

Projecto diferente dos meus outros, que se está a revelar no bom caminho, agora é só uma questão de estar cá fora e de tempo.

E assim chegamos ao final desta entrevista, da qual agradeço novamente a tua colaboração. Estas últimas palavras são tuas e podes dizer o que quiseres!

Obrigado Marco pela tua vontade e dedicação há divulgação do metal assim como há Ode Lusitana pela sua existência e contributo.
Obrigado a todos os que colaboram e contribuem para o Metal \m/